Boletim Seridoense - Cultura, política e comportamento. Colaboracoes sao benvindas. e-mail: dedeabel@msn.com


11/01/2009


BOLETIM SERIDOENSE N.17579

Manchetes

Segunda, 5.jan
Israel divide Gaza e rejeita trégua

Terça, 6.jan
Israel amplia a ofensiva e descarta cessar-fogo

Quarta, 7.jan
Israel bombardeia escolas da ONU

Quinta, 8.jan
Fuga de dólares é a maior desde 1982

Sexta, 9.jan
ONU pede cessar-fogo na faixa de Gaza

Sábado, 10.jan
Desemprego nos EUA é o maior desde 82

 

Contenção da selvageria


O repórter José Hamilton Ribeiro avalia o papel do jornalista e o trabalho da imprensa em conflitos militares, da Guerra do Vietnã, que cobriu, ao atual Oriente Médio

JOSÉ HAMILTON RIBEIRO
ESPECIAL PARA A FOLHA

Uma das imagens mais fortes da Guerra do Iraque foi a captura de Saddam Hussein, em dezembro de 2003, àquela altura talvez o homem mais procurado do mundo (ao lado de Osama bin Laden).
Depois de tantos anos de "reinado", Saddam fugira com alguns milhões de dólares e, quando os americanos deram nele, estava num buraco, com a comida apodrecendo, a barba crescida (parece até que com piolho), sujo e descuidado.
Uma imagem patética. O médico usou uma espátula de cartão para examinar sua garganta, a língua, os dentes. Saddam a tudo olhava como se não estivesse entendendo. Enfim, uma grande repor- tagem!
Detalhe: não havia jornalistas em volta. A imagem, o áudio, o contexto -e, por fim, quase que até o texto- tinham sido feitos pelo Exército americano.
Esse episódio permite uma comparação da cobertura jornalística entre a Guerra do Vietnã e a do Iraque. Houve um momento em que havia 300 correspondentes estrangeiros no Vietnã. As cenas paradigmáticas da guerra -o bonzo se queimando, a menina nua correndo do napalm, o suspeito sendo executado num canto da rua, a chacina de My Lai- foram documentadas e acabaram aparecendo no jornalismo do mundo todo.
Por circunstâncias especiais -uma delas a de que não se tratava de uma guerra americana, sendo a presença dos americanos consequência de um exercício de "solidariedade" internacional ao Vietnã do Sul (pró-americano) que estava sendo atacado pelo Vietnã do Norte (comunista)-, a Guerra do Vietnã correu meio frouxa quanto ao controle da imprensa. Com peripécias depois narradas em livros, os correspondentes acabavam conseguindo mandar, todo dia, para jornais, rádios e TVs do mundo todo -principalmente as TVs-, cenas daquela novela diária de sangue e horror.
Na Guerra do Iraque isso mudou -já tinha mudado na Guerra do Golfo (além do que também mudou a tecnologia).
Os americanos "aprenderam" o que significa uma cobertura "descontrolada" no campo de batalha; então, o controle agora é outro -e bem estrito. Os jornalistas dificilmente conseguem notícias de primeira mão, tudo (ou quase tudo) passa pelo filtro da "inteligência" militar.
Afinal, guerra é guerra, e informação também é arma.

O "carma" americano
Para mim, existem três aspectos no trabalho de cobertura de guerra nos tempos de hoje. Um, o "carma" americano.
Dois, algo a ver com o perfil da profissão de jornalista. O terceiro aspecto diz respeito ao regime político. O carma. Os americanos cometem a bobagem, eles mesmos documentam, eles mesmos fazem chegar a documentação à imprensa e ao Congresso, nascendo daí o escândalo, a denúncia e a repercussão, com acionamento da Justiça etc.
Foi assim na maior tragédia do Vietnã -a chacina de My Lai, onde centenas de mulheres, velhos e crianças (entre elas um bebê de dois meses) foram metralhados por uma companhia do Exército americano. A própria companhia documentou a chacina, ocorrendo depois a sua divulgação por um repórter.
Foi assim com Abu Ghraib, a prisão no Iraque. Os americanos fizeram o interrogatório, a tortura, a humilhação, e eles próprios depois arranjaram um jeito de que isso aparecesse para espanto mundial. (Depois investigaram, acharam culpados e até cassaram uma militar.)
Quem já não ouviu falar dessas e de outras atrocidades dos americanos no Vietnã, no Iraque, no Afeganistão, em Guantánamo? Não é mesmo de arrepiar? Agora, quem já viu documentação jornalística da brutalidade dos russos na Tchetchênia, dos chineses no Tibete, dos norte-coreanos ou cubanos com seus cidadãos? (Alguém sabe como foi o Natal de Guillermo Rigondeaux, o atleta que ia ser medalha de ouro na Olimpíada e que, devolvido do Brasil para Cuba após os Jogos Panamericanos, voltou a viver quase como escravo em Havana, proibido inclusive de praticar o seu esporte?!)
Quanto ao perfil psicológico do jornalista, há um componente que o leva a ficar sempre do lado do mais fraco (ou do que parece mais fraco). Jornalista que se preze acha que estar ao lado do poder -seja político, econômico, militar, corporativo- é deixar de ser jornalista e virar puxa-saco. Na Guerra do Vietnã foi estabelecido -nem sei se com justiça, visto que do seu lado havia apoio da União Soviética (então a segunda potência mundial) e da China- que o "fraco" era o vietcongue, o lado comunista. Então, grande parte da cobertura jornalística foi simpática a Hanói. Meter o pau nos americanos era quase obrigação e, quase sempre, era mesmo a atitude correta, pois se tratava, ali, além da formalidade diplomática, de uma força invasora.
O último ponto que cogito em relação à cobertura jornalística é quanto ao regime político das partes envolvidas. Se se trata de uma democracia, um mínimo de respeito ao direito de informação será observado. No caso de ditadura, seja de direita (quase que não existe mais), seja de esquerda, sem chance: jornalista (que não seja "do partido" e que, então, só escreva o que o partido quer) não é aceito, e ponto final.

Inibição
Numa guerra, a presença de um correspondente faz diferença? Acompanhei durante 20 dias as atividades de uma companhia do Exército americano no Vietnã e não vi nenhum ato indigno ou cruel. No entanto, a 30 km de onde eu estava, ocorreu, com uma companhia igual à "minha", a espantosa chacina de My Lai. Se houvesse ali um jornalista, será que os soldados fariam aquilo?
Sempre pensei que a presença de um jornalista na guerra inibisse violência de americanos, de ingleses, enfim de forças de um país democrático. Outro dia, porém, vi na televisão o depoimento de um fotógrafo de Hanói que serviu ao lado vietcongue. Ele era chamado para registrar momentos importantes. Um dia foram buscá-lo para fotografar um piloto americano cujo avião tinha sido abatido. Presa grande, foto importante!
Ele foi chegando junto ao grupo de militares que cercavam o prisioneiro. Notou então seu rosto: era a expressão do horror. Os americanos bem sabiam o que os esperavam quando caíam na mão do inimigo. Os olhos daquele americano eram os de quem estava vendo à sua frente o interrogatório, a tortura, a morte lenta, com dor e humilhação. "Assim que o piloto me viu", disse o fotógrafo à televisão, "a expressão de seu rosto mudou.
Saiu o medo, e entrou a esperança...". Diante de uma câmera, ou de uma testemunha imparcial, ninguém se entrega à sua selvageria. Pode ser ingênuo, ou romântico, mas assim penso: guerra é ruim, mas guerra sem jornalista é pior.


JOSÉ HAMILTON RIBEIRO é repórter especial do programa "Globo Rural". Cobriu a Guerra do Vietnã para a revista "Realidade", foi ganhador sete vezes do Prêmio Esso de Jornalismo e é autor de "O Gosto da Guerra" (Objetiva), entre outros livros.

A Transposicao colocará água do rio Sao Francisco em Caico. Agua virá para o Rio Piranhas que abastece Caico.

 

SÃO FRANCISCO

Auditoria do TCU pode atrasar transposição do São Francisco

HUDSON CORRÊA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

A Casa Civil diz em documento enviado ao TCU (Tribunal de Contas da União) que problemas apontados por auditorias do tribunal podem atrasar dez projetos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), entre eles a transposição do rio São Francisco. A informação consta de relatório do TCU. No documento, no entanto, o governo mantém avaliação mais otimista que o tribunal sobre o fim das obras.

Na obra do São Francisco, a Casa Civil concede "selo verde" ao projeto, ou seja, considera que ele tem pequeno atraso no cronograma passível de ser recuperado.

Os auditores, valendo-se do mesmo método do governo, conferem à transposição o "selo amarelo", indicando que a obra não será entregue na data prevista nem mesmo ampliando o prazo em 30%.

Os problemas encontrados pelo TCU, batizados de "achados de auditoria", são técnicos. No relatório, a principal constatação do trabalho foi a "deficiência no projeto básico para a licitação das obras". O projeto básico, segundo o TCU, deve definir o traçado mais viável e econômico para canais e barragens da transposição.

No documento, de 24 de novembro, a Casa Civil diz, segundo o tribunal, que 2 dos 14 lotes da transposição devem sofrer atrasos. Segundo o governo, o Ministério da Integração Nacional, responsável pela obra, tem um sistema de acompanhamento em tempo real, evitando "descompasso entre o valor orçado e o efetivamente gasto". Procurada pela Folha, a Casa Civil informou que o problema relativo à transposição, apontado pelo tribunal, está resolvido e mantém o "selo verde". Segundo o governo, o TCU adota critérios diferentes da Casa Civil ao avaliar o andamento das obras do PAC.

Entre os outros projetos passíveis de atraso, diz o governo, estão a ampliação do aeroporto de Brasília, obras no aeroporto de Florianópolis e a construção de terminal de passageiros e pátio de aeronaves no aeroporto de Guarulhos.
A transposição tem importância vital para o governo, que quer terminar a maior parte da obra até outubro de 2010, impossibilitando o próximo governo de abandoná-la ou de se beneficiar politicamente dela.


De 12 a 17 de dezembro, a Folha percorreu trechos da rota da transposição em Pernambuco e na Paraíba. A obra deixa moradores do sertão pernambucano e da região do Cariri paraibano na expectativa de aposentar as carroças, puxadas por jegues, usadas para transportar água de açudes. Há trechos em que a transposição se resume a estacas marcando onde passarão os canais.

Segunda, 5.jan
Israel divide Gaza e rejeita trégua

Terça, 6.jan
Israel amplia a ofensiva e descarta cessar-fogo

Quarta, 7.jan
Israel bombardeia escolas da ONU

Quinta, 8.jan
Fuga de dólares é a maior desde 1982

Sexta, 9.jan
ONU pede cessar-fogo na faixa de Gaza

Sábado, 10.jan
Desemprego nos EUA é o maior desde 82

Segunda, 5.jan
Israel divide Gaza e rejeita trégua

Terça, 6.jan
Israel amplia a ofensiva e descarta cessar-fogo

Quarta, 7.jan
Israel bombardeia escolas da ONU

Quinta, 8.jan
Fuga de dólares é a maior desde 1982

Sexta, 9.jan
ONU pede cessar-fogo na faixa de Gaza

Sábado, 10.jan
Desemprego nos EUA é o maior desde 82

Escrito por Flavio DeABel às 19h25
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TERROR

Fadi Adwan-6.jan.2009/Associated Press

IMAGEM DA SEMANA
Palestinos carregam corpo de menina achada em escombros de casa atingida por ataques; para ONU, mais de 250 dos mortos são crianças

 

BOLETIM SERIDOENSE:

O ser humano pode ser o melhor do mundo. Mas quando quer, pode ser o pior do mundo. Os ditos "animais" nao cometem tamanha atrocidade. Meu Deus, meu Deus, aonde vamos com tanta violencia? Sabemos que vamos morrer. Mas, queremos apressar a vinda dela? A cultura da morte nos rodeia. 

Escrito por Flavio DeABel às 19h17
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ALEX MEDEIROS

JORNAL DE HOJE, POR ALEX MEDEIROS

10.01.2009

O ano do boi e o fim do mundo

 

São milhares, a cada semana, os brasileiros que visitam a Argentina, atraídos basicamente pelos resquícios de glamour europeu em Buenos Aires ou pelo romantismo climático de Bariloche e outra plagas do país hermano.

Na volta, se possível fosse abrir todas as bagagens, seria revelado um alto índice de leitores de uma mulher chamada Ludovica Squirru, que anualmente, em livrarias portenhas e no vizinho Uruguai, vende 150 mil livros. E há 27 anos ininterruptos.

Brasileiros e brasileiras descobriram os encantos da escritora argentina e, como um povo dos mais supersticiosos e místicos do planeta, depositaram fé nas coisas que esta senhora escreve nos seus livros, campeões de popularidade nos dois países vizinhos.

Ludovica publica todo ano sua peculiar edição do "Horóscopo Chinês", recheada de previsões para os nativos de cada um dos animais que reinam no milenar mapa astrológico do Oriente. Tudo feito com embasamento no Tão e no I-Ching.

Ontem, no Café São Braz do Midway Mall, uma conhecida dondoca do jet set natalense folheava um exemplar do livro de Squirru, completamente absorta na leitura que sequer percebia as pessoas ao redor. Teria sido abduzida por uma nave ET e não sentiria.

Mas não se imagine que apenas a multidão iletrada acredita nas coisas profetizadas pela bruxa argentina. Advogados, professores, empresários, políticos e até jornalistas já estão esticando o cordão de fãs que Ludovica tem no Brasil.

E se por aqui nós temos Mãe Dinah errando sobre desmoronamentos de shoppings e templos evangélicos, a nossa vizinha triplicou sua fama quando publicou em Buenos Aires profecias dos Mayas sobre a queda das torres gêmeas em Manhattan.

Na edição de 2008 do seu horóscopo, ela antecipou a vitória de Barack Obama e a crise econômica mundial. No ano do rato, Ludovica disse que "um búfalo governará os EUA no ano do seu signo". Pra quem não sabe, 2009 é o ano do boi no zodíaco chinês.

Com muito dinheiro e patrimônio acumulados, Ludovica Squirru poderia muito bem levar uma vida a la Paulo Coelho, que mora nos Pirineus franceses e só vai ao seu país natal para assinar autógrafos ou contratos milionários. Preferiu viver em Córdoba.

Indagada porque da escolha pela província nativa, ela diz que ali, num dos lugares com o maior índice de aparição de OVNIs, é uma das poucas regiões do planeta que escaparão do grande cataclismo que está porvir, provocado pelo aquecimento global.

A exótica escritora diz que nos últimos anos vem pressentindo e sonhando com desastres naturais, que estão cada dia mais próximo de acontecer. Crê num dom natural, numa espécie de instinto animal que ela tem para prever a destruição da Terra.

Poucas tragédias como o tsunami na Ásia, enchentes e terremotos na América e ondas de frio na Europa não foram antecipados em seus livros. Ela acha que a alta margem de acerto numa edição leva os leitores a buscar o volume do ano seguinte.

Aos 52 anos, Ludovica Squirru vai se tornando mais uma fonte para a superstição coletiva dos latinos. Best-seller do esoterismo, parece ser a versão terceiro milênio de outros fenômenos literários dos anos 60-70, como Lobsang Rampa, Carlos Castañeda, Erich von Däniken e Maharishi Yogi, entre tantos. (AM)

 

Bacanagem

Do Ugo Vernomentti, por e-mail: "Colunista, um dia serei bacana e promoverei uma bacanagem. Se eu tirar a Mega-Ssena acumulada comprarei duas portentosas lanchas. E darei de presente. Uma para o Ministério Público, outra para a Receita Federal".

 

Café pequeno

A PF está investigando um assessor da Esplanada dos Ministérios, que apesar de ganhar R$ 8 mil/mês, comprou à vista uma cobertura e ainda fez uma reforma de R$ 500 mil. Não é nada quando comparado com algumas figurinhas em Natal.

 

Explosivas

Dois grandes veículos de comunicação do País estão enviando repórteres para Natal, com uma pauta em grau de fervura. O assunto, há muito tempo ignorado na aldeia e tratado como tabu na blogosfera, promete muito barulho.

 

Investigação

A notícia é velha, pois há dois meses foi destaque aqui em Portfolio e na coluna de Vicente Serejo. Mas o tema ainda pode gerar um novo motivo para bons debates na TV Universitária: irregularidades no concurso de professores de jornalismo da UFRN.

 

Roda Viva

O programa da TV Cultura entrevista na próxima segunda-feira a jornalista inglesa Jana Bennett, diretora da BBC Vision. Os convidados para a sabatina são Eugênio Bucci, Nelson Hoineff, Patrícia Kogut e Lúcia Araújo. Apresentação de Líllian Witte Fibe.

 

Eu, hein

A fofoca midiática da taba de Ailton Medeiros vai se tornando a cada dia um "feijão com arroz" só. Nada de novo, as mesmas figurinhas, as mesmas fotos, os mesmos zé manés que têm no estilo Big Brother a única referência filosófica.

 

Crise

O Brasil perdeu em 2008 a cifra de US$ 48,9 bilhões, dinheiro que se escafedeu para o exterior e que equivale a 25% das reservas nacionais em moeda estrangeira. Segundo o próprio Banco Central, é a maior evasão desde 1982.

 

Queimadas

O título acima refere-se ao dinheiro público queimado pelo Ministério do Meio Ambiente com viagens e diárias da turma de Carlos Minc. Foram R$ 37,1 milhões torrados em 2008, num aumento de 71% em relação a 2007.

 

Filme triste

O leitor Thiago Lopes escreve para dizer que ainda não acreditou que o filme "Lula, O Filho do Brasil" não conta com qualquer apoio público. Está também intrigado com uma obra sobre um político ainda no poder e em ano eleitoral.

 

Copa e milagre

Esse tal Comitê da Copa 2014 lançado por Wilma e Micarla está me lembrando uma família que eu conheci na adolescência, em Candelária. Todos rezavam duas vezes por dia, porque acreditavam que Jesus iria chegar por aqueles dias.

 

Racha educativo

Dos 15 sócios que administravam o cursinho para vestibular Overdose, 14 deles saíram para lançar um novo curso na cidade de tantos cursos. Vem aí o Lógico Curso, mais um garantindo excelência na formação de novos universitários.

 

Hemingway

Já que a Folha nunca repercute besteiras da aldeia, eu vou repercutir o atraso do jornal paulistano. Só hoje, duas semanas depois que foi notícia em Portfolio, a FSP publica a abertura do acervo de Ernest Hemingway num acordo entre Cuba e EUA.

 

Micarla

Um espertinho criou um fake (perfil falso) da prefeita de Natal no portal Orkut e está enviando pedidos de "adicionamento". Nas "comunidades" preferidas, o (a) sacripanta destacou "Jovens Verdes", "Fascismo", "A Volta do Regime Militar Já", "Partido Verde e seus Valores",

 "Pai Obrigado Por Tudo" e "Eu Apoio a Adoção Gay".

Escrito por Flavio DeABel às 19h08
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ANELLY MEDEIROS, TRIBUNA DO NORTE

Aviso

Para quem vai viajar no final do ano fica o aviso: Por entender que a quantia de R$ 13.460,19 para a indenização decorrente de atrasos em vôos era excessiva, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reduziu a R$ 3 mil o valor a ser pago a cada reclamante.

Escrito por Flavio DeABel às 17h49
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Mais de 360 mil vagas em disputa nos concursos públicos

José Cruz /ABrCONCURSOS - As provas dependem de liberação do ministro Paulo Bernardo11/01/2009 - Tribuna do Norte

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Receita Federal, Banco Central, Banco do Brasil, Universidade Federal do Rio Grande do Norte e prefeituras municipais. Esses são alguns dos órgãos públicos que programaram concurso público para 2009 e 2010.  No total, são mais de 360 mil vagas, segundo levantamento feito pelo portal G-1. O maior deles é o do IBGE, que vai contratar 230 mil pessoas, através de contratos temporários, para a realização do censo demográfico de 2010.

No Rio Grande do Norte, dois concursos estão previstos para o início do ano. O primeiro é o da Secretaria Estadual de Segurança Pública e Defesa Social que oferece 68 vagas para delegado de polícia substituto, com salário inicial de R$ 7.957,18; duzentas e sessenta e três vagas de agente de polícia (R$ 2.085,78) e cento e sete destinadas a escrivão de polícia (R$ 2.085,78). As inscrições vão até o dia 19 de janeiro.

O segundo concurso é o da  Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), que está lançando edital para preenchimento de 156 vagas destinadas a professor de 3º grau nas classes assistente, adjunto e auxiliar, nos quatro campi. As inscrições começam no dia 2 de março e vão até 3 abril. Para inscrição, o candidato deve pagar uma taxa em que o preço varia de acordo com o cargo que pleiteia na conta do Banco do Brasil, assim como requerimento de inscrição, protocolo de recebimento de documentação, cópia da identidade, currículo, Memorial e Projeto de Atuação, que estão especificados no Edital e que acompanham anexos para auxiliar na inscrição. As provas serão realizadas no período de quatro a 29 de maio e consta da prova escrita, didática, de títulos, defesa de memorial e projeto de atuação.

Escrito por Flavio DeABel às 17h47
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QUEM SE EXERCITA?

WODEN MADRUGA, TRIBUNA DO NORTE:

Para refletir 

O médico  Paulo Ubiratan, de Porto Alegre em entrevista a uma TV local, foi questionado se exercícios cardiovasculares prolongam a vida. Resposta em cima da bucha: "o seu coração foi feito para bater por uma quantidade de vezes e só... não desperdice essas batidas em exercícios. Tudo gasta-se eventualmente. Acelerar seu coração não vai fazer você viver mais: isso é como dizer que você pode prolongar a vida do seu carro dirigindo mais depressa".

 

Escrito por Flavio DeABel às 17h42
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05/01/2009


BOLETIM SERIDOENSE N.17438

NESTA EDICAO:

Lula quer entregar parte de obras no São Francisco em 2010

Objetivo é tornar a transposição do rio, que tem custo total de R$ 5 bi, num projeto irreversível para o próximo presidente

Criticada por políticos, índios e religiosos, construção dos túneis e das barragens pelo Exército ocorrem de forma tranquila nos últimos meses

DOS ENVIADOS A CABROBÓ (PE) E FLORESTA (PE)


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PRONDE VAI O ROCK?

O ROCK ERROU POR DIEGO A. MANRIQUE


CULTUADO MAIS NA EUROPA DO QUE NOS EUA E AUTOR DE POUCOS SUCESSOS "POPULARES", COMO "WALK ON THE WILD SIDE", O COMPOSITOR LOU REED DIZ QUE SE TORNOU UM PERSONAGEM "GROTESCO" AOS OLHOS DA MÍDIA

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ELIANE CANTANHÊDE

O Maranhão é o Brasil

BRASÍLIA - Nada poderia espelhar melhor a desigualdade brasileira do que o Maranhão que emergiu de três páginas diferentes da Folha na última sexta-feira.

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AGUA E MACONHA

Transposição pode irrigar maconha em Pernambuco

DOS ENVIADOS A CABROBÓ (PE)
E SALGUEIRO (PE)

Narcotraficantes que plantam maconha em Pernambuco vão desviar água dos canais de transposição do rio São Francisco para irrigar as lavouras da droga, caso a ação policial na região não seja ampliada.

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Obra não alivia falta d'água na zona rural

Projeto do governo não prevê sistema de bombeamento da água transposta para canais para levá-la ao interior dos municípios

Apesar de serem cortadas pelo São Francisco, cidades do semiárido de MG e BA sofrem com a estiagem e não têm acesso a água doce

EDUARDO SCOLESE
ENVIADO ESPECIAL A SERRA DO RAMALHO (BA) E A ITACARAMBI (MG)

Escrito por Flavio DeABel às 21h43
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PRONDE VAI O ROCK?

O ROCK ERROU


CULTUADO MAIS NA EUROPA DO QUE NOS EUA E AUTOR DE POUCOS SUCESSOS "POPULARES", COMO "WALK ON THE WILD SIDE", O COMPOSITOR LOU REED DIZ QUE SE TORNOU UM PERSONAGEM "GROTESCO" AOS OLHOS DA MÍDIA



"As canções perderam impacto. Inclusive as boas. Elas estão em toda parte, são ouvidas em todas as situações, sem força"

France Presse
 
O cantor compositor Lou Reed, que diz ter "obra suficiente" para poder merecer o Nobel de Literatura, durante show em Madri, na Espanha

DIEGO A. MANRIQUE

Lou Reed emergiu de um período de obscuridade em 1971 com o manto de poeta. Tinha sido expulso de modo ignominioso de seu grupo revolucionário, The Velvet Underground, e se refugiado na casa de seus sofridos pais, em Long Island. Retornou a Manhattan para um recital de letras e poemas ao qual compareceram [o poeta beat] Allen Ginsberg, todo o mundo do jornalismo musical de Nova York e parte do círculo de Andy Warhol [artista plástico e cineasta norte-americano ícone da pop art]. Diante desse público seleto, Lou Reed triunfou e proclamou que nunca voltaria a cantar -que se alegrava de ser finalmente reconhecido como poeta.
Felizmente, ele não demorou a esquecer essa intenção -embora agora esteja em Barcelona para recitar poemas. O compositor participa do projeto Made in Catalunya, pelo qual o Instituto Ramón Llull quer difundir a poesia catalã traduzida ao inglês. Na ocasião desta entrevista, em novembro passado, Lou Reed está carregando sozinho o peso do recital, que congrega uma pequena multidão no Centro de Cultura Contemporânea de Barcelona.

 

 

PERGUNTA - Você se sente à vontade nesses eventos? Quero dizer, em comparação com a tensão de trabalhar com uma banda?
LOU REED
- É mais tranquilo. Você pode expressar nuances que se perdem quando você está cercado de instrumentação. Se tive tempo de preparar a leitura e se o som está em ordem, não há medo no palco. Além disso, para mim é como voltar para casa. Eu sempre falei que tentava levar uma sensibilidade literária ao rock and roll, mas ninguém me entendia. Ainda não estou certo de que me entendam.

PERGUNTA - Quem foram seus mestres literários?
REED
- Mestre autêntico foi (o poeta) Delmore Schwartz, que me deu aulas na Universidade de Syracuse [em Nova York]. Ele me ensinou muito sobre a autoexigência e as armadilhas que espreitam um escritor -mas odiava o rock and roll. Em termos de estilo, aprendi mais com Raymond Chandler [escritor americano]. Seus argumentos não são perfeitos, mas ele escrevia romances como um poeta.

PERGUNTA - Vamos mergulhar na fantasia. Você se imagina como candidato ao Nobel de Literatura?
REED
- (Olhar de incredulidade). A pergunta é se acho possível? Não, Bob Dylan já preenche a cota de candidatos no setor dos cantores/ compositores judeus. Se acho que mereço? Tenho obra suficiente.
[Ele acaricia um livro que está sobre a mesa. Lou Reed insistiu que sua apresentação -que faz parte do festival literário Kosmopolis- coincidisse com o lançamento de "Travessa el foc: recull de lletres" (Editorial Empùries), primorosa edição bilíngue (inglês e catalão) de sua obra, abrangendo até suas canções mais recentes.
A parte interna do livro chama a atenção: o responsável pela arte aproveitou a fundo a oportunidade para jogar com as possibilidades tipográficas. Lou está satisfeito com o resultado: "Me encanta que esta edição atualizada saia na Catalunha antes que do nos EUA. A poesia catalã me deixa maravilhado -a quantidade de grandes autores em um país tão pequeno."]

PERGUNTA - Você é um leitor atento de poesia?
REED
- Agora não sou leitor de nada! Perdi meu reprodutor de livros eletrônicos. Você sabe, uma coisa na qual você pode colocar centenas de livros. É um invento perfeito para mim, já que viajo muito de avião. Mas já é a segunda vez que o esqueço num avião, e nunca o devolvem! Apesar de eu ter me dado ao trabalho de colocar uma etiqueta com meu nome e um telefone de contato. [Ele parece espantado por alguém ignorar sua vontade. O fato é que Lou Reed age de modo imperial. Ao longo da conversa, surgem nomes de escritores e ele quer, precisa, exige que lhe consigam seus livros. Por exemplo, uma tradução para o inglês de "Coplas a La muerte de Su Padre" [Versos Sobre a Morte de seu Pai], de Jorge Manrique ("um poeta do século 15 que morreu no ataque a um castelo? Isso me interessa muito!"). Acaba se conformando com um "Dom Quixote" em inglês. Também há um momento em que, falando do romance negro, surge o nome de James Lee Burke, autor que retrata as profundezas sórdidas da Louisiana, nos EUA.]
REED - As pessoas o conhecem aqui? Me identifico muito com seu personagem principal, esse ex-policial alcoólatra que é obrigado a enfrentar o mal. Acho que preciso ler alguma coisa dele [Burke] esta noite. Se não houver o último livro dele, aceito "The Neon Rain" [A Chuva de Neon] ou "Cadillac Jukebox". Posso mandar alguém buscar. Há algum lugar em Barcelona onde tenham livros do Burke em inglês? [Estou a ponto de lhe dizer que existe uma livraria especializada, mas me calo a tempo. Lou vem martirizando as duas assistentes que o acompanham nesta viagem. Todo jornalista musical que se preze conhece anedotas sobre as atitudes bruscas, as manias, os melindres e a paranoia que caracterizam Lou Reed. Parece estar obcecado em controlar sua imagem. Exige examinar as fotos feitas dele, insistindo que sejam eliminadas as que não o favorecem. Trabalho difícil: o tempo foi cruel com ele -anos demais abusando do álcool e de anfetaminas (não de heroína, como acreditavam muitos).]

PERGUNTA - É uma pena que suas "obras completas" incluam tão pouca prosa. Estou pensando no seu texto de 1970, em que reflete sobre as mortes de Jimi Hendrix, Brian Epstein, Brian Jones e Janis Joplin.
REED
- Você gostou? Naquela época eu precisava de dinheiro. Eu trabalhava com meu pai (contador), e ele não era muito generoso. Durante um momento de fraqueza, pensei até mesmo em virar jornalista profissional. Eu não teria aguentado. Lembro que me encarregaram de escrever um texto sobre Jim Morrison (vocalista do The Doors, morto em 1971). "Até onde se chega", pensei.

PERGUNTA - Você não gostava do The Doors?
REED
- Eram lixo de Los Angeles, lixo pretensioso. E Jim Morrison era um babaca.

PERGUNTA - Você não acha que, como você com o Velvet Underground, Jim Morrison rompeu os esquemas do que se cantava no rock?
REED
- Ele não fazia mais do que reciclar letras do blues. Se fazia passar por deus sexual. Ele não teria resistido uma noite na Factory [Lou Reed se refere ao estúdio de Andy Warhol em Nova York nos anos 1960, ponto de encontro de muitas almas perdidas dedicadas a fazer experimentos com drogas e explorar sua identidade sexual. Mas Lou não quer se aprofundar naqueles anos. Levanta-se e vai para o seu quarto. Reaparece usando a jaqueta -de couro negro, é claro- mais gasta que se poderia ver numa cidade tão fashion quanto Barcelona. Ele retorna agressivo. Cheira o jornalista e lança uma acusação: "Alguém andou fumando. Não gosto disso. Estou sem fumar há cinco anos, mas o cheiro do tabaco ainda me desperta desejos." A última coisa que eu imaginaria seria ouvir Lou Reed protestando contra um vício tão comparativamente inocente.]
REED - Inocente? Um maço de cigarros equivale a um raio-X. Pense nisso!

PERGUNTA - Eu me lembro de uma entrevista com você em 1986, em Atlanta (EUA), quando estava tentando parar de fumar e estava subindo pelas paredes; me contou que tinha tentado todos os métodos, desde a hipnose até a acupuntura.
REED
- Consegui, finalmente, com umas ervas chinesas. Fazem para você uma beberagem de sabor horrível, chamam aquilo de chá do equilíbrio. Ele restitui seu equilíbrio quando você sente o desejo da nicotina. Eu queria lhe dizer o nome original. Mas, infelizmente, sou zero à esquerda em chinês. [Mas ele é fanático pela cultura chinesa: pratica tai chi chuan e já convidou um mestre dessa arte para subir ao palco.]
REED - Comecei a praticar tai chi devido a seus valores marciais. Em Nova York é preciso estar preparado para brigar por qualquer bobagem. [Vem então uma pergunta mal-intencionada, sobre se aceitaria um trabalho para o governo chinês. Lou integra o contingente ruidoso dos roqueiros que defendem a causa do Dalai Lama. Muitos deles parecem ignorar as realidades geopolíticas, como a história tétrica do Tibete como sociedade feudal, marcada por guerras civis e o ódio enrustido aos monges.]
REED - Que estupidez. Não creio que a China queira algo comigo.

PERGUNTA - Não pense isso: a China se interessa por tudo o que possa sugerir modernidade. Agora mesmo há grupos em Pequim que soam como o Velvet Underground.
REED
- Bem... Espero que minha música lhes sirva de exemplo de dissidência, como acontecia na Europa comunista. [Lou Reed adora mencionar seus amigos ilustres. Ele interrompe a conversa quando recebe uma ligação do diretor Wim Wenders. Durante alguns minutos, até sua voz se modifica, ficando doce e obsequiosa. Alguns dos presentes olham para ele, pasmos: a impressão que se tem é que o ogro se transformou em princesa. Convém recordar um pequeno segredo: Lou Reed é infinitamente mais respeitado e reconhecido na Europa do que nos EUA. Poderíamos descrevê-lo como desconhecido dos cidadãos comuns de seu próprio país. Chegou ao auge da popularidade com "Walk on the Wild Side", de seu álbum "Transformer" (1972), carinhosamente produzido por David Bowie. Tirando esse momento mágico, seus discos carrancudos nunca saíram do circuito do rock.]

PERGUNTA - Você acha que a indústria americana de discos entendeu quem era realmente Lou Reed?
REED
- (Sarcástico) Não gosto de falar mal dos mortos. A indústria do disco está morta.

PERGUNTA - Mas sempre houve quem o apoiasse. A RCA [Radio Corporation of America] inclusive lançou um trabalho tão indigesto quanto o disco duplo "Metal Machine Music", em 1975.
REED
- Não sabiam o que fazer com ele. Eles o editaram para enterrá-lo. No ano passado, fiz um disco instrumental muito mais suave, "Hudson River Wind Meditations", e nenhuma gravadora grande quis tocar nele. Apenas um selo pequeno, quase sem distribuição. Foi pensado para acompanhar exercícios de tai chi e sessões de meditação. Acho que poucas vezes se gravou o vento com tanto realismo quanto nesse disco. E eu o fiz sozinho, em minha casa.

PERGUNTA - Mas você tem canções novas?
REED
- A música que mais me interessa hoje é instrumental, improvisada, totalmente livre. Algumas semanas atrás eu estive tocando em Los Angeles com Ulrich Krieger (instrumentista alemão que transcreveu "Metal Machine Music" para uma orquestra de câmara) e Sarth Calhoun, um engenheiro que manipula nossos sons. Foi muito instigante: boa parte do público foi saindo (riso seco). Mas muitos aguentaram. E foram duas horas!

PERGUNTA - O fato de torturar seus ouvintes lhe dá prazer?
REED
- Não é isso. Adoro frustrar as expectativas desse público que procura o artista decadente. Você sabe o que Frank Sinatra dizia? Que, se um décimo das coisas que falavam a seu respeito fosse verdade, ele teria terminado num zoológico. Comigo é a mesma coisa. Tenho 65 anos e ainda posso romper barreiras sonoras.

PERGUNTA - Ultimamente você anda mais interessado no som puro do que nas canções?
REED
- As canções perderam impacto. Inclusive as boas. Elas estão em toda parte, são ouvidas em todas as situações, mas muito baixinho, sem força. Quero reivindicar o poder transformador do som em alto volume, aquele que o agarra pelo estômago e tira seu fôlego. Som saindo de bons amplificadores, não dos fones de ouvido ridículos que as pessoas usam. [Bem, as pessoas e o próprio Lou Reed. Ele mostra, orgulhoso, um reprodutor minúsculo no qual leva armazenados os programas -incluindo as capas dos discos originais- que faz para a rádio por satélite Sirius.]
REED - Chama-se "New York Shuffle" e consiste em oferecer música muito eclética. Há grupos atuais, como Kings of Leon ou Queens of the Stone Age, mas também guitarristas dos anos 1930 e os quartetos de gospel que Elvis Presley ouvia. Ou a música eletrônica que produziam nos laboratórios da BBC para acompanhar histórias de ficção científica.

PERGUNTA - Você se inspirou no "Time Theme Radio Hour", o programa apresentado por Bob Dylan?
REED
- Você está de brincadeira? Dylan nunca se atreveria a colocar Ornette Coleman (saxofonista de free jazz), que é um dos meus heróis. [O entrevistador é obrigado a conviver com os nervos de Lou. E não falo apenas do tremor de suas mãos: ele salta de um assunto para o outro, como se concentrar-se o entediasse. De modo geral, comporta-se como homem inquieto e curioso. Do terraço de seu hotel, esquadrinha a paisagem urbana de Barcelona. Pergunta sobre os prédios que estão sendo restaurados, quer saber os horários de abertura dos museus. Afirma que ainda se recorda da sua primeira visita à cidade: "No final da apresentação, eu queria dar um bis. Mas dois militares se aproximaram e me proibiram. Como eu insistia, sacaram uma pistola. Então fiquei quieto." Consultado a respeito, o promoter que o levou à Espanha duvida que algo semelhante tenha acontecido: "Talvez ele tenha se confundido com a Itália; nos anos 1960 costumava haver muita violência nos concertos. De qualquer maneira, a polícia prefere falar com os organizadores de um concerto, não com o artista." Não é fácil confirmar dados com ele. Muda o rumo da prosa constantemente. Diz estar farto de perguntas sobre política e, em seguida, começa a discorrer sobre as diferenças morais entre a Guerra do Afeganistão e a invasão do Iraque.]
REED - Gosto de informações baseadas na realidade. Tenho conhecidos que se refugiam em teorias conspiratórias; eu mesmo já passei dias pesquisando na internet, mas você acaba numa indeterminação que o leva à loucura. Finalmente, minha conclusão é que a administração Bush não teria sido suficientemente inteligente para arquitetar algo como o 11 de Setembro -o que diria mantê-lo em segredo. [Conversar sobre um assunto qualquer com ele também tem seus encantos. Ele demonstra sede por informação e menciona, por exemplo, os dados de "Operation Lune", o falso documentário em que o diretor francês William Karel desenvolvia -com a cumplicidade de convidados famosos- o rumor de que a Nasa não teria chegado à Lua e que as cenas que vimos teriam sido feitas por Stanley Kubrick num estúdio britânico. "Espere até eu contar isso a [sua mulher] Laurie [Anderson] -ela vai adorar."]

PERGUNTA - Você reconstruiu seu personagem público. Nos anos 1970 e 1980, era o "rock and roll animal" (era esse o título de seu primeiro disco gravado ao vivo, em 1974). E agora o vemos muito à vontade em eventos de alta cultura.
REED
- Meu personagem se converteu em algo grotesco. Estou pensando em algumas histórias em quadrinhos editadas na Espanha, em que eu era uma espécie de Conde Drácula do rock. Minha vida não era tão ... interessante assim (risos). Acho divertido enganar os estereótipos, tratar com políticos ou representantes do mundo acadêmico. [Suas assistentes começam a se mostrar inquietas. O evento de divulgação começou com muito atraso, e já passou da hora razoável de comer. Lou Reed sempre foi um tanto quanto esnobe em matéria de alimentação: fazia dietas insólitas, aconselhado por nutricionistas misteriosos. Mas hoje ele age como qualquer turista americano urgentemente necessitado de combustível: pede um hambúrguer.]

DIEGO ALFREDO MANRIQUE é jornalista e crítico musical. A íntegra deste texto foi publicada no "El País".

Tradução de Clara Allain.

Escrito por Flavio DeABel às 21h35
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DESIGUALDADE

ELIANE CANTANHÊDE

O Maranhão é o Brasil

BRASÍLIA - Nada poderia espelhar melhor a desigualdade brasileira do que o Maranhão que emergiu de três páginas diferentes da Folha na última sexta-feira.
Na pág. A2, no texto "A crise na janela", delicioso como sempre, José Sarney não fica a ver navios e sim "um solitário barco envolto na bruma de sal". É a crise a olho nu, mas Sarney trata de enaltecer São Luís como o segundo porto do Brasil, exportando 110 milhões de toneladas de minério de ferro e alumínio, além de soja, milho, babaçu.
O Maranhão também tem "a maior fábrica de alumínio do mundo, da Alcoa" e a "melhor infraestrutura do Nordeste", com estradas de ferro e "comboios imensos, milhares de operários, lavra, energia e estradas". Fantástico.
Mas esse é um Maranhão. Há outros. Você vira a página e, na A4, as notas "Fichados 1" e "Fichados 2", do Painel, informam que o Estado contribui para a nova "lista suja" de trabalho escravo com um juiz, Marcelo Baldochi, e o ex-prefeito de Santa Luzia Antonio Braide, pai de um ex-assessor do ministro maranhense Edison Lobão.
Virando mais uma página, chegamos à A6 e à reportagem sobre maranhenses que, no primeiro dia do ano, incendiaram a prefeitura, o fórum e o cartório da mesma Santa Luzia, a 300 km de São Luís e do segundo porto brasileiro. Motivo: quem ganhou a eleição para prefeito não levou. A Justiça não deixou.
Na véspera, com os salários atrasados e sem Natal, prestadores de serviço tinham invadido a casa do prefeito Zilmar Melo e a empresa de informática da família, em Tutoia (457 km da capital e do porto maravilhoso). Quebraram até os carros. O que restou, levaram.
E o Maranhão de um ex-presidente recente (1985-1990) e "da maior fábrica de alumínio do mundo" não é só lembrado por trabalho escravo e pela fúria de cidadãos, mas pelos piores desempenhos em português e em matemática. E no IDH, claro.
O Maranhão é o Brasil. Ou melhor, o Brasil é o Maranhão.

elianec@uol.com.br

Categoria: Politica
Escrito por Flavio DeABel às 21h27
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AGUA E MACONHA

Transposição pode irrigar maconha em Pernambuco

DOS ENVIADOS A CABROBÓ (PE)
E SALGUEIRO (PE)

Narcotraficantes que plantam maconha em Pernambuco vão desviar água dos canais de transposição do rio São Francisco para irrigar as lavouras da droga, caso a ação policial na região não seja ampliada.
Essa é a avaliação do delegado da Polícia Federal Cristiano de Oliveira Rocha, em Salgueiro (PE), e do subcomandante da PM em Cabrobó (PE), capitão Isaque Barbosa.
Os dois eixos da transposição vão passar pelo chamado polígono da maconha, em Pernambuco, onde a droga é cultivada em meio à caatinga.
O lado positivo é que, segundo o delegado, as obras da transposição, gerando vagas de trabalho, diminuíram o número de pessoas que buscam o cultivo da droga como emprego.
Em 2008, a PF intensificou as operações. As estatísticas apontam que no ano passado foram cortados 2.131.687 pés de maconha em Pernambuco, contra 294.716 durante 2007 e 702.598 em 2006.
"A maconha tem de ser combatida através da erradicação, acabando com as plantações", diz o delegado, que espera reforço para impedir que, depois de pronta, a transposição sirva a traficantes. "Não é que vão desviar toda a água do canal, mas vão fazer jacarés [ligações clandestinas para pequenos desvios]", diz o capitão da PM.
O coordenador-geral de fiscalização da transposição, Frederico Fernandes de Oliveira, disse que o consórcio de empresas que vai operar os canais, após a conclusão da obra, terá sistemas de segurança.

Categoria: Engenharia
Escrito por Flavio DeABel às 21h23
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AGUA NO SERTAO

Obra não alivia falta d'água na zona rural

Projeto do governo não prevê sistema de bombeamento da água transposta para canais para levá-la ao interior dos municípios

Apesar de serem cortadas pelo São Francisco, cidades do semiárido de MG e BA sofrem com a estiagem e não têm acesso a água doce

EDUARDO SCOLESE
ENVIADO ESPECIAL A SERRA DO RAMALHO (BA) E A ITACARAMBI (MG)

No semiárido, ter água no município não significa necessariamente usufruí-la, como revelam as realidades de Serra do Ramalho (BA) e de Itacarambi (MG). Esses municípios são cortados pelo rio São Francisco, mas habitantes da zona rural sofrem com a falta d'água.
No município baiano, a 859 km de Salvador, por exemplo, todos os dias moradores de diferentes povoados se organizam em filas para esperar uma água que nem sempre chega.
Outros, de localidades mais distantes, têm a situação mais complicada: como a água do São Francisco não chega nem de vez em quando, são obrigados a beber a água salgada (com calcário) dos poços artesianos.
Em Itacarambi (a 673 km de Belo Horizonte) a realidade é parecida. Comunidades da zona rural não recebem as águas do rio. "Teria de haver um investimento muito alto. A população não morre de sede, mas perde o gado e a produção no período de estiagem", afirma a coordenadora local da Defesa Civil, Maria Oliveira.
Quando fala na transposição, o governo se refere à abertura de dois grandes canais para abastecer rios, açudes e adutoras nos Estados de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte, onde vivem 12 milhões de pessoas. Não há, porém, nenhum plano traçado para tirar a água desses canais e levá-la para o interior dos municípios e do próprio Estado.
Os exemplos vistos em Serra do Ramalho e em Itacarambi indicam que, mesmo que essa água transposta passe dentro do município, ela não serve de nada, caso não tenha um sistema local de adutoras largas e com bombeamento possante para tirá-la dos canais e distribuí-la aos habitantes da sede e dos povoados.
O rio passa desde sempre por Serra do Ramalho e até hoje não há uma solução para a falta d'água para os moradores locais. No ano passado, por exemplo, o município também cortado pelo rio Corrente passou seis meses em estado de emergência por conta da estiagem.
Renice dos Santos, 40, casada e mãe de três filhos, vai pelo menos duas vezes por semana ao chafariz do povoado em que vive para encher quatro galões de água, dois com 50 litros e dois com 30 litros. "Eu chego às 7h, mais ou menos. Se a água não chegar na mangueira até as 10h, vamos todos embora, porque nesse dia não vem mais."
A água só chega ao chafariz em que está Renice, caso não se esgote no caminho. Puxada do rio, ela abastece o centro da cidade, e o que sobra é distribuído para 14 dos 19 povoados, chamados de agrovilas.
A partir do centro, a água segue por uma tubulação menor. Distribuída em sequência, ela só chega ao chafariz da Agrovila 4, por exemplo, se não se esgotar na Agrovila 6, onde está Renice e o lavrador aposentado Geraldino Albuquerque, 79. "Só não venho pegar água todo o dia porque eu não aguento [o peso do galão de 30 litros, puxado num carrinho de mão."
Não há tubulação para quatro das agrovilas. "Para eles não têm [distribuição]. O jeito pra eles é tomar água salgada mesmo", afirma João Neto Silva, 45, diretor do órgão da prefeitura que distribui a água.
A água salgada, dizem, não é indicada nem mesmo para regar plantas. "A gente bebe do poço mesmo. [Políticos] prometem, mas nunca fazem nada", diz Ilma dos Santos, 21, que vive na Agrovila 17, onde a água do São Francisco não chega.
Quem quer beber água doce nessa agrovila precisa pagar R$ 10 para um morador local que recolhe os galões do interessado e busca água todos os dias na Agrovila 6.
Serra do Ramalho foi criado nos 70, tendo como pioneiras as famílias desalojadas pela barragem de Sobradinho, no norte baiano. O município tem 2.668,30 km2, o equivalente à soma das áreas de São Paulo, Campinas e Guarulhos.

Publicidade
A propaganda oficial de que 12 milhões de nordestinos terão água assegurada com a transposição de parte das águas do rio São Francisco não pode ser levada ao pé da letra, de acordo com a CPT (Comissão Pastoral da Terra).
"É uma contradição que denunciamos. No Vale do São Francisco há municípios que não têm sistema de abastecimento urbano", diz Roberto Malvezzi, pesquisador da CPT.
Procurado, o Ministério da Integração Nacional informou que, até 2010, investirá R$ 300 milhões no programa Água para Todos, na implantação de projetos de abastecimento de água potável em Minas Gerais e em quatro Estados do Nordeste (AL, BA PE e SE).

Categoria: Engenharia
Escrito por Flavio DeABel às 21h21
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AGUA NO SERTAO

Obra não alivia falta d'água na zona rural

Projeto do governo não prevê sistema de bombeamento da água transposta para canais para levá-la ao interior dos municípios

Apesar de serem cortadas pelo São Francisco, cidades do semiárido de MG e BA sofrem com a estiagem e não têm acesso a água doce

EDUARDO SCOLESE
ENVIADO ESPECIAL A SERRA DO RAMALHO (BA) E A ITACARAMBI (MG)

No semiárido, ter água no município não significa necessariamente usufruí-la, como revelam as realidades de Serra do Ramalho (BA) e de Itacarambi (MG). Esses municípios são cortados pelo rio São Francisco, mas habitantes da zona rural sofrem com a falta d'água.
No município baiano, a 859 km de Salvador, por exemplo, todos os dias moradores de diferentes povoados se organizam em filas para esperar uma água que nem sempre chega.
Outros, de localidades mais distantes, têm a situação mais complicada: como a água do São Francisco não chega nem de vez em quando, são obrigados a beber a água salgada (com calcário) dos poços artesianos.
Em Itacarambi (a 673 km de Belo Horizonte) a realidade é parecida. Comunidades da zona rural não recebem as águas do rio. "Teria de haver um investimento muito alto. A população não morre de sede, mas perde o gado e a produção no período de estiagem", afirma a coordenadora local da Defesa Civil, Maria Oliveira.
Quando fala na transposição, o governo se refere à abertura de dois grandes canais para abastecer rios, açudes e adutoras nos Estados de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte, onde vivem 12 milhões de pessoas. Não há, porém, nenhum plano traçado para tirar a água desses canais e levá-la para o interior dos municípios e do próprio Estado.
Os exemplos vistos em Serra do Ramalho e em Itacarambi indicam que, mesmo que essa água transposta passe dentro do município, ela não serve de nada, caso não tenha um sistema local de adutoras largas e com bombeamento possante para tirá-la dos canais e distribuí-la aos habitantes da sede e dos povoados.
O rio passa desde sempre por Serra do Ramalho e até hoje não há uma solução para a falta d'água para os moradores locais. No ano passado, por exemplo, o município também cortado pelo rio Corrente passou seis meses em estado de emergência por conta da estiagem.
Renice dos Santos, 40, casada e mãe de três filhos, vai pelo menos duas vezes por semana ao chafariz do povoado em que vive para encher quatro galões de água, dois com 50 litros e dois com 30 litros. "Eu chego às 7h, mais ou menos. Se a água não chegar na mangueira até as 10h, vamos todos embora, porque nesse dia não vem mais."
A água só chega ao chafariz em que está Renice, caso não se esgote no caminho. Puxada do rio, ela abastece o centro da cidade, e o que sobra é distribuído para 14 dos 19 povoados, chamados de agrovilas.
A partir do centro, a água segue por uma tubulação menor. Distribuída em sequência, ela só chega ao chafariz da Agrovila 4, por exemplo, se não se esgotar na Agrovila 6, onde está Renice e o lavrador aposentado Geraldino Albuquerque, 79. "Só não venho pegar água todo o dia porque eu não aguento [o peso do galão de 30 litros, puxado num carrinho de mão."
Não há tubulação para quatro das agrovilas. "Para eles não têm [distribuição]. O jeito pra eles é tomar água salgada mesmo", afirma João Neto Silva, 45, diretor do órgão da prefeitura que distribui a água.
A água salgada, dizem, não é indicada nem mesmo para regar plantas. "A gente bebe do poço mesmo. [Políticos] prometem, mas nunca fazem nada", diz Ilma dos Santos, 21, que vive na Agrovila 17, onde a água do São Francisco não chega.
Quem quer beber água doce nessa agrovila precisa pagar R$ 10 para um morador local que recolhe os galões do interessado e busca água todos os dias na Agrovila 6.
Serra do Ramalho foi criado nos 70, tendo como pioneiras as famílias desalojadas pela barragem de Sobradinho, no norte baiano. O município tem 2.668,30 km2, o equivalente à soma das áreas de São Paulo, Campinas e Guarulhos.

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A propaganda oficial de que 12 milhões de nordestinos terão água assegurada com a transposição de parte das águas do rio São Francisco não pode ser levada ao pé da letra, de acordo com a CPT (Comissão Pastoral da Terra).
"É uma contradição que denunciamos. No Vale do São Francisco há municípios que não têm sistema de abastecimento urbano", diz Roberto Malvezzi, pesquisador da CPT.
Procurado, o Ministério da Integração Nacional informou que, até 2010, investirá R$ 300 milhões no programa Água para Todos, na implantação de projetos de abastecimento de água potável em Minas Gerais e em quatro Estados do Nordeste (AL, BA PE e SE).

Categoria: Engenharia
Escrito por Flavio DeABel às 21h21
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Lula quer entregar parte de obras no São Francisco em 2010

Objetivo é tornar a transposição do rio, que tem custo total de R$ 5 bi, num projeto irreversível para o próximo presidente

Criticada por políticos, índios e religiosos, construção dos túneis e das barragens pelo Exército ocorrem de forma tranquila nos últimos meses

DOS ENVIADOS A CABROBÓ (PE)
E FLORESTA (PE)

O governo diz que concluirá o eixo leste da transposição do São Francisco em outubro de 2010, no fim do mandato de Lula. Pelo cronograma, também será terminada parte do eixo norte, além de 18 barragens, nove aquedutos, três túneis e nove estações de bombeamento, que farão a água chegar às regiões mais altas.
A intenção é tornar a obra, de R$ 5 bilhões, um projeto irreversível para o próximo governo, que, até outubro de 2012, concluiria mais 356 km do eixo norte, nove barragens, quatro aquedutos e dois túneis.
O atraso nas obras foi resultado das chuvas no início do ano em Cabrobó (PE), segundo o secretário de infraestrutura hídrica do Ministério da Integração Nacional, João Reis Santana Filho, em relato no Senado em setembro de 2008.
Ele também citou como obstáculos a fiscalização do Tribunal de Contas da União, as exigências ambientais e a disputa judicial de empresas que participaram da licitação, além da regularização fundiária para indenizar desapropriados.

Andamento das obras
Criticada por políticos, índios, religiosos e artistas, a transposição -que já gerou atos polêmicos, como as duas greves de fome do bispo de Barra (BA), dom Luiz Flávio Cappio, e a paralisação das obras, derrubada pelo Supremo Tribunal Federal- tem ocorrido tranquilamente nos últimos meses.
O Exército constrói sem maiores obstáculos os canais de aproximação, para captar água nas margens do São Francisco, e os primeiros reservatórios em Cabrobó e Floresta.
A desistência da empresa Camargo Corrêa de construir um dos trechos levou o governo a pedir pressa na instalação do canteiro de obras pelo novo consórcio contratado: as empresas Camter e Egesa. Ao todo são 1.268 pessoas trabalhando na obra, mas o governo espera chegar a 7.000 neste ano.
A água do São Francisco será transportada em dois eixos. O norte partirá de Cabrobó e chegará a Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte, numa extensão de 426 km. O eixo leste sairá de Floresta e chegará a Monteiro (PB), percorrendo 287 km. A ideia é levar água às bacias de rios nas regiões secas do sertão, cariri paraibano e agreste pernambucano.
A menos de 40 metros da margem do rio São Francisco, em Cabrobó, o Exército abre um canal de 2.080 metros de comprimento para captar a água. Nessa fase, ela será transportada ao reservatório de Tucutu, o primeiro no eixo norte, que ocupará a área de 354 hectares onde houve desmate da vegetação seca, espinhosa e cinza da caatinga. A madeira do desmatamento está acumulada em pilhas no local.
Nesse trecho da obra trabalham 380 pessoas, movimentando 49 caçambas e 18 tratores e escavadeiras.
No eixo leste, em Floresta, o canal de aproximação terá cerca de 5.800 metros. A barragem do reservatório de Areias alcançará 15 metros de altura e 1 km de comprimento. "Ninguém sabe que isso está assim, se vissem o tamanho do buraco [do canal], ficariam impressionados", diz o tenente do Exército Daniel Carvalho de Britto. (HUDSON CORRÊA E SÉRGIO LIMA)

Escrito por Flavio DeABel às 21h18
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Frases

"Não posso é ficar parado. Disseram que neste ano ainda pode plantar. Fiquei mais animado"
JOAQUIM FERREIRA NETO
agricultor em Salgueiro (PE)

"Só espero eles falarem quando vou demolir para eu sair daqui. Chegam aqui, mas nunca falam comigo"
BARTOLOMEU MORENO SANTOS

borracheiro em Sertânia (PE)

Escrito por Flavio DeABel às 21h17
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AGUA

Rota da transposição do São Francisco tem obras paradas

Moradores de onde passarão os canais com água cobram indenização e usam "disque-jegue'

Governo corre para entregar a maior parte do projeto em outubro de 2010, como o previsto, e afirma que construção será acelerada

Sérgio Lima/Folha Imagem
 
O agricultor Joaquim Ferreira Neto, 91, de Salgueiro (PE), que ainda não recebeu indenização

HUDSON CORRÊA
SÉRGIO LIMA
ENVIADOS ESPECIAIS A PERNAMBUCO E PARAÍBA

Um ano e meio após ser iniciada, a obra da transposição do rio São Francisco, em trechos ao longo de sua rota, ainda se resume a estacas de madeira que, fincadas em meio à caatinga, marcam onde passarão os canais levando água a regiões secas. Por enquanto, carroças puxadas por jegues levam tambores com água barrenta a moradores dessa parte da obra.
Eles têm antenas parabólicas e podem chamar a carroça por celular, no serviço "disque-jegue", mas enfrentam racionamento de água para beber.
Nos dois trechos onde haverá captação da água no rio, em Cabrobó e Floresta, no sertão pernambucano, desde junho de 2007 o Exército abre canais e constrói reservatórios. É a parte mais adiantada do projeto.
Responsável pela transposição, uma das principais vitrines do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), o Ministério da Integração Nacional corre para substituir estacas por obras e entregar a maior parte do projeto em outubro de 2010, como previsto. O governo admite atrasos, mas diz que a construção será acelerada.
As obras têm dois eixos: o norte, que parte de Cabrobó, com 426 km de extensão, e o leste, de Floresta, com 287 km.
Ao longo desses dois ramais, 1.998 áreas serão desapropriadas, mas as indenizações de 1.509 ainda não foram pagas -628 proprietários não têm sequer títulos de posse.
Antes de pagar indenizações e avançar com a obra, é preciso regularizar as terras. Nesse processo, o governo já pagou R$ 30 milhões e deve desembolsar mais R$ 24,1 milhões.

Eixo leste
De 12 a 17 de dezembro, a Folha percorreu municípios na rota da transposição.
No povoado de Waldemar Siqueira, em Sertânia (PE), a fonte de água são açudes formados pelas chuvas e já com nível baixo. O local fica a 200 km de onde ocorrerá a captação no rio, em Floresta, no eixo leste.
Embora recentemente tenha começado a montagem do canteiro de obras próximo ao povoado, moradores conhecem a transposição mais pelas estacas de madeira, pintadas de azul, que marcam o traçado da obra.
O borracheiro Bartolomeu Moreno Santos, 52, afirma que há três meses viu serem fincados esses marcos no fundo de sua borracharia, à beira da estrada. Ele paga R$ 100 por mês por um sobrado em ruínas onde toca o negócio de poucos clientes. "Só espero eles falarem quando vão demolir para eu sair daqui. Chegam aqui, mas nunca falam comigo."
Uma das estacas está no quintal de Cícera Maria Conceição, 60. Ela diz não saber quando a obra chegará e nem quanto receberá de indenização. "Falaram em R$ 23 mil, mas isso foi há três anos.".
Enquanto espera, Conceição paga de R$ 25 a R$ 30 por semana a carroceiros que transportam água. "A pessoa tem que tomar um pouquinho e ficar lambendo o dedo."
O povoado possui casas de tijolos com antenas parabólicas, ruas pavimentadas, posto de gasolina, comércio, prédio de escola, e seus moradores usam celulares de modelos novos. O acesso a esses bens e serviços contrasta com o racionamento de água para beber.
Para lavar roupas e pratos e tomar banho, moradores contam com a barrenta dos açudes. Água potável só nos reservatórios da prefeitura, que, com máquinas, tira o excesso de sal.
Funcionário do município, Severino Paulino, 51, passa cadeado nas torneiras do reservatório. A distribuição só ocorre às segundas, às quartas e aos sábados, limitando-se, nesses dias, a 40 litros por casa.
Paulino exibe à reportagem um cartão no qual se leem "disque-jegue" e o número de seu telefone. Ele é um dos que entregam tambores com água.
Thiago Soares de Araújo, 20, trabalha com isso desde criança. Ganha R$ 4 por tambor entregue em casa. Chega a fazer oito entregas por dia. Além dele, outros 11 carroceiros recorrem ao açude. Araújo diz que muita gente, sem alternativa, bebe a água barrenta. Quando a Folha estava no açude, Ítalo de Souza Neves, 11, enchia um garrafão de cinco litros. Segundo ele, para lavar pratos.
"Se Deus quiser sai [a transposição]. Desse projeto, ouvi falar depois de Lula, que é nordestino, pernambucano, [se eleger]. Será que o [próximo] presidente vai acabar essa obra?", pergunta Antônio Alves Rocha, 54, que cuida de outro reservatório e cobra R$ 0,10 por 20 litros de água potável.
No trecho final do eixo leste, em Monteiro (PB), o canal deve passar nas propriedades de Antônio Ferreira dos Santos, 69, o Nego Gringo, e de José Teodoro da Silva, 71, que cresceram na região do cariri paraibano.
Numa manhã de sol forte, Silva puxava pela BR-110 o jegue atrelado à carroça com um tambor abastecido a 1 km da sua casa. Na estrada, cruza uma linha branca, pintada no asfalto, que indica a rota da obra.
Nego Gringo e Silva dizem que ainda não foram procurados para tratar de indenização. "A obra vem mesmo?", pergunta Silva à reportagem.
Segundo o governo, há estudo para mudar parte da rota da transposição em Monteiro. Por essa razão, o processo de indenização está suspenso.

Eixo norte
Em Salgueiro (PE), a 80 km do ponto em Cabrobó onde haverá a captação do canal norte, o agricultor José Santiago dos Anjos Neto, 53, reunia duas pilhas de tijolos para construir alpendre e parede para sua casa, na comunidade de Uri de Baixo, quando um funcionário do governo "passou e disse: "Se eu fosse o senhor, esperava um pouco por causa da transposição'". Quase quatro anos depois, a pilha de tijolos apodrece -e as obras não chegaram.
Os sitiantes do local esperam ansiosos, pois o povoado será transferido para outro lado de uma rodovia, dando espaço para um reservatório. Na espera, muitos deixaram de plantar.
José Bernardino dos Santos, 84, está desconsolado. "Para os mais velhos, é como uma morte ter que deixar a terra", afirma.

Escrito por Flavio DeABel às 21h14
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RANKING FOLHA-MAUÁ 2008

O MAIS RÁPIDO... (0-100 km/h; em s)
Audi R8 (4,81)

...E O MAIS LENTO
Volkswagen Voyage 1.0 a gasolina (21,67)

O MAIS ÁGIL... (retomada 60-120 km/h; em s)
Mercedes-Benz C 63 (5,35)

...E O MAIS "MANCO"
Fiat Mille a gasolina (34,82)

O MAIS SEGURO... (frenagem 80 km/h-0, em m)
Audi R8 (33,7)

...E O QUE DÁ MEDO
Citroën C3 XTR (41,1)

O MAIS ECONÔMICO... (consumo urbano, em km/h)
Fiat Mille a gasolina (12,8s)

...E O "BEBERRÃO"
Mercedes-Benz C 63 (4,9)

O "SÓBRIO"... (gasto rodoviário; em km/h)
Chevolet Classic a gasolina (17,2)

...E O SEDENTO
Chevrolet S10 a álcool (8,3)

Escrito por Flavio DeABel às 21h08
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Balança. Mensagem de fim de ano do blog do delegado Protógenes Queiroz, expoente da Operação Satiagraha: "Colhi ensinamentos durante esses anos de desafios, incertezas e certezas. A nossa conduta foi posta à prova em todos os momentos e superamos diuturnamente".

Escrito por Flavio DeABel às 21h05
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AMIGOS PARA TRABALHAR

Mesmo sem gostar, é preciso aprender o "networking"

Por PHYLLIS KORKKI

Todo o mundo anda dizendo que para conseguir um emprego novo é preciso investir em networking (criação e manutenção de uma rede de relacionamentos sociais). Mas você odeia fazer isso. É obrigatório fazer? Provavelmente é, sim, infelizmente. Poucas pessoas podem conseguir um emprego simplesmente enviando um currículo por e-mail a um gerente de contratação de pessoal, especialmente agora, em tempos difíceis.

Mas isso não quer dizer que você terá que utilizar as pessoas para alcançar seus objetivos egoístas ou então pedir ajuda às pessoas de um jeito patético?
De maneira alguma. O networking pode ser feito de maneira honesta e pode ajudar as outras pessoas tanto quanto elas o ajudam. Feito corretamente, o networking é "uma questão de ensinar e aprender, não de tentar levar alguém a fazer alguma coisa", disse Anne Baber, co-fundadora da ContactsCount, empresa de treinamento de networking de Maryland.
Baber diz que o networking é "o processo deliberado de fazer contatos para benefício mútuo das duas partes". Em vez de pensar "o que isso pode render para mim?", ela recomenda que você pense "o que eu posso dar neste intercâmbio?". A reciprocidade é intrínseca ao processo. Quando pedir ajuda a alguém, peça conselhos ou informações específicas, em lugar de ajuda para conseguir empregos. Tanto você quanto a outra pessoa se sentirão mais à vontade.

Como começar a construir uma rede de relacionamentos? Será que é tarde demais?
Segundo Liz Ryan, líder do fórum de discussões online Ask Liz Ryan, dedicado a questões de trabalho, você já tem uma rede de relações, mesmo que seja "maltrapilha e descuidada". Para ela, "o networking é algo que não prescreve".
Redija uma lista de todas as pessoas que conhece, mesmo que não tenha tido contato com algumas delas há anos. Um ótimo lugar para começar é com ex-colegas de trabalho. Outros contatos podem variar desde amigos da faculdade até ex-professores e pais das crianças no time de futebol de seus filhos, diz Ryan.
Não se esqueça de incluir em sua rede seus familiares, vizinhos e amigos, disse Anne Baber. E garanta que essas pessoas saibam exatamente o que você já fez profissionalmente e que tipo de trabalho está procurando agora. Você pode se surpreender: sua própria sogra talvez não saiba exatamente o que você faz, disse Baber. Você precisa ser capaz de contar uma história clara, enxuta e interessante a seu respeito, de modo que as pessoas se lembrem de você se souberem de uma vaga de emprego que condiz com seu perfil.

Como ampliar sua rede de contatos?
Comece por inscrever-se numa associação profissional da área na qual você quer ser contratado. Pense também na possibilidade de matricular-se num clube de busca de empregos em sua área; você poderá compartilhar estratégias e fazer contato com mais pessoas que não fazem parte de seu círculo normal de relações.

Escrito por Flavio DeABel às 20h59
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AMIGOS PARA TRABALHAR

Mesmo sem gostar, é preciso aprender o "networking"

Por PHYLLIS KORKKI

Todo o mundo anda dizendo que para conseguir um emprego novo é preciso investir em networking (criação e manutenção de uma rede de relacionamentos sociais). Mas você odeia fazer isso. É obrigatório fazer? Provavelmente é, sim, infelizmente. Poucas pessoas podem conseguir um emprego simplesmente enviando um currículo por e-mail a um gerente de contratação de pessoal, especialmente agora, em tempos difíceis.

Mas isso não quer dizer que você terá que utilizar as pessoas para alcançar seus objetivos egoístas ou então pedir ajuda às pessoas de um jeito patético?
De maneira alguma. O networking pode ser feito de maneira honesta e pode ajudar as outras pessoas tanto quanto elas o ajudam. Feito corretamente, o networking é "uma questão de ensinar e aprender, não de tentar levar alguém a fazer alguma coisa", disse Anne Baber, co-fundadora da ContactsCount, empresa de treinamento de networking de Maryland.
Baber diz que o networking é "o processo deliberado de fazer contatos para benefício mútuo das duas partes". Em vez de pensar "o que isso pode render para mim?", ela recomenda que você pense "o que eu posso dar neste intercâmbio?". A reciprocidade é intrínseca ao processo. Quando pedir ajuda a alguém, peça conselhos ou informações específicas, em lugar de ajuda para conseguir empregos. Tanto você quanto a outra pessoa se sentirão mais à vontade.

Como começar a construir uma rede de relacionamentos? Será que é tarde demais?
Segundo Liz Ryan, líder do fórum de discussões online Ask Liz Ryan, dedicado a questões de trabalho, você já tem uma rede de relações, mesmo que seja "maltrapilha e descuidada". Para ela, "o networking é algo que não prescreve".
Redija uma lista de todas as pessoas que conhece, mesmo que não tenha tido contato com algumas delas há anos. Um ótimo lugar para começar é com ex-colegas de trabalho. Outros contatos podem variar desde amigos da faculdade até ex-professores e pais das crianças no time de futebol de seus filhos, diz Ryan.
Não se esqueça de incluir em sua rede seus familiares, vizinhos e amigos, disse Anne Baber. E garanta que essas pessoas saibam exatamente o que você já fez profissionalmente e que tipo de trabalho está procurando agora. Você pode se surpreender: sua própria sogra talvez não saiba exatamente o que você faz, disse Baber. Você precisa ser capaz de contar uma história clara, enxuta e interessante a seu respeito, de modo que as pessoas se lembrem de você se souberem de uma vaga de emprego que condiz com seu perfil.

Como ampliar sua rede de contatos?
Comece por inscrever-se numa associação profissional da área na qual você quer ser contratado. Pense também na possibilidade de matricular-se num clube de busca de empregos em sua área; você poderá compartilhar estratégias e fazer contato com mais pessoas que não fazem parte de seu círculo normal de relações.

Escrito por Flavio DeABel às 20h59
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