BOLETIM SERIDOENSE:
O brasileiro nao distingue bem o que é publico e o que é privado. Primeiro, nao entendemos bem o que é governo. Governo Federal, Estadual e Municipal. Adverte-nos o psicanalista Jurandir Freire que nós, brasileiros, achamos que existe o superHomem. No caso, o Presidente da Republica. Que tudo pode resolver. Nao pode. O presidente nao é o todo poderoso que tudo pode.
Lembremo-nos de Collor. Pilotou jatos, andou de motocicletas. Encarnava o super-homem. Com os punhos cerrados, para cima, dizendo que colocaria o Brasil nos eixos. Deu no que deu. O Presidente do Brasil nao é o superhomem como gostariamos que fosse.
Que resolvesse o problema da corrupcao, da educacao e da saude. Ah, seria bom! Infelizmente a realidade é de politicos, prefeitos, governadores, deputados, comprometidos com seus grupos de apoio.
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Numa referência à apresentação da ministra, com detalhes sobre as obras do PAC, o antropólogo Roberto da Matta disse que a elite política não dá espaço para críticas: "Durante a vida inteira esperei a esquerda chegar ao poder para ver o Brasil mudar. A esquerda chegou ao poder e o país não mudou".
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BOLETIM SERIDOENSE:
Esquerda chegou ao poder. Que esquerda? Sera que a esquerda domina os poderes municipais? Quanta corrupcao nos municipios. Quantos municipios sem defensorias publicas. Somos mais de trinta partidos politicos. DaMatta, quais sao os de esquerda? DaMatta é professor nos Estados Unidos e eventualmente vem ao Brasil. Qual a influencia do Poder municipal no direcionamento, aplicaçao dos recursos publicos? Quantos prefeitos sao afastados por improbidade?
As elites nao quiseram, por um bom tempo, o estudo da sociologia nas universidades brasileiras. Por que será? Para que os sociologos nao expliquem os movimentos sociais. Os estrangeiros estudam mais o Brasil que os brasileiros. Como compreender o Brasil? Achando que existe uma esquerda monolítica. Nao existe. Existem bons e maus politicos. Se as verbas nao estao chegando aos hospitais, as escolas, sou forçado a concluir que os maus politicos estao vencendo.
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A luz amarela está acessa aos gestores públicos e isso exige uma posição mais efetiva dos três níveis de governo e a celebração de parcerias entre os setores público e privado para que o caos instalado não se aprofunde. Bem sabemos que o mercado, nossos empresários, a sociedade brasileira, têm suas conhecidas limitações. Nada que se compare, contudo, ao insólito e trágico desperdício que as obtusas políticas públicas vêm trazendo ao nosso país nestes últimos 30 anos. E muito pouco mudou, ultimamente, mesmo com fé de que estejamos, paulatinamente, melhorando.
A democracia convive com todas essas formas de banditismo, da criminal à social, ora fazendo valer a lei, ora gerando consensos sobre o que é ou não é socialmente aceitável. O problema existe quando as coisas se misturam e um bando social, chegando ao poder, se alia a bandidos comuns (no sentido criminal) e às "caciquias" tradicionais clientelistas, instaurando outro tipo de banditismo: o de Estado, que tanto pode cometer crimes no varejo (sob o perigosíssimo manto da impunidade) quanto perverter a política e degenerar as instituições no atacado. É a via Putin. Contra essa eventualidade, porém, a democracia não tem proteção eficaz.
AUGUSTO DE FRANCO, 57, analista político, é autor, entre outras obras, de "Alfabetização Democrática". Foi conselheiro e membro do Comitê Executivo da Comunidade Solidária durante o governo FHC (1995-2002).
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Boletim Seridoense:
O analista politico Augusto de Franco deveria promover uma seria analise sobre o municipalismo brasileiro. Principalmente estudando e diagnosticando as causas da improbidade administrativa nos municipios. Antes, os simpatizantes do PSDB defendiam o municipalismo. Abandonaram o barco. Preferem criticar o Governo Federal. Esqueceram o municipio. Esqueceram a reforma politica. Por que sera?
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CLÓVIS ROSSI
De preços e de mãos
ROMA - A conferência da FAO sobre segurança alimentar, que começa na terça-feira, foi recebida ontem pela seguinte manchete do jornal italiano "La Repubblica": "Pão e massas fazem voar a inflação". Voar é um certo exagero. Chegou a 3,6% nos 12 meses até maio. De todo modo, é o maior número desde 1996.
Na Espanha, a inflação de maio chegou ao ponto mais alto desde 1995. Daria até para dizer que se trata da globalização da inflação, um animal que parecia em vias de extinção até faz bem pouco tempo.
As respostas que podem dar os governos demonstram que seu raio de ação é cada vez mais limitado. É verdade que a cúpula da FAO deve afirmar a necessidade de políticas públicas de segurança alimentar. Mas é o tipo de "saludo a la bandera", como gostam de dizer os argentinos: inclina-se a cabeça diante dela ao passar, mas depois a vida continua sem nem sequer lembrar-se da bandeira.
Congelar preços? Nem o Brasil, especialista na matéria durante anos, pensa nisso. Não funcionou, a não ser por períodos curtos.
Fazendas coletivas para produzir os alimentos que escasseiam e ajudam a disparar os preços? Está caindo de moda até mesmo em Cuba, um dos últimos redutos do Estado-agente econômico.
O Brasil até que poderia dar exemplos de como políticas públicas ajudam. O estímulo à agricultura familiar, que responde por 70% da produção de alimentos, fez com que a cesta básica no país subisse apenas 25% nos últimos três anos, contra 83% no mundo.
Mesmo assim, não basta. Tanto não basta que o presidente Lula acaba de acenar com "remédio amargo" para enfrentar a inflação em alta.
Parece claro que, nessa área como em outras, não se achou ainda um correto equilíbrio entre a mão invisível do mercado e a mão pesada demais do Estado.
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BOLETIM SERIDOENSE
Sim, o Rossi tem razao. Mas esquece que a mao invisivel do Mercado está nas maos dos empresarios, dos banqueiros, nas maos de quem tem dinheiro. Quem nao quer o equilibrio? Os banqueiros, os industriais, os sindicalistas?
Lula tem nomeado ministros provindos do setor privado. O Presidente sabe que a governabilidade passa pelo apoio das forcas economicas. O Estado precisa do setor privado e vice versa. Busca-se o equilibrio. Mas vemos uma oposicao burra dos DEM e PSDB que temem a perpetuacao dos aliados do Presidente. 'Deus escreve certos em linhas tortas'.
"Parece claro que, nessa área como em outras, não se achou ainda um correto equilíbrio entre a mão invisível do mercado e a mão pesada demais do Estado". (Rossi)
A mao invisivel do mercado e a mao pesada demais do Estado. A analise deste assunto pode originar um Tratado, um estudo academico, profundo. As eleicoes municipais serao um forte indicador das tendencias no Brasil. Apos as eleicoes estudos deverao tentar radiografar o que acontece, as tendencias, para onde caminhamos, o que queremos, o que precisamos.