Boletim Seridoense - Cultura, política e comportamento. Colaboracoes sao benvindas. e-mail: dedeabel@msn.com


15/03/2009


BOLETIM 19324

BOLETIM SERIDOENSE

Domingo, 15 de março de 2009

 

O objetivo deste sítio é repercutir noticias de interesse coletivo que nos influenciam. Aqui no Seridó a economia, a arte e cultura andam devagar. No futebol nao conseguimos classificacao no campeonato estadual. Ainda que o Potiguar de Currais Novos esteja na luta representando o nosso Seridó.  Falam que vao recuperar o Centro Cultural Adjuto Dias. As obras publicas, principalmente do Mercado Publico e Praca da Alimentacao (Praça Jose Augusto) continuam em compasso de espera.

Da Folha SP encontramos artigos sobre a crise e retratos da realidade brasileira

 

O Boletim Mineiro divulga publicações de alta qualidade e nos mostra sítios esclarecedores do mundo atual.

Escrito por Flavio DeABel às 20h09
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BOLETIM MINEIRO PUBLICA

NAVEGAR É PRECISO


1. Realizou-se dias 5 e 6 passados o I Seminário Internacional sobre Desenvolvimento. Os principais artigos estão no site da Agência Carta Maior: WWW.cartamaior.com.br
Combater a desigualdade é a forma mais eficaz de enfrentar a crise (James Galbraith)
PAC e Territórios da Cidadania são ações gêmeas contra a crise (Ignacy Sachs)
Limites e resultados de um keynesianismo que desafia o Brasil
Pessimismo global, otimismo nacional e críticas entre ministros

2. Site do Observatório da Imprensa
PLEBISCITO NA VENEZUELA
A cobertura enviesada da TV Globo
Leonardo Fernandes Tv em Questão
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=527TVQ001

3. Dossiê 50 anos da Revolução Cubana está disponível no site da revista Espaço Acadêmico: http://www.espacoacademico.com.br/
5. Blog do Mello
‘Que o Deus de Justiça ilumine nosso País e o livre de juízes como Gilmar Mendes’
A Comissão Pastoral da Terra, órgão vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), divulgou uma nota contra o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. "Ai dos que coam mosquitos e engolem camelos" (MT 23,24)
http://blogdomello.blogspot.com/2009/03/deus-nos-livre-gilmar-mendes.html
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Com Bush ou com Obama EUA ganham sempre
A imagem aqui ao lado é da etiqueta de um míssil americano utilizado pelo exército israelense contra a população de Gaza, no recente massacre. Segundo a Anistia Internacional, esse míssil foi responsável pela morte de três paramédicos e uma criança, em janeiro. As vendas desse míssil e de outros iguais, e mais tanques, outros tipos de armas etc. engordaram o cofrinho americano.
http://blogdomello.blogspot.com/2009/03/bush-obama-eua-lucro-guerras.html#blogdomello
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6. Terra Magazine
5o Fórum Mundial da Água (FMA): Água, uma crise também global
http://www.ecodebate.com.br/2009/03/06/5o-forum-mundial-da-agua-fma-agua-uma-crise-tambem-global/

7. Revista/Lançamento
A revista "Rio de Janeiro", nº 20-21, dossiê "A literatura no Rio de Janeiro" esta' disponível para consulta on-line em http://www.forumrio.uerj.br. Acesse em "Publicações">"Revista Rio de Janeiro - Fase III".

8. Site do Jornal Brasil de FatoWWW.brasildefato.com.br
Entrevista
“A Igreja fica encastelada em seu principismo abstrato”, afirma Frei Betto
Em entrevista ao Brasil de Fato, o frade dominicano comenta os dois recentes casos polêmicos envolvendo representantes da Igreja Católica.
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Palestina
Al Fatah e Hamas negociam a criação de governo unificado
A reunião acontece dois dias após a notícia da renúncia do primeiro ministro da ANP, Salam Fayyad

Escrito por Flavio DeABel às 19h53
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BOLETIM MINEIRO PUBLICA

VALE A PENA LER


1. Nas bancas, o número 7 da coleção BBC História.
O tema deste numero é “Revoluções e batalhas que abalaram o mundo”, destacando a Revolução Francesa, o Movimento Comunista, a Operação Barbarrossa, a Batalha de Falkirk, a Guerra das Rosas.
Traz, ainda, um dossiê sobre os 50 anos da Revolução Cubana.
2. Nas bancas, o numero de março do jornal Le Monde Diplomatique Brasil.
Tema central: Moradia popular.
Outros assuntos abordados: Entrevista com David Harvey sobre a produção das cidades
– Segurança alimentar: entre a água e a comida
– Grilagem de terras
– O novo protecionismo europeu
– Direitos trabalhistas em discussão no Parlamento europeu
– Orçamento participativo
– Meio ambiente urbano: chuvas como solução.
3. Nas bancas o número 65 da Revista História viva
Dossiê – Delatores
Artigos: André Gide, uma metáfora do século XX
– Aníbal, o inferno dos romanos
– Século XVII: Paris sem luzes
– O Irã no centro do mundo
– Razão e técnica na selva brasileira na colônia
– A imprensa integralista.

4. "O diário de Bernardina - Da Monarquia 'a Republica, pela filha de Benjamin Constant" de Bernardina Botelho de Magalhaes, Jorge Zahar Editor, 2009. Organização, introdução e notas de Celso Castro e Renato Lemos. Trata-se da publicação inédita, na 'integra, do diário da filha de Benjamim Constant, em que se encontra registro da típica vida das jovens brasileiras no fim do século XIX, alem dos bastidores de um dos mais importantes acontecimentos históricos do pais.
5. "Velhos vermelhos: historia e memória dos dirigentes comunistas no Paraná'", dos organizadores Adriano Codato e Marcio Kieller (Editora UFPR, 2009), traz dois ensaios históricos e uma introdução metodológica sobre o estudo de elites, alem de depoimentos de dez dirigentes do Partido Comunista Brasileiro no Paraná' nos anos 1950 e 1960.
6. Quero usar este espaço para falar de dois livros que considero imprescindíveis aos professores de História, particularmente aqueles que trabalham nos níveis fundamental e médio.
Trata-se, inicialmente, da reedição, revista e atualizada de O Ensino de Historia e a criação do fato. Só o fato de estar há vinte anos no catálogo da editora Contexto o recomendaria, mas agora foi feita uma edição mais primorosa e com atualizações.
Trata-se de uma coletânea. São seis artigos, de professores diferentes, que enfocam temas bastante pertinentes ao cotidiano das salas de aula, tais como: as camadas populares nos livros de História do Brasil, a noção de tempo histórico no ensino, as tradições nacionais e o ritual das festas cívicas, Nação e ensino de História no Brasil, entre outros.

Além de propor uma crítica ao conteúdo de vários manuais didáticos, levantar questões a respeito da criação dos “fatos”, o livro também questiona algo que considero fundamental: o papel do professor é “ensinar ou levar a aprender”? E que competências o professor precisa ter para conduzir o processo de aprendizagem?
Vejam, essas são questões que foram levantadas há 20 anos atrás... e será que os professores já se deram conta de que elas ainda são pertinentes?
O outro livro, que também já indiquei em outra edição deste Boletim é Novos temas nas aulas de História.
Desnecessário enfatizar a importância deste manual. Quando comecei a ler, lembrei-me dos cursos que costumava ministrar aos professores do interior de Minas e de alguns outros Estados, todos ansiosos com as mudanças, com as novas temáticas, as novas metodologias. Todos buscando uma “receita de bolo” para resolverem suas angústias.
Ora, a pretensão dos professores que participaram deste trabalho Novos temas nas aulas de História não era, evidentemente, fornecer “receitas de bolo”. Mas acabaram fornecendo, na medida em que levantam uma série de alternativas para que os professores se sintam seguros ao trabalhar questões relevantes que se colocam
em seu cotidiano e para as quais, a grande maioria não teve qualquer informação enquanto cursava sua graduação.

Que temas são esses? Como trabalhar, novamente, e com novo enfoque, as biografias. Como discutir as questões de gênero. Direitos humanos como um novo eixo do ensino de História. Como traduzir a cultura em experiências escolares? O papel da alimentação na História. A temática do corpo, aí incluindo-se saúde, alimentação, esporte, consumo, moda, etc. O que é História Integrada. Como tratar a História Ambiental. O enfoque nas identidades nas Histórias Regionais. E o papel da Ciência e Tecnologia.
Como afirma a coordenadora do livro, todos os autores se preocuparam em identificar a importância do tema para os estudantes; procuraram trazer exemplos e tratar com clareza os conceitos e conteúdos envolvidos; apresentaram sugestões de trabalho em sala de aula; comentaram obras e leituras que podem ser usadas pelos professores e, principalmente, falaram de materiais didáticos alternativos que podem ajudar a ilustrar o estudo do tEMA.

Escrito por Flavio DeABel às 19h52
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RETRATOS DO BRASIL, POR RENATA LO PRETE

Painel

RENATA LO PRETE -
painel@uol.com.br

Lógica do palanque

Em privado, alguns setores do governo manifestam preocupação com a "retórica de campanha" que atrasa e/ou contamina as ações de combate à crise. O exemplo mais citado é o do pacote habitacional, no forno desde janeiro e portador de uma promessa -a construção de um milhão de casas- que o próprio Lula já sabe ser impossível de cumprir. Outro é a demora em reconhecer publicamente que não haverá dinheiro para pagar os reajustes combinados antes da crise com os servidores federais, eleitorado do PT.
O problema, na avaliação dos descontentes, é que da forma como o governo está hoje organizado tudo passa por Dilma Rousseff. E a ministra está no palanque.



Calendário. Henrique Meirelles formalizará em setembro, no prazo-limite, sua já acertada filiação ao PP, partido pelo qual pretende disputar o governo de Goiás. No entender de aliados, não haverá problema em que ele, já com a ficha assinada, continue na presidência do Banco Central até a data da desincompatibilização. Há quem discorde.

Nem pensar. Em conversa com Lula, Jaques Wagner (PT) manifestou o desejo de desalojar do governo da Bahia os indicados do PMDB, partido que o ajudou a se eleger em 2006, mas que ameaça abandoná-lo em 2010, lançando candidato o ministro Geddel Vieira Lima (Integração). Com jeitinho, o presidente mandou o amigo esquecer a ideia. Por Dilma, a meta de Lula é ficar bem com o PMDB em todas as praças possíveis.

Milhagem. Enquanto a cúpula do PSDB protesta contra as viagens de Dilma, José Serra irá a Curitiba amanhã. No Palácio das Araucárias, assinará convênio sobre política fiscal com o colega Roberto Requião (PMDB). Depois, o prefeito e correligionário Beto Richa o levará para visitar obras -algumas do PAC.

"Dilmo". Quem se impressiona com a agenda de Dilma deve conferir a quilometragem de Aloysio Nunes. Cotado para a sucessão de Serra, o chefe da Casa Civil de São Paulo é uma máquina de visitar prefeitos e entregar obras.

Números. Enquanto Aloysio participa de inaugurações em série, deputados próximos a Geraldo Alckmin recorrem ao velho expediente de encomendar pesquisas. Elas mostram o secretário do Desenvolvimento com acachapante vantagem sobre Aloysio ou qualquer outro tucano que postule a cadeira de Serra.

Espelho. Em jantar que reuniu a cúpula do DEM com José Serra, na quinta, o prefeito Gilberto Kassab fez piada com o visual careca-total do supersecretário Alexandre de Moraes (Transportes e Serviços): "É a cabeça mais brilhante do meu governo".

Na mira. José Gomes Temporão (Saúde) foi momentaneamente esquecido, mas Reinhold Stephanes (Agricultura) continua sob ataque especulativo da bancada do PMDB na Câmara. Os deputados reclamam que o secretário-executivo indicado por eles, Silas Brasileiro, está "esvaziado de atribuições".

Para ontem. A Asbin, espécie de sindicato dos arapongas, divulgou manifesto no qual cobra a nomeação do substituto de Paulo Lacerda: "Urge a definição do nome do novo diretor-geral. A Abin vive há sete meses com uma não-saudável situação de interinidade. Os servidores entendem que deve ser indicado um funcionário de carreira para comandar a instituição". O interino é Wilson Trezza.

GPS. Arquivos enviados pela Justiça Federal à CPI dos Grampos dão conta de que arapongas da Abin, a serviço do delegado Protógenes Queiroz na Operação Satiagraha, monitoraram "in loco" Naji Nahas em pelo menos duas viagens feitas pelo megainvestidor ao exterior: à Arábia Saudita e ao Reino Unido.

com VERA MAGALHÃES e SILVIO NAVARRO

Tiroteio

"É um governo sob suspeição permanente. Primeiro, denúncias de corrupção. Agora, acusação de espionagem entre seus membros. Imagine o que não fizeram com os adversários."


Do deputado ELVINO BOHN GASS, líder do PT na Assembleia gaúcha, sobre o fato de o ouvidor da Segurança ter deixado o governo de Yeda Crusius (PSDB) apontando a existência de uma central de grampos.

Contraponto

Mulher de visão

Chamada a participar, há uma semana, da cerimônia do quarto centenário do Tribunal de Justiça da Bahia, a ministra da Casa Civil foi recebida pela presidente e por outras três mulheres com assento na Mesa Diretora do TJ.
Quando chegou sua vez de discursar, a presidente, Silvia Zarif, dirigiu-se à convidada ilustre:
-Eu gostaria de saudar a presidente Dilma Rousseff!
Diante do riso geral, a desembargadora explicou que se enganara porque a ministra estava ali como representante de Lula. Na plateia, um petista entusiasmado com a candidatura presidencial de Dilma emendou baixinho:
-É que o tribunal faz 400 anos, mas está dois à frente...

Escrito por Flavio DeABel às 19h46
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LULA NOS EUA

"Rezo mais por ele do que por mim", diz Lula

DA REDAÇÃO

No momento mais descontraído da coletiva de imprensa dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Barack Obama, o brasileiro arrancou risadas quando, ao comentar a gravidade da crise financeira, disse que "não queria estar no lugar dele [Obama]" porque, "com só 40 dias de mandato, ele tem um pepino como esse" para resolver como presidente dos EUA, epicentro da crise mundial. "Eu estou rezando mais por ele do que por mim", disse Lula.


Ao traduzir a palavra "pepino", o intérprete usou a expressão "grande problema".
Obama respondeu ao comentário com bom-humor, dizendo: "Você parece a minha mulher falando".
Em outro momento, Lula disse que, quando Obama visitar o Brasil, convidará o colega a dirigir um carro flex, "para ver a tranquilidade" que é dirigir um carro movido a álcool.


Obama disse que tem um carro flex, mas o problema nos EUA é a falta de postos de gasolina que ofereçam etanol.

Escrito por Flavio DeABel às 19h41
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AMARGURAS SOCIAIS

BOLETIM SERIDOENSE:

O ELIO GASPARI é um jornalista combativo. Preocupado com o social. Nada mais justo. Entretanto, incorre em erro ao debitar a crise ao Presidente. Insistimos, nós brasileiros, em impor ao Presidente da Republica a figura de SuperHomem, que tudo pode resolver. Primeiro, pergunto ao sapiente Elio:

O Presidente, somente ele, é capaz de reduzir o nivel de corrupcao estatal?

O Presidente, com uma canetada, reduzirá a impunidade geral que assola o País?

O Presidente,ao colocar o Beluzzo no Banco Central, resolveria os problemas acima?

Tem dó, Elio. Seja mais sensato.

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ELIO GASPARI

Lula plantou sua crise em maio de 2008


Foi exatamente no dia 1º, quando ele desistiu de trocar Meirelles por Belluzzo, a quem já convidara para o BC


LULA TOMOU a decisão que potencializou os efeitos da crise financeira mundial sobre a economia brasileira no dia 1º de maio do ano passado, antes mesmo que o céu começasse a desabar em Nova York. Ele recebeu a notícia de que o Brasil obtivera o "investment grade" da agência Standard & Poor e desistiu de trocar o presidente do Banco Central. Uma semana antes, havia convidado o economista Luiz Gonzaga Belluzzo para o lugar de Henrique Meirelles.

Nos dias seguintes, confessara-se aliviado por ter resolvido um problema. Faltava apenas chamar o presidente do BC ao Planalto para o ritual da despedida. Com a boa notícia vinda de Wall Street (numa época em que ela ainda produzia boas notícias) a troca foi arquivada e em janeiro, para felicidade da torcida, Belluzzo assumiu a presidência do Palmeiras.

Não se pode dizer o que Belluzzo faria no Banco Central, mas pode-se garantir que derrubaria a taxa de juros. Dias antes do convite de Lula ao professor, o Copom elevara a Selic de 11,25% para 11,75%. Depois de altas sucessivas, em setembro ela chegou a 13,75%. Em outubro, depois da quebra da casa bancária Lehman e da propagação da crise pelo mundo, os sábios do Copom mantiveram a taxa e assim contribuíram para o desastre da contração de 3,6% do PIB no último trimestre do ano. Feito o estrago, a Selic voltou aos 11,25% e continua sendo a mais alta do mundo.

Lula não sabe, mas sua decisão de manter Meirelles e a turma do Copom seguiu o padrão dos erros políticos cometidos no Brasil ao longo dos últimos 50 anos. Ele se explica pela "teoria da goteira", exposta há tempo pelo economista americano Irving Fisher. O sujeito tem uma telha quebrada que pinga chuva na sala. Sempre que o sofá molha, pensa em fazer o conserto, mas a chuva passa e ele deixa para depois. É o erro do não fazer. Diferente de outro, que resulta da vontade de fazer. Por exemplo: a decisão dos comandantes militares japoneses e do imperador Hirohito para que se levasse adiante o plano de ataque à base americana de Pearl Harbor.

Fernando Henrique Cardoso criou a crise cambial de 1999 um ano antes, quando desistiu de tirar o economista Gustavo Franco da presidência do Banco Central, perseverando na sobrevalorização de real. O Plano Cruzado explodiu no final de 1986 porque José Sarney não mexeu nos preços congelados antes da eleição. A bancarrota de 1982, na qual o Brasil perdeu a capacidade de honrar seus compromissos externos, começou em 1978, quando Ernesto Geisel persistiu na política de captação de empréstimos externos atrelados à taxa de juros bancários americanos. Eles foram dos 6,8% do tempo das vacas gordas para 19% em 1981. No ano seguinte, começou a "década perdida", que durou pelo menos 12 anos.

O FESTIM ROMANO DOS SONEGADORES

No final da tarde de quarta-feira, o deputado Tadeu Filipelli (PMDB-DF) estava na tribuna da Câmara e lia seu parecer sobre a medida provisória 449, que alivia os débitos tributários inferiores a R$ 10 mil. Mal começara e foi interrompido pelo presidente da sessão, Inocêncio de Oliveira, informando-o de que o debate prosseguiria às 19h, quando seria iniciada uma sessão extraordinária. Essa sessão não houve e o assunto ficou para esta semana.

Quem acompanhou o episódio de longe dificilmente terá percebido o que estava em jogo. Entre a chegada da MP 449 e a elaboração de um novo texto pelos deputados armou-se uma montruosidade tributária, festim romano de sonegadores e assalto à Bolsa da Viúva. Aquilo que era um mecanismo de reescalonamento de pequenos débitos e de perdão para os pequenos contribuintes que deviam R$ 10 mil transformou-se numa xepa para todos os caloteiros, de quaisquer quantias.

Pela nova redação, quem deve R$ 100 milhões à Receita poderá aderir ao novo sistema e terá todas as multas reduzidas numa escala que vai de 30% a 100%. O sonegador poderá fechar a conta em 15 anos. Tem mais: o governo queria que o saldo devedor pagasse juros da Selic (11,25%). Na nova versão, pretende-se aplicar a TJLP (6,25%). É o moto perpétuo financeiro. O sujeito sonega, aplica o dinheiro na Selic, paga pela TJLP e ainda sobra algum.

O alívio para quem deve até R$ 10 mil e o parcelamento de pequenos débitos renderia alguma economia para a Viúva, pois deixaria de gastar com a burocracia da cobrança. Com o festim dos deputados, pode-se estimar que, neste ano, a pancada fique nuns R$ 10 bilhões de reais.
Isso sem levar em conta a avacalhação que o socorro aos sonegadores impõe à máquina da arrecadação federal.

Nestes dias, quando os cidadãos cumprem o dever de apresentar suas declarações de imposto de renda à Receita, a Câmara dos Deputados, impulsionada pelos perseguidores da diligência do PMDB, mostra que pagar imposto é programa de otário. O melhor negócio é dever, ir para a praia e esperar o próximo festival.

Proposta: amanhã, a liderança do governo vai ao microfone e informa que não vota o substitutivo relatado pelo deputado Filipelli. Que vá ao voto o texto original da MP.

GASOLINA BARATA
Os sábios da Petrobras e do Planalto fabricaram um pesadelo. A política de preços altos da estatal fez com que o barril da gasolina ou do diesel importados chegue ao Brasil custando 30% menos. (Nessa conta entram todas as despesas, inclusive frete e impostos.)

Se os comissários não fizerem nada, as importações aumentarão e a Petrobras venderá menos. Se decidirem baixar o preço dos combustíveis, o PAC, y otros amigos más, perderão sua principal fonte de financiamento. Se fecharem a importação, serão acusados de forçar a patuleia a consumir um produto mais caro.

EL DEPORTADOR
Discutindo a deportação dos boxeadores Erislandy Lara e Guillermo Rigondeaux, o comissário Tarso Genro disse o seguinte: "Como é que nós íamos manter aqui dois jovens cubanos que queriam sair?"

Ele não gosta de ouvir que eles foram deportados. Pena, porque sua Polícia Federal os fez assinar um termo de deportação. O comissário já fez muitas viagens e sempre voltou ao Brasil porque quis. Em nenhum país fizeram-no assinar um termo de deportação.

O ato foi justificado pelo delegado federal Felício Laterça, chefe da PF de Niterói com as seguintes palavras: "Eles estão sem documentos. Essa já é causa suficiente para serem deportados". Ou nas palavras do agente Alessandre Reis: "Foram considerados ilegais. Nessa condição, a deportação é compulsória".


Se o doutor não gosta do verbo deportar, deve tratar do assunto com seus subordinados. (Isso tudo fazendo-se de conta que o comissário não soube que os dois jovens já fugiram de Cuba, onde haviam virado párias.)

Categoria: Direito
Escrito por Flavio DeABel às 19h30
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14/03/2009


FUTURO

reportagem de capa

Pesquisa alemã projeta banheiro hi-tech

FUTUROLOGIA >> Organização científica mostra em Hannover projetos que poderão ajudar o homem em tarefas cotidianas

DO ENVIADO ESPECIAL A HANNOVER

Trocar de roupa, andar de carro, ir ao banheiro, fazer um simples catálogo de fotos: nada disso será o mesmo no futuro se depender das pesquisas realizadas pela organização científica alemã Fraunhofer-Gesellschaft, que mostrou na Cebit algumas de suas invenções.
As mudanças começam logo nas atividades matinais. Um espelho de banheiro com tela sensível ao toque lembra o usuário sonolento de alguma ação higiênica básica que tenha sido deixada para trás, como lavar as mãos ou escovar os dentes.


O sistema pode ser programado pelo usuário com suas atividades mais frequentes, mas também consegue fazer relações entre algumas atividades -se a pessoa ligou a torneira, mas esqueceu de acionar o sabonete, o InBath, desenvolvido pelo Fraunhofer IMS, dá o aviso.
Já o Heinrich Hertz Institute desenvolveu um espelho virtual que simula a imagem da pessoa em diferentes roupas -o aparelho imita até a flexibilidade do tecido.

O espelho, ainda em fase de protótipo, transmite uma imagem 3D captada com a ajuda de uma câmera em seu topo.
Os movimentos da pessoa são gravados em tempo real e armazenados por um computador, que funde as informações sobre o usuário e a roupa escolhida e forma a imagem tridimensional. Por meio de uma tela sensível ao toque, é possível escolher diferentes cores, estampas e modelos.

Alegria e tristeza
Para facilitar a produção de slideshows no computador, o instituto Fraunhofer IDMT propõe o Mood Player, que escolhe as músicas para uma apresentação com base no que ele "vê" nas fotos dos usuários.

O sistema organiza a entrada das canções de forma que elas combinem com o clima das imagens escolhidas pela pessoa, classificando-o como eufórico, relaxado ou melancólico, por exemplo. Essa distinção é feita com base em fatores como a combinação de cores e texturas existentes nas fotos. Já os sons são analisados a partir de tom, ritmo, instrumentos e características da voz do artista.

Também na linha da identificação pessoal, o Institut Integrierte Schaltungen mostrou um sistema que supostamente reconhece o humor das pessoas quando elas olham para uma câmera, por meio das expressões faciais, em pontos como a posição das sobrancelhas.

Para desenvolver o programa, os pesquisadores usaram 30 mil fotos. O humor é classificado segundo níveis de raiva, felicidade, tristeza e surpresa, entre outros. O objetivo é usar a ferramenta em pesquisas publicitárias para medir a aceitação por parte do público. Entretanto é bastante fácil enganar a máquina: basta fazer expressões faciais forçadas, como um sorriso, para ser classificado como feliz, o que nem sempre é verdade.

(FELIPE MAIA)

Escrito por Flavio DeABel às 04h39
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IR

SERVIÇO FOLHA-IOB

Receita Federal unifica modelos para declaração

DA REPORTAGEM LOCAL

Quando for fazer a declaração deste ano pela internet, o contribuinte notará que o programa não pergunta mais, no início do processo, se o modelo a ser usado será o completo ou o simplificado. Motivo: a Receita unificou os dois modelos. O contribuinte deve preencher a declaração como se estivesse optando pelo modelo completo, indicando os abatimentos a que tem direito. Ao final, a ficha Comparativo indicará qual modelo proporciona maior restituição ou menor saldo de imposto a pagar. Só então o contribuinte fará a opção pelo modelo completo ou pelo simplificado.

 

10 - Recebi R$ 64.696 de previdência privada, com dedução de IR de R$ 16.602. Como declaro? (N.O.).
R -
Declare os dois valores na ficha Rendimentos tributáveis recebidos de PJ pelo titular.

11 - Pago a contribuição previdenciária para minha mulher, dependente, que não tem renda. Posso abater esse pagamento em minha declaração? (R.M.).
R -
Não, pois o abatimento só é permitido no caso de dependente que possui renda.

12 - Minha mulher é sócia de microempresa. Podemos fazer declaração em conjunto? (V.A.).
R -
Sim. Mas observe que, dependendo da renda de cada um, talvez seja mais vantajoso apresentar declarações separadas.

13 - Minha mãe, com 80 anos, tem Alzheimer, é pensionista do Estado e do INSS. Que procedimento devo tomar para obter a isenção do IR por motivo de doença? (R.L.).
R -
A isenção tem de ser requerida por laudo emitido pelo serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos municípios.

E-mail para dinheiro@uol.com.br ; fax pelo telefone 0/xx/11/3224-2287; cartas para alameda Barão de Limeira, 425, 4º andar, CEP 01202-900, Campos Elíseos - São Paulo - Capital.

Escrito por Flavio DeABel às 04h32
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SARNEY ANALISA

JOSÉ SARNEY

O ponto G e o ponto zero

MUITAS TEORIAS existem sobre o ponto G, e a maior ambição de todos é encontrá-lo. É o máximo do máximo. Em economia, em tempos de crise, o ponto G é o ponto zero dos juros.

É um sonho que todos perseguem, e, no Brasil, milhões de pessoas falaram zilhões de vezes na baixa de juros, que afinal começam a baixar mesmo, agora aceleradamente. Ontem mesmo o Copom os reduziu em 1,5 ponto percentual.

A atual crise está desmentindo e tornando ineficazes muitos dos instrumentos econômicos julgados milagrosos e reversores de expectativas e desastres. Um dos dogmas era que o juro alto servia para baixar a inflação, alterar os níveis de crescimento e estourar bolhas que se formavam na economia.

O Japão levou quase dez anos patinando em juros zero. Agora, a Inglaterra baixou seus juros para 0,5%, e os Estados Unidos, para 0,25%. Quase todos os países giram em torno de zero.

Acontece que o remédio heroico não causa mais efeito. Os economistas já estão construindo uma nova teoria, a de que, em tempos de crise como a que vivemos, nada funciona: só a teoria do caos. E acrescentam que as economias perdem capacidade de reagir quando o juro se aproxima de zero.

Nada faz retroceder o caminho ladeira abaixo. "Never rains, but pours", como dizem os ingleses. O Brasil, que julgávamos mais bem preparado para enfrentar estes tempos difíceis, já começa a sofrer as consequências dessas novas leis, que são a negação das até agora vigentes. Nos EUA, o desemprego chegou a 9% -no ano passado era de 4,4%-, e no Brasil, onde era de 6,8%, agora está em 8%.

Nossa solução está em procurarmos vencer resistências e investir tudo no nosso mercado interno para criar empregos, pois o pior de tudo, em todas as crises, não são os bancos que quebram, mas os milhões de pessoas que perdem o seu emprego e entram no mundo trágico da pobreza, da miséria e da fome. O Bolsa Família e outros programas de colchão social foram criados na hora certa, porque hoje estão segurando o país. Nossas previsões de crescimento mais otimistas chegam aos 0,5%.

É hora de conjugar esforços, apressar a avaliação dos projetos na área ambiental, junto ao Ministério Público e à Justiça. Todos devem se empenhar em resolver os entraves aos investimentos com a maior rapidez, encontrando soluções para os problemas do meio ambiente e do direito, que sempre devem ser atendidos. Mas o certo é investir. Isto é ajudar o Brasil.

A crise é tão grave que anteontem tive a maior evidência dela na visita do príncipe Charles ao Senado. Atrasou 40 minutos. Até a pontualidade britânica desmoronou.

jose-sarney@uol.com.br

JOSÉ SARNEY escreve às sextas-feiras nesta coluna.

Escrito por Flavio DeABel às 04h14
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ANALISE CONJUNTURAL

TENDÊNCIAS/DEBATES

A maior vaquinha da história

ABRAM SZAJMAN


Até os países mais pobres socializarão o prejuízo, sob a forma da aceitação dos juros negativos para os papéis do governo norte-americano



OS ECONOMISTAS estão prevendo que o déficit público dos EUA em 2009 chegue a US$ 1,75 trilhão, maior valor dos últimos 50 anos, equivalente a 12,3% do PIB atual do país. Se somarmos a esse déficit a quantia estimada de US$ 3 trilhões para sanear o sistema financeiro, teremos um quadro que levaria a moeda e os títulos de qualquer outro país a virar pó. Por muito menos do que isso, ao longo do século 20, inúmeras nações quebraram, os compradores de seus papéis sumiram e suas economias, incluindo a brasileira, estiveram por longos períodos internadas na UTI do FMI, recebendo transfusões para não morrer de inanição.

Com os EUA, porém, tudo se passa de maneira diferente e paradoxal. Os títulos norte-americanos com vencimento em dois anos tiveram taxa de remuneração nominal redu- zida para 0,75% ao ano no final de 2008. Apesar disso, o mercado financeiro mundial continua a refugiar-se no dólar e demonstra acreditar na eficácia dos ajustes que estão sendo realizados para evitar a deteriora- ção definitiva da moeda.

Atravessando um pântano do qual desconhecem a profundidade, a extensão e as possíveis ameaças submersas -como demonstra ser essa crise cada vez mais envolta em incertezas-, os investidores exercitam a célebre aversão ao risco, eufemismo para designar o jacaré dos créditos podres que flutuam sob o disfarce da vistosa classificação AAA -conferida pelos míopes analistas da zoologia financeira. Dessa forma eles correm, por incrível que pareça, para o epicentro do terremoto, considerando os papéis do governo norte-americano como uma reserva de valor, ainda que paguem juros negativos.

O mistério desse paradoxo reside nos três fatores que, conjugados, contam na hora de investir, tanto no que se refere às pessoas e suas poupanças como aos países e suas reservas. São eles: segurança, liquidez e rentabilidade. Quando a porca torce o rabo e perdas milionárias se acumulam da noite para o dia, segurança e liquidez pesam muito mais que rentabilidade.
Em meio a esse transe, porém, surgem dúvidas angustiantes: qual a mágica que sustenta um mercado financeiro gigante, mas virtualmente quebrado?

O que impede a China e outros países de se desfazerem dos títulos norte-americanos de longo e de médio prazos, provocando uma corrida que levaria o dólar a derreter?

Se exercitarmos a nossa memória, veremos que a resposta para essas perguntas já foi dada no início da década de 1970, quando os EUA romperam o lastro em ouro que até então garantia o dólar, lançando ao resto do mundo o célebre desafio: a moeda é nossa, mas o problema é de vocês.

Desde então, nenhuma outra moeda qualificou-se para substituir o dólar como divisa de uso comum, aceita em todos os países. Em outras palavras, como a moeda representa o poder e a riqueza de uma nação, nenhum país ou grupo de países conseguiu, até agora, tornar-se alternativa para ao menos equilibrar ou limitar as hegemonias financeira e militar dos EUA, acentuadas após o fim da Guerra Fria. E, lamentavelmente, esse poder e essa riqueza foram usados, em especial nos oitos anos da sombria era Bush, para imprimir papel pintado e promover orgia de gastos, de consumo desenfreado e de destruição ambiental que resultou nessa encruzilhada para a humanidade, confrontada com um planeta doente e perversamente desigual.

Agora, por falta de opção, espremidos entre a cruz e a caldeira de uma situação de fato, todos os países e povos, até mesmo os mais pobres e miseráveis, acabarão socializando esse prejuízo, sob a forma da aceitação dos juros negativos para os papéis do governo americano. Será a maior vaquinha já feita na história da vida econômica das nações, que devem aproveitar a lição para refletir sobre as consequências da concentração do desenvolvimento nas mãos de um ou mesmo nas de apenas alguns países.

Como muitos líderes mundiais já se deram conta, este é o momento de mudar os rumos da globalização, de modo a evitar que a chantagem se repita.

Aproveitando-se do fato de que a potência hegemônica, agora sob nova direção, está absorvida por seus imensos problemas internos e externos, o conjunto dos países representados por organismos como o G20 tem agora a oportunidade de romper com o modelo da era dos impérios -baseado na concentração da produção, dos investimentos, da riqueza e do controle militar das fontes de matéria-prima-, construindo em seu lugar um mundo solidário e pacífico, no qual todos os povos terão acesso aos benefícios dos progressos econômicos e científicos.

ABRAM SZAJMAN, 69, empresário, é presidente da Fecomercio-SP (Federação do Comércio do Estado de São Paulo) e dos Conselhos Regionais do Sesc (Serviço Social do Comércio) e do Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial).


Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.
debates@uol.com.br

Escrito por Flavio DeABel às 04h08
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DE VELUDO OU FUNDO DE FORA

FERNANDO GABEIRA

Crise de enganos

RIO DE JANEIRO - Nesta crise econômica, fala-se de dinheiro mais do que tudo. Bilhões, trilhões de dólares são anunciados, anunciando investimentos (Europa, EUA), ou por governos que pedem ajuda (Hungria, Polônia, Ucrânia).
Mesmo não sendo economista, arrisco algumas perguntas. Por exemplo: de onde virá tanto dinheiro? Se ele existia até agora, por que não foi, pelo menos em parte, usado para mitigar os grandes problemas da humanidade?

Pergunto de onde vem porque minha memória de grande crise data do choque do petróleo, na década de 70. Lembro-me do secretário britânico James Calaghan dizendo isto: "Não podemos mais usar Keynes, simplesmente não há recursos para estas fórmulas".
A própria Inglaterra começou a responder a minha pergunta. Há dez dias, anunciou que iria imprimir dinheiro novo. Assim, entendo.

Outra grande dúvida é sobre o Brasil. Nem vou mencionar a marolinha vista por Lula em outubro. Houve certa onda positiva, dizendo que o Brasil era o país que iria se sair melhor entre todos do mundo.
É um pouco da nossa cultura: calça de veludo ou bunda de fora. Ou somos o que mais sofre, ou o que menos sofre, aquele capaz de ensinar aos países desenvolvidos como se toca uma economia.

A crise que, entre nós, era apenas um subenredo, passa a ser, a partir de agora, uma espécie de éter, que a tudo comunica um peso. Nos Estados Unidos, há uma propensão a rever o consumo. Aqui, um estímulo a comprar. Lá, lançam milhares de empregos verdes, aqui, um milhão de casas populares.


O mais importante aqui é que o governo gasta com empregos e custeio e não economiza para investir.
O que dizer de um programa de aceleração do crescimento quando o que se acelerou de fato foi o encolhimento?

Escrito por Flavio DeABel às 04h03
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09/03/2009


perfil da Secretaria da Receita Federal, LINA VIEIRA 

Secretária diz que conserta "quase tudo"

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Vaidosa, do tipo que vai ao salão toda semana e não descarta fazer uma plástica no futuro, a secretária da Receita Federal gosta dos Beatles, diz ser uma mecânica hábil e boa cozinheira. Mãe do radialista Rodrigo, do engenheiro Bruno e da estilista Renata, ela diz achar divertido o programa de rádio do filho -conhecido com Mução, comediante de sucesso no Nordeste.

 



UM HOBBY
Consertar as coisas. Conserto carro que quebra o cabo do acelerador, liquidificador, ventilador. Conserto quase tudo.

UMA MÚSICA
"Yellow Submarine", dos Beatles.

UM LIVRO
Estou lendo "Cosimo de Medici, memória de um líder renascentista".

UM FILME
Ganhei dos meus colegas o DVD do filme "O Diabo Veste Prada" [risos].

OBJETO DE CONSUMO
Coisas para casa. Gosto muito de cozinhar.

Escrito por Flavio DeABel às 21h48
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ENTREVISTA DA 2ª

LINA MARIA VIEIRA

Fisco mira grandes contribuintes

Secretária da Receita Federal diz que fiscalização era "superficial" e muito focada em pequenos sonegadores

NOMEADA em julho do ano passado, a secretária da Receita Federal, Lina Maria Vieira, 59, diz que mudou as regras da fiscalização porque a ação do fisco era "engessada e superficial". Muito concentrada nas investigações de pequenos contribuintes, Lina promete que os fiscais agora vão atrás dos grandes sonegadores. E promete melhorar o atendimento aos contribuintes que precisam enfrentar o fisco pessoalmente. Criticada dentro da própria Receita por ter mudado toda a cúpula do órgão, Lina culpa os "descontentes", diz que tem o apoio da maior parte dos servidores para as mudanças e que boatos sobre sua demissão são "besteira".

LEANDRA PERES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Para concentrar esforços sobre os grandes contribuintes, a secretária da Receita, Lina Maria Vieira, diz que vai sair do pé dos assalariados que fazem deduções de despesas médicas. Para isso, a Receita mudará o método de seleção dos contribuintes que serão fiscalizados. A seguir, os principais trechos da entrevista concedida à Folha na sexta-feira.

 

FOLHA - Qual será o efeito da crise sobre a arrecadação?
LINA MARIA VIEIRA
- Nem Deus sabe. Vivemos um momento econômico totalmente diferente dos anos anteriores e estamos fazendo uma revisão da receita, que ainda não está concluída. Leio nos jornais que a arrecadação está caindo e começam as discussões de substituição [no comando da Receita]. É como no futebol -se o time não vai bem, muda-se o técnico. Só que não se pode comparar alho com cebola. A realidade econômica não comporta comparações com 2008. Em janeiro e fevereiro do ano passado, houve eventos especiais que interferiram na arrecadação. As desonerações também devem ser levadas em consideração. São R$ 138 bilhões previstos em 2009 e mais R$ 18 bilhões na Previdência Social.

FOLHA - Mas as multas aplicadas pela Receita em 2008 foram R$ 30 bilhões inferiores às de 2007. Isso não é sinal de perda de eficiência?
LINA
- De forma nenhuma. A queda de R$ 30 bilhões nos autos de infração em relação a 2007 representam o período da greve dos auditores. Em janeiro e fevereiro de 2008 foram lançados R$ 5,5 bilhões. E neste ano já são R$ 9,5 bilhões. O diagnóstico que me apresentaram era de uma fiscalização "engessada e superficial, em que se fazia a promoção das atividades por quantidade de operações, e não pelo resultado". A meta era realizar mil fiscalizações no ano. Não interessava que tipo de contribuinte, que valor seria resgatado para o Tesouro. Para atingir a meta, fazia-se um número muito grande de [fiscalizações de] pessoas físicas, de despesas médicas. Vamos fiscalizar com base em indicadores de risco, priorizar os grandes contribuintes.

FOLHA - A Receita vai sair do pé de assalariados que fazem deduções de despesas médicas?
LINA
- Vai. Nosso foco serão grandes empresas e diligências para a recuperação dos créditos [multas que são alvo de recursos administrativos e judiciais].

FOLHA - Mas não foi sempre assim?
LINA
- Pedi um diagnóstico da fiscalização. Veio um de que atuamos num sistema onde a avaliação era feita pela quantidade de operações, onde havia menor complexidade [nas investigações escolhidas].

FOLHA - Por que a fiscalização era assim?
LINA
- Era um contexto econômico diferente, em que se batia recorde de arrecadação todos os meses. Então, a fiscalização não precisava ser tão puxada em termos de critérios.

FOLHA - Como funcionará agora?
LINA
- Mudamos o método de seleção dos contribuintes que serão fiscalizados. Isso está sendo feito com base na análise de risco de sonegação. Também temos de acompanhar a cobrança do crédito tributário. Grandes créditos ficavam aguardando muito tempo para julgamento. Criamos uma coordenação para fazer estudos e acompanhamentos setoriais. Isso não existia. Os resultados devem ser mais consistentes.

FOLHA - Num cenário de queda de arrecadação, aumento de desonerações e a intenção de não cortar investimentos, como é que o governo vai fechar suas contas? Vai reduzir o superávit primário?
LINA
- Você corta o que é supérfluo. A discussão em relação ao primário é feita com o Tesouro, não vou me pronunciar.

FOLHA - Há espaço para elevar a carga tributária?
LINA
- Não. Agora é só desoneração. Vamos trabalhar a eficiência da administração tributária [para obter ganhos de arrecadação].

FOLHA - E para novas desonerações tributárias?
LINA
- Da parte da arrecadação não há, a não ser que o governo entenda que pode sobreviver com uma receita bem menor.

FOLHA - A senhora defende que as desonerações tenham contrapartidas como garantia de emprego?
LINA
- Acho importante. Desonerou-se muito a construção civil, e o que aconteceu com o preço do cimento? Subiu. Os setores produtivos também têm de dar retorno.

FOLHA - O governo criou duas novas alíquotas no Imposto de Renda para as pessoas físicas. É preciso mudar mais alguma coisa?
LINA
- Por enquanto, precisamos ver os resultados dessa primeira medida. Ao criar a alíquota de 7,5%, beneficiamos 4 milhões de pessoas.

FOLHA - As deduções com educação podem ser ampliadas?
LINA
- É uma discussão interessante -por que é permitido abater despesas médicas sem limites e não as de educação? Mas a ampliação ou não depende de uma discussão mais ampla -sobre as entidades educacionais que hoje não pagam Imposto de Renda, por exemplo.

FOLHA - Como será a restituição do IR cobrado sobre férias vendidas?
LINA
- Vamos construir um sistema informatizado. Queremos fazer de forma simples. Mas ainda não há prazo. Vamos intensificar o atendimento eletrônico aos contribuintes.

FOLHA - Como isso será feito?
LINA
- A partir de março será possível fazer um cadastro no site da Receita e receber uma senha. Isso permitirá, por exemplo, que o contribuinte tire o extrato do IR, que saiba o motivo de estar na malha fina. A emissão do CPF também será simplificada. As entidades conveniadas com a Receita farão a emissão imediata do documento a partir de agosto. Estamos discutindo também o preço. Se a pessoa não fizer questão do cartão de plástico, poderá tirar o documento gratuitamente.

FOLHA - A senhora foi nomeada em agosto de 2008 após a demissão de Jorge Rachid, ligado ao ex-secretário Everardo Maciel e ao ex-ministro Antônio Palocci. A troca foi interpretada como uma politização da Receita. A senhora é petista?
LINA
- Não. Não tenho partido político. Minha atividade sempre foi técnica. Fui secretária de Fazenda do PMDB, quando foi governador [do Rio Grande do Norte] o senador Garibaldi Alves Filho. Fui secretária no governo do PSB, da governadora Wilma de Faria, que são oposição no Estado. Fiquei secretária num governo, fiquei em outro e hoje estou aqui.

FOLHA - A senhora mudou todos os secretários-adjuntos e representantes do fisco nos Estados. Houve críticas de aparelhamento com a indicação de sindicalistas...
LINA
- Foi uma oxigenação da casa, que há 13 anos estava nas mãos dos mesmos. Se houve manifestação contrária, certamente foi dos descontentes. Na Receita, 99% dos servidores são sindicalizados. Continuam requentando matéria velha. A maior parte dos integrantes desta casa está muito satisfeita com as modificações.

FOLHA - Quais os critérios usados?
LINA
- Analisamos currículos, coisa que nunca foi feita. Qualquer funcionário pode participar de cursos no Brasil ou no exterior. Nunca se ouviu que alguém tinha sido escolhido apresentando um currículo, um projeto de trabalho. Abrimos um processo seletivo interno para escolher delegados e inspetores. Vamos fazer o rodízio a cada dois anos.

FOLHA - Qual a explicação para essas críticas?
LINA
- A estrutura é muito antiga.

FOLHA - Até a sua chegada, as discussões de projetos de lei sobre matérias tributárias, por exemplo, eram feitas pelo secretário da Receita. Hoje, são atribuição do secretário-executivo Nelson Machado. A Receita perdeu poder?
LINA
- Não. A Receita não é um órgão independente do ministério [da Fazenda], como se fazia ser. Era uma Receita blindada, onde as informações não saíam. Precisam conhecer as atribuições da secretaria-executiva para não dizerem tanto disparate.

FOLHA - A senhora está sendo demitida?
LINA
- Nem eu estou saindo nem essa é a posição do ministro [Guido Mantega], que já disse que essa é uma grande besteira. São os descontentes plantando notícias que não têm nenhum fundo de verdade. A nomeação para cargos de confiança pressupõe demissão ad nutum [a qualquer momento, por vontade do superior]. Só quem pode dizer quando isso acontecerá é o ministro.

Escrito por Flavio DeABel às 21h38
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CONSTRUCAO

Construção quer regras claras para pacote habitacional

Para o SindusCon-SP, programa que prevê prestação zero para famílias de baixa renda deve ser transparente e bem estruturado

Representantes de construtoras e também de trabalhadores temem que a grande burocracia dificulte a execução do programa

FÁTIMA FERNANDES
DA REPORTAGEM LOCAL

O novo pacote habitacional, com a possibilidade até de prestação zero para a população de baixa renda, precisa ser bem estruturado, ter regras claras e aprovado pelo Congresso Nacional, já que quem vai arcar com o subsídio é a sociedade.

Essa é a avaliação de Sergio Watanabe, presidente do SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo), ao comentar as afirmações da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), anteontem, em palanque no Nordeste, sobre a possibilidade de o governo oferecer casas grátis a famílias carentes.

O "bolsa habitação", segundo Rousseff, atenderia quem ganha até três salários mínimos (R$ 1.395) -nesse caso o modelo da moradia seria mais popular e o valor da prestação seria simbólico- e quem tem renda de até R$ 4.650 (nesse caso o imóvel teria melhor padrão).
O valor máximo do imóvel, segundo a ministra, seria de R$ 130 mil e o valor da prestação atingiria até 20% da renda. Quem ganha até dez salários mínimos pagaria no máximo R$ 930 de prestação e o financiamento seria de 20 anos.

"Famílias com renda de até três salários mínimos não têm capacidade econômica para adquirir uma casa. Dessa forma, o subsídio é essencial para dar essa condição às pessoas carentes. Nosso setor é a favor do subsídio habitacional, desde que ele esteja bem definido. De onde virão os recursos para dar esse subsídio, do Orçamento da União?", questiona Watanabe.

Se o governo decidir subsidiar a construção de casas para a população carente, "seria bom que o Congresso Nacional votasse esse programa, pois o dinheiro vai sair da sociedade. Para o nosso setor, essa é, sim, uma boa medida, pois vai requerer a execução de moradias e isso significa injeção de recursos na construção civil" , afirma. Em São Paulo, o setor emprega cerca de 600 mil pessoas.

Problemas no caminho
Odair Garcia Senra, vice-presidente de imobiliário do SindusCon-SP, diz que a política habitacional do governo não deve só dar atenção à população que ganha até três salários mínimos. "O governo tem de focar quem ganha também de cinco a dez salários mínimos, segmento da população carente de financiamento."

O setor da construção civil, segundo Senra, não depende nem de importação nem de exportação e "por isso é importante que o país crie um consumo interno para que esse setor contribua com o crescimento do PIB brasileiro", afirma.
O setor teme, segundo representantes do SindusCon-SP, que o pacote habitacional que o governo estuda lançar acabe tendo dificuldades para deslanchar por conta de problemas de operacionalização.

"O importante é que tudo o que for definido seja operacionalizado, aconteça de fato. Nós sabemos que a gestão da CEF está a favor do pacote, mas também sabemos que a burocracia para dar andamento ao financiamento é grande. É preciso também que a iniciativa privada abrace a questão", diz Senra.


Antonio de Sousa Ramalho, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de São Paulo, diz que a burocracia para que o dinheiro de programas habitacionais chegue ao empresário ou ao trabalhador é tão grande que estuda realizar um ato, como a paralisação de meio ou um dia de trabalho, contra a burocracia. "O governo não consegue cumprir o que fala. De onde e como vai sair o dinheiro para a construção de 1 milhão de casas como promete o governo?", questiona.

Categoria: Engenharia
Escrito por Flavio DeABel às 21h36
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EITA, O BICHO PEGA

BOLETIM MINEIRO - Para refletir:
Que sociedade e que planeta nos aguardam num breve futuro? Não sabemos. Até o final do século, a sociedade e o planeta serão completamente diferentes do modo como hoje os conhecemos. O pior dos cenários é projetado por James Lovelock – 4 bilhões de pessoas morrerão por conta do aquecimento global e o planeta será tórrido, com vida apenas nos pólos. Impossível prever o que sobrará da atual sociedade humana.

Mas ele mesmo admite que Gaia é maior que nossa compreensão e que o melhor agora seria uma "retirada sustentável", enquanto Gaia nos permite diálogo. Um cenário menos dantesco a FAO nos ofereceu esses dias: a população do mundo vai chegar a nove bilhões em 2050 e a produção de alimentos vai cair 25%.

(Roberto Malvezzi, em http://www3.brasildefato.com.br/v01/agencia/analise/a-crise-e-do-modelo-civilizatorio)


Escrito por Flavio DeABel às 21h23
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07/03/2009


PAC

Tiroteio

"A competência do governo FHC era vender patrimônio público com financiamento do BNDES. Nós usamos o dinheiro do BNDES para tirar o Brasil da crise."


Do deputado federal ANDRÉ VARGAS (PT-PR), criticando o ex-presidente por ter dito que a "falta de competência" administrativa do governo Lula "afoga" o PAC.

Escrito por Flavio DeABel às 18h40
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RENATA LO PRETE ESCREVE

Painel

RENATA LO PRETE -
painel@uol.com.br

Era uma vez

Os mais próximos de Edmar Moreira dão como certo que as notas fiscais de sua verba indenizatória foram emitidas por empresas de segurança pertencentes à família do deputado do castelo. Os recibos chegarão à Corregedoria da Câmara na próxima semana, juntamente com uma defesa já alinhavada.
O argumento central será o de que a resolução da Casa sobre uso da verba nada diz a respeito de vínculos com empresas dos próprios deputados. Além disso, evocará o precedente de um dos homens-fortes da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), que usou a verba para pagar anúncios no jornal de sua família. Se tudo mais falhar, Moreira espera beneficiar-se no plenário do "vício insanável da amizade".




Terreno na lua. A coordenação política do governo programou para abril a liberação de R$ 1,5 bilhão em emendas individuais. É tentativa de acalmar a base aliada, temerosa dos efeitos da queda na arrecadação sobre o Orçamento. Seria a primeira de três parcelas iguais: as outras ocorreriam em agosto e novembro. Falta, porém, combinar com a área econômica.

Afinidades 1. Padre Marcelo Rossi nunca foi grande fã do PT, mas ficou encantado com Dilma Rousseff, que na quinta-feira participou de missa celebrada pelo religioso no Santuário do Templo Bizantino, em São Paulo.

Afinidades 2. A secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, era a mais emocionada entre os integrantes da comitiva de Dilma durante a missa.

100%. Depois da corrente petista Novo Rumo, agora é a Articulação de Esquerda que soltou documento defendendo Dilma para presidente. As dúvidas sobre o grau de "esquerdismo" da pré-candidata, que constavam de texto lançado em dezembro, sumiram.

Ensaio geral 1. O ministro petista Paulo Bernardo (Planejamento) e o senador Osmar Dias (PDT) estarão juntos hoje no lançamento da candidatura de Barbosa Neto (PDT) a prefeito de Londrina (PR) -a eleição de outubro foi anulada. O PT tenta atrair Dias para uma aliança contra os tucanos em 2010.

Ensaio geral 2. A campanha do adversário de Neto, Luiz Carlos Hauly (PSDB), será coordenada pelo senador Álvaro Dias. Irmão de Osmar, ele tenta se firmar como candidato ao governo, mas o favorito entre os tucanos é o prefeito de Curitiba, Beto Richa.

Saideira. No dia em que o TSE determinou a cassação do mandato do governador do Maranhão, Jackson Lago (PDT), que ficará no cargo até que se esgotem os recursos, aliados do pedetista colocaram na pauta de votação da Assembleia um projeto do Executivo que cria uma espécie de "Bolsa Família" estadual, no valor de R$ 150, para municípios mais pobres .

Ponto futuro. A iniciativa de Lago tem dois objetivos: deixar a cadeira embalado pelo anúncio de um programa de alto impacto eleitoral, já de olho em 2010, e, ao mesmo tempo, engessar as possibilidades de gasto de sua sucessora, Roseana Sarney (PMDB).

Virada. Confirmada a presença de José Serra (PSDB) no lançamento, às 4h desta segunda-feira, da "tarifa do madrugador" (preço reduzido para quem tomar metrô e trens da CPTM mais cedo), uma piada começou a circular entre os assessores do notívago governador paulista. Dizem que desta vez não há risco de ele se atrasar, pois sairá de casa antes de dormir.

Eu prometo. A despeito da crise, o governador Paulo Hartung (PMDB) afirma: "O Espírito Santo vai investir em 2009 mais do que investiu em 2008". Isso será possível, segundo ele, em razão de "medidas preventivas" tomadas no ano passado por seu governo.

Tiroteio

"A competência do governo FHC era vender patrimônio público com financiamento do BNDES. Nós usamos o dinheiro do BNDES para tirar o Brasil da crise."

Do deputado federal ANDRÉ VARGAS (PT-PR), criticando o ex-presidente por ter dito que a "falta de competência" administrativa do governo Lula "afoga" o PAC.

Contraponto

Bingo!

Encerrada a votação do Orçamento, em 2004, a comissão responsável pelo assunto no Congresso tinha dificuldade em conseguir o quórum necessário para votar créditos e pendências. Seu então presidente, o hoje ex-senador Gilberto Mestrinho (PMDB-AM), lamentava-se com os poucos colegas presentes à sessão. Depois de ouvir algo que lhe foi cochichado pelo deputado Gilmar Machado (PT-DF), Mestrinho voltou ao microfone:
-Faço um apelo aos líderes, nosso prazo já se esgotou. Como sugere o deputado Gilmar, podemos fazer o sorteio de um automóvel na próxima reunião...

com FÁBIO ZANINI e SILVIO NAVARRO

Escrito por Flavio DeABel às 18h07
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DEFESA

Dantas troca os advogados e a estratégia de sua defesa

Dirigente do Opportunity temia ser condenado novamente por De Sanctis

Banqueiro avalia que Nélio Machado poderia tê-lo poupado da condenação; advogado se ressente da falta de gratidão de Dantas

MARIO CESAR CARVALHO
ANA FLOR

DA REPORTAGEM LOCAL A estratégia de defesa do banqueiro Daniel Dantas sofreu uma mudança radical com a saída do advogado Nélio Machado, 57, da causa, antecipada pela Folha no início de fevereiro e comunicada pelo advogado na terça-feira. Sai Machado, um advogado vulcânico e sanguíneo, e entra Andrei Zenkner Schmidt, 38, um criminalista gaúcho que é mais conhecido pela carreira acadêmica do que pela atuação em tribunais.

Além de desejar uma mudança na linha de defesa, Dantas avaliou que Machado estava tão desgastado perante o juiz federal Fausto de Sanctis, por causa dos embates, que o risco de uma nova condenação era muito alto. Em dezembro, De Sanctis condenou o banqueiro a dez anos de prisão por julgar que ele tentou corromper um delegado da Polícia Federal.

Foi a primeira condenação de Dantas. Mas o processo mais grave contra o banqueiro, sobre fraude e suposta lavagem de dinheiro pelo Banco Opportunity, ainda está em curso.
Schmidt será encarregado de colocar em prática a nova de defesa: Dantas não quer ser absolvido alegando falhas processuais no inquérito da Satiagraha -principal alvo de Machado. O banqueiro quer provar inocência, como repetiu "n" vezes a seu antigo advogado.

Machado defendia Dantas desde 2001. Enfrentaram juntos as operações da Polícia Federal Chacal e os depoimentos da CPI dos Correios. O advogado conseguiu tirar o banqueiro da prisão por duas vezes no ano passado.
Dantas, porém, achava que Machado poderia tê-lo poupado das prisões e até da condenação. Machado se ressentia da falta de gratidão do banqueiro.

Não é só a forma de encarar a defesa que levou Machado a renunciar a uma causa que lhe renderia cerca de R$ 25 milhões, segundo outros advogados que atuam no caso. Oficialmente, ninguém fala em cifras.
Dantas e Machado têm estilos antípodas. Dantas prefere trabalhar de manhã cedo; Machado gosta de dormir tarde. Enquanto o banqueiro anda com carros blindados discretos, Machado circulava pelo Rio com uma Maserati, um carro esporte italiano que não vale menos de R$ 300 mil. Dantas leva uma vida quase monástica e é vegetariano. Extremamente metódico, adora manter o foco, enquanto Machado é impetuoso e prefere varrer as questões como se fosse um radar.

Duas questões entornaram de vez a relação: a ideia de criar uma junta de advogados para tomar decisões e as interferências que Dantas fazia nos textos e teses de Machado.
O advogado não gosta de submeter seus textos aos clientes por julgar que ele é o especialista jurídico, com 35 anos de experiência. Dantas não só queria examinar todas as petições, mas submetia os documentos a outros especialistas, exigia mudanças e reescrevia ele mesmo os textos.

Um diálogo travado entre os dois explicita o embate. Dantas disse a Machado que, se tivesse optado pela advocacia, seria o melhor advogado do país. A resposta foi lacônica: "Mas você não optou [pela advocacia]". Machado decidiu renunciar à causa depois de saber da decisão do banqueiro de deixar sua defesa nas mãos de Schmidt. Machado seria um consultor.

A primeira ação do novo advogado, sem avisar o colega carioca, foi enviar ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) pedido de habeas corpus. Machado não fala oficialmente sobre o gaúcho, mas contou a outros advogados o que acha da peça de Schmidt: desastre de um neófito. Na sua avaliação debochada, o pedido de habeas corpus não queria acabar só com as investigações da Satiagraha, mas com todas as investigações da PF, tamanha era a presunção da demanda.
Schmidt estreou no caso com uma derrota -seu pedido foi recusado pelo STJ.


Além da tentativa de sair dos holofotes -que Machado parecia sempre atrair-, a nova estratégia de Dantas inclui ainda a divisão da defesa. Schmidt cuidará de Dantas, enquanto Antonio Sérgio Moraes Pitombo ficará encarregado da defesa do Banco Opportunity e dos fundos. Outros advogados foram chamados para fazer a defesa dos empregados do Opportunity. A avaliação informal dos novos advogados é que concentrar a defesa no escritório de Nélio Machado era amadorismo. Já ele dizia não estar disposto a estar em causa da qual não fosse o coordenador.

Categoria: Direito
Escrito por Flavio DeABel às 18h01
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BLOQUEIO

CONGRESSO

Juiz não concede bloqueio de casa do ex-diretor-geral do Senado

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O juiz da 14ª Vara Federal do Distrito Federal, Jamil Oliveira, não concedeu o bloqueio da casa de R$ 5 milhões de Agaciel Maia, ex-diretor-geral do Senado, como solicitado pelo Ministério Público Federal anteontem, mas classificou a conduta do servidor de "falta funcional grave", "nefasta" e que pode ensejar sua demissão.


"Deve o Ministério Público Federal propor ação própria, em face da infração, em tese, ao artigo 13º da lei n.º 8.429, de 1992, e nela, ou antecedentemente, pedir a indisponibilidade do imóvel, transcrito em nome de terceiro, havendo indícios flamejantes da fraude a impor a nulidade do registro e aplicação de penalidade, de natureza pecuniária, e a respectiva demissão do servidor", diz a sentença.


Conforme a Folha publicou no domingo passado, Agaciel usou seu irmão e deputado João Maia (PR-RN) para esconder da Justiça a casa, dizendo estar com os bens indisponíveis quando comprou o imóvel. Dois dias depois da reportagem, ele foi exonerado do cargo, mas permanece como servidor.
Os procuradores pediram o bloqueio da casa com base em ação de improbidade de 2005, na qual Agaciel é réu.

Escrito por Flavio DeABel às 17h58
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04/03/2009


Maria Fernanda

Escrito por Flavio DeABel às 02h54
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Alexandre

Escrito por Flavio DeABel às 02h53
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Maria Luisa

Escrito por Flavio DeABel às 02h48
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03/03/2009


BOLETIM MINEIRO INDICA

NAVEGAR É PRECISO
1. Site da Revista Forum
A guerra que não deu certo

Por Anselmo Massad
O mundo se volta para o debate sobre drogas em 2009, quando se completam 100 anos de políticas proibicionistas. Há espaço para linhas mais eficientes do que a simples repressão, mas resistência a qualquer forma de uso controlado permanece forte
Por Renato Rovai e Maurício Ayer
Indicado ao Prêmio Nobel da Paz, Augusto Boal fala sobre suas histórias de militância, que se confundem com o universo artístico que ele revolucionou. leia - http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/EdicaoNoticiaIntegra.asp?id_artigo=1890
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2.
Site da Revista Nova Escola
Folia com aprendizagem -
http://revistaescola.abril.com.br/online/reportagem/carnaval-sala-aula-422463.shtml
A maior festa popular do país rende boas aulas de Arte, Língua Portuguesa e História, recheadas de discussões sobre diversidade cultural. Nesta quinta, leia também uma análise histórica de imagens do Carnaval
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3.
Site do Jornal Brasil de Fato
http://www3.brasildefato.com.br/v01/agencia/internacional/na-venezuela-vitoria-de-chavez-talvez-do-socialismo
Na Venezuela, vitória de Chávez. Talvez do socialismo
por
Michelle Amaral da Silva última modificação 20/02/2009 13:43
Analistas reconhecem avanços do governo, mas alertam para excesso de personalismo e centralismo estatal
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http://www3.brasildefato.com.br/v01/agencia/analise/nasce-na-franca-o-novo-partido-anticapitalista
Nasce, na França, o Novo Partido Anticapitalista
Novo partido reúne maioria da Liga Comunista Revolucionária (LCR), que aprovou sua própria dissolução para criar nova organização, além de militantes comunistas, socialistas e ecologistas
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http://www3.brasildefato.com.br/v01/agencia/analise/a-barriga-da-globo-quase-compromete-o-brasil
A barriga da Globo quase compromete o Brasil
Rui Martins
O Brasil viveu momentos intensos de angústia alimentados por uma imprensa irresponsável, que nos levou ao ridículo
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4.
Blog do Mello
Escola das Américas, escola de assassinos. Vídeo
Posted: 18 Feb 2009 05:04 AM CST
Vídeo mostra um pouco da história da Escola das Américas (School of the Americas), criada em 1946 no Panamá, em 1983 transferida para Fort Benning, nos Estados Unidos. Famosa por haver formado, entre outros, Manuel Noriega, Hugo Banzer, o general Viola, do golpe militar argentino de 1976, o outro general, Galtieri, da guerra das Malvinas, e Manuel Contreras, chefe da terrível DINA da ditadura chilena
http://blogdomello.blogspot.com/2009/02/escola-americas-school-ditadura.html
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5. Site da Agência Carta Maior
O País das urgências e o aniversário de Darwin
Em meio às angústias que assombram trabalhadores e a classe média, emparedados entre a fatalidade de uma ordem que se liquefaz e um futuro que nada propõe exceto agonia, parte dos teóricos da esquerda agarra-se à discussão metafísica de modelos, desobrigando-se de assumir a dura carpintaria de construção da história nesse momento. A análise é de Saul Leblon. > LEIA MAIS
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6. Site da Revista Ciência hoje
Um primata nada especial -
http://cienciahoje.uol.com.br/138520
Um estudo brasileiro acaba de contestar uma idéia largamente aceita desde o século 19: a de que a maior capacidade cognitiva do ser humano se deve a seu cérebro relativamente avantajado. Os resultados mostram que o tamanho e o número de neurônios do cérebro humano são compatíveis com os de um primata de nosso porte – nem maiores, nem menores do que o esperado
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7. Blog da professora Conceição Oliveira -
http://mariafro.blogspot.com/
SP e Minas recusam dinheiro do MEC
Estados são os únicos a não montar projetos para financiamento na área
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FOLHA AFIRMA EM EDITORIAL: NO BRASIL NÃO HOUVE DITADURA MAS “DITABRANDA”
ABI, intelectuais, leitores e blogueiros criticam duramente posicionamento do jornal.

Escrito por Flavio DeABel às 08h13
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BOLETIM MINEIRO

. Nas bancas a revista Forum n. 71
Fórum 71: Qual é o outro mundo possível?

A edição de fevereiro de Revista Fórum traz 18 páginas de cobertura do Fórum Social Mundial 2009, realizado em Belém (PA).
Outras notícias
Além da cobertura do FSM, a edição de fevereiro traz um ensaio de Frei Betto sobre os 100 anos de dom Helder Câmara.
As comemorações e reflexões dos 50 anos da revolução cubana.
Além da imigração de bolivianos para a cidade de São Paulo e a entrevista com o europarlamentar português Miguel Portas, sobre os ataques a Gaza.
A queda nos preços de materiais recicláveis também é destaque.
Novo colunista
A edição 71 da Fórum também traz a estreia de Idelber Avelar como articulista.
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5. O cientista criativo –
Coletânea de textos sobre a vida e o legado de Charles Darwin celebra as idéias do naturalista inglês.
6. Cães de Guarda -
JORNALISTAS E CENSORES DO AI-5 À CONSTITUIÇÃO DE 1988
Editora: BOITEMPO EDITORIAL

Lançado pela editora Boitempo o livro que, certamente, tomará de assalto as rodas de discussão dentro das redações. É a edição da tese de doutorado da historiadora Beatriz Kushnir, ‘Cães de Guarda: Jornalistas e Censores do AI-5 à Constituição de 1988’.(*)Até agora, a imprensa ignorou por completo o trabalho, fruto de tese já defendida com sucesso no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).Beatriz é mestre em História pela Universidade Federal Fluminense e sua tese pesquisou a postura colaboracionista de jornalistas e órgãos de imprensa durante a ditadura militar pós-68.Em sua tese, Beatriz mostra a estreita relação que houve naquele período entre jornalistas e policiais, como também investiga os estratagemas da direção das empresas de comunicação, ao aceitarem praticar a autocensura, como ‘sugeria’ o governo militar.O estudo focaliza a relação dos jornalistas com os censores no Brasil de 1968 a 1988. Ela demonstra, com todas as tintas, a existência de jornalistas que foram censores federais, e que também foram policiais enquanto jornalistas nas redações. Escrevendo nos jornais, ou riscando o que não poderia ser dito ou impresso, colaboraram com o sistema autoritário daquele período. Ela relata: ‘Assim como nem todas as redações eram de esquerda, nem todos os jornalistas fizeram do ofício um ato de resistência ao arbítrio’.Para realizar seu trabalho acadêmico, privilegiou o período do AI-5 à Constituição de 1988. Recuou a março de 64 e à legislação censória no período republicano.Ela focou sua pesquisa nos jornalistas de formação e atuação, que trocaram as redações pela burocracia e fizeram parte do DCDP (Departamento de Censura de Diversões Públicas), órgão subordinado ao Ministério da Justiça, cargo de Técnicos de Censura. Outro foco da pesquisa foram os policiais de carreira que atuaram como jornalistas, colaborando com o sistema repressivo e censor do pós-64. Para encontrar esse grupo, Beatriz pesquisou a trajetória do jornal Folha da Tarde, do Grupo Folha da Manhã, de 1967 a 1984. Ela teve acesso ao Banco de Dados da Folha, ao DEDOC da Editora Abril, aos arquivos pessoais do jornalista José Silveira (Jornal do Brasil) e da jornalista Ana Maria Machado (Rádio JB). Entrevistou 19 jornalistas que passaram pela FT, onze censores - só dois autorizaram a divulgação de seus nomes, e um grupo de 26 jornalistas, entre eles Bernardo Kucinski, Mino Carta e Jorge Miranda Jordão.

Escrito por Flavio DeABel às 08h11
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RENATA ESCREVE

Painel

RENATA LO PRETE -
painel@uol.com.br

Fundo perdido

Enquanto o PMDB ameaça o Planalto propondo uma CPI dos fundos de pensão, os tucanos estudam pedir intervenção no Real Grandeza, pivô de disputa na base aliada de Lula. "Se o ministro peemedebista diz que há "bandidagem" na diretoria do fundo de pensão de Furnas, e o outro lado acusa o ministro de querer botar a mão nos recursos, não dá para o governo deixar por isso mesmo", diz o presidente do PSDB, Sérgio Guerra. A tecla a ser martelada é a de que um lado, o outro ou ambos podem estar com a razão.
Há debate sobre como e a quem apresentar o pedido. A intervenção seria feita pela Secretaria de Previdência Complementar, encarregada dos fundos.



Sutil. O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) defende usar a base de dados da CPI dos Correios como ponto de partida da nova comissão que propõe para investigar os fundos de pensão. "Vamos ampliar a partir do que a CPI levantou", diz. Controlados pelo PT e por sindicalistas, os fundos foram apontados à época como possíveis fontes de dinheiro do mensalão.

Eu juro. Cunha, que nega cem vezes ter sido o padrinho da tentativa de mudança na diretoria do Real Grandeza, diz que a nova CPI não será contra o governo, e sim "para tirar a limpo todas as suspeitas". O PMDB começa hoje a recolher as assinaturas.

Raízes. Ligado à CUT, Roberto Panisset, diretor de seguridade do Real Grandeza, tem também no currículo militância no PDT do Rio.

Tudo a ver 1. A Secretaria Especial de Mulheres da Presidência realizará um seminário nos próximos dias 10 e 11 com o título "Mais Mulheres do Poder". A principal palestrante convidada para o evento, a ser realizado no Palácio do Planalto, é a ministra, "mãe do PAC" e pré-candidata Dilma Rousseff.

Tudo a ver 2. A programação do seminário escalou Dilma para falar sobre "Mulher, Poder e Democracia: uma articulação necessária". A ministra da Casa Civil ainda não confirmou sua presença.

Outro lado. Organizadora do questionado encontro de prefeitos em Brasília, a Dialog Comunicação diz não ter sido notificada oficialmente das investigações do Ministério Público e do Tribunal de Contas da União sobre suspeita de serviços cobrados e não-executados em evento do governo federal sobre trânsito.

Tormenta. O Ministério do Planejamento, de Paulo Bernardo, encomendou 200 exemplares de "Billy Budd", romance do século 19 sobre um marinheiro acusado de assassinato que tenta provar sua inocência. O autor é Herman Melville ("Moby Dick"). A leitura faz parte do curso "Liderança: reflexão e ação".

Plano B. Sob sério risco de perder a Comissão de Infraestrutura para Fernando Collor (PTB-AL), o PT trabalha num plano B para Ideli Salvatti (SC): o comando da Comissão de Fiscalização do Senado, bem menos poderosa.

Geográfico. Dois petistas disputam a nova diretoria do Ministério do Desenvolvimento Agrário para regularização fundiária na Amazônia. O ministro Guilherme Cassel tenta emplacar o gaúcho Carlos Guedes de Guedes. A bancada amazônica quer o ex-senador Sibá Machado (AC).

Turnê. A bancada do PT na Câmara pretende realizar seminários regionais, no Norte e no Nordeste, para discutir o projeto do partido para 2010. Mais um pretexto para levar Dilma Rousseff a tiracolo.

Visita à Folha. Yeda Crusius (PSDB), governadora do Rio Grande do Sul, visitou ontem a Folha. Estava acompanhada de Fernando Guedes, secretário-executivo do governo em Brasília, e de Ana Jung, assessora.

Tiroteio

"Não pretendo assinar a CPI dos fundos de pensão, proposta pelo PMDB, porque CPI é um instrumento da oposição."

Do líder do PT na Câmara, CANDIDO VACCAREZZA (SP), sobre a ideia lançada pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Contraponto

Sessão da tarde

Cristovam Buarque (PDT-DF) comandava, no final do ano passado, uma sessão da Comissão de Educação do Senado para debater mudanças no sistema de meia-entrada. Os participantes assistiam a um vídeo com depoimentos de personalidades sobre o tema. Durante a fala do cantor Herbert Viana, o áudio desapareceu.
-Vamos colocar outro DVD. Dá para colocar?-, pediu Cristovam a assessores seguidas vezes.
-Olha, tem de ver se o DVD não é pirata...-, brincou Eduardo Azeredo (PSDB-MG).
Diante da dificuldade, Cristovam jogou a toalha:
-Nem meia-entrada vale para assistir esta sessão!

Escrito por Flavio DeABel às 07h50
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DOACOES NAS CAMPANHAS

Woden Madruga/ Tribuna do Norte

Combatendo a corrupção

Numa entrevista ao blogue de Josias de Souza, da Folha, o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) disse que “Há dois tipos de corrupção: a corrupção que já se consumou e a que ainda vai se consumar”.

O deputado carioca é um dos líderes de uma frente parlamentar que combate a corrupção que surgiu depois da entrevista do senador Jarbas Vasconcelos. É um grupo de resistência, enfatiza Gabeira ao informar que hoje será realizada a primeira reunião do movimento.

Na entrevista, o deputado adiantou que “a tarefa principal é organizar a resistência contra a corrupção”. Disse mais:

- Há dois tipos de corrupção: a corrupção que já se consumou e a que ainda vai se consumar. Minha tese é a de que, sem negligenciar os escândalos conhecidos, temos de priorizar a corrupção que está por vir.

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BOLETIM SERIDOENSE

Eleicoes no Brasil tem financiamento facilitado pelas doacoes. As campanhas sao caras. Alguem tem que financiar. Quem? Atraves de doacoes os recursos sao carreados para as campanhas. Apos a eleicao os acertos de contas sao providenciados. E a prestacao de contas? Nao ha transparencia.

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TSE detecta 18 mil doadores ilegais nas eleições de 2006

Repasses feitos para candidatos por financiadores irregulares somaram R$ 328 milhões

Serão chamadas para dar explicações 13,7 mil pessoas físicas e 4.600 empresas, que podem ter de pagar multas e impostos sonegados


ALAN GRIPP
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Investigação inédita do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e da Receita Federal descobriu que 18,3 mil empresas e pessoas físicas fizeram doações de campanha ilegais aos candidatos a deputado, senador, governador e presidente da República nas eleições de 2006.


É a primeira vez que o Fisco analisa o conjunto de contribuições de uma eleição, a pedido da Justiça Eleitoral. O resultado surpreendeu os dois órgãos: os doadores flagrados cometendo irregularidades representam 13,3% do total. Esses financiadores doaram R$ 328 milhões aos candidatos. No entanto, dentro desse valor, pode haver repasses que estão de acordo com a lei.

A Receita flagrou empresas que, apesar de doarem grandes quantias, estavam desativadas ou declararam ter obtido lucro zero no ano anterior (2005). Entre as pessoas físicas, há contribuintes que se declararam isentos do pagamento de Imposto de Renda mas fizeram doações que desmentem essa situação. Outros nem sequer entregaram a declaração.
Guardada a sete chaves até agora, a investigação resultará nos próximos meses em milhares de ações de cobrança judicial de valores movimentados indevidamente. Serão chamadas para prestar explicações 13,7 mil pessoas físicas e 4.600 empresas, segundo resultado da apuração obtido pela Folha.

Além da cobrança do imposto sonegado, a Lei Eleitoral prevê multa de cinco a dez vezes o valor doado ilegalmente. O Ministério Público também pode apurar eventuais práticas de crime. As revelações reforçam a suspeita de que, em alguns casos, doações possam ter servido como um meio de "esquentar" dinheiro obtido de forma ilícita.

Entre os doadores implicados, há candidatos que fizeram doações irregulares às próprias campanhas. Os nomes, porém, são mantidos sob sigilo, sob o argumento de que dados fiscais dos contribuintes devem permanecer em segredo. Há quem discorde. "Eu entendo que tudo o que diz respeito a eleição não pode ter sigilo. As doações são públicas", diz o ex-ministro do TSE Fernando Neves.

Sob suspeita
A cooperação entre o TSE e a Receita teve início em 2005, quando o ex-presidente do tribunal Carlos Veloso propôs um convênio com o Fisco. "O resultado é surpreendente. Tenho certeza de que, daqui para frente, o assunto [doações] será tratado com mais seriedade por doadores e candidatos."

Num primeiro momento, o foco da apuração são os doadores, e não as campanhas. A Justiça Eleitoral entende que os candidatos não podem ser responsabilizados pelo desrespeito à lei cometido pelos financiadores, salvo em casos especiais, como os dos candidatos que fizeram doações a si mesmo. "Essas campanhas estão sob suspeita", diz Veloso.

Nos próximos dias, o presidente do TSE, ministro Carlos Ayres Britto, enviará ofícios aos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) solicitando abertura de procedimentos individuais. Esses processos correrão nos Estados onde os doadores citados têm domicílio fiscal.

Depois de serem citados, os financiadores farão suas defesas. Os processos podem ser revertidos, por exemplo, nos casos em que os contribuintes apresentaram declarações retificadoras de IR. Mas se os argumentos não convencerem os juízes, eles serão processados com base na Lei Eleitoral.

Além dos doadores que fizeram repasses incompatíveis com seus rendimentos, a Receita encontrou diversos casos de financiadores que ultrapassaram os limites impostos pela lei. Pessoas jurídicas podem doar, no máximo, 2% da receita bruta do ano anterior. Já as pessoas físicas estão limitadas a doar 10% dos rendimentos do ano anterior.

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BOLETIM SERIDOENSE

E depois das eleicoes? Candidato eleito, governando. E entao, quem acompanha os gastos da maquina governamental? No Rio de Janeiro... 

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RIO DE JANEIRO

Conselheiros do TCE têm sigilo quebrado por CPI

DA SUCURSAL DO RIO

A CPI da Assembleia Legislativa do Rio que investiga suposta corrupção no Tribunal de Contas do Estado quebrou ontem o sigilo fiscal, telefônico e bancário de 17 pessoas -dois conselheiros e seus parentes, um deputado estadual e funcionários do TCE- e 13 empresas que seriam, segundo a CPI, usadas na lavagem de dinheiro. Documentos mostram transações imobiliárias entre os suspeitos.


A comissão, instalada ontem, foi criada após o indiciamento pela Polícia Federal dos conselheiros José Gomes Graciosa e José Nader, e do deputado estadual José Nader Jr., filho de Nader. O último negou. Pela assessoria, Graciosa disse que o caso está entregue aos seus advogados. Nader não foi localizado até o fechamento desta edição.

 

Escrito por Flavio DeABel às 07h37
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E NO CARNAVAL?

BOLETIM SERIDOENSE

Em Caico no carnaval nao foi diferente. A cerveja fez muitos mijarem na rua. Alguns constrangimentos, mas tudo terminou bem, gracas a Deus. 

CARLOS HEITOR CONY

Pecunia non olet

RIO DE JANEIRO - Publiquei há tempos, neste mesmo espaço, crônica com este título: "Dinheiro não tem cheiro". Explico a citação: para impedir sujeira nas ruas de Roma, Vespasiano mandou construir mictórios públicos que receberam o nome do imperador. Para compensar o investimento, taxou os vespasianos -até hoje existem alguns no centro histórico da cidade. Seu filho reclamou: achou que era demais cobrar impostos de uma necessidade pública. Vespasiano pronunciou então a frase que se tornou famosa: "Pecunia non olet".
No Carnaval que passou, com a simpática volta dos blocos de rua, alguns deles com quase um milhão de foliões (caso do Bola Preta, que desfilou na Rio Branco), surgiu um problema que pegou autoridades desprevenidas: as ruas, muros, árvores e postes foram transformados em banheiros ao ar livre. O combustível de um bloco Carnavalesco é a cerveja, agradável bebida que tem efeito diurético.
Nas grandes cervejarias de Munique havia, pelo menos até certo tempo, dispositivos nas mesas de chope que aliviavam a necessidade sem que o freguês procurasse o banheiro: desapertava-se sem sair do lugar. Não chegamos a esse ponto de civilização.
Na verdade, pelo menos aqui no Rio, é cada vez maior o número de pessoas que cumprem a função em qualquer lugar público. Os historiadores contam que dom João 6º, que nos trouxe a biblioteca nacional, as palmeiras do Jardim Botânico e outros benefícios urbanos, quando ia para Santa Cruz, mandava parar a carruagem e fazia suas necessidades. Consta que seu filho, ao dar o grito de independência e morte, deixou sua montaria e foi poluir as margens plácidas do Ipiranga.
Vespasiano e Pedro 1º foram imperadores. Em tempos republicanos, o problema ainda não foi resolvido.

Escrito por Flavio DeABel às 07h27
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PENSANDO UM POUCO

ELIANE CANTANHÊDE

Assim caminha a humanidade

BRASÍLIA - Ih! Depois da Paula Oliveira, o Guinga. Cochicha daqui, cochicha dali, nem o Itamaraty nem a Embaixada da Espanha confirmam que o músico brasileiro levou um soco de policiais e perdeu dois dentes no aeroporto de Barajas. Como não registrou queixa oficial, não há inquérito nem confirmação, só dúvidas. Até segunda ordem, fica o dito pelo não dito.
Enquanto isso, sucedem-se os episódios de violência contra estrangeiros no verão brasileiro. Um sueco morre depois de baleado na praia de Pipa (RN). Jovens norte-americanos e europeus são assaltados às dúzias em dois albergues (albergues!) no Rio. Toda hora um ladrão ataca um, uma bala mata outro, com fotos de turistas antecipando a volta, tristes e abatidos.
Pensando friamente: se você fosse estrangeiro, viria passar férias, ou o Carnaval, nas nossas grandes cidades? Em São Paulo? Recife? Salvador? Ou no Rio, onde o músico Marcelo Yuka acaba de ser agredido num assalto quase no mesmo lugar onde foi baleado por ladrões em 2000 e ficou paraplégico?
Eu morreria de medo, tanto quanto moças e moços brasileiros ficam com um pé atrás quando pensam em ir à Europa desembarcando em Madri ou Londres, por exemplo.
Na capital da Espanha, os casos de constrangimento melhoraram, mas é impossível se esquecer das pessoas que pagaram caro pelas passagens e acabaram sem comida e sem banho até serem devolvidas sem ressarcimento. Em Londres, o caso Jean Charles, sabidamente assassinado por policiais -que estão impunes-, dá um frio na espinha.
O mundo está cada vez mais perigoso. Os pobres não podem mais ir para o países ricos porque o bicho pega. E os ricos não podem fazer turismo nos países pobres e emergentes porque o bicho mata. Assim caminham a humanidade, a globalização e a crise. E sem chances de melhorar. Ao contrário, com a recessão e o desemprego em ricos e pobres, tudo só pode piorar.

elianec@uol.com.br

Escrito por Flavio DeABel às 07h22
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FINANCIAMENTO DE CAMPANHAS

BOLETIM SERIDOENSE:

Doacoes ilegais nas campanhas politicas. O eterno problema do financiamento de campanhas. E apos a eleicao? Os doadores sao beneficiados de alguma maneira. A maxima de Sao Francisco: dando é que se recebe. E assim caminham as eleicoes brasileiras...

Investigação inédita do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e da Receita Federal descobriu que 18,3 mil empresas e pessoas físicas fizeram doações de campanha ilegais aos candidatos a deputado, senador, governador e presidente da República nas eleições de 2006, informa reportagem de Alan Gripp na Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).

É a primeira vez que o Fisco analisa o conjunto de contribuições de uma eleição, a pedido da Justiça Eleitoral. O resultado surpreendeu os dois órgãos: os doadores flagrados cometendo irregularidades representam 13,3% do total. Esses financiadores doaram R$ 328 milhões aos candidatos. No entanto, dentro desse valor, pode haver repasses que estão de acordo com a lei.

Escrito por Flavio DeABel às 07h17
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02/03/2009


FREUD EXPLICA

+Sociedade

A era das multidões

Obra que inspirou Freud, "Psicologia das Multidões", de Gustave le Bon, analisa a "alma coletiva" e a diluição das diferenças individuais

MARIA RITA KEHL
ESPECIAL PARA A FOLHA

O prestígio da objetividade científica que animou o século 19 produziu, nas ciências humanas e nas artes, resultados díspares. Balzac escreveu "A Comédia Humana" na intenção de diagnosticar, como um médico, as doenças da sociedade francesa. O jovem Freud considerava-se uma espécie de cientista da alma.

Em uma vertente mais obscura, a da classificação naturalista das patologias sociais encabeçada pelo italiano Cesare Lombroso, o livre pensador francês Gustave le Bon (1841-1931) escreveu "Psicologia das Multidões" (1895) como um cientista a abordar seu objeto de investigação pelo método empírico das ciências naturais. Este livro (ed. Martins Fontes, trad. Mariana Sérvulo da Cunha, 224 págs., R$ 36) é uma mistura desigual de boas observações sobre o comportamento das grandes massas que se formavam na Europa recém-industrializada, classificações pseudocientíficas inadequadas à complexidade do objeto e conclusões desabusadamente subjetivas e conservadoras para a época.
Le Bon, autor de diversos outros livros de psicologia e divulgação científica, é conhecido por ter inspirado Freud na escrita de "Psicologia das Massas e

Análise do Eu" (1920-21). Freud dedica um capítulo inteiro a examinar a ideia de "alma coletiva" e as observações agudas sobre o comportamento das massas, contidas na primeira parte do livro de Le Bon.
A ideia mais importante do autor francês diz respeito à diluição das diferenças individuais que se produz entre os membros do que ele chama de "multidão psicológica". O grande achado de Le Bon, na primeira parte do livro ("A Alma das Multidões"), refere-se ao caráter inconsciente das motivações das massas, que "pensam por imagens" e agem guiadas pelo poder hipnótico de certos líderes.

É massa
Freud, no texto de 1920, perseguiu com entusiasmo as observações iniciais de Le Bon, mas não se satisfez com as explicações que ele propôs sobre a disposição das multidões em seguir, irrefletidamente, seus líderes: contágio, prestígio, carisma, hipnose. Como se produz esse tipo de poder? Foi Freud, e não Le Bon, o grande teórico da psicologia de massas do século 20, ao propor que os membros da massa se apropriam do líder por meio de mecanismos de identificação com os ideais (paternos) que ele representa.

Ao se identificarem com o ideal, os membros das formações de massa se sentem dispensados do julgamento de seu próprio supereu -daí a disponibilidade das massas para a violência, para atos de caráter delinquente que nenhum de seus membros, isoladamente, teria coragem de praticar. O único poder das multidões é o de destruir, escreve Le Bon, que reconhece o papel da "era das multidões" (para ele, o século 19) em destruir civilizações envelhecidas.

"O advento das multidões marcará talvez uma das últimas etapas das civilizações do Ocidente, o retorno a períodos de confusa anarquia que precederam a eclosão de novas sociedades" (pág. 22). Não que Le Bon considere desejável o advento de tais novas sociedades; seu texto é uma espécie de lamento permanente pela destituição da velha ordem, quando uma espécie de aristocracia do espírito de formação sólida -imune, portanto, à atração exercida pelos movimentos de massa- governava a Europa.

O texto de Freud fornece elementos preciosos para a crítica das grandes manipulações de massas que se seguiram, no século 20. Mas não compartilha do desprezo de Le Bon pelas multidões, a começar pelo repúdio às manifestações de massa da Revolução Francesa [1789] e da Comuna de Paris [1871] para, a seguir, condenar as lutas sindicais, os movimentos operários, a democracia em geral ("multidões eleitorais"), os tribunais do júri, as assembleias parlamentares, o ensino público (celeiro de diplomados frustrados que se tornam presa fácil de líderes incendiários), a ponto de colocar sob suspeita toda a sociedade moderna.


Mas, enquanto Le Bon fala em raças inferiores compostas de indivíduos que se assemelham aos povos "primitivos", Freud equipara a psicologia das multidões à do neurótico comum. Enquanto o psicólogo francês acredita em uma casta superior capaz de conduzir as multidões, Freud atribui aos fenômenos de massa o caráter universal das formações do inconsciente.

MARIA RITA KEHL é psicanalista, autora de "Sobre Ética e Psicanálise" (Cia. das Letras) e "Deslocamentos do Feminino" (Imago).

Escrito por Flavio DeABel às 20h23
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FLAMENGO

Bola de neve. Dirigentes do Flamengo elegeram como prioridade evitar que atrasos nos salários desanimem os jogadores. Vendem a eles a tese de que, se a equipe jogar mal, a torcida some do estádio e fica mais difícil quitar dívidas.

Dividida

"O Eurico Miranda, que quer ver a desgraça do Flamengo, não se afastou da federação do Rio. E, curiosamente, fomos prejudicados" De DELAIR DUMBROSCK , presidente interino do Flamengo, ao reclamar das arbitragens no Estadual

Vamos reverenciar o símbolo da nossa paixão. O símbolo do amor em vermelho e preto. O símbolo do Flamengo.

Escrito por Flavio DeABel às 20h09
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UM DOS MAIS BELOS

CONSIDERADO UM DOS MAIS BELOS ESCUDOS DO MUNDO

Escrito por Flavio DeABel às 20h01
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FOGAO

Botafogo ganha Taça Guanabara e vai à final

Time de Ney Franco derrota Resende por 3 a 0 no Rio

MALU TOLEDO
DA SUCURSAL DO RIO

O Botafogo venceu com facilidade o Resende por 3 a 0 ontem, no Maracanã, e conquistou a Taça Guanabara, o primeiro turno do Estadual do Rio. Com gols de Reinaldo, Lucas Silva e Maicosuel, a equipe confirmou o favoritismo e se classificou para a final do torneio. A outra vaga será do vencedor da Taça Rio, o segundo turno, que começa no sábado.
A final do Estadual do Rio acontecerá em duas partidas, nos dias 26 de abril e 3 de maio.


Foi o quinto título do Botafogo na Taça Guanabara. Todas as vezes que foi campeão (1967, 68, 97 e 2006), o time ganhou também o Estadual.
Equipe mais regular do primeiro turno, o Botafogo teve o melhor ataque (20 gols) e a segunda melhor defesa (seis gols sofridos) do torneio.
"No segundo tempo só deu Botafogo. Agora é ter humildade e tentar o segundo turno também", disse o atacante Reinaldo, que abriu o placar aos 34min do primeiro tempo. Ele aproveitou a falha da zaga do Resende, pegando a sobra da bola mal cortada por Breno.

No segundo tempo, o time de General Severiano mostrou que tinha domínio total do jogo. Instantes antes de ser substituído, Lucas Silva fez o segundo gol. Após passe de Juninho, ele driblou o goleiro Cléber e chutou no canto, aos 7min.
O terceiro gol do Botafogo, anotado por Maicosuel, mostrou a fragilidade do adversário. O goleiro e um defensor se atrapalharam e deixaram a bola no pés do botafoguense, que mandou para a rede aos 41min.

"Em decisão você não pode errar. O Botafogo não errou, e merecemos o título. A gente fez 3 a 0 porque respeitou muito o Resende", declarou o técnico Ney Franco, que já tinha sido campeão da Taça Guanabara com o Flamengo, em 2007.
"A gente quer ganhar a Taça Rio. Eu tenho a esperança de conseguir o título carioca ganhando os dois turnos. Nós vamos jogar a Copa do Brasil e a Taça Rio com a intenção de ganhar", concluiu o treinador.
O Botafogo estreia na competição nacional, que dá ao campeão vaga na Taça Libertadores-2010, na quinta-feira, quando enfrenta o Dom Pedro 2º no estádio Bezerrão, no DF.

O título conquistado ontem foi o primeiro sob a gestão do novo presidente do clube, Maurício Assumpção, que substituiu Bebeto de Freitas, atualmente no Atlético-MG.


Escrito por Flavio DeABel às 19h59
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CUCA

Folha SP

LEMBRANÇA
CUCA VIRA ALVO DE TORCEDORES

"Vice é o Cuca", gritou a torcida do Botafogo, no fim do jogo de ontem. A provocação ao ex-técnico alvinegro, hoje no Flamengo, deve-se aos vices dos dois últimos anos. Foram mais de 72 mil torcedores no Maracanã.

Escrito por Flavio DeABel às 19h50
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01/03/2009


AVAREZA

Folha SP

IGREJA
PAPA BENTO 16 ATRIBUI CRISE À "AVAREZA HUMANA" E À "IDOLATRIA"


O papa Bento 16 afirmou ontem que, por trás da queda dos bancos americanos, estão "a avareza humana e a idolatria" e que a "igreja tem o dever de denunciar" os problemas econômicos e sociais. Numa audiência no Vaticano, o pontífice insinuou que a igreja deveria apresentar respostas concretas à crise, "pois os grandes moralismos não ajudam se não estiverem apoiados pela consciência da realidade".

Escrito por Flavio DeABel às 22h44
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