Boletim Seridoense - Cultura, política e comportamento. Colaboracoes sao benvindas. e-mail: dedeabel@msn.com


30/03/2009


ORGULHO

ENTREVISTA DA 2ª

VICTOR YUAN

pesquisador de opinião

Chinês não quer ser visto de cima

Para diretor do principal instituto de opinião da China, elites rechaçam "sermões" de fora, e massas desdenham posição do país no mundo

EM MENOS de 15 dias, a China impediu a venda de sua maior fabricante de sucos à Coca-Cola, sugeriu a troca do dólar como moeda internacional e ainda cobrou dos EUA que "honrem seus compromissos".
Essa nova confiança de superpotência continuará a crescer, mesmo em tempos de crise doméstica, segundo o sociólogo chinês Victor Yuan, diretor-presidente do mais conhecido instituto de pesquisas do país, o Horizon.


RAUL JUSTE LORES
DE PEQUIM

"Os chineses querem deixar de ser olhados de cima e ouvir sermões do Ocidente sobre democracia e direitos humanos", diz Victor Yuan. "Apesar de conscientes da seriedade da crise, a maioria acha que ela é de curto prazo, e eles têm enorme confiança no governo." Com mestrado em Harvard, ele afirma que sentiu discriminação nos EUA.
"Os professores vivem criticando o governo chinês, que não somos uma democracia, que nosso desenvolvimento é injusto", recorda. "Mas para um chinês, criticar o governo é criticar o país. Não gostamos de interferência." Seu instituto de pesquisas foi criado há 17 anos e estuda desde comportamentos familiares e de consumo a opiniões políticas. Yuan recebeu a Folha em seu escritório em Pequim. Os principais trechos da conversa:

 

FOLHA - Um best-seller instantâneo, "China Infeliz", alega que, apesar do crescimento econômico, os chineses estão descontentes com a globalização e a maneira que o Ocidente vê o país. Há orgulho ferido?
VICTOR YUAN
- Discordo que a China seja infeliz, pois 70% dos chineses entrevistados por nosso instituto se demonstram favoráveis à abertura econômica ou pedem até mais abertura, e só 15% acham que a China se abriu demais. O que há é um sentimento comum, de que a China ainda é discriminada politicamente e não está à altura de seu poderio econômico, olhada de cima por americanos e franceses. Tratam-nos como a um animal econômico, ouvimos sermões de que não temos direitos humanos nem democracia. Agora que não passamos fome, queremos respeito.

FOLHA - O sr. estudou em Harvard e em Yale. Sentiu discriminação?
YUAN
- Claro. Os professores falavam de liberdade, que a China não poderia se desenvolver sem eleições. Não temos eleições como no Ocidente, verdade, mas há progresso. E há mais liberdade. Quando eu tinha 10 anos, não se podia criticar Mao nem outro dirigente do Partido Comunista, dava cadeia. Hoje eu posso criticar políticas do presidente Hu Jintao.

FOLHA - Não na imprensa estatal...
YUAN
- Essas críticas não chegam à grande mídia, mas as pessoas as escrevem em seus blogs. Podemos sentar com os estrangeiros, trocar ideias. Mas os chineses não gostam de sentir que estão levando bronca.

FOLHA - O governo chinês impediu a venda da maior fabricante de sucos do país, a Huiyuan, à Coca-Cola, que oferecia US$ 2,3 bilhões. Muitos alegam que a opinião pública era contra. Os sucos são mercado estratégico ou o problema é a Coca-Cola?
YUAN
- Nas enquetes na internet, a maioria foi contra. Há esse sentimento de que as grandes marcas chinesas devem seguir em mãos chinesas. Os mais velhos sentem nostalgia das grandes marcas que já não existem. Mas acho que a decisão se deve à nossa burocracia e a seu julgamento equivocado.

FOLHA - O senhor era favorável?
YUAN
- Talvez eu seja o único que achasse ótimo vender a Huiyuan à Coca-Cola. A oferta da Coca foi feita antes da quebra do [banco americano] Lehman Brothers [que prenunciou a crise], em setembro. Agora, nunca mais alguém vai pagar isso pela Huiyuan. A Coca vai poder comprar outras por menos ou até criar uma marca e enfrentar a Huiyuan. Todos perderam. Foi um recado negativo ao mundo. Outros governos agora podem fazer o mesmo e barrar investimentos chineses.

FOLHA - Se os chineses se tornarem consumidores nacionalistas, não complicará o investimento externo?
YUAN
- Acho que o nacionalismo faz mais barulho na internet que na vida real. Os chineses tomam Coca-Cola o dia inteiro. O consumidor chinês não é tão nacionalista como dizem. Veja o Carrefour. Apesar dos problemas com a França, das campanhas de boicote, está cheio. As pessoas agem com o bolso. Os chineses não gostam do Japão, nem dos japoneses, mas isso não impede que chineses estudem lá nem que compremos produtos japoneses.

FOLHA - Na capa da "Economist", sob a manchete "Como a China vê o mundo", EUA e Japão aparecem grandes, e o resto do mundo, mínimo. Como o chinês vê o Brasil?
YUAN
- Na última Feira de Guangzhou, a delegação brasileira estava entre as cinco maiores e foi a que mais comprou per capita, pela primeira vez. Isso chamou a atenção. Mas comparado a outros países, o Brasil se vende pouco e se comunica menos ainda com a China. Já fui várias vezes à Rússia e à Índia, e a Austrália e a Nova Zelândia vivem convidando líderes chineses para ir lá. Suas embaixadas fazem promoções. A única vez que estive no Brasil não foi a trabalho. Tirando a Amazônia e o futebol, pouco se sabe do Brasil aqui.

FOLHA - Com a crise, a China pode se interessar mais pelo Brasil?
YUAN
- Deve. Temos muito interesse em nossas matérias-primas, o petróleo da África, o cobre do Chile... e os BRICs [Brasil, Rússia, Índia e China] fazem sucesso aqui, como marca. Do pouco que se sabe sobre América Latina, fala-se de uma região onde a esquerda tem crescido, o que é simpático à China. Governos esquerdistas nos criticam menos.

FOLHA - A crise econômica já deixou 20 milhões de desempregados entre os migrantes rurais chineses e deve complicar a entrada dos formandos no mercado de trabalho. Isso não abala o otimismo chinês?
YUAN
- As pessoas estão preocupadas. 72% dos chineses são otimistas, dez pontos a menos que em 2008. Mas, comparando a outros países, ainda é extraordinário. A confiança do consumidor é a menor desde 2000. A preocupação é com o curto prazo, a longo prazo os chineses estão confiantes.

FOLHA - Qual é o maior temor dos chineses hoje?
YUAN
- Emprego. Temos 7 milhões de universitários se formando. Os mais otimistas dizem que apenas 30% deles conseguirão emprego, e os mais pessimistas dizem que só 10%. Eu diria que as empresas que se saírem bem da crise vão manter o status quo, sem contratar. A maioria vai ter que demitir. Mais 7 milhões de migrantes rurais irão para as cidades.

FOLHA - Essa crise não afeta o governo? Os protestos aumentaram.
YUAN
- Ao contrário de outros países, os chineses têm uma enorme confiança no governo. Que tem poder, tem controle, tem meios para fazer as coisas. O governo central tem a aprovação de 90% dos chineses, muito maior que os governos locais, que só atingem 45%. Os bancos aqui não são um problema. Há quatro grandes bancos estatais, que estão fornecendo empréstimos. Os ativos dos chineses não caíram tanto. Mesmo os imóveis, as quedas são muito pequenas. Então a crise não atingiu a vida diária da maioria dos chineses.

FOLHA - Em 30 anos, a China passou de uma sociedade igualitária, onde todos eram miseráveis, a um dos países mais desiguais do mundo, mas próspero. A desigualdade social não pode começar a produzir ressentimento, criminalidade?
YUAN
- A rede de bem-estar social é uma prioridade, junto com os investimentos em infraestrutura e o estímulo ao consumo. Ao contrário da Índia e, ousaria falar, do Brasil, na China quem é pobre é o camponês. Mas ele tem um pedacinho de terra e não passa fome. Vive melhor que antes. O que gera instabilidade social é a perda da terra ou da subsistência por conta de grandes obras do governo ou do mercado imobiliário, com indenizações muito pequenas. Ou quando, por causa da poluição, da água contaminada, eles não podem mais plantar. Há milhares de protestos na China por ano sobretudo por essas duas razões. É o preço do nosso desenvolvimento.

FOLHA - Mas esses protestos demonstram a fragilidade das instituições chinesas, pois raramente as pessoas recorrem à Justiça.
YUAN
- Os protestos acontecem na frente das prefeituras, do governo local. Milhares pedem indenização, e o governo normalmente paga. É a melhor maneira de se obter alguma resposta. Concordo com a ausência da Justiça. No tribunal, o juiz precisa acatar sua petição, você precisa pagar, leva tempo.

FOLHA - Há 20 anos, houve a manifestação pró-democracia que deu no massacre da praça da Paz Celestial. A democracia ainda é um desejo de boa parte dos chineses?
YUAN
- Para as elites, democracia é um dos maiores anseios. Para o público em geral, nunca entra entre as prioridades. Os chineses costumam se comparar à Índia. Lá há desordem, caos, miséria, favelas, mas são a maior democracia do mundo. De que adianta a democracia? Eles veem escândalos de corrupção em Taiwan e dizem "não quero isso para mim".

FOLHA - Os chineses já se veem como a grande potência mundial?
YUAN
- Para a grande maioria, o papel do país no mundo não importa. A maioria quer saber dos filhos, de emprego, de comida, de viver melhor. Para a elite, é mais importante. Principalmente porque agora os chineses podem viajar ao exterior, têm acesso à internet e veem como a China é descrita no Ocidente. Estudantes que moram no exterior reclamam que alunos estrangeiros acham que os chineses ainda vivem na Revolução Cultural, na miséria. Com o poder econômico vem a demanda de mais respeito, mais dignidade. Isso só se torna importante depois que se consegue comer. Nossos jovens são filhos únicos, pequenos imperadores, muito sensíveis.

Escrito por Flavio DeABel às 16h10
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29/03/2009


BS 19810

BOLETIM SERIDOENSE

domingo, 29 de março de 2009

 

Nesta edição

- artigo do cientista brasileiro Marcelo Gleiser.

- as dificuldades das pequenas prefeituras com o encolhimento do FPM

- Leneide Duarte-Plon comenta o livro em que retrata a crise de ciúme por que passou em sua relação aberta com o marido

 

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Esperança – Especialistas brasileiros sonham com uma nova ordem mundial. ONU, FMI e OMC (Organização Mundial do Comercio) devem ser rearticulados e atualizados em suas ações. Os EUA precisam largar o unilateralismo que o caracterizou nos últimos anos e adotar o multilateralismo, ou seja, precisa entrar em harmonia com o desejo dos outros países. Principalmente o G20, inclusive o Brasil,  que deverá ter maior importância no cenário mundial.

 

Municípios – Os pequenos municípios brasileiros que tanto dependem do Fundo de Participação sofrem com a crise. As prefeituras são obrigadas a economizar recursos. Não existe prefeito bom sem recursos. Se os recursos escasseiam, a ordem é racionalizar o gasto publico.

 

Políticos – Se reúnem tentando agregar e manter unidos os atores estaduais, nacionais e municipais para o pleito de 2010.  É assim, não vemos o anuncio de projetos, alternativas de combate aos problemas publicos . O que vemos é a tentativa dos diversos blocos políticos em manter sua fatia no poder.

Escrito por Flavio DeABel às 23h00
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E CAICO?

BOLETIM SERIDOENSE

PREOCUPANTE - A situacao de nossas prefeituras preocupa. Imaginemos em Sao Paulo, terra rica, as prefeituras de cidades pequenas reclamam. E aqui no Serido, no Sertao do RN?  Administrar em tempos de crise nao é facil. Diz-se até que nao tem prefeito bom sem recursos. Um desafio para as prefeituras do Seridó fechar as contas com saldo positivo.

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Folha SP

Prefeitos dizem que orçamentos estão engessados

 

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA RIBEIRÃO

A queda na arrecadação das prefeituras das pequenas cidades da região é ainda mais problemática quando se observa que a maior parte das receitas já está vinculada a algum gasto, disseram prefeitos ouvidos pela Folha.

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O prefeito de Taiúva, Leandro José Jesus Batista (PP), cita os percentuais mínimos para investimento na educação (25%), saúde (15%) e o máximo permitido para folha de pagamento (54%) para afirmar que "sobra pouco para fazer alguma coisa".
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Segundo ele, sobra pouco espaço para cortar. O valor mínimo a ser aplicado em áreas como saúde e educação são regulamentados por leis federais.
No caso da educação, por exemplo, o não-cumprimento desse investimento pode levar o prefeito a perder o direito sobre os recursos do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação).

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"Cidade pequena já não tem dinheiro para investimento", disse o prefeito de São José da Bela Vista, José Benedito de Fátima Barcelos (PSDB).
Apesar de a crise estar no começo, alguns governantes já pensam em sua consequência, daqui a três anos e oito meses. "Vai matar a reeleição. Sem dinheiro, não tem prefeito bom", disse Petronílio José Vilela (PMDB), prefeito de Taquaral.

Escrito por Flavio DeABel às 22h37
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FPM REDUZIDO PREOCUPA

Queda do FPM faz prefeito adiar obras e cortar gastos

Pequenas cidades são as que mais sofrem, já que o fundo significa até 52% da receita

Gastos com hora extra, água, energia elétrica, gratificações e cargos de confiança são cortados com a queda nas receitas

JEAN DE SOUZA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA RIBEIRÃO

Dependentes dos repasses do governo federal para tocar o dia-a-dia da administração pública, prefeitos de pequenas cidades da região de Ribeirão já sofrem com os cortes de recursos do FPM (Fundo de Participação dos Municípios).
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Depois de um 2008 com cofres cheios, a quantidade de dinheiro vindo de Brasília começou a diminuir já em fevereiro.
Em Taquaral, uma das menores cidades da região, a queda foi de 14% em relação ao mesmo mês do ano passado. Na maior delas, Ribeirão Preto, o índice foi similar. Porém, diferentemente de Ribeirão, onde o FPM representa menos de 5% das receitas, em Taquaral esse repasse foi responsável por 52% de toda a arrecadação.
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Em março, os cortes no FPM se acentuaram, e prefeitos ouvidos pela Folha já cortam gastos da administração. Despesas administrativas e correntes, como água, luz, materiais para manutenção e combustível, são as primeiras a serem citadas pelos prefeitos quando o assunto é cortar o Orçamento.
Em Jeriquara, onde o FPM é responsável por 45% das receitas, o prefeito Alexandre Alves Borges (DEM) disse já ter começado a economizar com custeios. A atitude é seguida por Francisco Molina (PSDB), de Igarapava, que, após ter perdido "até R$ 1 milhão por mês", disse que está cortando os custos com água e energia elétrica.

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A folha de pagamento das pequenas cidades também não está livre dos efeitos da queda na arrecadação. Cortes com hora extra e funções gratificadas já começaram em São José da Bela Vista, segundo o prefeito José Benedito de Fátima Barcelos (PSDB). Ele não descarta demissões, "começando pelos comissionados".
Outro que afirma que também pode fazer cortes na folha é o prefeito de Jeriquara. No próximo mês, se persistir, haverá corte de horas extras, adicional e, após, comissionados.

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O prefeito de Ituverava, Mário Matsubara (PSDB), disse ter cortado o próprio salário. "No ano passado, o salário era de R$ 7.000, aí a Câmara aumentou para R$ 12 mil, mas mandei diminuir para a metade. O salário de R$ 12 mil só foi pago em janeiro." Ele, que preside o Comam (Consórcio dos Municípios da Alta Mogiana), disse que tem recebido reclamações de colegas sobre a queda nos repasse de FPM. O prefeito cortou 25% de gratificação aos secretários e demitiu 38 em cargos de confiança.

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Para recuperar receita, o prefeito de Orlândia, Rodolfo Meirelles (PTB), que disse ter perdido R$ 3 milhões este ano, afirmou que planeja lançar medidas de estímulo para elevar a arrecadação da dívida ativa.
Na primeira gestão, Emídio Bernardo Nascimento (PT), de Dobrada, lamenta não ter verba para obras. "A gente entra com vontade de mostrar a cara, mas a situação é preocupante."

Categoria: Engenharia
Escrito por Flavio DeABel às 22h30
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AME E DE VEXAME

+Sociedade

A dor de amar

Respeitada crítica de arte, Catherine Millet fala de "Dia de Sofrimento", livro em que retrata a crise de ciúme por que passou em sua relação aberta com o marido

LENEIDE DUARTE-PLON
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE PARIS

No seu livro anterior, "A Vida Sexual de Catherine M.", Catherine Millet quis dar, como ela mesma conta, um testemunho pessoal de que a vida sexual pode ser dissociada dos sentimentos. O livro se transformou num fenômeno literário mundial, traduzido para 45 línguas, vendeu mais de 1,2 milhão de exemplares e transformou sua autora numa celebridade.
Nele, uma mulher de 50 anos conta como se entregava a homens que nunca vira antes, nos locais mais inesperados, como um bosque de Paris, um estacionamento subterrâneo, um cemitério, uma estação de trem e mesmo no escritório da revista "Art Press", fundada e dirigida pela própria Millet, crítica de arte e especialista em Salvador Dalí.
A vida real colocou Millet diante de um problema que consistia em conciliar a vida de mulher totalmente livre com um casamento duradouro. Ela é casada há muitos anos com o escritor e fotógrafo Jacques Henric, autor de "Légendes de Catherine M." [Lendas de Catherine M.], e vivem um casamento totalmente aberto.
Em seu novo livro, "Dia de Sofrimento" (a ser lançado no Brasil em junho, pela ed. Agir), dá uma espécie de resposta aos leitores que se perguntavam se é possível driblar o ciúme quando a vida a dois pressupõe total liberdade de ambas as partes.
Millet responde: o ciúme não pode ser driblado, e ela o viveu como uma obsessão: "Comecei a sofrer terrivelmente, imaginando Jacques em companhia de outras mulheres", conta Millet em entrevista exclusiva à Folha.
"Penso que o ciúme é uma pulsão que pode escapar a todo controle e que pode varrer toda a inteligência, a cultura, a moral que possuímos. Mas não me arrependo. É essa pulsão que se deve dominar para continuar fiel a sua cultura e a sua moral."
Assumir uma sexualidade totalmente livre, resume Millet, "não impede de cair na armadilha assustadora do ciúme e nem vacina contra a dor que o acompanha".

 

FOLHA - "A Vida sexual de Catherine M." transformou-se em um fenômeno de sociedade. Como isso afetou sua vida?
CATHERINE MILLET
- Fora uma sobrecarga de trabalho, minha vida cotidiana não foi praticamente modificada. Durante algumas semanas, tornei-me "Madame Sexo" na França e, se tivesse aceito esse epíteto, teria passado todo meu tempo nos estúdios de TV, participando de programas sobre sexualidade.
Tentei limitar essas participações. Para mim, é muito importante continuar a dirigir a "Art Press". Ganhei um pouco mais de dinheiro, mas também não fiquei milionária.

FOLHA - "A Vida Sexual..." foi criticada por ser "sem sentimento". "Dia de Sofrimento" é seu oposto implacável?
MILLET
- É ao mesmo tempo o anúncio e o prolongamento do outro. Anúncio porque a crise de ciúme narrada em "Dia de Sofrimento" é um dos "acidentes" na minha vida que me levaram a escrever uma coisa diferente de um livro de história da arte -isto é, "A Vida Sexual de Catherine M.". De fato, "Dia de Sofrimento" mistura a narração dessa crise e a aproximação com a escrita, a realização de um desejo de ser escritora. Também é o prolongamento de "A Vida Sexual..." na medida em que a ideia do segundo livro me ocorreu logo após a publicação do primeiro. Muitos leitores e jornalistas me perguntavam -e a Jacques também- sobre o ciúme. Como tínhamos podido viver a liberdade sexual sem ter ciúme? E eu respondia que não tinha escapado a ele. Por honestidade, pensei que deveria me explicar num segundo livro. Quanto à ausência de sentimento em "A Vida Sexual...", isso é o resultado de um "parti pris". Eu não queria nenhuma forma de psicologia no livro, quis deixar tudo focalizado nos atos sexuais.

FOLHA - Um crítico ressaltou um paradoxo em "Dia de Sofrimento": a sra. vigia e espiona seu marido como se fosse uma mulher fiel. Ora, no seu texto pode-se ler: "Jacques me colocava diante do fato de que nunca deixei de fazer sexo grupal e que por longos períodos meu desejo me levara a outros homens".
MILLET
- Um dos objetivos do livro é, creio, expor a que ponto podemos estar em contradição com nossas próprias ideias. A liberdade sexual era a filosofia de vida que eu tinha escolhido. Eu tinha essa liberdade. De vez em quando descobria que Jacques também dispunha dessa liberdade, mas comecei a sofrer terrivelmente imaginando-o em companhia de outras mulheres.

FOLHA - "A Vida Sexual..." foi escrito durante uma crise grave com seu marido. Como a sra. conseguiu trabalhar vivendo um turbilhão de emoções causadas pelo ciúme?
MILLET
- Na realidade, quando comecei a escrever esse livro, tinha me distanciado da minha vida de libertinagem. Como escritora e contrariamente a autores que fazem o que se chama "autoficção", somente posso ter um olhar retrospectivo. Durante essa crise, fui dominada por fantasias em que imaginava Jacques em companhia de outras mulheres. De certa forma, a escrita desse livro foi uma maneira de me recolocar no centro das cenas de sexo.

FOLHA - O livro quer mostrar que uma intelectual libertina não está protegida do mais banal ciúme?
MILLET
- Esta é uma das razões por que sofri tanto: é claro que não podia fazer nenhuma crítica a Jacques; ao contrário, só podia me criticar pela falta de lógica de meu comportamento.

FOLHA - A sra. conta que saiu da periferia de Paris com 18 anos com suas leituras como única bagagem. Que leituras eram essas ?
MILLET
- Tudo um pouco misturado. Muito jovem, eu lia relatos de aventura para crianças, mas também lia os clássicos que encontrava na biblioteca de minha mãe. Uma das primeiras leituras que me impressionaram foi "O Lírio do Vale", de Balzac. Adorava ler Lamartine e também Stendhal. Somente histórias de amores impossíveis! E castos!

FOLHA - A sra. foi feminista? Os movimentos pela liberação da mulher dos anos 70 de alguma forma lhe interessaram?
MILLET
- Como digo em "A Vida Sexual", eu me sentia "do lado dos homens", logo não podia me sentir próxima das feministas. E depois, dispunha de minha liberdade de fato, não tinha de conquistá-la. Por outro lado, hoje me sinto muito próxima do que se chama "neofeminismo" ou "feminismo pró-sexo".

FOLHA - Seu livro fala de suas fantasias masturbatórias incestuosas. Qual é a importância da masturbação na vida sexual?
MILLET
- Acho que muito grande, mas é um assunto que ainda é tabu. Acho que uma mulher aprende a conhecer melhor os caminhos de seu prazer graças à masturbação.

FOLHA - Como a sra. vê a arte contemporânea? Acompanhou os debates em torno da última Bienal de São Paulo, em 2008?
MILLET
- Acho que os que consideram a arte como uma atividade do espírito realizaram uma resistência "do interior", em um mundo da arte governado pelo mercado.
E infelizmente as instituições públicas, que poderiam ser uma alternativa ao mercado, se tornam cúmplices dele.
Não acompanhei muito de perto os acontecimentos em torno da última Bienal de São Paulo, mas me parece que um protesto contra essa situação se fez presente por meio das ações de alguns artistas.

Categoria: Direito
Escrito por Flavio DeABel às 22h24
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RENATA LO PRETE escreve

Painel

RENATA LO PRETE -
painel@uol.com.br

Casa da oposição

O Tribunal de Contas da União, que viu seus ministros Augusto Nardes e Valmir Campelo colhidos pelo noticiário da Operação Castelo de Areia por suspeita de favorecimento à Camargo Corrêa, tem hoje claro viés oposicionista. Das nove vagas, sete foram preenchidas com indicações de políticos. Dessas, três são ocupadas por ex-congressistas do DEM (Campelo é um deles) e uma coube ao PSDB. Nardes, embora do PP, partido da base de Lula, sempre foi contra o atual governo. O PMDB tem três cadeiras. O PT, nenhuma.
Em dezembro, quando da escolha do "demo" José Jorge para o tribunal, a senadora petista Ideli Salvatti comentou que havia "mais PFL por metro quadrado" no TCU do que em qualquer outro lugar.




Arquivo. Antes de ingressar no TCU, o então deputado Augusto Nardes foi processado por crime eleitoral. À época, o procurador-geral da República, Claudio Fonteles, denunciou-o por omitir doação de R$ 20 mil. Como pena, Nardes doou R$ 1.000 ao Fome Zero e ministrou palestras sobre legislação eleitoral.

Turbina 1. Além da usina de Tucuruí, que passou a integrar as investigações da PF, a Camargo Corrêa anda às voltas com o Ministério Público Federal no Pará devido ao projeto da hidrelétrica de Belo Monte. Segundo a denúncia, há irregularidades no estudo técnico apresentado à Eletrobrás pelo consórcio do qual a empresa faz parte.

Turbina 2. Tanto a Eletrobrás quanto a Eletronorte são controladas pelo PMDB, partido que, segundo as investigações, teria recebido repasses da Camargo Corrêa no Pará. A empreiteira declarou ter gasto R$ 35 mil no estudo técnico. Especialistas avaliam que ele custa milhões.

Turbina 3. O caso chegou ao TCU. Este determinou que o estudo seja refeito segundo "princípios da publicidade e isonomia". O processo aguarda julgamento de recurso no Tribunal Regional Federal.

Tudo menos isso. Um fotógrafo que entrava no Senado cumprimentou amistosamente o segurança: "Fala, diretoria!". Muito bravo, o funcionário replicou: "Me xinga do que quiser, mas não me chama de diretor!".

De ministra... O núcleo do governo discute a necessidade de dar a Dilma Rousseff, em breve, mais tempo para dedicar à candidatura presidencial. Por ora, mesmo rodando o país na caravana do PAC e travando contatos políticos antes ausentes de sua agenda, a chefe da Casa Civil continua diretamente envolvida nos assuntos do governo.

...a candidata. Foi Dilma quem colocou a mão na massa quando o pacote habitacional patinava. A ideia é delegar parte de suas tarefas a Miriam Belchior, coordenadora do PAC na Casa Civil. Outra parte já é tocada pela secretária-executiva, Erenice Guerra.

Lenço. Opinião de quem leu o roteiro de "Lula, Filho do Brasil": o filme de Fábio Barreto fará o público chorar tanto ou mais do que o hit "Dois Filhos de Francisco". Isso em plena campanha eleitoral.

Com quem será? Osmar Dias (PDT) é o homem mais cortejado do Paraná. Após ter visitado José Serra no Palácio dos Bandeirantes, foi à casa de Dilma Rousseff em Brasília. O governador tenta atraí-lo para aliança com os tucanos no Estado -Dias disputaria a reeleição ao Senado. A ministra quer fazê-lo candidato ao governo com o apoio do PT.

Onde pega. A Perdigão sinalizou ao governo que só se interessa pela Sadia se puder controlar mais de 60% da empresa. A Sadia resiste.

Espinhoso. Flávio Dino (PC do B-MA) apresentou emenda propondo mandato de 11 anos para ministros do STF. Ele defende a mudança diante do "papel político" que a corte assumiu. "Hoje se tem um sistema tricameral."

Tiroteio

"Os trabalhadores não precisam de conselhos do presidente, mas sim de uma lei que os proteja contra demissões. O governo só editou MPs para ajudar banqueiros e grandes empresários."


De JOSÉ MARIA DE ALMEIDA , coordenador nacional da central sindical Conlutas e presidente do PSTU, sobre Lula, segundo quem os trabalhadores não devem pedir aumento no atual cenário de crise.


com VERA MAGALHÃES e SILVIO NAVARRO

Contraponto

Nas ondas do rádio

Em 1985, Antonio Carlos Magalhães era ministro das Comunicações quando o aliado Cândido Augusto, prefeito de Senhor do Bonfim, começou a articular a candidatura ao governo baiano de Jonival Lucas, secretário de João Durval, inimigo de ACM. Por dias, Augusto fugiu dos telefonemas do ministro, mas este acabou por encontrá-lo:
-Que negócio é esse de lançar candidato sem me consultar? Se você continuar com esse negócio, vou colocar uma rádio aí na cidade só pra te desmoralizar!
Gaguejando de medo, o prefeito só conseguiu indagar:
-AM ou FM, ministro?
-As duas, seu moleque!- e bateu o telefone.

Escrito por Flavio DeABel às 22h18
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PILULAS DE FISICA

+ Marcelo Gleiser

Misteriosos vazios cósmicos


O que se sabe sobre a energia escura é pouco e muito estranho



Já se vão 11 anos desde que o cosmo tornou-se mais misterioso do que nunca. Tudo começou em 1929, quando o astrônomo americano Edwin Hubble descobriu que o Universo está em expansão, com o espaço entre as galáxias crescendo como se fosse uma tira elástica. Para concluir isso, Hubble mediu a luz emitida por galáxias distantes e analisou suas propriedades, comparando-a com a luz emitida por objetos mais próximos.

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Essa comparação é muito útil: existe um efeito, chamado efeito Doppler, que diz que, quando uma fonte de luz se afasta ou se aproxima do observador (ou o observador dela, dá no mesmo), a luz é distorcida: se o objeto se afasta, a luz é desviada para tons avermelhados; se o objeto se aproxima, para tons azulados. Hubble mostrou que a maioria absoluta das galáxias mostra um desvio para o vermelho, concluindo que elas estão se afastando, com velocidades proporcionais à distância entre elas.

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A taxa de expansão cósmica depende da quantidade de matéria (e energia) no Universo: quanto mais matéria, mais lenta a expansão. No caso de a quantidade total de matéria estar acima de um valor crítico, vence a gravidade, e o Universo acabaria caindo sobre si mesmo. Observações atuais mostram que o cosmo existe bem em torno desse valor crítico. Nesse caso, a expansão continuaria para sempre. Ao menos assim se pensava até 1998. Cada geração enfrenta os seus mistérios e desafios.

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Assim caminha a ciência, de mistério em mistério. Mas esse de agora é dos bons. Em 1998, dois grupos de astrônomos mediram a luz emitida por objetos muito distantes, estrelas que explodiram bilhões de anos atrás. Essas estrelas, chamadas supernovas, são como fogos de artifício cósmicos. Usando técnicas semelhantes às de Hubble (mas com telescópios e instrumentos de análise muito mais sofisticados), os astrônomos concluíram algo muito estranho: as estrelas parecem brilhar com luz mais fraca do que o esperado. Como o efeito Doppler conecta o brilho da estrela com sua velocidade, é possível concluir que a luz mais fraca se deve a uma expansão mais rápida: em torno de 5 bilhões de anos atrás, o Universo resolveu acelerar a sua expansão.

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Como muitos leitores já devem ter ouvido, a conjectura mais popular é de que essa aceleração cósmica -a tira elástica esticando mais rápido- se deve a uma nova forma de material, a chamada energia escura. O problema é que se sabe muito pouco desse material. E o que se sabe é muito estranho. Diferentemente dos átomos que compõem a matéria comum, a energia escura não é formada por partículas de matéria. Supostamente, ela é uma nova substância que permeia todo o cosmo. Dada essa excentricidade, é saudável procurar explicações menos revolucionárias. Uma delas é que vivemos numa região com pouca matéria, um vazio cósmico. Nesse caso, a taxa de expansão cósmica ao nosso redor seria mais rápida. A existência desses

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vazios não é novidade; as galáxias estão distribuídas pelo Universo de forma irregular. Mas, na média, tudo se passa como se o cosmo fosse igual em todos os lugares. Esse é o "princípio cosmológico", uma adaptação do princípio copernicano. Quando Copérnico sugeriu que a Terra não era o centro do cosmo, nós nos tornamos mais mundanos, nossa posição, pouco especial.

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A ideia de que vivemos num enorme vazio (de 1 bilhão de anos-luz de raio) nos remete de volta a um local especial. Aparentemente, esse enorme vazio é pouco provável. Mas vazios menores, como numa esponja, em princípio podem surtir o efeito desejado. Qualquer que seja a solução do mistério da energia escura, aprenderemos muito com ela.


MARCELO GLEISER é professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor do livro "A Harmonia do Mundo"

Escrito por Flavio DeABel às 22h13
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BLOG DO BARBEIRO

Bem-vindo. Um abraço. Heródoto Barbeiro

Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo.

E que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver
apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
um oásis no recôndito da sua alma .
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um ‘não’.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho?

 Guardo todas, um dia vou construir um castelo…

Fernando Pessoa (Lisboa, 13 de junho de 1888 - Lisboa, 30 de novembro de 1935)

Escrito por Flavio DeABel às 16h03
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28/03/2009


DANDO É QUE SE RECEBE

BOLETIM SERIDOENSE

Doacoes para as campanhas. Financiamento das campanhas politicas no Brasil. Ontem, o Batata na Radio Rural nos indagava: 'Ora, se a eleicao de um deputado federal custa uns 5 Milhoes de reais, se eleito, como o deputado irá reaver os recursos gastos?´

x

Boa pergunta. Lendo o noticiário sobre as doacoes da Camargo Correa constatamos o seguinte fato: a legislacao eleitoral é muito boa para quem faz doacoes milionarias de campanha.  Ha uma folga na legislacao que permite doacoes nao controladas pelo poder publico, de modo a permitir a transparencia publica.

x

O eleitor mais atento que acompanha os fatos nota que boa parte dos recursos da Camargo Correa provem dos ganhos com o faturamento de obras publicas. Dando é que se recebe. Num moto contínuo. A empreiteira financia a campanha eleitoral via doacao, e o poder publico dirige a licitaçao de modo a favorecer aquela empreiteira colaboradora. E se perpetuam no poder.

Como nos tempos do ACM e da OAS. Odebrecht, Camargo Correa, os gigantes do sistema empreiteiro no Brasil. Transparencia que é bom, de vez em quando, como nesta transparencia forçada pela Policia Federal.

Vamos lá, otários cidadaos, paguem seus impostos para a galera fazer a festa.

xxxxxxxx

Painel

RENATA LO PRETE -
painel@uol.com.br

Discurso pronto

 

Os partidos ensaiam uma justificativa-padrão para os "por dentro" e os "por fora" que aparecem nos grampos da Operação Castelo de Areia, em diálogos alusivos a financiamento de campanhas. "Por dentro" seriam doações feitas aos comitês dos candidatos. "Por fora", aos partidos -contrariando o sentido de "caixa dois" desde sempre associado à expressão.


Foi assim que o DEM explicou os R$ 300 mil recebidos por Mendonça Filho da Camargo Corrêa, "por fora", na campanha de 2006 em Pernambuco: teriam chegado ao partido e sido repassados em duas parcelas ao candidato. O PSDB dirá que o dinheiro da empreiteira abastecia o cofre dos diretórios estaduais e nacional, os quais decidiam quanto dar e a quem.

Foco. Advogados e executivos da Camargo Corrêa questionam o fato de a empresa ser a única atingida pela operação da PF, que tem como mote denúncia de sobrepreço na refinaria Abreu e Lima, se ela não comanda o consórcio contratado pela Petrobras para executar a obra. A líder do grupo, integrado ainda pela Queiroz Galvão, é a Odebrecht.

Currículo 1. Guilherme Cunha Costa, lobista da Camargo Corrêa mencionado na decisão judicial que permitiu deflagrar a Operação Castelo de Areia, costuma promover jantares com deputados e senadores em seu apartamento em Brasília. Tem um ótimo trânsito nas comissões de Orçamento, Infraestrutura e Minas e Energia.

Escrito por Flavio DeABel às 10h33
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FACA O QUE DIGO, NAO O QUE FACO

FERNANDO RODRIGUES

Simulacro de indignação

BRASÍLIA - A empreiteira Camargo Corrêa seguiu à risca a cartilha das horas amargas. A direção declarou-se perplexa. Afirmou ter feito doações a políticos sempre dentro da lei. O Democratas (ex-Arena, ex-PFL) também demonstrou indignação. Em nota, copiou a empreiteira. Disse fazer as coisas "de acordo com as leis do país".
Foram reações à última ação midiática da Polícia Federal, batizada de Operação Castelo de Areia. Camargo Corrêa, Democratas e alguns outros partidos deram azar. Desta vez, foram eles. É tudo obra do acaso. Nenhum partido ou empreiteira neste país está livre para bater no peito e bradar nunca ter entrado no negócio de "recursos de campanha não contabilizados", para usar o eufemismo de caixa dois criado por Delúbio Soares, o ex-tesoureiro de Lula e do PT.
A reação de todos os apanhados nessas situações segue uma lógica milimetricamente idêntica. Mostram-se surpresos em público e juram estar obedecendo a lei. Nenhum nunca se dispõe a fazer o básico: revelar, em detalhes, tudo o que recebeu (ou pagou) de doações políticas. Tome-se o caso da Camargo Corrêa.
A empreiteira diz fazer tudo dentro da lei. Poderia, portanto, divulgar uma lista completa dos dinheiros enviados a partidos e a políticos -desde os candidatos a vereador até a presidente da República. Nada a impede também de exigir dos partidos recebedores a revelação sobre uso dos recursos. Aí sim haveria transparência, e não apenas o simulacro de indignação assistido nos últimos dias.
Já os partidos estão convidados a detalhar como usam as doações recebidas das empreiteiras. Quem fica com cada centavo desse dinheiro? As siglas argumentarão não haver exigência legal para tal tipo de abertura. Ou, como ensina a filosofia delubiana, "transparência demais é burrice". É mais cômodo indignar-se com as ações da PF.

frodriguesbsb@uol.com.br

Escrito por Flavio DeABel às 08h13
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27/03/2009


BS 19721

BOLETIM SERIDOENSE

sexta-feira, 27 de março de 2009

 

NO SERIDO - Empresarios cansados de esperar pelo apoio publico pretendem adquirir o terreno para instalacao do Distrito Industrial. O Serido precisa gerar emprego e renda. Os investidores esperam pelo menos pela infraestrutura: Agua, Saneamento e Energia Eletrica.

VIOLENCIA - Em ascensao os atos de violencia. Origem? Quais as causas? O Poder Publico continua impotente para identificar e combater as causas. A Constituicao Federal garante o direito a propriedade, a justica e a igualdade. No entanto...organismos estatais nao cumprem o seu papel de apaziguador dos conflitos sociais.

CRISE - A reducao do IPI atinge as prefeituras, que tem o FPM reduzidos. Um financiador do FPM é a arrecadaçao do IPI Imposto sobre produtos industriais. Prefeituras do Nordeste dependem do Fundo de Participacao dos Municipios. Entao, indiretamente a crise atinge os municipios nordestinos.

 

 

Escrito por Flavio DeABel às 07h55
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FOLHA SP

Rápidas

PONTE DA AMIZADE FECHADA
Organizações camponesas e de sem-teto paraguaias, com apoio do brasileiro MST, fecharam ontem, das 10h15 às 11h30, a ponte da Amizade, que liga o município de Foz do Iguaçu (PR) a Ciudad del Este (Paraguai). No ato, pediram reforma agrária no Paraguai e a renegociação dos tratados sobre Itaipu, com o Brasil, e Yaciretá, com a Argentina. Mundo A12

ACIDENTE MATA 11 NO MARANHÃO
Onze pessoas morreram -entre elas uma criança e um bebê- e outras 29 ficaram feridas em um acidente com um ônibus no km 640 da BR-222, perto de Açailândia (MA). Segundo a polícia, o ônibus saiu da estrada em um local conhecido como "curva da morte", caiu em uma ribanceira e capotou diversas vezes. Cotidiano C9

MUTUÁRIOS COM PRESTAÇÃO CRESCENTE
O governo autorizou a volta de financiamentos habitacionais com prestações mais baixas no início do contrato e tornou obrigatório que os bancos ofereçam ao menos duas opções para cálculo da prestação. O Conselho Monetário Nacional aprovou também o aumento de R$ 350 mil para R$ 500 mil do valor do imóvel que o trabalhador pode comprar usando os recursos do FGTS. Dinheiro B8

Escrito por Flavio DeABel às 07h38
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RENATA LO PRETE, FOLHA SP

Painel

RENATA LO PRETE -
painel@uol.com.br

O lobista da vez

Deputados e senadores reconheceram de imediato o prenome "Guilherme", citado de passagem na decisão judicial que deflagrou a Operação Castelo de Areia. Trata-se de Guilherme Cunha Costa, que até 2007 era o operador político da Fiesp em Brasília. Nesse ano, a pedido do vice-presidente da Camargo Corrêa, Fernando Botelho, transferiu-se para o escritório da construtora na capital. Mas, segundo congressistas, Costa continua a lhes transmitir as mensagens do presidente da federação, Paulo Skaf.
Em 2005, quando Severino Cavalcanti (PP-PE) presidia a Câmara, Costa atuou para instalar o ex-deputado Augusto Nardes no TCU. Pelo gabinete do ministro transitam processos que envolvem a Camargo.




Fiscal. Nardes é o relator de processo que se arrasta desde maio de 2006, após uma auditoria constatar que aditivos do contrato da Camargo Corrêa para erguer as eclusas do Tucuruí (PA) foram reajustados acima do limite legal. Em 2008, a empreiteira recebeu R$ 55,5 milhões pela obra.

Mais uma. Também no ano passado, o Ministério Público Federal no Pará entrou com ação contra a empresa, um deputado estadual e o ex-diretor geral do Dnit Luiz Francisco Silva Marcos. Há suspeita de desvio de R$ 6,8 milhões da obra das eclusas.

Luz amarela. A Operação Castelo de Areia deixou o TCU em estado de atenção. Há pouco tempo, um emissário do Planalto fez chegar ao tribunal a informação de que dois de seus ministros estavam sob investigação.

LIBERA GERAL. Escolhido relator da MP do pacote habitacional, o líder do PMDB na Câmara, Henrique Alves (RN), vai dar dor de cabeça ao governo em pelo menos um ponto: pretende estender o programa às cidades com 50 mil habitantes. Pela proposta original, só aquelas com mais de 100 mil seriam atendidas.

Sem-teto. A ação de Alves incluirá cerca de 4.000 cidades no projeto. A pressão dos deputados é imensa. No Rio Grande do Norte, por exemplo, só Mossoró e Natal são atendidas na versão inicial.

Testemunhal. O locutor Luciano do Valle fez propaganda do pacote habitacional anteontem, durante a transmissão de São Paulo x Noroeste pela Band. "Isso só é possível graças à competência da minha amiga Maria Fernanda", sentenciou, numa referência à presidente da Caixa Econômica Federal.

Tá no grampo. José Carlos Araújo (PR-BA), recém-eleito presidente do Conselho de Ética da Câmara, aparece em diálogos monitorados na Operação Satiagraha. O arquivo está em poder da CPI.

Sacudido. O mensaleiro José Janene (PP-PR), que adiou seu processo de cassação até ser absolvido e hoje recebe aposentadoria por invalidez, será candidato à Câmara.

Reabilitado. Marco Antônio Desgualdo, delegado-geral da Polícia Civil no governo de Geraldo Alckmin, é o novo diretor do Deic (Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado).

Sem fim. Adversários de Eduardo Paes apostam que o prefeito do Rio vai se consumir com seu "choque de ordem". O que mais há na cidade, observam, é edifício irregular em favela. "Não vai fazer outra coisa a não ser derrubar prédio", diz um desafeto.

Aéreo. Jaques Wagner venceu queda-de-braço com a oposição e emplacou o deputado Nelson Pellegrino (PT) para coordenar a bancada baiana no Congresso. Sua primeira missão é tentar evitar que a regional da Infraero, com orçamento de R$ 88 milhões, migre para Recife.

Visita à Folha. Paulo Uebel, diretor-executivo do instituto Millenium, visitou ontem a Folha.

Tiroteio

"Falar sobre eleição a ministra não quer. Mas é só convidá-la para fazer campanha antecipada em qualquer lugar do Brasil que ela topa."

Do deputado FELIPE MAIA (DEM-RN), criticando Dilma Rousseff pelo bordão, repetido ontem, de que "nem amarrada" falará sobre sua candidatura à Presidência.

com VERA MAGALHÃES e SILVIO NAVARRO

Contraponto

Pré-Google

Jutahy Magalhães (1929-2000), pai do deputado federal Jutahy Júnior (PSDB-BA), estava em seu primeiro mandato na Câmara, em 1974, quando visitou Antas, onde havia sido muito bem votado. Edvaldo Nilo, líder da região, aproveitou para pedir ajuda. Seu projeto era levar uma agência bancária para o município baiano.
-Olhe, deputado, se o senhor conseguir isso, entrará para a história de nossa cidade, assim como aconteceu com o político que nos trouxe a agência dos Correios!
-E quem foi?-, quis saber Magalhães.
Nilo olhou para toda parte em busca de socorro, mas infelizmente ninguém sabia dizer o nome do benemérito.

Escrito por Flavio DeABel às 07h32
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FOLHA DE SP

BOLETIM SERIDOENSE:

Se a moda pega...

<<<<

PARÁ

Justiça condena ex-prefeito a pagar R$ 1,1 mi

DA REPORTAGEM LOCAL

A Justiça Federal de Marabá (PA) condenou Sebastião Rodrigues de Moura, conhecido como Sebastião Curió, a pagar R$ 1,1 milhão por atos de improbidade administrativa entre 2001 e 2004, durante sua penúltima gestão como prefeito de Curionópolis (PA), onde fica o garimpo de Serra Pelada.

A decisão suspende seus direitos políticos por cinco anos. Cabe recurso. A ação contra Curió e o então secretário de Finanças Wilson da Silva Marques foi ajuizada em 2006. As acusações contra Marques foram rejeitadas. A Folha não localizou Curió.


O juiz Carlos Henrique Haddad considerou que houve enriquecimento ilícito. Curió foi acusado de fraudar licitações e de irregularidades com verbas do Fundef, como contratar empresas fantasmas e usar notas fiscais falsas.
Oficial da reserva e um dos responsáveis pela repressão à guerrilha do Araguaia, Curió teve cassado em 2008 o mandato de prefeito de Curionópolis (que ele fundou) por compra de votos e abuso de poder econômico.

Escrito por Flavio DeABel às 07h26
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BOLETIM MINEIRO INFORMA

NAVEGAR É PRECISO

A entidade critica a posição das Nações Unidas e do Banco Mundial que consideram a água mais uma necessidade do que um direito: “Essa é uma diferença crucial. Quando se define a água como uma necessidade e não como um direito chega a ser possível mercantilizá-la e fazê-la entrar numa lógica comercial”, diz a organização. Segundo a Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico, o número de pessoas com graves problemas para conseguir água chegará a 3,9 bilhões em 2030, ou seja, metade da população do mundo. > LEIA MAIS Meio Ambiente
**********
2. O Censor Gilmar Mendes
Dissemine a carta aberta do jornalista Leandro Fortes e não permita que Gilmar Mendes governe o País com suas atitudes.
Diz Leandro Fortes:
" Que perguntas podem ser feitas ao ministro Gilmar Mendes? Até onde, nós, jornalistas, vamos deixar essa situação chegar sem nos pronunciarmos, em termos coletivos, sobre esse crescente cerco às liberdades individuais e de imprensa patrocinados pelo chefe do Poder Judiciário? Onde estão a Fenaj, e ABI e os sindicatos? "
Leia. Manifeste-se. Dissemine:
http://www.novae.inf.br/site/modules.php?name=Conteudo&pid=1202
*************
3. Site do Jornal Brasil de Fato – http://www.brasildefato.com.br/
Meio Ambiente
Incra e MDA “vendem” terras na Amazônia Legal
Funcionários do Incra e do MDA teriam "vendido" mais de 67 milhões de hectares em terras públicas na Amazônia Legal. A denúncia é da Associação Brasileira de Reforma Agrária (Abra)
********

4. Fracassa tentativa de declarar a água um "direito humano" - Yahoo! Notícias
http://br.noticias.yahoo.com/s/21032009/40/saude-fracassa-declarar-agua-direito-humano.html
***********
5. Visite o Museu de Armas de Leeds. Veja o site indicado. Assistam aos filmes oferecidos.
http://www.armouries.org.uk/home

Para quem estiver trabalhando com Idade Média, mas não apenas, é muito interessante....
***********
6. Site do Observatório da Imprensa:

O silêncio dos jornais
Folha e Globo ignoraram a notícia, mas o Estadão publicou que a Justiça impôs importante derrota à estratégia de defesa do banqueiro Daniel Dantas.
Luciano Martins Costa -
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=530IMQ007
**************
7. Fotos coloridas do Terceiro Reich são disponibilizadas na internet
http://diplo.wordpress.com/2009/03/17/nazismo-ao-vivo-e-a-cores/

Escrito por Flavio DeABel às 07h08
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BOLETIM MINEIRO INFORMA

NAVEGAR É PRECISO

A entidade critica a posição das Nações Unidas e do Banco Mundial que consideram a água mais uma necessidade do que um direito: “Essa é uma diferença crucial. Quando se define a água como uma necessidade e não como um direito chega a ser possível mercantilizá-la e fazê-la entrar numa lógica comercial”, diz a organização. Segundo a Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico, o número de pessoas com graves problemas para conseguir água chegará a 3,9 bilhões em 2030, ou seja, metade da população do mundo. > LEIA MAIS Meio Ambiente
**********
2. O Censor Gilmar Mendes
Dissemine a carta aberta do jornalista Leandro Fortes e não permita que Gilmar Mendes governe o País com suas atitudes.
Diz Leandro Fortes:
" Que perguntas podem ser feitas ao ministro Gilmar Mendes? Até onde, nós, jornalistas, vamos deixar essa situação chegar sem nos pronunciarmos, em termos coletivos, sobre esse crescente cerco às liberdades individuais e de imprensa patrocinados pelo chefe do Poder Judiciário? Onde estão a Fenaj, e ABI e os sindicatos? "
Leia. Manifeste-se. Dissemine:
http://www.novae.inf.br/site/modules.php?name=Conteudo&pid=1202
*************
3. Site do Jornal Brasil de Fato – http://www.brasildefato.com.br/
Meio Ambiente
Incra e MDA “vendem” terras na Amazônia Legal
Funcionários do Incra e do MDA teriam "vendido" mais de 67 milhões de hectares em terras públicas na Amazônia Legal. A denúncia é da Associação Brasileira de Reforma Agrária (Abra)
********

4. Fracassa tentativa de declarar a água um "direito humano" - Yahoo! Notícias
http://br.noticias.yahoo.com/s/21032009/40/saude-fracassa-declarar-agua-direito-humano.html
***********
5. Visite o Museu de Armas de Leeds. Veja o site indicado. Assistam aos filmes oferecidos.
http://www.armouries.org.uk/home

Para quem estiver trabalhando com Idade Média, mas não apenas, é muito interessante....
***********
6. Site do Observatório da Imprensa:

O silêncio dos jornais
Folha e Globo ignoraram a notícia, mas o Estadão publicou que a Justiça impôs importante derrota à estratégia de defesa do banqueiro Daniel Dantas.
Luciano Martins Costa -
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=530IMQ007
**************
7. Fotos coloridas do Terceiro Reich são disponibilizadas na internet
http://diplo.wordpress.com/2009/03/17/nazismo-ao-vivo-e-a-cores/

Escrito por Flavio DeABel às 07h08
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BOLETIM MINEIRO:

VALE A PENA LER


1. História das idéias socialistas no Brasil, de Leandro Konder
EDITOR
A EXPRESSÃO POPULAR -

15 reais
AUTOR: LEANDRO KONDER
Leandro Konder elabora uma síntese da História do socialismo no Brasil a partir do século 19. Uma contribuição para que se conheça a história das idéias socialistas, não por meio de uma exposição caluniosa ou ‘triunfalista’, ou um relato escrito para denunciar erros ou exaltar acertos, mas através de um texto que discorre sobre as grandes questões da construção do socialismo. Livro adotado em cursos de Magistério e de História.
***********
2. Meio ambiente e formação de professores, de Heloisa Dupas,
EDITORA CORTEZ -15 reais
AUTORA: HELOÍSA DUPAS PENTEADO
As questões ambientais são freqüentemente focalizadas na perspectiva das Ciências da Natureza (fisíca, química e biologia). No entanto a ocorrência das mesmas relaciona-se diretamente com a natureza sócio-político-cultural destas questões, explicada pelas Ciências do Comportamento (Ciências Humanas e Sociais). A superação dos problemas ambientais, a partir desta perspectiva, depende da formação de comportamentos lúcidos, críticos e criativos - consciência ambiental e exercício da cidadania. Para o desempenho destes comportamentos a escola tem, entre agências, uma importante contribuição a dar, através da atuação de professores competentes para colocar os conhecimentos das Ciência Sociais a serviço da formação de nossa infância e juventude. Colaborar com a formação dos professores é a meta que este livro se propõe."
*********
3. Nas bancas o numero 8 da coleção BBC Historia. O tema é Egito e outras civilizações antigas (Babilônia, Petra, Cuche e Iêmen Antigo)
*********
4. Nas bancas o numero 66 da Revista Historia Viva. Dossiê especial: A diáspora negra.
Artigos principais: O julgamento dos Templários – Fraudes financeiras nos últimos 3 séculos – Nostradamus: mais que profeta, um salvador de vidas – Maximiliano do México – Frei Tibúrcio, um repórter de batina.

Escrito por Flavio DeABel às 07h06
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23/03/2009


SER OU NAO SER LEGAL

RUY CASTRO

Ser ou parecer legal

RIO DE JANEIRO - Quem assistiu a "O Poderoso Chefão", vol. 1, e se lembra do personagem de Robert Duvall, sabe como essas coisas funcionam. Chega um momento em que o crime precisa formar agentes "caretas" e com fachada legal para se expandir. No caso, Duvall interpreta o filho adotivo da família Corleone, encarregado de defendê-la como advogado.
O crime não pode depender de profissionais recrutados fora -é o que, pelo visto, também já descobriram por aqui. Por isso, a cada ano, haverá mais jovens nascidos no tráfico disputando vagas nas faculdades de Direito e, em futuro breve, nos tribunais, como advogados, juízes e desembargadores. Já não basta ao ilegal parecer legal. Tem de ser legal também.
Da mesma forma, o tráfico descobriu que sai mais em conta formar os seus próprios parlamentares do que comprar políticos no varejo para fazê-los passar os projetos e leis de seu interesse. Não que os políticos deixarão de ser comprados -a oferta se renova a cada eleição. Mas, num mundo ideal para o crime, nada como ter os seus próprios quadros em funções-chave.
Isso implica também o tráfico formar administradores, capazes de criar firmas insuspeitas, de imiscuir-se nas corporações e de trabalhar em estreita intimidade com os diversos níveis de governo, quem sabe participando deles -atividades essenciais para a lavagem dos bilhões gerados pela droga.
Com toda essa profissionalização, o tráfico ainda continuará a depender do homem que vai buscar a carga no mar ou na fronteira, do chefe da boca-de-fumo e do traficante pé-de-chinelo, sem contar os "soldados" que defendem o morro ou a periferia. Mas, não demora muito, os mais insignes profissionais da droga deixarão para trás na escala social os usuários de seus produtos.

Escrito por Flavio DeABel às 16h22
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22/03/2009


Crise Economica

O mito do capital

Ponto central da crise econômica, moeda é convenção social tomada como valor absoluto


Dinheiro é um mito; não é uma mentira; é história de origem esquecida que organiza a vida social

JOÃO SAYAD
ESPECIAL PARA A FOLHA

Claude Lévi-Strauss encontrou apenas cadáveres dos nhem-nhens, pintados de preto e amarelo, ornados com cocares de pena e espalhados em torno dos restos de uma fogueira.
Morreram todos.
Mais tarde, descobriu o ocorrido. No outono, os nhem-nhens montam fogueira muito alta. Se a fogueira queimar de alto a baixo, é sinal de ano farto e próspero. Se desmoronar, mau presságio. A fogueira desmoronou. O pajé não conseguiu controlar o desespero da tribo, que se suicidou com veneno de urutu.

Não havia ameaça real -seca, invasão do território de caça ou doença. Tragédia produzida no mundo mítico. Um absurdo.
O evento terrível assombrou o etnólogo. Uma comunidade bárbara e primitiva?
Este artigo fala da crise financeira. Milhões perdem o emprego. Produziremos menos soja, celulares, remédios. A democracia será ameaçada pela radicalização.

Nenhum problema real visível -excesso de produção, falta de demanda ou impasse político intransponível. Crise produzida no mundo do dinheiro.
Dinheiro é um mito. Não é uma mentira. É história de origem esquecida que organiza a vida social -fala da criação do mundo ou de heróis que transmitem os valores da sociedade. O mito é um discurso.

Dinheiro é o mito que organiza a atividade econômica, a escolha entre diferentes alternativas, custos, receitas, lucros. Tudo o que existe natural e pacificamente gera mais dinheiro do que gasta. O resto tem existência atribulada -requer subsídios, é político, efêmero, artificial, não sustentável: geleiras, florestas, orquestras sinfônicas, rios, literatura.

Chama-se mito porque é signo de uma segunda língua, um signo de signo1.
A primeira língua, no caso do dinheiro, diz que um cafezinho vale meio pão com manteiga. A segunda diz quanto valem todas as coisas: um cafezinho, R$ 1; pão com manteiga, R$ 2.

Mágica
Dinheiro é um número puro batizado com nome nacional -real, dólar. Um metro é medida de distância. Um litro, um milésimo do metro cúbico. Um dólar é um dólar. A tautologia é uma das figuras de retórica do mito2 -"mágica vergonhosa, que faz o movimento verbal da razão, mas a abandona imediatamente".

Os clássicos e seus descendentes querem que o dinheiro seja apenas significante cujo valor depende do significado -o que o dinheiro pode comprar. Dinheiro seria apenas um expediente que organiza imensa economia de trocas. Como um passe escolar ou um bilhete de cinema.
Se preços fossem fixados levando em conta o poder de compra do dinheiro medido pelo índice geral de preços, como querem os clássicos, não existiria dinheiro. Os preços de A e de B seriam determinados pela média de todos os preços.

Mas a média seria indeterminada, os preços não seriam medidos em dinheiro. E o dinheiro não existiria3. Dinheiro existe se e apenas se for aceito sem questionamento pelo trabalhador que aceita trabalhar por salário nominal fixo. Ou se puder ser trocado por outro dinheiro, o dólar, cujo valor não é questionado nem por americanos nem por chineses.
Para "traders" e capitalistas, dinheiro é significante, e não significado (significante é a palavra b-o-i e significado, o boi no pasto propriamente dito).

Trabalhadores e capitalistas desejam o significante puro, negatividade desprovida de objeto, que é tudo, pode ser transformado em qualquer coisa. E nada -um pedaço de papel.
Parece escasso. Mas a expressão material do valor não é escassa. Um significado encontra muitos significantes4.

Multiplicação
Como dinheiro vale tudo e não custa nada para ser produzido, a tentação de falsificar é grande. Políticos são os eternos suspeitos de imprimir dinheiro demais -para [o economista norte-americano Milton] Friedman, [o economista brasileiro Eugênio] Gudin, os monetaristas, os neoliberais e os editoriais da imprensa.

Mas dinheiro também é multiplicado pelo setor financeiro por meio da alavancagem, da securitização e dos derivativos. A tentação de multiplicar dinheiro é irresistível tanto para banqueiros quanto para políticos. Como sair da crise?

Enquanto falta crédito, precisamos do remédio keynesiano -o governo gasta mais e substitui a queda de consumo dos americanos que se imaginavam muito ricos. Se continuassem a acreditar, continuariam ricos. O que é imaginário e o que é real?
A política keynesiana -seguro-desemprego, "social security", gastos com saúde, previdência social- afronta a ética capitalista: ganharás o dinheiro com o suor de teu rosto.

É realista, mas cínica, pois revela que não há escassez num mundo que trabalha apenas para ganhar dinheiro. A solução é salvar os bancos.
Embora um senador republicano acuse [o presidente dos EUA, Barack] Obama de salvar os bancos com dinheiro imaginário. Onde conseguiria dinheiro real? A melhor solução é regular, banir os paraísos fiscais, limitar a alavancagem.

Apostar que a crise seja apenas uma catástrofe, um evento singular. Ou um caso de polícia.
Se for apenas isso, logo voltaremos a crescer com outras inovações financeiras criadas pelo setor que congrega a maioria dos talentos da economia.
Evitar que a fogueira desmorone a qualquer preço. Respeitar o mito. É um absurdo. De onde estamos não vemos outro mito que possa nos salvar.


Notas
1. Conforme Barthes, Roland, "Le Mythe Aujourd'hui" [O Mito Hoje], publicado em "Mythologies", (Paris, Éditions du Seuil, 1970).
2. Ver Barthes, pág. 226.
3. p= a.( preço de A) +b (preço de B) onde a e b é a participação de A e de B no nível geral de preços, a+b=1 Se os preços de A e de B são fixados em função de p, o nível médio de preços passa a ser p= ap+bp ou p=(a+b)p e p=p. p pode assumir qualquer valor, o dinheiro pode ter qualquer valor.
4. Ver Barthes, op. cit.

JOÃO SAYAD é secretário da Cultura do Estado de São Paulo. Foi secretário de Finanças e Desenvolvimento da prefeitura de São Paulo (gestão Marta Suplicy), secretário da Fazenda do Estado de São Paulo (governo Montoro) e ministro do Planejamento (governo Sarney).

Escrito por Flavio DeABel às 20h41
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20/03/2009


AVANTE FLAMENGO

Escrito por Flavio DeABel às 22h25
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PROTOGENES

Lacerda muda versão sobre uso de agentes da Abin na Satiagraha

Ex-diretor-geral da agência diz que não sabia da atuação de espiões de SP e RJ; antes, havia dito que participação da Abin foi "eventual'

Para tentar descolar sua imagem da de Protógenes, ele diz que delegado usou "estilo próprio" de trabalho e não lhe informava detalhes

ALAN GRIPP
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O ex-diretor-geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) Paulo Lacerda apresentou nova versão para explicar a participação informal de cerca de 80 agentes de inteligência nas investigações que culminaram na Operação Satiagraha, considerada "ilegal" e "oculta" pela corregedoria da PF.


Em depoimento à corregedoria na segunda, ele disse que não sabia que equipes da Abin em São Paulo e no Rio colaboravam com o delegado Protógenes Queiroz. Lacerda sustenta que só sabia da participação de agentes em Brasília e, por isso, disse à CPI dos Grampos em 2008 que "entre quatro e seis agentes" haviam sido cedidos.

No depoimento à CPI, um mês depois de deflagrada a Satiagraha, Lacerda afirmou que a Abin teve "participação eventual". Hoje, sabe-se que agentes eram maioria na equipe de Protógenes e analisavam escutas, entre outros dados sigilosos.

"Mais do que nunca, ele deve ser indiciado", disse o presidente da CPI dos Grampos, Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), que defende que a comissão sugira indiciamento do delegado e do ex-número dois da Abin José Milton Campana, sob a acusação de falso testemunho.
Confrontado com a descoberta de que Protógenes usou métodos ilegais, Lacerda procurou descolar sua imagem da dele.

Disse que Protógenes foi escolhido para comandar a operação (Lacerda era então diretor-geral da PF) "porque ele não tinha qualquer missão". Com isso, tenta desconstruir versão corrente na PF pela qual Protógenes tem sua confiança.

Lacerda disse que Protógenes "adotou estilo próprio", e que não "reportava" a ele as descobertas da investigação. Afirmou ainda que Protógenes "talvez seja o delegado mais fechado" que conheceu.

O ex-diretor-geral da Abin também alterou versão dada anteriormente ao admitir que examinou relatório da Satiagraha, um "calhamaço impresso, cerca de 30 e poucas páginas", que lhe foi entregue pelo agente Márcio Seltz.

À CPI Seltz disse que entregou a Lacerda um pen drive com parte dos grampos da Satiagraha. À época, Lacerda declarou que se encontrou com Seltz, mas que o documento não foi lido nem entregue a ele.

Tarso
Questionado sobre as viagens de Protógenes, o ministro Tarso Genro (Justiça) disse que os deslocamentos têm autorização da direção geral da PF. A corregedoria da PF indiciou o delegado sob acusação de vazamento de dados da Satiagraha e por ferir a Lei de Interceptações ao escalar agentes para degravar e analisar grampos.

Protógenes tem viajado para dar palestras, algumas a convite do PSOL. "Se vai mudar ou não essa liberalidade em relação ao delegado, vai ser resolvido a partir de agora com indiciamento e eventual abertura, se o diretor-geral determinar, de inquérito disciplinar", disse.

Escrito por Flavio DeABel às 20h40
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CANDIDATO

ELEIÇÕES 2010: PROTÓGENES AFIRMA QUE PODE SER CANDIDATO

O delegado da PF Protógenes Queiroz reconheceu ontem que poderá se candidatar a cargo eletivo em 2010. " Não posso desprezar essa vontade popular, tenho que considerar", disse em entrevista ao portal UOL. Ele afirmou que foi procurado por "muitos partidos" interessados em sua candidatura. O delegado ainda não se filiou a um partido. Para concorrer, terá que se desincompatibilizar da carreira da PF.

Escrito por Flavio DeABel às 20h38
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CANDIDATO

ELEIÇÕES 2010: PROTÓGENES AFIRMA QUE PODE SER CANDIDATO

O delegado da PF Protógenes Queiroz reconheceu ontem que poderá se candidatar a cargo eletivo em 2010. " Não posso desprezar essa vontade popular, tenho que considerar", disse em entrevista ao portal UOL. Ele afirmou que foi procurado por "muitos partidos" interessados em sua candidatura. O delegado ainda não se filiou a um partido. Para concorrer, terá que se desincompatibilizar da carreira da PF.

Escrito por Flavio DeABel às 20h38
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BLOG SALOMAO GURGEL

20/03/2009

Repercutindo
FÁTIMA AFIRMA QUE DECISÃO DO TRE É ATESTADO DA SERIEDADE DE SALOMÃO


A deputada federal Fátima Bezerra (PT) comentou, na manhã de hoje, a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte que considerou improcedente a ação, impetrada pelo Ministério Público e pela oposição em Janduís, acusando o prefeito Salomão Gurgel Pinheiro (PT) de comprar votos em troca de atestado médico durante a última eleição.

A parlamentar petista disse ter recebido o resultado do TRE com alegria, reforçando que não ficou surpresa com a decisão. Para ela, prevaleceram o bom senso e a justiça.

"Todos sabemos da conduta ética, da seriedade e da honestidade que têm pautado a trajetória política do companheiro Salomão Gurgel".

Fátima reforça que vem acompanhando de perto o trabalho do prefeito petista na cidade de Janduís. "Eu tenho acompanhado de perto toda a batalha de Salomão em prol do desenvolvimento de Janduís", justificando que o Município vem crescendo graçpio vem crescendo graic perto toda a batalha dele em prol do desenvolvimento de Janduas ao seu trabalho e às políticas públicas de desenvolvimento nas áreas de saúde, educação, assistência social, meio-ambiente, urbanização, agricultura, que vem melhorando de forma consistente o padrão de vida do povo de Janduís.

Fátima observou que as acusações contra Salomão eram pautadas na leviandade, na calúnia e na mentira.

"Essas acusações eram fruto do revanchismo daqueles que não sabem lidar com a decisão soberana e popular que foi o resultado em Janduís", salientou. Para a deputada do PT, o resultado é um atestado de lisura, ética, decência, responsabilidade e honestidade que Salomão Gurgel já havia recebido do povo de Janduís e que, agora, também recebe do Tribunal Regional Eleitoral.

Escrito por Flavio DeABel às 20h33
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FEITICO, MACUMBA E MAU OLHADO


FERNANDO GABEIRA

Crise e magia

RIO DE JANEIRO - É difícil prever o futuro. Ainda mais o futuro da crise. O governo afirma que o país vai crescer em 2009. Algumas agências dizem que vai encolher. Lula responde a elas, lembrando que os bancos erraram sobre si próprios. Por que não errariam agora? Tem razão. Acontece que não são apenas agências tipo Stanley Morgan que preveem um recuo.


O tempo resolverá a divergência. Sempre que se menciona a crise econômica por aqui, acrescenta-se a expressão "de origem externa". A crise se originou nos Estados Unidos. Mas os norte-americanos não foram os únicos atores na economia global. O comércio cresceu, e os ventos favoráveis impulsionaram os barcos nacionais. Representamos o crescimento brasileiro como algo que dependeu apenas do governo, de um esforço endógeno.

A crise é externa e não sistêmica. Logo somos vítimas da crise. Quando se tratava de crescimento, nossos eram os méritos; quando se trata de estagnação, deles é a culpa.
O governo não inventou essa forma política de reagir, desconectando fios. Ela é famosa no esporte e foi sintetizada numa frase atribuída ao técnico Yustrich: "Eu venço, nós empatamos, vocês perdem".

Quando falamos de gastos públicos, somos considerados reacionários. O Senado tem 181 diretores. Há anos, afirmo ser possível cortar quase metade dos gastos no Congresso, sem perda de eficácia. O que vão fazer diante da onda, que esperam passageira? Criar mais uma diretoria, a de racionalização?


A Fundação Getúlio Vargas vai fazer um plano. Os 181 não conseguem sozinhos um contato com a realidade. No futuro, a fundação será a culpada. O país só aceita tudo isso porque os curandeiros nos convencem de que nossos males estão fora de nós: feitiço, macumba e mau olhado.

Escrito por Flavio DeABel às 20h29
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PENSANDO UM POUCO

ELIANE CANTANHÊDE

Lula e o desemprego

BRASÍLIA - De novembro a fevereiro, foram fechadas 789 mil vagas de trabalho. De novembro a fevereiro/março (o Datafolha foi entre os dias 16 e 19 deste mês), Lula caiu 5 pontos. Não é, pois, por acaso. É a "marolinha" chegando não apenas à economia real e ao desemprego como também à sempre sólida popularidade do presidente.

O emprego vinha caindo, caindo, mas a queda estancou em fevereiro. Para os aliados do governo, é o início da recuperação. Mas, para os adversários, trata-se ainda do pior resultado no mês desde 1999. E a pesquisa Datafolha de hoje mostra cristalinamente que a popularidade de Lula vinha subindo, subindo, mas a subida estancou de fevereiro para março. Para os aliados do governo, ele ainda tem o recorde de 65%. Para os adversários, o que vale é que o "bom" e o "ótimo" de Lula caíram de 70% em novembro para 65% agora, recuando aos níveis de setembro.

Isso certamente vai acelerar o Bolsa Habitação, o Bolsa Geladeira, o Bolsa PAC e, quem sabe, até mesmo o Bolsa Família. Principalmente cruzando a popularidade de Lula com os dados sobre a disposição do digníssimo eleitor em relação aos candidatos até agora colocados para a sucessão em 2010. Depois de tanta exposição, com a plástica, os elogios públicos de Lula, as viagens, entrevistas e o encontro de prefeitos, a ministra Dilma não deu o salto previsto. Seja com Serra ou com Aécio na parada, ela avança, mas devagar.


Com Serra, que continua estável em 41%, Dilma passou de 3% em março de 2008 para 8% em novembro e está com 11%. Se o adversário é Aécio, que continua com 17%, ela foi de 4% para 9% e está com 12%. Devagar ou devagar e sempre?
É cedo para dizer. Mas a equação está formada: se a crise corrói empregos, tende a corroer a popularidade de Lula, que é fundamental para Dilma. Se, com Lula em alta, ela vai passo a passo, como irá se Lula começar a cair? Você conclui.

elianec@uol.com.br

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BOLETIM SERIDOENSE:

Os colunistas de Sao Paulo Maravilha nao gostam de nordestino. Lula, Presidente, nordestino, dando as cartas? Nao pode. Para o cidadao paulista, um nordestino, logo um nordestino, ditar as cartas... Como pode? Entao, se fala nos pontos fracos do Presidente.

Os pontos fortes do Presidente nordestino sao esquecidos. Bem, a mídia, os jornais, as televisoes, a quem pertencem? Ao povo, aos sindicatos, as organizacoes nao-governamentais? Nao.

Alias, como vai a Televisao Publica no Brasil? E a internet? Banda Larga chega nas escolas publicas. Aqui em Caico ate os banheiros publicos nas escolas estao desprestigiados.

Enquanto isso, a TV Diario, nordestina, sai do ar. Sai do ar, nao, sai do sinal aberto via satelite na parabolica. A interesse de quem? Quem?

Escrito por Flavio DeABel às 20h21
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INGLATERRA

CLÓVIS ROSSI

Relaxe e goze, versão britânica

LONDRES - O "relaxe e goze", que já deu confusão no Brasil, é um tremendo sucesso no Reino Unido. O jornal "The Guardian" informa que uma frase com o mesmo espírito, embora menos sexualmente carregada, vende feito pão quente. A frase é "Keep calm and carry on", que bem poderia ser traduzida por "relaxe e vá em frente".
Foi criada na véspera da 2ª Guerra Mundial, em 1939, tempos evidentemente mais sombrios que os atuais, em que não há uma guerra no horizonte, mas há uma crise para ninguém botar defeito. Diz o "Guardian" que a frase, impressa em diferentes produtos, vende entre 300 e 500 exemplares por semana. Não é o único dado que revela o sucesso do "relaxe e goze": uma pesquisa do National Trust, que cuida de 300 casas e jardins históricos na Inglaterra, País de Gales e Irlanda do Norte, mostra que, diante da catarata de más notícias sobre a economia e da necessidade de fazer o salário alcançar o fim do mês, os britânicos estão se voltando para prazeres prosaicos, como visitar as propriedades do Trust.
O número de visitantes quadruplicou em certas propriedades. Há até 84% dos pesquisados que contam que seu programa é passar o dia fora, mas perto de casa. Dizem ser mais importante que nunca. Mas, atenção, pode não ser apenas uma questão de relaxar, gozar e economizar, mas de perda de confiança nas autoridades e no país, interpreta Lesley Prince, professor de psicologia social em Birmingham: "O ponto é que foi vendida uma mentira para as pessoas desde os anos 70. Prometeram a Terra e agora estão todos preocupados com tudo, seus empregos, suas casas, seus bancos, seu dinheiro, suas aposentadorias".
O jeito, então, seria olhar para o céu e "acreditar que alguém lá em cima sabe o que está ocorrendo, e que tudo acabará bem". Valeria para o Brasil?

crossi@uol.com.br

Escrito por Flavio DeABel às 20h10
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19/03/2009


ANTONIO DELFIM NETTO

Dura realidade

O BRASIL só muito recentemente havia se reconciliado com o verdadeiro crescimento, que, para os países emergentes, é aquele que o faz convergir e superar a média do crescimento mundial. Depois de 20 anos de taxas de crescimento inferiores à do mundo, o terceiro trimestre de 2006 mostrou importante mudança: voltamos a crescer mais do que ele.
Entre 1950 e 1985, o Brasil cresceu, por ano, 2,2% acima do mundo; entre 1986 e 2006, cresceu, em média, 0,7% por ano abaixo do mundo. A tabela mostra o crescimento trimestral em 2008 comparado a cada trimestre de 2007:
Trata-se de verdadeiro colapso, que nem os mais pessimistas ousavam prever. Esse enorme desastre "na margem" é relativizado quando se verifica que, na média, nosso crescimento de 2008 foi muito superior ao do mundo (cerca de 1,6%) e praticamente igual ao dos países emergentes (5%).
É claro que há mil razões para explicar o fato, mas é ainda mais claro que nem a soma de 999 delas chega a ter a importância da "morte súbita" do crédito interbancário no Brasil. Por que um país que tem um sistema bancário hígido, com alavancagem razoável e controlada e economia relativamente fechada, assistiu à queda do seu recém-redescoberto desenvolvimento?
A resposta desagradável é uma só: o Banco Central, perdido no labirinto de seus modelos, demorou a entender o que se passava após a barbeiragem do Tesouro americano e do Fed na desastrada operação Lehman Brothers, em setembro. Quando entendeu, agiu na direção certa, mas com atraso e tibieza.
Há fatos fora de nosso controle, como a queda de demanda das exportações e a evolução das relações de troca (preços de exportação/ preços de importação), que cobrarão seu preço sobre nosso desenvolvimento. Mas as preocupações do nosso sistema bancário em relação ao capital subordinado e ao seu "funding" externo deveriam (e poderiam!) ter sido reduzidas pelo BC ainda em setembro.
Em vez disso, perdemos meses construindo a perversa teoria de que banco "grande" é melhor do que "pequeno" e que o pior dos bancos "públicos" é melhor do que o melhor dos "privados", o que compromete ainda mais a restauração do crédito interbancário. Se continuarmos "filosofando", o Brasil poderá encolher em 2009. Felizmente temos os próximos nove meses para trabalhar duro e com inteligência para evitar a tragédia.

contatodelfimnetto@uol.com.br

ANTONIO DELFIM NETTO escreve às quartas-feiras nesta coluna.

Escrito por Flavio DeABel às 23h46
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A “tempestade global” e o Brasil

 

 

No mesmo rumo, a economista Maria Conceição Tavares também teme que a crise só esteja no início.

“Estamos diante de uma tempestade global. Não é apenas a violência que assusta; é o fato de que sua origem

 financeira torna tudo absolutamente opaco no horizonte da economia mundial. Mente quem disser que sabe o que virá e quanto

 tempo vai durar. Minha percepção é que será uma guerra de resistência”. Para ela, a atual crise “é dramaticamente

 mais séria que a de 29. Ela ainda não alcançou a proporção daquela, mas o núcleo financeiro dos EUA está carcomido. Os maiores bancos praticamente

agonizam. Baixas dessa magnitude não ocorreram nem em 29”.

 

 

Quanto ao Brasil, motivo maior de preocupação da brasileiríssima Conceição Tavares, ela se

diz preocupada, mas sempre otimista. “O Brasil tem condições de segurar o manche e agüentar...

A luta será dura. Mas, pela primeira vez na história, o país enfrenta uma crise mundial sem ter que

 carregar o setor público nas costas. E isso é inédito. Nesta crise, o Estado não está afundado

em dívida externa, para não dizer totalmente quebrado, como ocorreu nos anos 90. Significa mais

do que não ter um peso morto. Significa um Estado em condições de amparar o investimento, o emprego e o

capital de giro da economia... Basta ter determinação política”. A questão é: será que o governo Lula está disposto a

enfrentar a tempestade com ousadia e determinação política?

Escrito por Flavio DeABel às 22h52
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E AGORA?

 

A “tempestade global” e o Brasil

 

 

No mesmo rumo, a economista Maria Conceição Tavares também teme que a crise só esteja no início. “Estamos diante de uma tempestade global. Não é apenas a violência que assusta; é o fato de que sua origem financeira torna tudo absolutamente opaco no horizonte da economia mundial. Mente quem disser que sabe o que virá e quanto tempo vai durar. Minha percepção é que será uma guerra de resistência”. Para ela, a atual crise “é dramaticamente mais séria que a de 29. Ela ainda não alcançou a proporção daquela, mas o núcleo financeiro dos EUA está carcomido. Os maiores bancos praticamente agonizam. Baixas dessa magnitude não ocorreram nem em 29”.

 

 

Quanto ao Brasil, motivo maior de preocupação da brasileiríssima Conceição Tavares, ela se diz preocupada, mas sempre otimista. “O Brasil tem condições de segurar o manche e agüentar... A luta será dura. Mas, pela primeira vez na história, o país enfrenta uma crise mundial sem ter que carregar o setor público nas costas. E isso é inédito. Nesta crise, o Estado não está afundado em dívida externa, para não dizer totalmente quebrado, como ocorreu nos anos 90. Significa mais do que não ter um peso morto. Significa um Estado em condições de amparar o investimento, o emprego e o capital de giro da economia... Basta ter determinação política”. A questão é: será que o governo Lula está disposto a enfrentar a tempestade com ousadia e determinação política?

Categoria: Direito
Escrito por Flavio DeABel às 22h48
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16/03/2009


 
 

COMERCIO DIMINUIRA

O diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, que teme efeito devastador da contração de até 7% do comércio mundial em 2009

O francês Pascal Lamy não esconde seu pessimismo quando fala da contração que o comércio mundial sofrerá neste ano, a primeira desde 1982. "Será terrível." Como diretor-geral da OMC (Organização Mundial do Comércio), ele acompanha de perto o baque sofrido pelo comércio. Seu "faro" indica que o recuo pode chegar a 7%, previsão ainda pior do que as feitas pelos organismos internacionais. Além da queda na demanda, o protecionismo e a falta de financiamento ameaçam o comércio. Lamy continua alertando os membros da OMC para resistir à tentação de fechar seus mercados. "É um tiro no pé."

MARCELO NINIO
DE GENEBRA

Por outro lado, a incerteza no mercado financeiro é intensa, o que restringe os canais de crédito que alimentam o comércio. O volume de papéis podres nos bancos ainda é tão grande, observa Lamy, que a crise pode estar apenas na metade. Por isso, a prioridade absoluta do G20 será focar o sistema bancário de forma clara: "Limpar, limpar, limpar." Em entrevista à Folha, Lamy reiterou o elogio recente que fez ao presidente Lula na luta contra o protecionismo, pela revogação de barreiras à importação, mas disse que o país precisa de mecanismos mais eficientes de facilitação de comércio. Para ele, a presença do Estado brasileiro no setor ainda é excessiva.

 

FOLHA - O premiê britânico, Gordon Brown, alertou que o mundo corre o risco de desglobalização. O sr. concorda?
PASCAL LAMY
- Depende do que você chama de desglobalização. Se é o encolhimento do comércio, é óbvio que acontecerá. Os números do comércio vão virar. Agora que a economia mundial terá crescimento zero ou negativo, o comércio terá contração de 6% ou 7%. Mas a globalização é muito mais do que comércio. É uma reforma total do processo produtivo, com um gerenciamento global de oferta e demanda.
Quando os EUA importam um Ipod da China por US$ 100, há US$ 5 de valor agregado chinês. Isso é globalização. Haverá menos Ipods exportados da China para os EUA. Mas isso não muda o fato de que os meios de produção mudaram, e que os países aproveitaram a sua vantagem comparativa. Veja o exemplo do Brasil em alimentos. As exportações de alimentos do Brasil vão cair com a queda da demanda. Mas isso significa que a vantagem comparativa do Brasil acabou? Não. O processo [da globalização] é bem mais sofisticado.

FOLHA - É irreversível?
LAMY
- Eu acho que sim. Mas é claro que os ganhos da globalização serão reduzidos, assim como a eficiência gerada pelas mudanças na produção. Com isso, cai o volume do comércio. Haverá menos crescimento econômico e, com isso, mais pobreza. É óbvio que os países em desenvolvimento, cuja dependência desses fluxos era maior, serão os mais atingidos.

FOLHA - Isso não pode gerar uma onda de desconfiança com o livre comércio internacional?
LAMY
- O impulso de curto prazo para a proteção é compreensível em tempos de dificuldades sociais e econômicas. Mas há muitas formas melhores de proteger as pessoas, seus empregos e o consumo dos pobres, do que o protecionismo. À primeira vista, algumas pessoas dirão que é melhor ser menos dependente do comércio. Mas a médio e longo prazos isso significa menos crescimento. Os países que se apoiaram mais no comércio cresceram 2% a mais do que a média. É claro que em tempos de recessão há um contrachoque. Mas isso não significa que um país deve renunciar a aumentar sua vantagem comparativa no comércio mundial.

FOLHA - Sua previsão [de retração de 7%] para o comércio mundial em 2009 é mais pessimista que a do FMI, de contração de 5%?
LAMY
- É a minha expectativa. Passo metade do tempo falando com gente que lida com comércio em vários continentes, e o meu faro diz que será terrível. A questão não é se o comércio mundial vai ou não encolher. A questão é se vai contrair por razões além da queda na demanda. E as outras razões podem ser o protecionismo e a falta de financiamento.

FOLHA - Cláusulas como o "Buy American", do pacote de estímulo dos EUA, são um sinal preocupante?
LAMY
- De certa forma é inevitável. Políticos são eleitos por seus eleitorados, não pelos vizinhos. Eu digo a eles que isso não combina com o planeta de hoje, em que é preciso agir em conjunto. A boa notícia é que o protecionismo de alta intensidade, como o dos anos 30, está descartado, graças às disciplinas a que os países se submeteram na OMC. A má notícia é que ainda há espaço de ação para os membros da OMC. As pessoas tendem a focalizar as tarifas, mas há formas ocultas e sutis de protecionismo, como as barreiras não-tarifárias, licenças. Ocorre que mesmo o protecionismo de baixa intensidade pode ter um grande impacto, pois nossas economias estão 20 vezes mais interdependentes do que nos anos 30. Se eu fizer, outros imediatamente farão. É um tiro no próprio pé. Na OMC temos regras que proíbem subsídios à indústria e à agricultura. Mas não há regras específicas sobre serviços, como os bancários. É mais uma evidência de que o sistema financeiro não é suficientemente regulado. O órgão internacional de doenças animais é mais bem regulado que os bancos.

FOLHA - O sr. disse que o presidente Lula merecia um prêmio pelo antiprotecionismo. Mas na revisão da política comercial do Brasil (TPR, na sigla em inglês), apresentada há poucos dias, a OMC disse que o Brasil precisa se abrir mais.
LAMY
- Uma coisa é como as pessoas estão lidando com a crise. A outra é o TPR, que leva tempo. Eu citei o presidente Lula porque ele foi um exemplo de ação. Num dia o licenciamento estava no "Diário Oficial" e no outro ele cancelou tudo. Lula agiu de acordo com o que fala, foi coerente. Quanto ao TPR, houve algumas críticas, mas de modo geral o balanço é positivo, a gestão macroeconômica do Brasil é boa. Um exemplo é que o Banco Central reduziu os juros em plena crise. É um comportamento normal, mas sabemos que no passado ocorria o contrário. Ou seja, o país está se normalizando, embora os juros ainda estejam altos.
Uma área em que há problemas é a facilitação de comércio. Se eu tivesse que aconselhar o Brasil sobre sua política econômica, eu diria para criar um grande programa de facilitação de comércio. O fato de mais de 30% das linhas tarifárias, nesse país emergente e moderno, ainda precisarem de licenças não-automáticas para importação não combina. Há uma discrepância entre a força da economia e do comércio, e sua liderança na OMC, e o fato de 30% de linhas tarifárias ainda precisarem do carimbo de alguém em um escritório. É um problema administrativo, que por algum motivo persiste.

FOLHA - A presença do Estado é grande demais?
LAMY
- Não sou um especialista, mas isso me parece claro.

FOLHA - O Brasil está preparado para enfrentar a crise?
LAMY
- Não sei. Quem sabe quando teremos atingido o fundo do poço? Isso só acontecerá quando as pessoas estiverem convencidas de que o sistema financeiro está limpo. Quando olhamos os números do FMI, vemos que o volume de ativos tóxicos é superior a US$ 2 trilhões e o volume de perdas até agora é US$ 800 bilhões. Isso significa que ainda não estamos nem na metade da limpeza, que é um pré-requisito para o fim da crise. Digamos que um exportador chinês tem um carregamento pronto para os EUA.
Ele precisa de uma carta de crédito e recebe uma proposta de um banco dos EUA, mas a rejeita, pois teme que todos os bancos americanos irão quebrar. E acaba mantendo seu carregamento. Enquanto estivermos nessa situação, será difícil sair da crise. Precisamos limpar o sistema financeiro e essa tem de ser a prioridade do G20: limpar, limpar, limpar. Não importa como isso é feito, com bancos podres, nacionalização etc.

FOLHA - A queda no PIB do Brasil pode induzir ao protecionismo?
LAMY
- Não é o que o presidente Lula diz. Haverá pressões, tenho certeza. A questão é se você resiste às pressões em nome do bem coletivo, que é manter o comércio aberto durante essa crise. Isso é importante principalmente para os países em desenvolvimento. O principal estímulo para esses países não é seu orçamento, mas o comércio. É por isso que a conclusão da Rodada Doha é agora uma prioridade ainda maior do que no ano passado. Os efeitos da crise para o Brasil serão terríveis, mas muito piores nos países mais pobres. Parece óbvio que a África será uma das grandes vítimas da crise, apesar de não tê-la iniciado.

Categoria: Direito
Escrito por Flavio DeABel às 08h19
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COMERCIO CAI

ENTREVISTA DA 2ª

PASCAL LAMY
DIRETOR-GERAL DA OMC

Queda no comércio global será "terrível"

Crise implicará a primeira contração do comércio internacional desde 1982

Categoria: Direito
Escrito por Flavio DeABel às 08h17
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OSWALDO LAMARTINE DE FARIA

BOLETIM SERIDOENSE

Segunda-feira, 16 de marco de 2009

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Oswaldo Lamartine registrou com maestria, como se fosse um Camara Cascudo no Serido. Os modos de vida do seridoense, a fauna, a flora, os usos e os costumes. Nesta reportagem de Woden, um pouco desse Seridoense que se preocupou com a vida no Serido.

 

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15/03/2009 TRIBUNA DO NORTE, POR WODEN MADRUGA

Uma agenda rica

Otávio Lamartine me passa uma agenda que pertenceu a Oswaldo Lamartine de Faria, seu tio. Estão registrados ali mais de 40 anos de anotações de pesquisas que começaram a ser feitas ainda no começo da década de 60 ou mesmo no final dos anos 50. Em suas páginas vamos encontrar os rastos dos primeiros livros de Oswaldo: “Caça nos Sertões do Seridó”, de 1961, “Algumas abelhas dos Sertões do Seridó”, 1964, “Conservação de Alimentos nos Sertões do Seridó”, 1965, “Vocabulário do Criatório Norte-Rio-Grandense”, 1966, “Encouramento e Arreios do Vaqueiro do Seridó”, 1969, e mais tarde, “Ferros de Ribeiras do RN”, 1984.

Além das anotações escritas à mão, (a caligrafia perfeita, bonita; às vezes a letra pequeninha dificulta a leitura do leitor amador, como eu), outras foram datilografadas (a maioria delas). Lá estão também muitos dos desenhos que vieram ilustrar alguns de seus livros. Toda a sua pesquisa, por exemplo, para “Encouramento e Arreios do Vaqueiro” e depois em “Vocabulário do Criatório Norte-Rio-Grandense”. Também em “Ferros de Ribeiras”. Oswaldo desenhava bem. Entre as páginas, inúmeros recortes de jornais e uma fotografia. É de uma escultura em barro do Mestre Vitalino, “Matador de onça”, que fazia parte da coleção particular do escritor. A foto aparece no livro “Sertões do Seridó”, que é a reunião de seus cinco primeiros livros.

Atravesso a madrugada folheando com carinho e emoção as páginas anotadas por Oswaldo. Referências a conferências e artigos do doutor Juvenal Lamartine, seu pai. Livros que andou lendo e pesquisando: Rachel de Queiroz, Hélio Galvão, Mauro Mota, Monteiro Lobato, Manoel Rodrigues de Melo (quer saber sobre o pilão), Cascudo, Veríssimo de Melo, Ulysses Lins, entre tantos outros. Várias informações dadas pelo doutor Juvenal, por Zé Augusto (é o doutor José Augusto Bezerra de Medeiros, seu parente, governador do Estado), Zé Braz Galvão (de Acari), Bonalto Dantas, Ernani Sátiro.

Tem o recorte de um artigo do poeta José Bezerra Gomes sobre “Algumas abelhas seridoenses”, publicado no jornal “A República”, em 25 de agosto de 1943. O problema do desmatamento já é focado no começo do artigo, em tom de denúncia: “Com a devastação do resto do resto as matas do Seridó, as abelhas comuns à região quase que desapareceram. O uruçu, por exemplo, de mel grosso e tão saboroso, é hoje raríssimo”.

Outra preocupação ecológica, agora em cima de uma informação de Zé Braz: “Até + - 1905 não há referência oral da existência de guaxinin no Seridó. Atribue-se ter aparecido após o assentamento dos primeiros engenhos de rapadura. *** O rato guabiru, idem, idem, atribuindo-se ter vindo c/ os primeiros locomoveis de descaroçar algodão, mais ou menos na mesma época.

Sobre o cangaço, Oswaldo lista vários nomes de cangaceiros afamados por aquelas brenhas e naqueles antigamentes: “Tomaz Francês - 1º crime na França. Manoel Lopes Cananéia, s/irmão, e companheiro de estudos na França, era manso e ordeiro (bisavô de Edmundo Galo Assado). Joaquim Lopes, s/outro irmão, era cangaceiro”. A informação é de Zé Braz. Oswaldo Lamartine faz ao lado o desenho da árvore genealógica a partir do tronco Thomaz Francês-Ana Araújo.

Um mundo de informações.

Escrito por Flavio DeABel às 07h57
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