Boletim Seridoense - Cultura, política e comportamento. Colaboracoes sao benvindas. e-mail: dedeabel@msn.com


23/11/2009


MACONHA

MACONHA

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[+]O QUE DIZEM...

...OS MÉDICOS


Hábito deixa filhos mais vulneráveis

Os psiquiatras especializados em dependência química ouvidos pela Folha reprovaram o hábito de pais fumarem maconha com seus filhos.
"Acho errado, ousado e perigoso. Cria um espaço vulnerável. Acho interessante ter uma proximidade entre pais e filhos, no mundo em que vivemos. Mas amigo é amigo, pai é pai. E o papel dos pais é cuidar da saúde e da educação. Fumar junto não é salutar", diz Arthur Guerra, psiquiatra da Faculdade de Medicina da USP.
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"O argumento de proteger os filhos não é um absurdo. Faz sentido para quem defende o uso, mas eu não assino embaixo."
Ronaldo Laranjeira, psiquiatra coordenador da Unidade de Pesquisas em Álcool e Drogas da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), diz que "quando o adulto endossa e compartilha a cultura da droga, ele não apenas contribui para o uso mas facilita a persistência do uso e o desenvolvimento da dependência".
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"Não conheço estudo que comprove isso, mas me surpreenderia se jovens que fumam com os pais em casa não tivessem mais chance de desenvolver dependência do que os outros que usam a droga. Você está criando uma vulnerabilidade que é condenável."
Guerra também cita a preocupação de a droga mascarar sintomas de problemas psíquicos. "O medo é de que esses jovens usem a droga como um antidepressivo, o que pode esconder um quadro mais grave de depressão."

...OS MAGISTRADOS

Pela lei, pais podem ser punidos

Em caso de denúncia, pais que fumam maconha com filhos menores de idade podem ter problemas na esfera penal ou na do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). É o que dizem juízes ouvidos pela Folha.
"Podem ter problemas, uma vez que estão, com seu próprio exemplo e conduta, levando os filhos a uma prática ilícita", diz o desembargador Antônio Carlos Malheiros, coordenador das varas de infância e juventude do Estado de São Paulo.
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Teoricamente, os pais poderiam até mesmo perder a guarda dos filhos -mas a medida é considerada radical pelos juízes.
"Imaginando um garoto de 17 anos que faz uso recreacional da droga com os pais, como outros bebem uma cerveja com o pai ou a mãe, me parece que jamais poderíamos pensar nessa medida", diz Luiz Fernando Vidal, juiz da 3ª Vara de Fazenda de São Paulo, dez anos de experiência em varas de infância e adolescência.
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Para ambos, o mais provável seria a aplicação de uma medida de orientação, acompanhamento por um conselheiro tutelar ou advertência. No caso de filhos maiores de idade, os pais não podem ser responsabilizados.
Para Malheiros, "cada pai deve saber o que é melhor para seu filho. Não existe fórmula pronta. Droga faz mal, mas isso não pode ser enfiado na cabeça de um jovem à força. O diálogo na família é o que vai fazer efetivamente que os filhos cresçam melhores."

Escrito por Flavio DeABel às 21h19
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Maconha

COMPORTAMENTO

Minha casa é "legalize"

 

Conheça a história de pais e de filhos para quem fumar maconha é um ritual familiar

TARSO ARAUJO
DA REPORTAGEM LOCAL

"No começo, fumava maconha em casa, escondido, sabendo a hora em que minha mãe chegaria. Um dia, ela voltou cedo e me pegou desprevenido", conta Eduardo*, 23.
Na maioria das famílias, isso seria o início de uma crise. Não na de Eduardo.
"Ela percebeu e disse: "Deixa eu dar "um dois" também'", afirma, usando uma gíria comum para "fumar maconha".
Famílias como a dele, que fumam maconha juntas, não são tão difíceis de se encontrar. O Folhateen conversou com seis desses filhos e com seus pais.
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Os jovens entrevistados começaram a fumar maconha fora de casa, na adolescência, com amigos da mesma idade. E todos sabiam que seus pais também usavam a droga quando se iniciaram.
O que muda de família para família é o tipo de influência dos pais sobre os jovens.
Marcela, 21, acha que começou mais tarde do que as amigas justamente por causa da mãe. Quando tinha 11 anos, ela teria uma aula sobre drogas na escola, e sua mãe resolveu se antecipar e abrir o jogo. Contou que fumava maconha e deu sua opinião sobre o assunto.
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"Como era uma coisa natural para mim, não tinha curiosidade. Fui uma das últimas das minhas amigas a experimentar. A maioria delas começou na sétima série, e eu só no primeiro ano [do ensino médio]", diz.
Já Alice, que tem 21 e começou aos 16, acha que, se o pai não fumasse a erva, seu hábito poderia ter mudado. "Talvez estivesse parando, como algumas amigas."
Mas todos os jovens ouvidos pelo Folhateen afirmam que fumariam maconha mesmo sem a influência dos pais. "Minha curiosidade viria de qualquer maneira, tanto que não comecei com minha mãe", diz Luís, 24. Ele fumava com ela, que há pouco "desencanou".
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"Fumaria do mesmo jeito, porque é uma coisa muito mais com os amigos do que com meus pais. Um quarto da minha turma de colégio fumava", diz Alex, 24, irmão de Alice.

Educação sobre drogas
Os pais dizem preferir que os filhos fumem em casa e com eles. Seus argumentos vão da segurança à redução de danos.
"Tenho certeza de que é melhor assim, porque aí sei o quanto e como meu filho fuma", diz a mãe de Luís. "E, se ele ficar dependente, é melhor ter na mãe um amigo."
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Na família de Alice e de Alex, moradores do Rio de Janeiro, sempre houve preocupação com a segurança. "Até hoje pego maconha com meu pai. Ele sempre pediu para evitar pegar por conta própria. Isso me protegeu de situações perigosas, como subir morro", diz Alex.
Outra recomendação constante do pai é "não andar com "flagrante" e ter cuidado com os "homens'". O que não foi suficiente. "Já "rodei" na mão da polícia, indo à praia. Aí perdemos um dinheiro "de leve'".
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Para o especialista em drogas Osvaldo Fernandez, antropólogo da Universidade do Estado da Bahia e professor visitante da Universidade Columbia (EUA), os argumentos dos pais fazem sentido, especialmente por tratar-se de droga ilegal.
"Muitas vezes a ilicitude leva à desinformação, então torna-se imprescindível um manual de sobrevivência com vistas à educação dos filhos. Pais que fumam com filhos podem ajudar a reforçar valores como moderação e autocontrole."

Amizade: causa ou efeito?
A psicóloga da USP Maria Abigail de Souza, especialista em tratamento de dependências químicas, reprova o costume. Para ela, isso causa uma confusão de papéis.
"Me dá a impressão de que esses pais querem dar uma de condescendentes para se aproximar dos filhos, talvez porque não tenham outra maneira. Saem da posição de pais e entram na de amigos. Mas adolescente precisa de um pai. Amigo ele tem bastante", diz.
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Para as famílias entrevistadas, não é assim. "A gente se dá bem porque sempre se deu. Fumar junto é consequência da nossa amizade, e não o contrário", afirma Marcela, que diz fumar com a mãe socialmente, em festas ou ocasiões parecidas -elas não compram a droga.
O pai de Alex e de Alice tem opinião parecida. "Não é por fumar com eles que sou mais próximo." Alex explica: "O ambiente da família é que sempre foi de muito diálogo".
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Médicos ouvidos pelo Folhateen reprovam que pais fumem maconha com seus filhos, por acreditar que isso cria um ambiente de risco para a saúde.
Juízes consultados pela reportagem dizem que o hábito pode até levar à perda da guarda de filhos menores de idade.
Mas todos os entrevistados ressaltam a importância de conversar abertamente sobre drogas com os filhos.
Para a mãe de Luís, o pior a fazer é ignorar o fato. "Fingir que não vê é hipocrisia. E reprimir não é saída. É beco."


* Todos os nomes são fictícios

[+] saiba mais

O que diz a lei

 

Segundo a lei sobre drogas em vigor no país desde outubro de 2006 (lei nº 11.343), adquirir, guardar, ter em depósito, transportar ou trazer drogas para consumo pessoal é crime. Ela extinguiu a pena de prisão para usuários, que passaram a ser ajulgados em juizados especiais e, se condenados, são geralmente obrigados a prestar serviços comunitários. Já a pena mínima para tráfico aumentou de três para cinco anos de prisão. A lei não distingue, porém, a diferença entre usuário e traficante. No caso de um flagrante, quem faz essa distinção é o delegado de polícia.

 

Escrito por Flavio DeABel às 21h15
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22/11/2009


O CASO CESARE BATTISTI

Folha SP

Decisão sobre Battisti pode sair em 2010

FERNANDO RODRIGUES

Crime e perdão

O italiano Cesare Battisti, condenado em seu país pela participação em quatro assassinatos. Ele quer ficar no Brasil, dizendo ser perseguido político. O Supremo Tribunal Federal rebarbou a tese e determinou a sua extradição.
Mas o STF deu a Lula o poder final de extraditar o italiano. Se mantiver Battisti no Brasil, não será o primeiro presidente a perdoar um criminoso comum que alega ser preso de consciência. Afinal, o tucano FHC já concedeu liberdade a sequestradores canadenses.

Battisti
"Sobre o caso Battisti, ressalto três pontos: a) a Alta Corte italiana julgou Battisti criminoso comum; b) a Alta Corte francesa idem; c) a Alta Corte brasileira também, mas decidiu que o presidente deve decidir pela extradição ou não.
Deve-se respeitar a opinião dos que se inclinam pela não extradição, mas atacar a validade dos pareceres de tão diversos Judiciários é um contrassenso.

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Não é possível imaginar que, entre tantos magistrados das outras duas nacionalidades que examinaram a questão, a maioria tenha se decidido contra Battisti por mera incompetência ou por suspeitosos interesses.
Cabe perguntar: por que interessa tanto ao Brasil manter em seu território, a ponto de criar constrangimento internacional, um condenado comum e estrangeiro cuja extradição encontra-se inclusive prevista em tratado firmado com a nação que a requer?"
GUTTEMBERG GUARABYRA (São Paulo, SP)

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Lula diz que vai esperar ser comunicado oficialmente pelo STF, o que pode ocorrer só ano que vem, para decidir futuro de italiano

Presidente diz que italiano deve acabar com greve de fome, pois seu governo não necessita "deste tipo de pressão" neste momento


MATHEUS MAGENTA
DA AGÊNCIA FOLHA, EM SALVADOR

SAMY ADGHIRNI
ENVIADO ESPECIAL A SALVADOR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que só vai decidir sobre o processo de extradição do terrorista italiano Cesare Battisti depois de ser comunicado oficialmente da decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), o que pode só ocorrer no ano que vem.

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Nesta semana, os ministros do tribunal decidiram por 5 votos a 4 pela extradição de Battisti, mas delegaram a Lula a decisão final sobre o caso.
"Depois que eu receber a decisão [do Supremo], eu vou tomar uma decisão. Vocês sabem que o presidente da República só pode se manifestar nos autos do processo", afirmou Lula em entrevista ao lado do presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, ontem em Salvador (BA).
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Ele afirmou ainda que vai consultar a assessoria jurídica da Presidência, mas preferiu não se pronunciar sobre sua possível decisão porque "esse não é um assunto que eu possa insinuar o que eu vou fazer".
A Folha apurou que o presidente busca ganhar tempo para achar uma saída jurídica que permita a manutenção do italiano no Brasil. A AGU (Advocacia-Geral da União) já foi acionada nesse sentido.
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Pela manhã, horas antes dessas declarações, Lula dissera em entrevista a duas rádios baianas (Metrópole e Excelsior) que já tinha tomado uma decisão sobre o caso Battisti. "Já tenho [a decisão], mas não posso [adiantá-la]", afirmou.
Se ele decidir pela extradição, Battisti, que está preso, só poderá deixar o país depois que uma ação penal por uso de documento falso for concluída. Um tratado assinado entre Brasil e Itália permite que o presidente negue a extradição.

Greve de fome
Lula afirmou que recomendou a Battisti, preso em Brasília, que encerre a greve de fome, considerada "desespero" ou "ignorância" pelo presidente, porque "não estamos no momento de ficar recebendo esse tipo de pressão".
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Battisti foi militante de um grupo de extrema-esquerda nos anos 70 na Itália, onde foi condenado a prisão perpétua por quatro homicídios, os quais ele nega a autoria.
No Brasil desde 2004, o italiano foi preso em 2007 e teve o refúgio político concedido no início deste ano pelo ministro da Justiça, Tarso Genro.
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Ontem, o ministro Carlos Ayres Britto, do STF, negou ter mudado o seu voto ao defender que o presidente Lula decida sobre o futuro de Battisti.
O ministro votou pela extradição de Battisti e depois pela competência do presidente da República para dar a palavra final. "Não inovei em nada. Há dois meses, quando da extradição de um israelense, o tema foi debatido ainda com mais rapidez e eu disse isso com todas as letras que quem tem competência para entregar o extraditando ou o extraditável é unicamente o presidente da República. Só fiz confirmar isso."
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Segundo o ministro, a tarefa do STF no caso Battisti foi concluída ao final do julgamento. "Cada coisa em seu lugar, o Supremo decide sobre a extraditabilidade, a parte jurídica encerra aí. Em sequência vem a parte política, que é de responsabilidade do presidente."


Colaborou a Folha Online

Escrito por Flavio DeABel às 01h30
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INTERNET

Folha SP

A Casa Civil vai propor um modelo híbrido para a universalização da banda larga no Brasil, relatam Valdo Cruz e Humberto Medina. Será utilizada a rede pública de fibras óticas, administrada por uma estatal, mas a operação ficará a cargo de um consórcio privado. A proposta fará parte do Plano Nacional da Banda Larga, que será levado na terça-feira ao presidente Lula.

Escrito por Flavio DeABel às 01h23
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18/11/2009


FILME DE LULA

BOLETIM SERIDOENSE

O Presidente Lula no filme. O Estado brasileiro precisava de alguem como ele. Enfrentou a crise economica. Disse que era uma marolinha. A imprensa criticou e o alarme era geral. Eis que o Brasil vai desenvolvendo suas potencialidades, apesar de um sistema presidencialista que acolhe o assistencialismo e protege os partidos fisiologicos tao em voga nos dias de hoje.

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A manchete do portal abaixo é tendenciosa, ninguem é perfeito. Os socios do poder, os congressistas, defendem interesses de seus grupos. Os partidos politicos formam uma geleia geral sem sentido. Nao adianta ser de partido A ou B, a questao é estar por cima. Os interesses publicos que se explodam.

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A historia de vida do presidente é exemplar e o mundo todo admira. Como pode um nordestino, sindicalista, sem curso academico, ser presidente da Republica ter um desempenho formidavel, mantendo o país em crescimento, quando o mundo se contorce em crise?

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Lula, o filho perfeito do Brasil

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2009/11/18/lula-filho-perfeito-do-brasil-242184.asp

Lula é o terceiro da direita para a esquerda

Um Lula sem nenhum defeito é o que emerge do filho "Lula, O Filho do Brasil", a mais cara produção do cinema nacional, que abriu ontem à noite o Festival de Cinema de Brasília.

O Lula da tela tirou nove em português quando era menino, morador de uma área miserável da periferia de São Paulo. Ainda menino, evitou que o pai batesse na mãe ao adverti-lo: "Homem não bate em mulher".

Líder sindical, quase não agrediu o português ao discursar para a peãozada do ABC paulista. Foi um fumante compulsivo, mas em compensação bebeu pouco.

Testemunhou à distância a chacina de um pequeno empresário praticada por companheiros dele do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo. Ficou chocado com ela e reclamou.

Foi um namorador moderado. Uma vez viúvo, cortejou e se casou com dona Marisa.

Como líder político não foi de direita nem de esquerda. Preocupou-se apenas em melhorar a vida dos seus companheiros.

O filme acaba quando ele sai da prisão para ir ao enterro da mãe. Dali, salta para a festa da posse de Lula na presidência da República.

O PT se perdeu no meio do salto. Nem foi referido antes porque não existia nem depois porque não era o caso.

Quem sabe não fará uma ponta no filme "Lula, o Filho do Brasil - Parte 2"?

A história é contada de forma linear e sem dar margem a diferentes interpretações.

Só cabe uma: Lula enfrentou e venceu, orientado pela mãe, todos os desafios que a vida oferece a um brasileiro nascido na miséria.

Admirável, pois, sua saga.

Em resumo: o filme foi feito sob medida para reforçar o mito Lula. Atinge seu objetivo com louvor.

É razoável imaginar que com isso ajudará de alguma forma a candidatura de Dima Rousseff à presidência da República. Ajudaria qualquer candidatura apoiada por Lula. 

Escrito por Flavio DeABel às 08h48
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16/11/2009


Boa Leitura

Boletim Mineiro
Por Ricardo Faria, apresenta:
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VALE A PENA LER


Capitalismo e modernidade no Brasil


Na melhor tradição do pensamento social brasileiro, o livro "Capitalismo tardio e sociabilidade moderna", de João Manuel Cardoso e Fernando Novais, destaca como ao mesmo tempo em que criávamos condições para o nascimento e o desenvolvimento do capitalismo, impúnhamos obstáculos para o florescimento e a consolidação da modernidade no país. Esse pequeno ensaio sobre a modernidade brasileira reúne o método crítico de um historiador reconhecido por sua habilidade em clarificar a nossa herança mercantil e a perspectiva analítica de um economista conhecido por sua destreza em esclarecer o nosso fado industrial. A resenha é de William Vella Nozaki.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16231&boletim_id=612&componente_id=10246

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Revista de História da Biblioteca Nacional, nº 50.

Dossiê: 120 anos de República. Por onde ela anda?
Entrevista: Paulo Brossard
Artigos principais:

Nacionalismo literário – Escola mais justa – Beatas do além – Especial Nova República: Rumo ao Planalto – O poder das gírias – João da Baiana e sua crítica musical.





NAVEGAR É PRECISO


A Revista Espaço Acadêmico, edição nº 102, novembro de 2009, foi publicada.
Leia neste número: DOSSIÊ: 20 ANOS DA QUEDA DO MURO DE BERLIM e mais os artigos dos colunistas e autores-colaboradores.
Uma novidade desta edição é a seção "Teses & Dissertações", com o objetivo de divulgar e compartilhar as pesquisas dos autores e colaboradores da REA. Envie a sua!
http://www.periodicos.uem.br/ojs/index.php/EspacoAcademico/issue/current/showToc

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O MURO, 20 ANOS

Os trapalhões e o Muro de Berlim
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=563JDB002
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20 anos
Um muro que caiu sobre a esquerda
Renato Godoy de Toledo
http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/internacional/um-muro-que-caiu-sobre-a-esquerda

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Uma mensagem a todos os membros de Cafe Historia
Saiba mais sobre o instituto que promete renovar as discussões sobre um dos principais nomes da política brasileira do século XX.
E mais:20 anos da queda do Muro de Berlim
Visite Cafe Historia em: http://cafehistoria.ning.com

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Os EUA e a incerteza em Honduras
É difícil prever o que vai acontecer em Honduras depois do acordo. Na aparência, ele sequer impõe a volta do presidente constitucional Manuel Zelaya, cujo mandato foi capado em mais de quatro meses. O retorno era ponto de honra não só para os partidários de Zelaya, mas para a Organização das Nações Unidas (ONU), a Organização dos Estados Americanos (OEA) e a comunidade internacional, até porque nenhum país reconheceu o regime do golpista Roberto Micheletti. O artigo é de Argemiro Ferreira.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16232&boletim_id=612&componente_id=10245
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‘Governo remove qualquer possibilidade histórica de frear agronegócio’
Escrito por Gabriel Brito e Valéria Nader
http://www.correiocidadania.com.br/content/view/3937/9/

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Leonardo Boff ante a Conferência sobre o Clima (Copenhague): “A Terra não agüenta”
(Sergio Ferrari)
http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?boletim=1&cod=42776&lang=PT

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Belo Monte
Indígenas anunciam confronto caso seja aprovada a hidrelétrica
O aviso está em uma carta enviada a Lula por indígenas de pelo menos 15 etnias diferentes. O documento também foi encaminhado ao presidente da Funai
http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/nacional/indigenas-anunciam-confronto-caso-seja-aprovada-a-hidreletrica-de-belo-monte




Escrito por Flavio DeABel às 23h11
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12/11/2009


Pilar no palco

Vicente Serejo, jornal de Hoje, Natal

Incrível

Muito bonito o projeto da Ilha de Santana, em Caicó, obra do governo Wilma de Faria. Mas tem uma coisa incrível: o arquiteto \'esqueceu\' uma gigantesca pilastra no centro do palco.

Escrito por Flavio DeABel às 21h52
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08/11/2009


LEIA

VALE A PENA LER


O HISTORIADOR E SUAS FONTES
Autores: Carla Bassanezi Pinsky (Org.), Tania Regina de Luca (Org.)

Como o pesquisador, na prática do seu oficio, pode trabalhar com fotografias, obras literárias, cartas, diários, discursos e pronunciamentos, testamentos, inventários, registros paroquiais e civis, processos criminais, materiais produzidos por órgãos de repressão ou mesmo com as inúmeras fontes do patrimônio cultural?

Em O historiador e suas fontes, um grupo de historiadores experientes responde a essa questão, sugerindo um repertório variado de fontes interessantes e suas formas de utilização.
A obra mostra também por que certos documentos adquirem maior ou menor relevância ao longo do tempo e em que isso afeta a História e a memória. Fala ainda de como os debates historiográficos, ao sabor das tendências modernas e pós-modernas alteram o uso das fontes históricas e afetam o ofício do historiador.
O historiador e suas fontes é, portanto, uma instigante discussão sobre teoria e prática da História.
Editora Contexto
Preço: 43 reais
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Sol: a mártir do pernambucano Urariano Mota
As palavras do cabo Anselmo descritas por Urariano fizeram-me estremecer de raiva. Episódios de traição maligna medraram na minha mente. Lembrei-me do episódio do “Cadelão Taimes”, onde eu e meus outros amigos fomos abandonados por um “anselmo” do grupo que se passava por amigo, justo nas ocorrências da censura e prisão do Jornal. Descobria ou relembrava, não sei até agora discernir corretamente, que aqui em Piraju também existiu e ainda vive um traidor com atitudes similares às do mentiroso. A resenha é de Luiz de Almeida.
Leia a resenha em http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16207&boletim_id=607&componente_id=10181
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Escrito por Flavio DeABel às 20h26
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NAVEGAR E PRECISO

ONU vota pelo fim do bloqueio econômico, com recorde de 187 países favoráveis
http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?boletim=1&cod=42411&lang=PT

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Juanita Castro e o passado sinistro do Itamaraty

O Ministério das Relações Exteriores atravessou todo o período da ditadura militar como se vivéssemos no melhor dos mundos, enquanto perseguia diplomatas - intelectuais como Antonio Houaiss, Vinícius de Morais, João Cabral de Melo Neto entre muitos. E prestou-se a papéis indignos mesmo antes do golpe de 1964. Vale a pena lembrar tais coisas embora neste momento o Itamaraty, com o ministro Celso Amorim à frente, conduza com sucesso uma política externa exemplar. O artigo é de Argemiro Ferreira.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16214&boletim_id=610&componente_id=10216

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Um réquiem para FHC
O texto do ex-presidente tucano, publicado em vários jornais no domingo, revela um erro de cálculo político sem precedentes. Contrariando seus aliados, que desejavam vê-lo distante da campanha do PSDB para presidente em 2010, FHC trouxe para o próximo pleito a comparação entre as políticas de seu governo e as do governo Lula: a única polarização que a direita não queria. Imaginando-se um estrategista, virou um fardo pesado para as possíveis candidaturas de José Serra e de Aécio Neves. O artigo é de Gilson Caroni Filho
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16223&boletim_id=611&componente_id=10229

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Luís Carlos Lopes
Está no ar o site "Detetives do Passado", projeto de atividades de investigação e pesquisa escolar. O projeto consiste na realização de atividades investigativas, baseadas na internet, para serem realizadas por alunos da Educação Básica, tanto no ensino fundamental quanto no médio. Nesta primeira fase, foram realizadas oito atividades, todas com o tema Escravidão no século XIX.
E Mais:
Exposição reúne em Nova York as melhores imagens do rock
Morte de assistente de Hitler pode revelar detalhes sobre Holocausto
Visite Cafe Historia em: http://cafehistoria.ning.com/

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Escrito por Flavio DeABel às 20h24
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SURFANDO

NAVEGAR É PRECISO


Picadinho à la Nobel da paz
[Chico Villela] A armação, já desvendada, da concessão do Nobel da paz ao comandante-em-chefe das guerras que já mataram mais de 2 milhões de civis envergonha o laureado, desmoraliza o prêmio e afronta a consciência humanitária contemporânea. (15/out/2009).
http://www.novae.inf.br/site/modules.php?name=Conteudo&pid=1395

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Estou enviando o link abaixo para que - caso se interessem - vocês leiam o artigo que Ana Cláudia Vargas escreveu sobre o jornal Estado de Minas no Observatório da Imprensa. Leiam e comentem, é um assunto que deve ser debatido!http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=562IMQ004
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Centro Administrativo, um elefante em fase de crescimento descontrolado
[José de Souza Castro] Vamos todos torcer para que tudo termine logo. Cada mês de demora vai sair muito caro para os contribuintes mineiros.
http://www.novae.inf.br/site/modules.php?name=Conteudo&pid=1401


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Depois de muitas discussões, Venezuela passa a fazer parte do Mercosul
http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?boletim=1&cod=42453&lang=PT

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Mulher de Gilm
ar vai trabalhar com advogado de Dantas.

Escrito por Flavio DeABel às 20h22
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LITERATURA

VALE A PENA LER

Livro: As grandes depressões (1873-1896 e 1929-1939)
Autor: Osvaldo Coggiola
Edição: Alameda
Preço: R$ 28,00 (246 páginas)

Este li
vro tem como objetivo estudar de forma detalhada as duas grandes depressões do capitalismo, a de 1873-1896 e a de 1929-1939, num do novo trabalho do professor Osvaldo Coggiola. Pelo resgate da perspectiva histórica podemos compreender as estruturas por trás das grandes turbulências que de tempos em tempos abalam a sociedade capitalista.
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Fundamentos econômicos, consequências geopolíticas e lições para o presente são analisados através do resgate da importância crucial do materialismo histórico como base metodológica. Elas funcionam de base para o entendimento da crise econômica geral como uma totalidade concreta, colocando em evidência a relação dialética entre os processos determinantes da crise econômica e os determinantes objetivos e subjetivos que condicionam a luta de classes.
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É possível observar as mudanças desencadeadas pela grande depressão de 1873-1896 e a transformação do capitalismo concorrencial em capitalismo monopolista, inaugurando o imperialismo, ou seja, o capitalismo em seu clímax, um padrão de desenvolvimento capitalista que amadurece as condições históricas para a revolução socialista.

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Podemos estabelecer relações históricas entre a grande depressão de 1929-1939 com vários fatores históricos como o nazismo, a tragédia da Segunda Guerra Mundial e a formação das bases econômicas e sociais do Estado de Bem-Estar Social.

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Esses elementos fundamentais que acabariam por levar à cristalização dos Estados Unidos como potência da economia mundial e a consolidação de um padrão de acumulação. Através do livro “As grandes depressões (1873-1896 e 1929-1939)”, Osvaldo Coggiola nos faz compreender melhor duas características determinantes da etapa superior do imperialismo – o capitalismo de nosso tempo.

Sobre o autor: Oswaldo Coggiola é professor de História Contemporânea da Universidade de São Paulo (USP)

Escrito por Flavio DeABel às 20h20
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Saudades, Papai

Parabens, papai. Hoje é seu aniversário. Revendo suas fotos, encontro esta. Quanta saudade!

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Eu sou a ressureição e a vida, aquele que crê em mim ainda que esteja morto viverá”.

Jesus Cristo.

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Aos 18 de novembro de 2000 faleceu meu pai, um grande e bom homem do qual era filho e amigo. Como pai estava presente em momento difíceis com conselhos e um ouvido amigo. Nunca te esquecerei Pai, de quem és, de quem eras e espero um dia encontrá-lo junto a Deus nas mansões celestiais. (Abel Oseas de Araujo, in memorian)

Meu pai, minha mae e Narinha

Escrito por Flavio DeABel às 17h22
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04/11/2009


ARTIGO

"A visão do Brasil que está em "Tristes Trópicos" esquentou meu coração"

Caetano Veloso relembra como o pensamento de Claude Lévi-Strauss repercutiu em sua música

CAETANO VELOSO
ESPECIAL PARA A FOLHA
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Nosso movimento, que queríamos chamar de "som universal", terminou ganhando o apelido de "tropicalismo" por causa da instalação de Hélio Oiticica que Luiz Carlos Barreto achou parecida com minha canção.
Foi Leon Hirschman quem, tendo visto na casa de um amigo um volume de "Tristes Trópicos", pensou que um livro com esse título deveria interessar a um dos criadores de tal movimento, ainda mais que se tratava de um que gostava de ler livros filosóficos e teóricos.
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Ele simplesmente roubou o exemplar da casa em que o encontrou e me deu de presente. A palavra "estruturalismo" estava aparecendo em textos de jornais e em conversas. Eu vagamente sabia que o nome de Lévi-Strauss estava ligado a ela.
Abri o livro com uma curiosidade moderada. E fui tomado de um interesse intenso a partir das primeiras frases. "Tristes Trópicos" me arrebatou. Eu era fã de Sartre. Nunca esperei que uma inteligência de ordem tão diferente, mesmo antagônica, se impusesse com tanta rapidez sobre meu espírito.
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O estilo (eu nunca tinha lido Proust) também me impressionou: a calma dos parágrafos longos e entremeados de observações secundárias que só lhe aumentavam a clareza era educativa, agradável e elegante.
Mas foi a visão do Brasil que apareceu ali que esquentou meu coração.
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Um pessimismo relativo à civilização brasileira (mitigado pela bela passagem sobre a USP, em que "num claro instante" pode tornar-se possível uma intervenção relevante nos destinos do mundo, por parte de um bando de jovens paulistas inocentes -mas agravado pela incompreensão total do que seria Oswald de Andrade ou a possibilidade de um modernismo brasileiro que contasse além da repulsa que a suposta beleza do Rio causava no autor) contado paralelamente às descobertas sobre as culturas pré-cabralinas, ensinava novos modos de sentir-se o estar no mundo aqui.
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Mais do que tudo, aparecia um homem excepcional: sempre modesto, ele mantinha um tom franco e inabalavelmente lúcido. Os esboços das posições originais que o tornariam mais e mais célebre apareciam com vigor, mas sem paixão.
Cheguei a escrever, alguns anos depois, para meu governo, que fazia sentido que, em oposição ao ateísmo apaixonado de Sartre, surgisse uma espécie de misticismo frio.
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A profecia de que o Islã nunca seria a religião da tolerância que se pretendia (culminando numa impressionante comparação das figuras de Maomé e Buda) repercutiu em mim de modo indelével. Assim como o horror ao "eu" cartesiano, embora a racionalidade que ele sempre manteve nunca pudesse ser abalada, fosse pela "confusão entre sujeito e objeto" dos existencialistas (seguindo Husserl), fosse pela dialética hegeliano-marxista (que os existencialistas franceses terminaram por abraçar).
Marx e Freud eram, para ele, antes exemplos de pensadores que percebiam realidades inteligíveis em planos escondidos.
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Enfim, se há alguns livros que ficaram acesos em minha memória desde que foram lidos -e para sempre-, "Tristes Trópicos" é um deles.
Por causa disso, li "O Pensamento Selvagem" (em Londres, em inglês, porque os donos da casa que aluguei tinham esquecido justo um exemplar dele na estante vazia), depois "O Cru e o Cozido". A polêmica com "Crítica da Razão Dialética" no primeiro e os argumentos contra a música atonal no segundo são trechos a que voltei inúmeras vezes através dos anos.
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O texto sobre a música sempre foi especialmente instigante para mim. Considero aquilo um momento altíssimo na história do entendimento do que seja a música. Ali também estão embutidos argumentos anti-modernismo e anti-arte de vanguarda a que ele se apegou nas últimas décadas. Sinto uma natural desconfiança dessa inclinação, mas acho estimulante que algumas problematizações não fossem evitadas.
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Amo a resposta que Augusto de Campos me deu quando lhe reportei a impressão que me causaram tais argumentos: "São muito inteligentes, mas quem levou a música para além do tom foram os músicos, os melhores entre eles -e eu confio mais em quem está com a mão na massa". Mas aconselho qualquer um a passar primeiro pela "ouverture" de "O Cru e o Cozido", relembrar a frase de Augusto e depois tentar pensar por conta própria.
Lévi-Strauss detestava a promiscuidade entre alta cultura e cultura popular que via sendo praticada por seus famosos contemporâneos mais jovens: "pop philosophie", pensadores citando Bob Dylan e escrevendo sobre cinema, linguistas estudando letras de rock -na entrevista com Didier Éribon, ele diz que jamais voltaria seu armamento teórico para nada abaixo de Baudelaire.
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Eu o citei nominalmente numa letra de música (numa entrevista em que lhe perguntaram sobre a citação em "O Estrangeiro" -"O antropólogo Claude Lévi-Strauss detestou a Baía de Guanabara: pareceu-lhe uma boca banguela"-, ele disse, meio rindo, que tinha escrito essas palavras havia muito tempo); citei-o indiretamente em pelo menos duas outras: o "num claro instante" de "Um Índio" (diretamente do texto sobre a USP) e "amor-mentira" de "Tem que Ser Você" (aprendi com ele que os nhambiquara chamam os atos homossexuais praticados pelos jovens da tribo de "amor-mentira").
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Ele possivelmente não gostaria de se ver citado por um músico pop. E brasileiro. Vai saber. Ele cultivava um certo amor pelo Brasil, a terra onde suas descobertas inaugurais surgiram, onde seu trabalho de etnógrafo fez possível suas investidas teóricas e mesmo filosóficas. Mas o título do seu primeiro livro não é tão carregado de ternura quanto de desprezo e desesperança (e aqui me lembro de uma quarta citação que fiz dele em canção: a observação, em "Fora da Ordem", de que "aqui tudo parece que é ainda construção mas já é ruína"): o Brasil é figura grande na geografia de "Tristes Trópicos", mas está incluído numa visão sombria que cobre toda a zona tropical ao redor do globo.
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Eu o vi uma vez na BBC falando inglês excelente com perfeito sotaque francês e exibindo um caleidoscópio para ilustrar sua ideia de estrutura e do número finito de possibilidades de arranjo coletivo do homem. Ele tinha uma cara muito bacana de judeu bondoso mas irônico, uma maravilhosa cara de quem tem vocação para a longevidade (coisa de que ele antes se queixava com modesta ironia, mas que a mim me parece uma virtude). Em suma, eu gostava dele. Gostava de pensar que ele, tão distante e tão próximo, estaria ainda sempre por aí, como minha mãe e Niemeyer, o que me dá uma espécie muito tranquila de saudade.

.Peço desculpa aos estudiosos sérios por tratar com tamanha familiaridade uma figura tão respeitável. Mas peço essas desculpas por causa do carinho que sinto e sempre senti por ele. Mesmo no seu grande esnobismo contra o esnobismo de massas.


Caetano Veloso é cantor e compositor baiano

Escrito por Flavio DeABel às 09h11
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31/10/2009


PODER PUBLICO PERDULARIO

BOLETIM SERIDOENSE

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Nós, contribuintes, somos cada vez mais otários. Nós nao nos interessamos pelo problema. Queremos que os outros resolvam. Nao resolverão. Podem até ajudar a piorar.

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Contas do setor público pioram em setembro

Com gastos maiores do governo federal e arrecadação em queda, ajuste fiscal tem resultado mais fraco para o mês em 8 anos

Pela 1ª vez no ano, despesas superaram receita, gerando deficit primário de R$ 5,7 bi; para o BC, resultados devem melhorar neste trimestre

EDUARDO CUCOLO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

A queda na arrecadação e o aumento nos gastos do governo federal levaram as contas públicas a registrarem em setembro o pior resultado para o mês em oito anos. Tanto os números referentes ao mês passado como os valores acumulados no ano e em 12 meses mostram que o governo está cada vez mais distante de cumprir as metas de redução da dívida pública em 2009.

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No mês passado, pela primeira vez no ano, as despesas do setor público superaram as receitas. O resultado ficou negativo em R$ 5,7 bilhões, devido ao mau desempenho do governo federal. Estados, municípios e estatais, por outro lado, fecharam o mês com as contas no azul. Não entram nesse cálculo os juros não pagos da dívida, que representam mais R$ 16,6 bilhões em despesas.
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Apesar dos dados negativos, a avaliação do Banco Central, responsável pela divulgação, é que o fundo do poço já foi alcançado. A expectativa é que os números do último trimestre do ano já mostrem um aumento nas receitas, que devem acompanhar a recuperação da economia.
Em relação às despesas, a instituição diz não haver muito espaço para queda, devido ao aumento dos investimentos no final do ano. "Que vai arrecadar mais, com certeza, em linha com um nível de atividade mais forte. Gastar menos, eu não sei até que ponto você teria espaço", disse o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes.

Gastos com pessoal
O que preocupa os analistas, no entanto, são as despesas referentes a pessoal, que aumentaram quase 20% em 2009 e devem continuar afetando as contas públicas nos próximos anos, independentemente do comportamento da receita.
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"É possível que a meta seja alcançada contabilmente, mas o fato é que há uma deterioração bastante forte das contas fiscais, principalmente nos gastos com pessoal e encargos sociais, que são permanentes", diz o economista Maurício Molan, do Santander.
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O governo tem como meta fazer uma economia equivalente a 2,5% do PIB (Produto Interno Bruto) para pagar os juros da dívida e, dessa forma, reduzir seu endividamento. Mas esse resultado pode cair para 1,56% caso sejam abatidos os investimentos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida. Anteontem, o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, admitiu, pela primeira vez, que terá de usar mão desse artifício para que a meta seja cumprida.
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Nos 12 meses encerrados em setembro, esse resultado está em 1,17% do PIB. São R$ 34,6 bilhões, 70% a menos em relação à economia feita no período imediatamente anterior.
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Outro fator que deve contribuir para o cumprimento dessa meta, de acordo com o Banco Central, é que o setor público registrou deficit nos dois últimos meses de 2008, o que ainda pesa nesse indicador. No acumulado do ano, que exclui esse efeito, o percentual está em 1,70%, acima da meta.
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Em dezembro, por exemplo, o governo retirou aproximadamente R$ 15 bilhões (0,5% do PIB) do caixa para fazer a poupança que está depositada atualmente no Fundo Soberano do Brasil, despesa que não irá se repetir neste ano.
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Para Molan, o Fundo Soberano pode ser ainda utilizado como um último recurso do governo para alcançar as suas metas neste ano.
"Ele pode usar esse dinheiro para fazer frente a algumas despesas, embora já tenha sinalizado que deve deixar isso para o ano que vem."

Escrito por Flavio DeABel às 18h29
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30/10/2009


Meio ambiente

Lei florestal ajuda país no clima, diz Minc

Ministro do Meio Ambiente afirma que abrandamento de legislação enfraquece Brasil em Copenhague

ROBERTO DIAS
EM BARCELONA

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse ontem que o abrandamento da legislação florestal poderia enfraquecer a posição brasileira nas negociações da conferência do clima de Copenhague.
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"Alguém vai chegar e dizer: "Vem cá: o Brasil está cantando de galo que vai cortar o desmatamento e aprova uma lei que permite desmatar mais'", afirmou o ministro, que diz não enxergar possibilidade de alguma medida desse tipo ser sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
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Existe uma disputa no governo por causa da entrada em vigor do decreto presidencial sobre regularização ambiental, em dezembro. O Ministério da Agricultura quer aumentar o número de propriedades que não serão obrigadas a recompor suas reservas legais.
Minc está em Barcelona para uma reunião de emergência que tenta salvar as negociações para Copenhague. O encontro na Espanha, que começou ontem e acabará amanhã, foi convocado pela ministra dinamarquesa Connie Hedegaard, anfitriã do evento de dezembro.
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Barcelona foi escolhida porque será palco, na semana que vem, do último encontro preparatório para Copenhague. Minc não participará. De volta ao Brasil, ele terá uma reunião com Lula na terça-feira para tentar fechar a proposta que o governo levará a Copenhague.
Essa proposta é um dos trunfos com que conta o ministro na discussão em Barcelona. "O que está em cima da mesa são reduções de 30% a 40% da tendência de crescimento para 2020", afirmou ele. Na simulação, considera-se um crescimento anual do PIB de 4% até lá. O ministério já conseguiu formatar uma proposta de redução da emissão de gases em 35% para apresentar ao Planalto, mas tentará aumentar esse número até terça.
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Em Barcelona, o governo alardeia também o fato de ter alcançado a menor taxa de desmatamento em 20 anos e a aprovação, na Câmara, de um fundo para mudança climática e, em São Paulo, de uma lei com metas de corte de emissões.
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Minc defendeu ontem que a delegação brasileira em Copenhague seja chefiada pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. "Independentemente de ela ser candidata ou não, é a ministra mais importante do governo. Todo mundo sabe disso", afirmou. "Se não fosse a Dilma, alguém poderia dizer: "Ela é produtivista e não dá bola para o clima". No que vai a Dilma, ficam dizendo: "O governo está botando alguém mais produtivista para cuidar do clima". Sempre alguém vai criticar."

Escrito por Flavio DeABel às 06h29
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