FERNANDO RODRIGUES
O dever da Justiça
BRASÍLIA - Os ex-militares em busca da insólita reparação na Justiça por danos morais, físicos e psicológicos sofridos durante o combate à guerrilha do Araguaia têm a chance de prestar um grande serviço ao país. Podem provar seus pesadelos revelando em detalhes as atrocidades cometidas durante o confronto nos anos 70, inclusive os locais onde estão os corpos de dezenas de militantes de esquerda. Reportagem de Sérgio Torres ontem na Folha informou sobre a intenção de algumas centenas de ex-militares. Eles reclamam uma indenização total de quase R$ 300 milhões. Alegam carregar "seqüelas psicológicas" por causa do envolvimento no extermínio de guerrilheiros na Amazônia, fato ocorrido há mais de três décadas.
A Justiça está aí para isso mesmo. Quem se sente lesado tem o direito de reclamar. É esse também o caminho das famílias de militantes torturados, mortos e desaparecidos durante a ditadura militar (1964-1985). Mais de 130 corpos nunca apareceram. Conservador, o governo Lula se auto-excluiu do debate. "Este é um assunto do passado, que não tem nada a ver com o futuro", disse o ministro da Justiça, Nelson Jobim.
Caberá agora aos juízes responsáveis pelo casos dos ex-militares fazer história. Podem determinar uma condição preliminar: os reclamantes terão de descrever minuciosamente as atrocidades praticadas -as torturas a militantes de esquerda e o trabalho de ocultação dos cadáveres de guerrilheiros. Se um ex-militar se recusar a relatar o ocorrido ou alegar amnésia, não terá como sustentar perante um juiz seus tormentos do presente. Ninguém fica abalado psicologicamente com algo já esquecido. A Justiça foi fundamental no Chile, na Argentina e no Uruguai para ajudar a cicatrizar as feridas das ditaduras locais. Agora, chegou a vez do Judiciário brasileiro.
RUY CASTRO
Sábado em Copacabana
RIO DE JANEIRO - Em 1947, quando Dorival Caymmi começou a compor seus incomparáveis sambas urbanos -"Marina", "Não Tem Solução", "Nem Eu", "Saudade", "Adeus", "Nunca Mais", "Só Louco", "Você Não Sabe Amar", "Sábado em Copacabana"-, os puristas rosnaram sua decepção. Acusaram-no de se estar vendendo para o universo das boates. Logo ele, o grande folclorista, baiano legítimo, cantor e cultor das nossas tradições.
Para os íntimos, Caymmi se justificava dizendo que não era folclorista e que apenas precisava trabalhar. Com o fechamento dos cassinos em 1946, já não havia espaço para as superproduções em que o palco podia comportar uma jangada, uma praia ou uma rua inteira da Bahia. A realidade agora era a das boates, amenas e intimistas, em que, às vezes, o show se limitava a ele e seu violão -como se ele precisasse de mais do que isso.
A música teria de seguir o novo formato. No lugar das epopéias de pescadores em noites de temporal, era a vez dos amores loucos e sem solução, aqueles que não podiam acontecer. As marinas épicas, com tintas de tragédia, transformavam-se numa morena chamada Marina que se pintava além da conta. As tormentas passavam a ser íntimas, mas nem por isso menos brutais. Não quer dizer que Caymmi tenha abandonado a temática baiana. Sempre que cantou o mar, era o da Bahia. Um mar também idealizado porque, segundo sua biógrafa e neta Stella, ele não sabia nadar e nunca pescou.
O que só exacerba a beleza de suas canções praieiras. O artista não precisa ter a ver com sua arte. O Caymmi em terra firme derrotou o preconceito dos puristas e se impôs por sua maior complexidade musical e poética. De seus 94 anos, passou os últimos 70 no Rio, e há um quê de fatalidade e lirismo no fato de ter morrido num sábado em Copacabana. MARINA SILVA
A revolução dos incentivos
HÁ UM ponto crítico na implementação das medidas para mitigação dos efeitos das mudanças climáticas e adaptação das sociedades em face da nova realidade global, após termos cruzado os limites do uso sensato dos recursos naturais. É nesse ponto que as negociações empacam: a redução de poluentes afeta o modelo de produção dos países, sobretudo os desenvolvidos. Levando em conta as metas que convenções e protocolos internacionais requerem e o que está em jogo nessa história -a própria sobrevivência do planeta-, o custo das transformações chega a ser irrisório, comparado ao volume de riquezas que circula no mundo e ao gasto atual e futuro para reparar o prejuízo ambiental. A sociedade pode, de várias formas, incentivar a mudança de padrão de produção.
O consumidor, hoje, quer ir além da satisfação de necessidades imediatas. Valoriza cada vez mais produtos que agreguem valores éticos e compromissos com a sociedade como um todo. A economia que responde a essa demanda precisa, mais do que nunca, ser oxigenada para sobreviver e se estabelecer como padrão, constrangendo positivamente a renitente economia insustentável. No Brasil, a legislação ambiental evoluiu muito no que diz respeito aos instrumentos de proteção ambiental. Agora chegou a hora de concentrar esforços em criar e aperfeiçoar normas e instrumentos de apoio às atividades econômicas sustentáveis.
Isso significa acolher e reconhecer os esforços de lideranças empresariais e comunidades que já vêm adequando de forma pioneira seus métodos de produção, para poupar recursos naturais. E aqueles que ainda não incorporaram conceitos de sustentabilidade aos seus negócios, devem ser estimulados a fazê-lo. Nessa linha, há projetos importantes no Congresso. Pelo menos três devem ser citados. O Imposto de Renda ecológico, que dá benefícios fiscais a quem contribui com projetos ambientais, a exemplo do que existe nas áreas de assistência social, cultura e esportes. O projeto que altera a lei de licitações, para que as compras públicas, "sempre que possível", adotem especificação "que considere critérios ambientais".
E o chamado FPE Verde, que redistribui 2% do Fundo de Participação dos Estados proporcionalmente à área, em cada Estado, protegida por unidades de conservação e terras indígenas. Mas ainda são iniciativas isoladas. Temos que fazer a revolução dos incentivos, assim como aconteceu, em outros tempos, para impulsionar a industrialização. Estamos na pré-história dessa revolução. É preciso determinação da sociedade e do Estado para inverter o sinal e mudar de era.
contatomarinasilva@uol.com.br
MARINA SILVA escreve às segundas-feiras nesta coluna.
Escrito por Flavio DeABel às 08h31
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TRAGÉDIA EM ALCÂNTARA
Segurança desacelera plano de foguete
VLS-1 passou por revisão de projeto após acidente que matou 21 técnicos em 2003; motor terá teste em setembro
Lançamento parcial deve acontecer em 2011 e vôo completo, apenas em 2012; ex-ministro prometeu que VLS voaria até o ano de 2006
IAE/CTA/Divulgação
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| Propulsor do VLS que passou por uma revisão de projeto; dispositivo vai ser testado em São José dos Campos em setembro
RAFAEL GARCIA ENVIADO ESPECIAL A SÃO JOSÉ DOS CAMPOS
A cultura de segurança que se instaurou no programa do foguete brasileiro VLS (Veículo Lançador de Satélites) após o acidente que matou 21 pessoas em 22 de agosto de 2003 deixou os trabalhos mais lentos. O cronograma apresentado pelo IAE (Instituto de Aeronáutica e Espaço) prevê agora que um lançamento completo possa ocorrer só em 2012, após o mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2010, o foguete já estará em sua plataforma no Centro de Lançamento de Alcântara (MA), mas não será lançado. "Vai ser montado com todos os sistemas elétricos, já na configuração da interface do foguete com a torre, para tudo ser retestado sem ele estar com nenhuma carga explosiva", diz o coronel-engenheiro Francisco Pantoja, novo diretor do IAE. "Essa mudança dá mais segurança, mas você tem que ter mais tempo para fazer as coisas." O combustível inflamável do VLS, diz, deve ser colocado no veículo só em 2011, e este ano não ocorrerá lançamento com trajetória completa do foguete. "Ele não vai voar como teria voado na concepção anterior", diz Pantoja, explicando que o foguete tem propulsores que funcionam em quatro estágios diferentes até entrar em órbita. "Em 2011, faríamos um teste tendo só o primeiro estágio real", afirma. Se tudo der certo, em 2012 o VLS já poderá subir carregando um satélite experimental. Depois disso, já estaria qualificado para colocar um satélite real em órbita. Mas o cronograma já não é tão rígido. "Se vamos colocar esse foguete pronto para ser testado é porque estamos admitindo que um novo conhecimento sobre esse sistema nós vamos obter", diz o coronel. "Eu posso perceber que alguma coisa não está boa. Aí, teremos de melhorar. É para isso que fazemos o teste. Não é só uma coisa pró-forma." Essa postura pública de maior cautela aparentemente é uma qualidade nova no programa espacial. Um mês após o acidente de 2003, o então ministro da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, ainda prometia que o VLS voaria até 2006, antes de acabar o primeiro mandato de Lula. Não voou. O presidente da República poderá ainda estar no cargo quando assistir ao lançamento de um satélite, mas não com um foguete brasileiro. Amaral, que hoje dirige a empresa aeroespacial binacional que a Ucrânia montou com o Brasil, promete agora lançar o modelo ucraniano Cyclone-4 desde Alcântara até 2010. Quem deve faturar sobre o brasileiro VLS-1 é o próximo governo.
A salvo dos raios Engenheiros estão trabalhando nesta semana nos preparativos para o teste de um dos propulsores do foguete. Será o primeiro depois de ele ter passado por uma revisão de projeto do sistema elétrico, apontado como uma possível causa do acidente com o modelo anterior. Numa operação que exige planejamento cuidadoso, um dos motores do foguete será acionado -preso a uma bancada, para não sair voando- e filmado para avaliação. O teste deveria ter sido feito no começo deste mês, em uma instalação do CTA (Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial) em São José dos Campos, mas foi adiado porque o local tinha problemas. "Chegamos lá e vimos que o sistema de proteção contra descargas atmosféricas [raios] não estava conforme a norma", diz Pantoja. A operação deve ocorrer agora até a segunda quinzena de setembro. "Obviamente, isso tem um custo, que é o de alongar o prazo do ensaio, e há um desgaste, porque prometemos para a sociedade fazer isso naquele momento", diz o coronel. Segundo ele, porém, a decisão foi acertada pois, naquele fim de semana, choveu na cidade e houve raios e trovões. "É melhor ter o desgaste de não realizar um ensaio no prazo do que correr risco desnecessário." Pantoja afirma que o IEA sempre buscou esse rigor de segurança, não apenas como reação ao acidente com o VLS em 2003 às vésperas do lançamento. O relatório da comissão externa que avaliou o desastre na época, porém, mostrou que havia um ambiente de descuido na torre do foguete. Segundo o documento, era permitido que "tarefas de risco fossem realizadas juntamente com outras tarefas" e que CTA e IAE tinham "uma cultura de segurança pouco sedimentada e degradada ao longo dos anos".
Escrito por Flavio DeABel às 08h27
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FERNANDO DE BARROS E SILVA
Farsa de elite
SÃO PAULO - De Sérgio Cabral, o capitão Nascimento poderia dizer que é um fanfarrão. O pedido do governador para que tropas federais venham atuar "o mais breve possível" na cidade do Rio durante o período eleitoral consagra uma política de segurança midiática com resultados desastrosos.
No ofício que enviou ao TSE, o governador diz que "Exército, Marinha, Aeronáutica, o que vier será bem-vindo". E acrescentou que seria "um belo presente" se ficassem na cidade após a campanha.
Entenda-se: Cabral viu na eleição uma brecha para fazer do Rio a capital do estado de emergência permanente. A sugestão de uma operação de guerra sem prazo de validade é oportunista e demagógica. Não visa proteger a população favelada de criminosos, mas oferecer às elites amedrontadas alguma sensação de segurança -ilusória, é claro.
O que fariam no Rio milhares de militares, durante semanas até as eleições? Ninguém sabe. Devemos imaginá-los espalhados pela cidade, como espantalhos verde-oliva a serviço da demofobia que se disseminou pela zona sul? Ou pretendem que o Exército, sem nenhum treinamento para isso, assuma as funções da polícia e escale o morro para enfrentar o tráfico e as milícias nos locais indicados pela Justiça Eleitoral?
Não espantaria, nessa escalada de efeitos especiais, se o governador pedisse a Lula que as Forças Armadas esticassem até fevereiro para viver sua apoteose na Sapucaí.
Na melhor hipótese, a encenação de Cabral servirá para militarizar a eleição e desmoralizar o Exército. Na pior, estará patrocinando tragédias, como a que se viu há pouco no morro da Providência.
O governador do Rio é um vassalo da mídia hegemônica do seu Estado. Nem ele faz mais questão de disfarçar que subordinou seu governo à pauta das Organizações Globo. Cabral atua como um chefe de província. É simples assim. Não há então com que se preocupar. A participação do Exército na eleição do Rio tem tudo a ver.
Escrito por Flavio DeABel às 08h22
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VOTA QUEM QUER?
CARLOS HEITOR CONY
O voto obrigatório
RIO DE JANEIRO - Recente pesquisa divulgada na semana que acaba revelou que grande parcela do eleitorado nacional é contra o voto obrigatório. Não se trata, ainda, de maioria, mas de simples tendência que está indicando a conveniência de uma discussão formal sobre o assunto.
Uma sociedade é livre na medida em que são mínimas as exigências obrigatórias: os códigos civil, penal, de trânsito e outros de igual necessidade são suficientes para manter direitos e deveres das comunidades e dos cidadãos.
O voto obrigatório é a causa principal que cria os currais eleitorais, os votos de cabresto. Por um motivo qualquer, o cidadão não tem interesse na vida pública, por falta de educação ou por excesso dela. Obrigado a votar, para não sofrer sanções que não chegam a ser punitivas mas apenas incômodas, cumprem o chamado dever cívico com má vontade, votando em qualquer um, ou em candidatos extravagantes que nem chegam a ser candidatos, como no caso do bode Cheiroso.
Grandes massas de eleitores, sobretudo nas cidades pequenas, são facilmente manobradas por coronéis e donos de redutos que formam os grotões - tradicional fonte de votos para políticos fisiológicos que tentam a vida pública para a realização de uma carreira pessoal problemática.
Até mesmo no caso da eleição para presidente da República, quando o eleitorado recebe maiores esclarecimentos e está em jogo uma esperança, os indecisos e nauseados são cada vez em maior número, criando a realidade da "boca de urna", o voto de última hora, apenas para cumprir o dispositivo do voto obrigatório.
Nem vale a pena citar os países de tradição democrática em que votar ou não votar é um direito do cidadão livre. Sob regimes ditatoriais, a presença dos eleitores nas urnas chega a 99%.
Escrito por Flavio DeABel às 11h45
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VEJA E MAINARDI VAO INDENIZAR JORNALISTA
10/08/2008
Liberdade limitada
O colunista da revista Veja Diogo Mainardi e a editora Abril devem indenizar, em 500 salários mínimos, o jornalista Paulo Henrique Amorim. Diogo escreveu o artigo “A Voz do PT”, em setembro de 2006, onde acusou Paulo Henrique de ter se engajado na batalha comercial do “lulismo” contra Daniel Dantas. No artigo, Mainardi ainda insinuou que o jornalista estaria numa fase descendente de sua carreira. O relator do recurso, desembargador da 5ª Câmara de Direito Privado do TJ de São Paulo, Oldemar Azevedo, afirma que houve “abuso do direito de informação e da liberdade de expressão”.
Escrito por Flavio DeABel às 11h39
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GEMINADOS
Condomínios geminados são construídos em Natal
Divulgação IMÓVEIS - Casas duplex geminadas é a nova opção de moradia moderna 17/08/2008 - Tribuna do Norte
Com um know how de 20 anos construindo condomínios compactos em São Paulo, a HM&C Empreendimentos lança em Natal o Villa Verde, condomínio horizontal com 12 casas duplex geminadas, que variam de 135 m² a 153 m² de área privativa, implantadas num terreno de 1.200 m². “A idéia é oferecer uma opção de moradia com todas as vantagens de uma casa, com jardim e lazer para as crianças brincarem, otimização de espaços internos e o que é melhor: acessível financeiramente”, explica o construtor Hilton Morbin.
Essa nova proposta imobiliária, que tem se confirmado um sucesso nos grandes centros urbanos do País e até do exterior, não atende apenas à classe média. Mensalmente, dezenas de condomínios de pequeno porte são lançadas no país visando a alcançar todas as classes sociais, com valores que variam de R$ 120 mil a mais de R$ 1 milhão. “O conceito de casas geminadas é muito bem aceito em função da praticidade e dos inúmeros diferenciais que oferece ao morador. A HM&C pretende lançar nos próximos anos outros condomínios horizontais compactos com unidades de diferentes metragens, buscando atender todas as necessidades de mercado”, argumenta Morbin.
Localizado na Cidade Verde, o projeto do Condomínio Residencial Villa Verde, que é financiado pela Caixa Econômica Federal, inclui 12 casas duplex que variam de 135 m² a 153 m² de área privativa, implantadas numa área de 1.200 m². Cada uma com duas suítes, sala para dois ambientes, varanda, cozinha americana e área de serviço. O condomínio conta ainda com piscina, churrasqueira, interfone, playground e garagem com portões eletrônicos. A primeira fase do empreendimento, que prevê a construção das seis primeiras casas, será concluída em setembro próximo.
Categoria: Engenharia
Escrito por Flavio DeABel às 11h33
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B.S.
Meu ABC venceu. Alegria geral, 'ABC clube do povo, campeao das multidoes...'
ABC acaba com jejum no Frasqueirão e vence CRB
17/08/2008 - TN Online
A missão que parecia fácil, foi difícil. Sem vencer no estádio Frasqueirão desde a primeira rodada da Série B do Campeonato Brasileiro, o ABC conseguiu acabar com o jejum de vitórias em Natal apenas no jogo contra o lanterna CRB, no sábado (16), na última rodada do 1° turno. Vencer não foi fácil e o resultado de 1 a 0, gol de pênalti de Ronaldo Capixaba, aos 35 minutos do 2° tempo, reflete bem o que foi o jogo: apertado e equilibrado, durante quase toda a partida.
Escrito por Flavio DeABel às 11h23
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B.S.
Repercutindo a noticia divulgada nos jornais, o Vicente Serejo, sempre observador por vezes instrospectivo, e o Claudio Humberto, fiel escudeiro do Collor, que tanto alfineta o PT em sua coluna. Comecamos com Serejo.
O jornalista Vicente Serejo, do Jornal de Hoje, em sua coluna faz uma pergunta interessante:
VACAS
O que insinuou o senador Garibaldi Filho no seu discurso quando disse que governou com vacas magras, ao contrário da governadora Wilma de Faria que governa o Estado com as vacas gordas?
LEITE
Esqueceu que além do grande programa de adutoras ainda teve 700 milhões de dólares da venda da Cosern, ou teria o senador, num ato falho, talvez por analogia, pensado no programa do leite?
Claudio Humberto, reacionario e defensor do Collor, alfineta:
Aqui me tens de regresso
Ao testemunhar a liberação de R$ 120 milhões do governo Lula para o turismo no Rio Grande do Norte, seu estado, o presidente do Senado, Garibaldi Alves, admitiu, desolado: “Fui governador numa época de vacas magras...” A declaração foi lida como um desejo de voltar ao cargo
Serejo observa outro detalhe desta vida moderna que auxilia os bandidos de plantao:
GOLPE
Não faltava mais nada: os golpistas descobriram que o microondas apaga a letra manuscrita dos cheques e com isso preenchem com os novos valores. A nova descoberta vem de Santa Catarina.
Escrito por Flavio DeABel às 11h16
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Valery Hache/France Presse
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Com a bandeira da jamaica, Usain Bolt faz reverência ao Ninho de Pássaro
ADALBERTO LEISTER FILHO FÁBIO SEIXAS ENVIADOS ESPECIAIS A PEQUIM
O Ninho de Pássaro só ouvia o helicóptero que o sobrevoava e a queima do gás da pira olímpica. Um tiro. E 9s69 depois a prova mais veloz do atletismo ganhava um novo recorde mundial, um novo campeão olímpico, um novo mito. O som seguinte seria reggae. Perfeito. Jamaicano, 21 anos, Usain Bolt venceu ontem a final dos 100 m em Pequim com 41 passadas e baixou em 0s3 a marca que ele próprio havia estabelecido em maio. É o primeiro a correr a distância abaixo de 9s7 e protagonista da décima quebra do recorde em 20 anos. Nos metros finais, "Lighting Bolt", ou relâmpago, apelido que ganhou quando juvenil, repetiu a cena das séries eliminatórias. Abriu os braços e festejou, como que para mostrar que pode ser ainda mais veloz.
Escrito por Flavio DeABel às 11h13
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CONSTRUCAO
CASA VAZIA
Em bairros nobres, bens ficam de 5 a 8 meses à venda, mas têm boa liquidez
Rafael Hupsel/Folha Imagem
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| Imóvel de alto padrão à venda em Pinheiros; compradores desse tipo de bem dão valor ao tamanho e à localização do terreno
MARIANA DESIMONE COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Quem percorre zonas residenciais na cidade de São Paulo, em bairros como Alto de Pinheiros, Pacaembu ou Morumbi, encontra uma grande quantidade de placas de "vende-se" ou "aluga-se". Engana-se, porém, quem pensa que aquelas casas, que chegam a ter área construída de 400 m2 e preços que vão de R$ 500 mil a mais de R$ 3 milhões, costumam ficar às moscas por muitos anos. Esses imóveis, fora de condomínios fechados e com um metro quadrado que varia de R$ 4.000 a R$ 6.000, atraem compradores que "valorizam sobretudo a localização e o tamanho do terreno", aponta Michael Bamberg, dono da consultoria imobiliária Bamberg. As propriedades costumam levar de seis a oito meses, em média, para serem negociadas (leia mais na pág. 2). "As mais baratas têm maior liquidez, principalmente se o entorno é bom", aponta Amilton Rosa, diretor comercial da imobiliária Coelho da Fonseca. "O que influencia na liquidez é principalmente a localização. Casas mais próximas do estádio do Morumbi, por exemplo, apresentam esse problema [demoram mais para serem vendidas]", exemplifica. O que afugenta os compradores, no caso, é a movimentação de pessoas e de veículos em dias de jogos ou de eventos. Pela lógica da oferta e da procura, muitas casas vazias fora de condomínios sinalizariam preços em declínio -mas isso não corresponde à realidade. Os preços não se alteraram nos últimos anos, afirma Bamberg. Um fator que dificulta a venda é a avaliação superestimada do bem; a má conservação também diminui a liquidez.
Perfis Em relação aos compradores do Morumbi, foi percebido um outro tipo de mudança: a diminuição da faixa etária. "Hoje quem compra essas casas são jovens que já têm uma vida profissional sólida", argumenta Bamberg. O diretor de marketing da Local Imóveis, Hamilton Silva, afirma que os proprietários que colocam esses imóveis à venda estão em outra faixa etária. "São pessoas mais velhas, que já criaram seus filhos. O imóvel fica grande demais para elas, que partem para apartamentos e casas menores no mesmo bairro." Já Vicente Todaro, diretor administrativo da imobiliária Kauffmann, oferece uma descrição dos que procuram grandes casas no Alto de Pinheiros. "Lá, os compradores, em geral, querem que seus filhos freqüentem a mesma escola em que eles estudaram", diz. Para Bernd Rieger, consultor do mercado imobiliário, executivos que já moraram fora do país não sentem tanto o preço desses imóveis. "Uma casa de alto padrão de 300 m2 custa o dobro [das de São Paulo] em Paris ou Londres e chega a custar cinco vezes mais em Moscou ou Tóquio", calcula.
Categoria: Engenharia
Escrito por Flavio DeABel às 09h16
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Esquadrão intermediário
Na briga entre não-"populares", Corsa anda mais, C3 vence em custo/benefício, e Gol "bebe" menos
Marcelo Justo/Folha Imagem
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| 207 e C3 (1º plano) chegam juntos às revendas; Sandero (2ª fila à esq.) e Gol também são novos; em último plano, Corsa e Fista
JOSÉ AUGUSTO AMORIM EDITOR-ASSISTENTE DE VEÍCULOS
Você acha o Chevrolet Corsa pesado demais para um motor 1.0, mas suas economias não são suficientes para um Volkswagen Golf? Então a saída é comprar um carro pequeno com propulsor 1.6 ou 1.8. Mas é preciso fazer algumas considerações antes de entrar num mercado que viu, desde novembro até hoje, a chegada do Renault Sandero, do novo Volkswagen Gol, do Peugeot 207 e do Citroën C3 reestilizado. Eles brigam com o Chevrolet Corsa (de 2002) e o Ford Fiesta (redesenhado em 2007). Antes de mais nada, o consumidor deve separar os "populares" mais potentes -Fiesta, Gol e Sandero- e os médios "encolhidos", caso do C3, que agora pode ser equipado com ar-condicionado digital e acionamento automático de faróis e limpador de pára-brisas. Para encarar o 207, deve-se ignorar qualquer tipo de orgulho nacional. A Peugeot uniu a frente do 207 europeu e a traseira retocada do 206. O carro feito em Porto Real (RJ) ficará restrito ao mercado brasileiro. Já o comprador do Corsa precisa gostar do visual da versão SS, a única disponível com o motor 1.8. Os bancos, por exemplo, têm detalhes vermelho-alaranjados, e a carcaça dos retrovisores é cromada. Seu preço de tabela (R$ 45.792) é o mais alto dos seis compactos, mas ele não traz os freios com ABS (antitravamento), EBD (distribuição da frenagem) e AFU (assistência à frenagem de emergência) do C3. Por outro lado, o Sandero é o mais barato. Por R$ 32.690, a Renault encontrou a fórmula entre preço baixo e espaço interno. Qualquer conforto, no entanto, é esquecido: não há nem sequer ajuste interno dos retrovisores nessa versão.
Na frente Na pista de testes, o motor 1.8 do Corsa torna o modelo imbatível -ele é o de maior cilindrada, mas tem só um cavalo a mais que o 1.6 16V da dupla C3-207. Na retomada de 100 km/h a 140 km/h, por exemplo, ele é 10,42s mais rápido que o Fiesta. Mas andar na frente não significa tudo. A relação custo/benefício do C3 é a melhor, e o Gol tem o consumo mais baixo.
INSTITUTO MAUÁ DE TECNOLOGIA 0/xx/11/4239-3092 www.maua.br
Escrito por Flavio DeABel às 09h13
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LOUISE AGUIAR ESCREVE:
| Tempo dos preços altos acabou! |
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| O tempo de pagar caro por um imóvel em Natal acabou. A saída dos estrangeiros do mercado imobiliário potiguar - afetados, em grande parte, pela crise que se instaurou nos Estados Unidos e Europa - tem contribuído para baratear o custo de casas e apartamentos, desde a compra do terreno por parte das construtoras até a aquisição do bem pelo consumidor. A diferença pode ser constatada nos números. Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em convênio com a Caixa Econômica Federal, o Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi), o custo médio por metro quadrado no Rio Grande do Norte foi de R$ 560,07 em julho, o mais barato do país. Para o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do RN (Sinduscon) e diretor da construtora Ecocil, Sílvio Bezerra, o recuo dos investidores internacionais é a principal razão para o mercado norte-rio-grandense estar praticando preços mais ‘‘realistas’’.
Bezerra argumenta que os preços subiram nos últimos três anos porque os empresários locais disputavam áreas territoriais com os estrangeiros, que pagavam muito mais caro e em euro. Só que cerca de seis meses atrás, quando a crise americana começou a atingir principalmente a Espanha, esses investidores foram ‘‘desaparecendo’’ do mercado potiguar. ‘‘Os preços dos terrenos estavam muito altos e a consequência era um preço de venda mais caro. Com essa recuada dos estrangeiros, está começando a aparecer negócios mais realistas’’, destaca. Ainda que alguns empresários de fora tenham optado por sair do nicho potiguar, a oferta de imóveis permanece grande em todo o estado. Ainda segundo o presidente do Sinduscon, ‘‘tem pra todo gosto e de todos os preços’’.
Outro bom desdobramento da saída dos estrangeiros, aponta Bezerra, é o fato de acabar sobrando mais áreas para os empresários locais investirem e pagarem um preço de acordo com o mercado. Em Ponta Negra, por exemplo, o metro quadrado já não custa os R$ 4 mil de antes. Conforme explica o empresário, no mesmo bairro, é possível ver paredes de casas pintadas com os dizeres ‘‘vende-se este terreno em euro’’. Mas para Bezerra, não há mais quem compre essas áreas. ‘‘Acho que não tem mais gente pra comprar não. E se não tem mais o gringo pra pagar, tem que voltar pra realidade local do preço em real’’, opina.
Louise Aguiar Da equipe de O Poti |
Escrito por Flavio DeABel às 08h17
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CHUVAS INTENSAS
| Chuvas podem ser mais intensas a cada ano |
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| Ana Amaral/DN |
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| Temporais em Natal serão ainda maiores nos próximos anos, segundo cientistas | Natal deve sofrer cada vez mais com temporais e enchentes ao longo dos próximos anos. A junção entre os efeitos do aquecimento global e a urbanização desordenada pinta um cenário sombrio para a questão do clima na cidade. Em agosto, a capital potiguar sofreu as chuvas mais intensas dos últimos 38 anos. Foram 315,1 milímetros até a última quarta-feira, um verdadeiro ‘‘massacre’’ pluviométrico para um centro urbano que, de acordo com especialistas da área, só tem capacidade de suportar até 120 milímetros por dia. O excesso de precipitações provoca caos na infra-estrutura urbana, com ruas alagadas, famílias desabrigadas e um agravamento na contaminação da água, em função da falta de tratamento adequado.
O geógrafo Gustavo Szilagyi culpa a emissão de calor da região pela quantidade de chuvas. ‘‘O aquecimento global é um ciclo natural da Terra, que está sendo agravado pelo comportamento humano, sobretudo o aumento da emissão de poluentes e de calor na atmosfera, e a redução das áreas verdes. Esse conceito também se aplica localmente. Numa cidade com cada vez mais fumaça e asfalto, e menos verde, a tendência é que se aumente o calor emitido, e isso volta para nós em forma de chuva’’, decreta.
Szilagyi teme que temporais como a da semana passada (que foi o mais intenso na cidade desde 1970) tornem-se mais rotineiros, num futuro próximo. ‘‘Nesse caso, precisaremos discutir como é que a cidade vai suportar isso. Todos os projetos de drenagem de Natal são feitos para que se suportem 120 milímetros em 24 horas. Na semana passada, houve um período em que choveram mais de 230 milímetros em menos de 36 horas’’, expõe.
O metereologista Gilmar Bistrot, da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn), acha que a população natalense pode ficar mais tranqüila com relação aos próximos dias. ‘‘Ao longo de toda a segunda quinzena de agosto, teremos menos dias de chuva e menor volume de chuva em cada um desses dias’’, explica.
Na opinião dele, o fenômeno climático pode ser creditado a uma coincidência de fatores, que inclui o comportamento dos oceanos e os ciclos de atividade do Sol. Segundo o especialista, a quantidade de manchas negras na superfície do astro reduz e aumenta ciclicamente, e essa oscilação se reflete em mudanças no nosso clima. ‘‘No momento, o Sol vive uma fase de poucas manchas. Por isso, o astro emite mais calor para a Terra. A água dos oceanos acumula esse calor, mas só até certo ponto. Quando os oceanos liberam o calor em forma de vapor d’água, as chuvas fortes acontecem’’, descreve. Na visão de Bistrot, os efeitos diretos do aquecimento global especificamente sobre a quantidade de chuvas ainda não estão completamente esclarecidos. Ele concorda, porém, que a emissão cada vez mais intensa de calor, em função de fatores naturais ou gerados pelo homem, poderá se refletir em mais chuvas intensas - como a que ocorreu em agosto -, ao longo dos próximos anos.
Bistrot pondera, entretanto, que um novo aumento na quantidade de manchas solares, mudança prevista para começar por volta de 2012, pode ajudar a reverter a deixar o clima menos chuvoso. ‘‘Com menos vapor sendo emitido pelo mar, essa quantidade de chuvas pode dimunuir, mas isso também vai depender de um número grande de fatores climatológicos’’, diz. |
Categoria: Engenharia
Escrito por Flavio DeABel às 08h04
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CHIC
"Buscamos captar a atmosfera do lugar"
Em entrevista à Folha, Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa comentam a importância da transparência na arquitetura
Famosos arquitetos japoneses, autores do New Museum, em Nova York, e de filial do Louvre em Lens ganham exposição em SP
Divulgação
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Museu de Arte Contemporânea do Século 21, de autoria dos arquitetos do Sanaa, em Kanazawa (centro do Japão)
MARIO GIOIA ENVIADO ESPECIAL A TÓQUIO
Em uma arquitetura pontuada por estrelas globais como o holandês Rem Koolhaas e o francês Jean Nouvel, os japoneses Kazuyo Sejima, 52, e Ryue Nishizawa, 42, sócios que comandam o escritório Sanaa, parecem ser os mais novos membros desses profissionais requisitados que assinam projetos mundo afora.
O prestígio veio depois de realizarem prédios de grande impacto na arquitetura contemporânea, como o New Museum, em Nova York, ou por projetos que são muito promissores, como a filial do museu do Louvre, em Lens, interior da França, chamando a atenção da crítica especializada. No entanto, o público comum também parece aprovar sem cerimônia os espaços transparentes projetados pelo Sanaa, como os moradores da pacata Kanazawa, no interior do Japão, que enchem os corredores do Museu de Arte Contemporânea do Século 21, ou as "fashion victims" de Tóquio, que, carregando sacolas de grifes caras, visitam o prédio da Christian Dior em Omotesando, uma das avenidas mais badaladas da capital japonesa.
A partir de amanhã, os paulistanos poderão conhecer com mais profundidade os trabalhos do escritório japonês, quando será aberta para convidados, no Instituto Tomie Ohtake, a exposição "Sejima + Nishizawa/Sanaa: Flexibilidade, Transparência, Amplitude". Com croquis, desenhos, fotografias e vídeos, a mostra terá como "estrela" uma maquete de grandes dimensões -6 m x 8 m- que representa a nova Escola Politécnica de Lausanne, na Suíça. O público deverá se sentar no chão para poder ver detalhes do modelo.
"Basicamente, temos as mesmas idéias nos projetos. Propomos criar ambientes contínuos, onde os limites entre exterior e interior sejam tênues, e isso pode ser obtido por meio de diferentes transparências", afirma à Folha Nishizawa, em um dos seus raros intervalos de trabalho em seu escritório (bastante bagunçado) em Tóquio. "É difícil explicar, mas sempre buscamos captar a atmosfera do lugar, entendida de uma forma bem ampla."
As idéias de Nishizawa dialogam com a teoria do veterano arquiteto Toyo Ito, que, em um de seus livros, "Arquitetura de Limites Difusos" (publicado na Espanha pela Gustavo Gili), defendeu a integração com o entorno (em especial, o da natureza), uma transformação do programa no espaço e a procura da transparência e da homogeneidade.
Sejima trabalhou no escritório de Ito em seus primeiros anos de profissão. Seria, então, uma seguidora de seu estilo no Sanaa? "Trabalhei lá em começo de carreira. Mas faz mais de 20 anos. É lógico que ele me influenciou, mas não sei exatamente como", diz ela. Nishizawa busca dar exemplos práticos dos conceitos usados pelo Sanaa, como no museu em Kanazawa e no Pavilhão de Vidro, em Toledo, no Estado norte-amerICano de Ohio. "Em Kanazawa, fizemos uma forma especial, circular, para que se pudesse entrar no prédio de diferentes direções.
Há claras relações entre a arquitetura e o local onde o museu fica, criamos algo muito aberto e transparente", diz ele. "O programa do museu era claro, haveria uma circulação pública, com café, livraria, auditório, e uma mais restrita, com as galerias. Mas não queríamos fazer algo duro, fixo, e as duas funções se misturam", conta Sejima. "Já em Toledo, a comunidade era bem menor, o projeto é mais intimista. Mas são similares", diz Nishizawa.
Arquitetura brasileira Ao mesmo tempo em que se dizem "muito influenciados" pelo modernismo, deixam de lado uma de suas vertentes, o brutalismo e sua idéia de expor as estruturas dos prédios.
"Não nos preocupamos em esconder as estruturas, mas sempre queremos que elas sejam as mais finas possíveis, testamos seus limites. Por isso, trabalhamos duro com os engenheiros", afirma Nishizawa, fã de Oscar Niemeyer ("um dos mais importantes arquitetos para nós"), de Paulo Mendes da Rocha ("a Pinacoteca do Estado é muito interessante") e, em especial, da Casa de Vidro, de Lina Bo Bardi ("uma das mais bonitas casas que já vi").
A integração com o lugar da construção não impede que o Sanaa não procure criar marcos, mesmo em cidades já repletas deles, como no projeto do New Museum. "Tentamos criar algo novo em Manhattan, junto do que a cidade tem, até suas contradições", conta Nishizawa. "Em um terreno pequeno, fizemos um prédio bem vertical, que consegue criar relações com o que está em volta, mas que consegue dialogar com a grande paisagem horizontal da cidade", completa Sejima.
O jornalista MARIO GIOIA viajou a convite da organização da mostra
Categoria: Engenharia
Escrito por Flavio DeABel às 21h28
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MARCELO COELHO
A mosca que mudará o mundo
O segredo é "vender" como entretenimento uma ação desejável socialmente
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ATÉ PARA fazer xixi corretamente o ser humano precisa de um empurrãozinho. Li isso numa entrevista publicada anteontem na Folha, com o economista Richard Thaler.
Consideram-no um dos gurus de Barack Obama, e sua teoria do "empurrãozinho", ou "nudge", em inglês, é explicada num livro do mesmo nome, ainda a ser lançado no Brasil.
O exemplo do xixi vem de um aeroporto holandês, que se debatia com o descuido dos usuários do sexo masculino. Tiveram a idéia de estampar a imagem de uma mosca dentro dos urinóis, bem perto do escoadouro.
Desse modo, a urina acaba caindo perto do ralo. Reduziram-se em 80% os casos de sujeira, digamos, no entorno imediato. A teoria do "empurrãozinho" tem muitas aplicações. Thaler a resume na tese do "paternalismo libertário". Parte de um pressuposto correto. A saber, o de que os seres humanos não são tão racionais quanto afirma a teoria econômica clássica. Muitas vezes, sabem que suas ações são contrárias a seus interesses, e mesmo assim... conseguem fazer besteira.
Outro exemplo citado por Thaler diz respeito aos planos de previdência de alguns países. Quem se munisse de calculadora e tempo concluiria que são vantajosos. Mas pouca gente faz isso, e não tem paciência para preencher os formulários exigidos. A idéia de Thaler é tornar automática a inscrição do trabalhador: só preencherá formulários, assim, se não quiser aderir.
Das moscas no urinol ao plano de previdência, há uma vasta diferença conceitual. Mas sua base é idêntica: a "mão invisível do mercado" não basta para fazer com que tudo funcione.
E tampouco a "mão pesada da lei" se mostra eficaz. Poderíamos imaginar multas e prisões para quem suja o banheiro; não teriam, com certeza, o mesmo resultado.
O método é ao mesmo tempo fascinante e assustador. Talvez aponte para uma forma de dominação política bastante diversa daquelas que conhecíamos até agora.
Força, repressão: foi este o principal meio de conseguir com que os seres humanos façam o que lhes mandam fazer. O Estado sempre teve como fundamento a ameaça e o exercício da violência.
Ao lado disso, não se negligenciou o papel das crenças, da religião, da propaganda. O indivíduo teme pelo próprio corpo e pela própria alma. E esse temor se dissolve quando imerso no oceano da coletividade, no corpo anônimo da massa, na alma unânime do grupo.
O liberalismo econômico talvez tenha pretendido, no limite, criar um outro sistema para conduzir o rebanho humano. Em vez de cânticos e chicotes, apostou num mecanismo indireto de recompensas e punições, teoricamente restritos à sua forma monetária: lucros, prejuízos, bonificações, multas.
O Estado, e a ideologia, tiveram mais de uma vez seu declínio previsto alegremente, com base nessa perspectiva liberal. A nova teoria do "empurrãozinho" parece admitir o desacerto desse ponto de vista e investe em mecanismos novos de manipulação da sociedade. Talvez correspondam à mudança tecnológica em curso. J
á se disse que o poder de Hitler tinha relação direta com o uso do rádio. O ouvinte isolado, anônimo, e (pior ainda) desempregado, deixava-se mobilizar por aquele meio "cego" de comunicação, entregando-se em seguida à visão espetacular da ordem uniformizada, do rosto do líder, dos desfiles, das olimpíadas e dos pogroms.
A TV trouxe passividade e conformismo. Estava tudo ali dentro de casa; ninguém precisava sair da sala para sentir-se parte do "Grande Todo". Saía, é certo, para trabalhar e consumir.
A publicidade foi o "empurrão" por excelência do Ocidente, na segunda metade do século 20. Nosso mundo, entretanto, é mais interativo e vai diminuindo cada vez mais as diferenças entre trabalho, lazer e consumo. Não que as pessoas deixem de trabalhar: mas um joguinho de computador não deixa de ser parecido com a jornada de um digitador de textos, de um controlador de trânsito, ou de um piloto de bombardeiro.
O segredo da mosquinha holandesa é "vender" como entretenimento uma ação desejável socialmente. O próprio marketing, com a internet, usa cotidianamente de truques para misturar compra e diversão num mesmo clique. Resumo rápido da história: no futuro ninguém fará xixi fora do penico. Quem estiver do lado das moscas que se cuide.
coelhofsp@uol.com.br
Escrito por Flavio DeABel às 21h23
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