CLÓVIS ROSSI
Olhar estrangeiro
SÃO PAULO - Fiquei impressionando, no bate-papo online com leitores, na quinta-feira, com a ânsia que uma boa parte deles revelou em saber como os estrangeiros nos viam. Parecia um estudo de caso sobre o tal complexo de vira-lata que Nelson Rodrigues dizia que o brasileiro tem.
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Não estou usando vira-lata pejorativamente. Eu também, até sem o admitir, sentia necessidade de algum reconhecimento internacional. Só depois de obtê-lo é que percebi que não é importante. Importante não é o que os outros acham da gente, mas o que nós achamos de nós mesmos. Ou, posto de outra forma: você está satisfeito com o país que tem? Se está, ótimo, desencane. Cedo ou tarde, essa imagem de país chegará aos gringos e o reconhecimento deles será apenas a confirmação do que você sentia antes que eles.
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Se não está, o problema é corrigir o que está errado, digam o que disserem os estrangeiros. A não ser que o complexo de vira-lata seja uma coisa realmente patológica, não adianta o estrangeiro elogiar o que não lhe agrada, pois você continuará insatisfeito. E, se o estrangeiro criticar, você não vai abanar o rabo, mas dizer: só agora você descobriu o que eu já sei faz tempo?.
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Outra coisa que deveria atenuar ou eliminar a ansiedade é o fato de que não há uma imagem unidimensional do Brasil no exterior. É multifacetada, como o próprio país, como quase todos os países. O Brasil é visto, simultaneamente, como violento, mas acolhedor -e é, efetivamente, ambas as coisas. A visão que se tem de um país passa pela alma de quem o olha.
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O americano, visceralmente anticomunista, olha Hugo Chávez com desconfiança. A Europa, menos visceral, é menos preconceituosa. Resumo da ópera: seremos melhores quando formos melhores, não quando os gringos disserem que somos melhores.
crossi@uol.com.br
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Boletim Seridoense
Gringo, quem é? Se o Brasil atrai todas as racas do mundo, quem? Aqui no Serido grande maioria descendende de Portugal. A colonia italiana no Brasil é de mais de 30 milhoes de individuos. Depois do Japao onde tem mais japones é no Brasil. Quem é gringo no Brasil?
CONFERENCIA
BLOGS DE CIENCIA
Boletim Mineiro, por Ricardo Farias
NAVEGAR É PRECISO
1. Unidos, venceremos!
eira, ele desfia, num monólogo dirigido à filha, às enfermeiras e a quem quiser ouvir, a história de sua linhagem desde os ancestrais portugueses, passando por um barão do Império, um senador da Primeira República, até o tataraneto, garotão do Rio de Janeiro atual. Uma saga familiar caracterizada pela decadência social e econômica, tendo como pano de fundo a história do Brasil dos últimos dois séculos. A fala desarticulada do ancião cria dúvidas e suspenses que prendem o leitor. O discurso da personagem parece espontâneo, mas o escritor domina com mão firme as associações livres, as falsidades e os não-ditos, de modo que o leitor pode ler nas entrelinhas, partilhando a ironia do autor, verdades que a personagem não consegue enfrentar. Tudo, neste texto, é conciso e preciso; como num quebra-cabeça bem concebido, nenhum elemento é supérfluo.BOLETIM MINEIRO DE HISTORIA
Ricardo Farias
4. Contribuição do professor Antônio de Paiva Moura, como ele mesmo diz, uma contribuição para uma semana quase santa.

PRECONCEITO
DRAUZIO VARELLA
Homens que são mulheres
A saúde pública não pode continuar dando as costas para essa minoria de homens |
DE TODAS as discriminações sociais, a mais pérfida é a dirigida contra os travestis.
Se fosse possível juntar os preconceitos manifestados contra negros, índios, pobres, homossexuais, garotas de programa, mendigos, gordos, anões, judeus, muçulmanos, orientais e outras minorias que a imaginação mais tacanha fosse capaz de repudiar, a somatória não resvalaria os pés do desprezo virulento que a sociedade manifesta pelos travestis.
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Quem são esses jovens travestidos de mulheres fatais, que expõem o corpo com ousadia nas esquinas da noite e na beira das estradas?
Apesar da diversidade que os distingue, todos têm em comum a origem: são filhos das camadas mais pobres da população.
A homossexualidade é tão velha quanto a humanidade, sempre existiu uma minoria de homens e mulheres homossexuais em qualquer classe social; caracteristicamente, no entanto, travestis só aparecem nas famílias humildes.
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Na infância, foram meninos com jeito afeminado que, se tivessem nascido entre gente culta e com posses, poderiam ser profissionais liberais, artistas plásticos, empresários, costureiros, atores de sucesso. Mas, como tiveram o infortúnio de vir ao mundo no meio da pobreza e da ignorância, experimentaram toda a sorte de abusos: foram xingados nas ruas, ridicularizados na escola, violentados pelos mais velhos, ouviram cochichos e zombarias por onde passaram, apanharam de pais e irmãos envergonhados.
Em ambiente tão hostil poucos conseguem concluir os estudos elementares. Na adolescência, com a autoestima rebaixada, despreparados intelectualmente, saem atrás de trabalho. Quem dá emprego para homossexual pobre?
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Se para os mais ricos com diploma universitário não é fácil, imagine para eles. O máximo que conseguem é lugar de cozinheiro em botequim, varredor de salão de beleza na periferia ou atividade semelhante sem carteira assinada.
Vivendo nessa condição, o menino aprende com os parceiros de sina que bastará hormônio feminino, maquiagem para esconder a barba, uma saia mínima com bustiê, sapato alto e um bom ponto na avenida para ganhar numa noite mais do que o salário do mês.
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Uma vez na rua, todo travesti é considerado marginal perigoso, sem nenhuma chance de provar o contrário. Pode ser preso a qualquer momento, agredido ou assassinado por algum psicopata, que nenhum transeunte moverá um dedo em sua defesa. "Alguma ele deve ter feito para merecer", pensam todos.
Levado para a delegacia irá parar numa cadeia masculina. Como conseguem sobreviver de sainha e bustiê em celas com 20 ou 30 homens, numa situação em que o mais empedernido machão corre perigo, é para mim um dos mistérios da vida no cárcere, talvez o maior deles.
A condição de saúde dos travestis é precária. Não existe um serviço de saúde com endocrinologistas para orientá-los a respeito dos hormônios femininos que tomam por conta própria.
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Muitos injetam silicone na face, nas nádegas, nas coxas, mas sem dinheiro para adquirir o de uso médico, fazem-no com silicone industrial comprado em casa de materiais de construção, injetado por pessoas despreparadas, sem qualquer cuidado de higiene. Com o tempo, esse silicone impróprio escorre entre as fibras musculares dando origem a inflamações dolorosas, desfigurantes, difíceis de debelar.
Ainda os portadores do vírus da Aids encontram algum apoio e assistência médica nos centros especializados, locais em que os funcionários estão mais preparados para aceitar a diversidade sexual. Nos hospitais gerais, entretanto, poucos conseguem passar da portaria, barrados pelo preconceito generalizado, praga que não poupa médicos, enfermeiras e pessoal administrativo.
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Os hospitais públicos deveriam ser obrigados a criar pelo menos um posto de atendimento especializado nos problemas médicos mais comuns entre os travestis. Um local em que pudessem ser acolhidos com respeito, para receber orientações sobre uso e complicações de hormônios femininos e silicone industrial, prevenção e tratamento de doenças sexualmente transmissíveis e práticas de sexo seguro.
A saúde pública não pode continuar dando as costas para essa minoria de homens, só porque eles decidiram adotar a identidade feminina, direito de qualquer um. Quem somos nós para condená-los?
Que autoritarismo preconceituoso é esse que lhes nega acesso à assistência médica, direito mínimo garantido pela Constituição até para o criminoso mais sanguinário?
BOLETIM SERIDOENSE:
Falando em quem é de direita e esquerda aqui no Seridó. Quem seria? O extrato economico da regiao nao tem experimentado crescimento como o do litoral. Temos uma forte presenca dos empregos estatais. Governo do Estado e Prefeitura. Caico e o Serido tem uma regiao de muitos empregos publicos. O PT, dito de esquerda, tem o vice prefeito. Mas nao elegeu um vereador.
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A esquerda em Caico inexiste? Acho que nao. Opino da seguinte maneira: A extratificacao socioeconomica de Caico e do Serido de modo geral é horizontalizada pelo salario publico. ESta profusao de partidos politicos, a tendencia de votar no candidato e nao no partido dificulta esta identificaçao de quem é quem. Hoje votamos pelo candidato. Nao pelo partido. Esta situacao é boa ou ruim? Ruim na medida em que o eleitor nao consegue identificar a ideologia do partido.
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Os partidos nao deveriam ser fortes? Mas, temos tantos partidos, que no final os enfraquecemos. Fala=se na reforma politica, mas ela nao sai. Ha uma hipocrisia no meio politico. Os politicos estao desacreditados. O senador Cristovam Buarque sugere um plebiscito para saber se o Brasil precisa do Congresso.
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Numa economia debilitada como a nossa a tendencia é nos acomodar de modo a buscar a sobrevivencia. Que se danem os conceitos de direita e esquerda. Mas, se gostamos de rotular as pessoas e as coisas... O Cazuza, cantor, dizia numa musica que a burguesia fede...O burguês mais identificado com a direita, o rico, o financista, que defende o lucro em primeiro lugar. O direitista tem odio de sindicato. Porque? Por que o sindicalista defende o coletivo, nao prioriza o lucro. O sindicalista é de esquerda. O sindicalista sabe que para lutar contra a estrutura economica poderosa, contra o Estado cooptado pelo poder economico, o melhor é se sindicalizar.
PENSANDO UM POUCO
BLOG DO SALOMAO
A “direitona” brasileira morre de ciúme do Lula
Novos tempos. Novas pessoas. Em tempo de crise, novas lideranças surgem e se consolidam. Lula, do PT, vive seu melhor momento político e é reconhecido. Pelos brasileiros. E por seus colegas estrangeiros.
Afinal de contas, se o capitalismo financeiro, globalizado e implacável na distribuição de miséria e sacrifícios entre os trabalhadores e a classe média, bate forte nos Estados Unidos, Europa e Ásia, no Brasil, a situação está doendo, sim!, mas não tão sufocante quanto nas cidadelas das potências capitalistas.
E isto porque , durante os anos do Governo Lula, foram tomadas medidas para fortalecer o mercado interno, fortalecer alavancas da economia brasileira, distribuir riquezas com as camadas menos favorecidas, que hoje participam do mercado consumido, gerando emprego e renda.
O ódio da direita não é só de Lula. Ela espuma de raiva, feito cadela doente, quando tem que engolir que o PT tem dado provas de sua competência, governando bem na época das vacas gordas e neste momento de desafios.
Estou confiante que o Partido dos Trabalhadores terá o apoio da grande maioria dos brasileiros e, com isso, sairemos mais rapidamente da crise e voltaremos a crescer com distribuição de riqueza, incluindo mais brasileiros na vida social e produtiva do País.
O crescimento da companheira Dilma, nas pesquisas, demonstra que os brasileiros estão compreendendo o processo da crise, quem é o culpado dela e atestam o PT como partido mais capaz de conduzir o Brasil no seu grande destino de potência econômica, onde se processa a justiça social.
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BOLETIM SERIDOENSE
Agente estuda e ensinaram: existe a direita e a esquerda. Depois, disseram: Nao, nao mais existe esta coisa de Direita e Esquerda na politica. Os esquerdistas sao comunistas, socialistas e afins. Os direitistas sao os banqueiros, industriais, financistas e afins. A tendencia de dar nome aos bois. Reportagem abaixo na Folha SP nos fala dos governos de esquerda, do vizinho Chavez.
Crise põe diplomacia chavista na berlinda
Amparada em petróleo, cujos preços despencaram no último semestre, expansão da influência venezuelana via Petrocaribe corre risco
Venda subsidiada para 17 países garantiu que Caracas estreitasse laços não só com aliados óbvios mas também com governos mais à direita
Palácio Miraflores/Reuters![]() |
O dirigente cubano Raúl Castro recebe Chávez em Havana, onde falaram em afinar melhor os discursos; petróleo estreirou aliança
FLÁVIA MARREIRO
DA REPORTAGEM LOCAL
Num outro artigo da Folha, a referencia a esquerda peruana.
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Editoriais
editoriais@uol.com.br
A condenação de Fujimori PARA O bem e para o mal, Alberto Fujimori é um marco na política do Peru -e, de certo modo, da própria América do Sul. Sua década de mando na Presidência dividiu águas na história recente do país. Não foi menos simbólica sua condenação, anteontem, a 25 anos de cárcere, sentença da qual já recorreu.
O ex-reitor universitário que, de surpresa, venceu a eleição de 1990 foi um dos primeiros líderes regionais, na safra de redemocratizações do final do século 20, cuja ascensão revelou uma profunda descrença popular em partidos, lideranças e instituições tradicionais. O "outsider" Fujimori surgiu da ruína econômica e da explosão de violência legadas pelo primeiro governo de Alan García, da velha Apra (conglomerado de forças da esquerda nacionalista peruana).
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BOLETIM SERIDOENSE pergunta: A esquerda é mais nacionalista que a Direita? Lembro que os Democratas norteamericanos, do Obama, estao mais à esquerda. O Bush é de direita e defende com mais afinco os interesses da industria e dos bancos. Aqui no Brasil, acho, o Presidente Lula, o Governo tem feito um grande esforço para conciliar os interesses. Da direita e da esquerda. Acho o Presidente Lula um conciliador. Agora, diante desssa crise: Quem é de direita e de esquerda? Bem, na hora da crise a coisa é outra. A questao é salvar o País mantendo o desenvolvimento e as contas publicas sob controle.
Rápidas
LEGIONÁRIO ALEGA DEFESA EM MORTES
O militar de origem brasileira Josafá de Moura Pereira, 26, da Legião Estrangeira- preso anteontem acusado de matar três militares e um civil no Chade- disse por telefone a seus familiares que agiu em legítima defesa. Segundo sua irmã, Pereira foi amarrado por dois colegas da Legião com os quais já se desentendera e teria sido morto se não tivesse reagido.
Mundo A12
PIRATAS QUEREM CHEGAR À COSTA
Quatro piratas somalis que mantêm refém o capitão americano da Marinha Mercante Richard Phillips exigem um salvo-conduto para negociar o resgate. Em alto-mar a bordo de um bote, monitorados por aviões e um destróier dos EUA, os criminosos querem chegar até a costa. Philips tentou fugir a nado, sem sucesso.
Mundo A12
LEGISLATIVOS EXIBEM CRUZES E BÍBLIAS
Em desrespeito à Constituição, Assembleias Legislativas e Câmaras por todo o país exibem em suas dependência símbolos religiosos, a maioria cristãos, como Bíblias e crucifixos. A Carta prega a separação entre igreja e Estado. Brasil A8
MORRE AOS 61 ANOS PIONEIRO DO RPG
Morreu nos EUA um dos pioneiros dos RPG (role playing games) e cocriadores do jogo Dungeons and Dragons, Dave Arneson. A criação de Arneson e Gary Gygax -morto no ano passado-, sucesso entre adolescentes que jogam RPG, surgiu em 1974 e acabou originando videogames, livros e filmes. Arneson, que tinha câncer, morreu aos 61 anos.
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Lula quer viajar pelo país para acelerar o PAC e mostrar Dilma Presidente decide levar a ministra, sua provável candidata à sucessão, em périplo para acompanhar obras do programa
Lula se reuniu ontem com oito ministros da área de infraestrutura e presidentes de estatais para exigir mais rapidez na execução do PAC
Sérgio Lima/Folha Imagem![]() |
Lula se reúne com ministros da área de infraestrutura para cobrar celeridade nas obras do PAC
SIMONE IGLESIAS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Com a crise econômica em curso, a campanha eleitoral de 2010 visível no horizonte e 60% dos recursos da principal bandeira governista ainda não utilizados, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva resolveu "dar um gás" na cobrança da execução de obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) em viagens na companhia da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). Até o momento, ela é a escolhida por ele para concorrer à sua sucessão, apresentada como a "mãe" do programa.
Ontem, Lula se reuniu com oito ministros da área de infraestrutura e presidentes de estatais para exigir "celeridade" e avisou que fará um "périplo" pelo país para ver os motivos do atraso e como as obras estão se desenvolvendo. Naturalmente, há a preocupação oficial com o efeito do PAC como forma de mitigar a crise.
O périplo deve começar no fim do mês com visita a obras do rio São Francisco e coincide com declaração de Dilma, em fevereiro, de que neste ano sairia mais de seu gabinete. Marca ainda uma mudança: Até então, Dilma se concentrava em viagens sozinha para se expor mais sem a presença de Lula.
"Um dos papéis do governo hoje é sair dos gabinetes, porque nós construímos o processo pelo qual estamos conseguindo enfrentar a crise em melhores condições. O olho do dono engorda o boi. O PAC é o nosso boi, e é um boi já bem gordinho", afirmou a ministra em fevereiro.
Gargalos
Após reunião com os ministros, Lula pediu detalhes dos problemas na área de transporte e rodovias para saber onde estão os gargalos do programa e por que ocorre a demora.
"O presidente deixou bastante claro seu envolvimento pessoal no acompanhamento das obras que estão ocorrendo no país, cobrando cronogramas, celeridade", disse o ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional).
Segundo ele, Lula determinou que os ministros cobrem das empresas encarregadas pelas obras que trabalhem em três turnos. O presidente já havia pedido isso no auge da crise econômica, mas resolveu reunir os ministros ontem porque, segundo interlocutores, as contratações não estão ocorrendo.
"O presidente vem insistindo que as obras sejam tratadas com mais um turno para gerar empregos", afirmou Geddel.
Interlocutores do governo disseram que Lula está incomodado com o discurso de empresários de que há condições de contratar por causa da crise, sendo que há compromisso estabelecido entre governo e empresas de antecipar recursos já que, com o trabalho em três turnos, as entregas das obras também seriam adiantadas.
O presidente também reclamou da burocracia e da fiscalização do TCU (Tribunal de Contas da União).
"É gargalo porque a legislação determina que tem questões ambientais, questões da relação com o TCU, que tem que cumprir seu papel de fiscalizar as obras. Há uma série de questionamentos, problemas legais que amarram muito", disse Geddel.
O ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) disse que o governo está passando um pente-fino nas obras. "O presidente está vendo obra por obra, detalhe por detalhe, responsável por responsável, o que falta e qual a solução para cada caso."
Dados divulgados no balanço de dois anos do PAC, em fevereiro, apontam que foram gastos até agora no programa cerca de R$ 200 bilhões.
Claudio Humberto, Tribuna do Norte:
Não tem pra ninguém
Freqüentador das praias pernambucanas, o ex-ministro José Dirceu se rendeu à beleza estonteante de Maragogi, AL. Não fala em outra praia.
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BS - Interessante, um amigo alagoano informa a este blogueiro que nesta praia funciona o Bar do Cagão.
IMOVEIS
Fábio Rossi disse que a empresa começa a funcionar em maio10/04/2009 - Tribuna do Norte
Marcelo Hollanda - Repórter
A Sotheby’s International Realty, braço imobiliário da famosa casa leiloeira de Londres, hoje com 539 escritórios em 39 países, quer lançar 10 empreendimentos de alto padrão em Natal nos próximos dois anos.
A intenção foi transmitida à TRIBUNA pelo principal executivo da Sotheby’s no Brasil, Fábio Rossi Filho, ao informar que a empresa já montou, há 11 dias, seu 540º escritório em Natal. “Por razões operacionais, essa estrutura só estará oficialmente funcionando em maio”, acrescentou Rossi por telefone de São Paulo.
Ele não quis antecipar o VGV (Valor Geral de Vendas) projetado para os 10 empreendimentos e nem as respectivas localizações examinadas. “Esses assuntos estão com o novo escritório de Natal, que tem total autonomia para conduzir o projeto”, assinalou Rossi.
Desde o ano passado a Sotheby’s planejava abrir um escritório na cidade, ancorada na fama de uma companhia agressiva, que não teme os efeitos da crise econômica internacional. Mas os planos, previstos para setembro do ano passado foram adiados para maio próximo, oito meses depois.
Inicialmente, a parceria com a Sotheby’s incluía, além dos empresários Wilson Calado e Paulo Meira, do Recife, Esam Elali, de Natal. Esam explicou que divergências quanto ao modelo de negócios pretendido pela Sotheby’s o excluíram do processo. “Estou fora, mas continuo aberto a outros negócios que eventualmente nos coloquem junto na mesma mesa”, disse.
De São Paulo, Fábio Rossi Filho, diretor da Itaplan, uma das maiores imobiliárias de São Paulo e representante da Sotheby’s no Brasil, não foi modesto. Ele deu três anos para a marca liderar a comercialização de imóveis de alto padrão em Natal.
Disse, ainda, que a razão principal da escolha da cidade para centralizar os negócios da marca no Nordeste foi o fato de se concentrarem aqui o interesse dos três públicos alvo da companhia – o comprador local, o brasileiro e o internacional. “Essa é a característica que torna Natal um mercado tão interessante”, comentou Rossi.
Paulo Meira, diretor da Sotheby’s em Natal, disse por meio de um assessor que a empresa deve ampliar em breve seus empreendimentos para João Pessoa e Maceió. Sobre Natal, ele afirmou que 10 lançamentos de alto padrão nos próximos 24 meses é uma meta que a empresa pretende buscar. “É para isso, afinal, que estamos trabalhando”, afirmou. Segundo ele, o novo escritório da Sotheby’s em Natal deverá ser inaugurado, em caráter oficial, em meados de maio, possivelmente no dia 16.
Na carteira da empresa no País existem desde apartamentos de 1,2 mil metros quadrados na cidade de São Paulo por 12 milhões de reais, mansões em praias desertas do litoral do Nordeste e no interior paulista com pista de pouso para jatos, até fazendas no centro-oeste do Brasil.
Hoje, a Sotheby’s tem um escritório no Rio, dois em São Paulo, um em Campo Grande e mais dois entre Mato Grosso do Sul e São Paulo voltados para o agronegócio, onde o produto são fazendas. Seu foco de atuação é igual ao de qualquer imobiliária - vendas –, incluindo treinamento e comercialização de produtos de alto padrão. Em Natal, a empresa vai se dedicar 60% para lançamentos; 30% para revenda de imóveis e 10% em outros negócios dentro do segmento imobiliário. A grande força da Sotheby’s, porém, é o nome da casa leiloeira e um poderoso cadastro de clientes milionários ao redor do mundo.
PAULO NOGUEIRA BATISTA JR.
Bufunfa em fuga
Bufunfeiros batem em retirada, deixando os emergentes à míngua em financiamento externo |
UMA das maiores desgraças do nosso tempo, volto a dizer, foi o crescimento exponencial, inteiramente desmesurado e enlouquecido da tenebrosa turma da bufunfa. A crise global é, em larga medida, o subproduto do inchamento de um sistema financeiro desregulado e irresponsável. O colapso da especulação nos EUA e na Europa arrastou a economia mundial para uma crise inédita desde a Segunda Guerra Mundial.
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Mesmo bufunfeiros menos ilustres e menos notórios podem correr sérios riscos. Na reunião de cúpula do G20, em Londres, na semana passada, o ambiente estava carregadíssimo. Houve protestos, tumultos, manifestações de rua. Os organizadores do evento recomendaram que os participantes evitassem usar terno. O meu não saiu nem da mala. Como bem notou um atento integrante da delegação brasileira, as mangas da minha camisa esporte estavam até poídas. Era só o que faltava, eu, crítico antigo e implacável dos bufunfeiros, pegar uma rebarba dessas. Na minha própria família, há vários integrantes da referida turma. Uma vantagem de estar morando no exterior é não ter que aturar as platitudes bufunfeiras em reuniões familiares. Por outro lado, aqui no FMI, a turma da bufunfa também está bastante bem representada. Dá mais ou menos no mesmo. Fecho o parêntese e retomo. Inicialmente, os estragos provocados pela especulação financeira concentraram-se nos países desenvolvidos. Os países mais atingidos são os que vinham acumulando desequilíbrios crescentes na ilusão de que o boom financeiro representava uma nova e feliz era de prosperidade. Observando as políticas econômicas dos países que estão vindo bater à porta do FMI em busca de empréstimos de emergência, pode-se notar diversos problemas comuns: déficits elevados no balanço de pagamentos em conta corrente, sobrevalorização da moeda nacional, inflexibilidade cambial, liberalização dos movimentos de capitais, reservas internacionais relativamente baixas, dívidas de curto prazo, déficits fiscais, dependência de crédito externo e de bancos estrangeiros, dolarização dos depósitos e empréstimos internos. O FMI está apagando incêndio. Ainda não houve oportunidade de fazer uma avaliação atualizada e minuciosa do perfil da nova clientela da instituição. Mas parece razoavelmente claro que os países que aqui chegam reúnem uma boa parte das características mencionadas. O aspecto central, subjacente a muitos desses problemas, foi a decisão de diversos países, notadamente no Leste Europeu, de embarcar alegremente na canoa furada dos fluxos internacionais de capital. Confiaram demais na turma da bufunfa. E entraram por um cano deslumbrante.
O leitor brasileiro talvez não saiba, mas aqui nos EUA, e também na Europa, a revolta da população contra a turma da bufunfa (e contra os governos que a protegem) está atingindo níveis nunca antes vistos. Um bufunfeiro de renome, daqueles bem fornidos, não pode se descuidar de jeito nenhum: se for visto perambulando pelas ruas, será caçado a pauladas como uma ratazana prenhe.
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Abro um rápido parêntese. O leitor não deve imaginar que eu esteja cultivando algum ressentimento pessoal contra a turma da bufunfa e o sistema financeiro.
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Desde o final do ano passado, entretanto, a periferia emergente, inclusive o Brasil, vem sofrendo golpes violentos. A bufunfa está batendo em retirada, deixando os emergentes à míngua em termos de financiamento externo.
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PAULO NOGUEIRA BATISTA JR. , 54, escreve às quintas-feiras nesta coluna. Diretor-executivo no FMI, representa um grupo de nove países (Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Haiti, Panamá, República Dominicana, Suriname e Trinidad e Tobago).
TENDÊNCIAS/DEBATES
O Brasil pode ser a Suécia de amanhã?
OCTÁVIO LUIZ MOTTA FERRAZ e EMANUEL KOHLSCHEEN
Como reduzir os níveis de desigualdade de nosso país para que possamos colher os frutos que recompensam sociedades mais igualitárias? |
MESMO QUEM não acredita que a redução das desigualdades socioeconômicas seja uma exigência de justiça social, conforme estampado na Constituição brasileira, tem razões de sobra para desejá-la ao menos instrumentalmente, isto é, como política pública comprovadamente eficiente no combate a várias mazelas sociais.
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Países menos desiguais ostentam em regra índices menores de criminalidade, melhores níveis de saúde pública, maior confiança e solidariedade entre as pessoas e maiores perspectivas de desenvolvimento sustentado. Essa relação, bastante intuitiva, vem sendo confirmada em diversos estudos empíricos analisados e divulgados em recentes relatórios de instituições internacionais (ver, como exemplo, o Relatório sobre o Desenvolvimento Mundial de 2006: Equidade e Desenvolvimento, do Banco Mundial).
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A mensagem desses estudos é bastante clara. Ainda que não se acredite no valor moral intrínseco da igualdade, é melhor para todos viver numa sociedade mais igualitária.
Mesmo nos países desenvolvidos, em regra muito menos desiguais que o resto do mundo, é possível verificar o fenômeno das patologias da desigualdade, como bem as denominou o filósofo político Brian Barry, da Universidade Columbia (EUA).
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Para citar apenas alguns dados, americanos e britânicos, apesar de viverem em dois dos países mais ricos do mundo, ocupam, respectivamente, a 36ª e a 46ª posições no ranking mundial de expectativa de vida, segundo dados do próprio governo americano ("CIA Factbook", 2008).
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Os EUA são também o país desenvolvido com a maior taxa de homicídios, quase dez vezes superior à média da Europa (Banco Mundial, 2002). A maior desigualdade das sociedades britânica e americana é apontada como fator contributivo importante dessas discrepâncias em relação aos demais países desenvolvidos.
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O Brasil, apesar da recente queda de desigualdade registrada por órgãos de pesquisa (Ipea, IBGE), continua a ser um dos países mais desiguais do mundo e a sofrer, consequentemente, das patologias da desigualdade. Como, porém, reduzir mais rápida e significativamente os níveis de desigualdade de nosso país para que possamos colher os frutos que recompensam sociedades mais igualitárias?
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Numa economia capitalista, o principal mecanismo de equalização é necessariamente a redistribuição, pelo Estado, das riquezas originariamente distribuídas de maneira desigual pelo mercado. E o mecanismo mais eficiente para isso é a combinação de impostos progressivos com investimentos sociais generosos nas áreas da educação e saúde públicas e nas redes de proteção social, como o seguro-desemprego (as políticas do chamado Estado de bem-estar social).
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Nada muito diferente, portanto, do que fizeram a Suécia e outros países que resistiram melhor à onda neoliberal nascida nos EUA e na Grã-Bretanha, hoje totalmente desacreditada pela grave crise financeira mundial.
Assolada por níveis espantadores de pobreza no século 19, a Suécia investiu pesadamente na infraestrutura social e, principalmente, na educação dos seus cidadãos, o que continua até hoje, ancorando a competitividade do país na economia globalizada. Investimentos em pesquisa e desenvolvimento acima de 3% do PIB resultam na maior taxa mundial de registro de patentes de novos produtos per capita.
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A Suécia figura hoje entre os países mais ricos do mundo. É evidente que a manutenção dessas políticas tem custos que só podem ser financiados pela adoção de impostos progressivos -o outro lado da moeda. O Imposto de Renda na Suécia chega a quase 60% para os mais ricos, enquanto no Reino Unido chega a 40%, nos EUA, a 35%, e no Brasil, a 27,5%. Cidadãos e políticos suecos entendem que esse é o preço justificado da manutenção de uma sociedade desenvolvida, segura e saudável.
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Resta, então, responder à pergunta do título deste artigo: poderia o Brasil se transformar em um país tão igualitário como a Suécia e colher os claros benefícios dessa opção política? O último relatório da OCDE sobre a economia da América Latina traz um dado que talvez surpreenda a muitos: as desigualdades da Suécia não são tão diferentes assim das do Brasil quando analisadas pré-atuação estatal, ou seja, pela mera alocação do mercado.
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Implementar as políticas fiscais e sociais necessárias para nos transformarmos num país mais igualitário é, portanto, uma questão de vontade política. Parafraseando o novo presidente americano, a resposta é: "Sim, podemos!".
OCTÁVIO LUIZ MOTTA FERRAZ, 37, mestre em direito pela USP e doutor em direito pela Universidade de Londres, é professor de direito da Universidade de Warwick (Reino Unido). Foi assessor sênior de pesquisa do relator especial da ONU para o direito à saúde (2006).
EMANUEL KOHLSCHEEN, 35, doutor em economia pela Universidade de Estocolmo (Suécia), é professor de economia da Universidade de Warwick (Reino Unido).
ELIANE CANTANHÊDE
Jatos e jatinhos
DUBAI - O Brasil tem cerca de 190 milhões de habitantes, um litoral extraordinário, a Amazônia, o Pantanal, rios, cachoeiras, montanhas e um clima invejável o ano inteiro. Mas só atraiu 5 milhões de turistas estrangeiros em 2008.
Já o pequeno, e em certa medida "fake", Dubai, com 1,4 milhão de habitantes, recebeu 10 milhões de turistas de todas as regiões do mundo no ano passado e, com eles, dólares e euros. Teve até de importar mão-de-obra especializada, inclusive competentes jovens brasileiros.
O que Dubai tem que o Brasil não tem? Essa é fácil. Tem decisão política, infraestrutura, planejamento. E não tem sujeira nem violência. O fato de ser uma faixa habitada entre os encantos do deserto e o mar muito azul, com calor todo o ano, ajuda, claro. Mas não chega a ser realmente decisivo. Mais do que as condições naturais, em que jamais poderia competir com o Brasil, pesam as decisões governamentais que tanto faltam no nosso país.
De um lado, o xeque Mohammed al Maktoum preserva a identidade e os direitos básicos dos cidadãos; de outro, investe tudo no turismo e corta impostos. Para começo de conversa, Dubai tem a sua própria companhia aérea, a Emirates, privada, com rotas para todos os continentes. Depois, ele atraiu com terrenos e incentivos as grandes redes hoteleiras do mundo, e os hotéis são fantásticos, para todos os gostos e bolsos. O marketing é a alma do negócio. E do país.
O petróleo, hoje, só responde por 3% a 5% do PIB, contra 20% do turismo. O xeque pode ser o símbolo do passado, com seu regime, seus trajes e suas manias, mas é bem mais moderno do que os políticos brasileiros, em muitos sentidos. No Brasil, os políticos querem jatinhos só para eles próprios voarem por aí.
Em Dubai, o xeque tem lá os seus jatos, mas garante as condições para que os jatos privados (como os recursos, públicos ou não) levem turistas, desenvolvimento e bem-estar para a população. Resultado: não se vê um pobre na rua.
elianec@uol.com.br
JORNAL DE HOJE, NATAL RN - 06/04/2009
Confederação afirma que 4.734 municípios não terão novas moradias
A Confederação Nacional de Municípios (CNM) acredita que esta iniciativa é uma importante medida para combater a crise econômica que preocupa o país, mas que precisa ser aperfeiçoada de modo a não permitir que 60 milhões de pessoas sejam excluídas dos benefícios trazidos pelo Programa Minha Casa, Minha Vida.
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Para o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, a iniciativa do governo federal representa uma ousada estratégia de combate ao déficit habitacional e aos efeitos da crise econômica, mas que o Programa, até que para que possa atingir os objetivos propostos, precisa ser aperfeiçoado no sentido de garantir o acesso de todos os municípios.
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O alerta da CNM se deve ao fato de que os pré-requisitos para o acesso aos recursos do pacote, divulgados pelo governo federal e pela Caixa Econômica, priorizam as capitais, as regiões metropolitanas e os municípios com população acima de 100 mil habitantes - o equivalente a 573 municípios e, em condições especiais, os 254 municípios com população entre 50 a 100 mil habitantes.
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Os municípios com população menor que 50 mil habitantes não foram incluídos no pacote. Segundo cálculos da CNM, esta medida deixará 4.737 municípios impossibilitados de acessar os recursos, ou seja, 85% do total dos municípios brasileiros. Os gestores municipais também devem ficar atentos às exigências do Governo Federal para a priorização dos projetos, como o valor da contrapartida financeira, a doação de terrenos, a construção da infra-estrutura básica e a desoneração fiscal.
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Tais pré-requisitos podem fazer com que somente os municípios com condições econômicas muito favoráveis tenham acesso aos recursos do programa, excluindo todos aqueles que não tenham estas disponibilidades.
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Além disso, conforme análise da CNM, a escolha do programa de atender somente os grandes centros urbanos estimulará, ainda mais, a migração populacional para os grandes centros urbanos, ou seja, o Programa Minha Casa, Minha Vida poderá agravar o quadro socioeconômico das metrópoles brasileiras e aprofundar as desigualdades regionais.
Repórter: Redação
08/04/2009 - Woden Madruga - Tribuna do Norte
A sugestão é do senador Cristovam Buarque, do PDT do Distrito Federal, partido que foi de Leonel Brizola: realizar um plebiscito para que o povo decida se deve ou não fechar o Congresso. “A reação é tão grande hoje contra o parlamento que talvez fosse a hora de fazer um plebiscito para saber se o povo quer ou não que o parlamento continue aberto”, disse Cristovam. O senador, que já foi reitor da Universidade de Brasília, ministro da Educação, governador do Distrito Federal e até candidato a presidente da República, disse isto de viva voz falando no próprio plenário do Senado.
Foi na sessão de segunda-feira, que é um dia que tem pouco senador em Brasília. Não deu para sentir a repercussão do discurso junto aos seus colegas. Mas a imprensa deu certo destaque. Não sei se na Câmara dos Deputados houve alguma reação. Os jornais não falam nem os blogues da crônica política registraram.
No discurso - que não foi registrado no Jornal do Senado - Cristovam Buarque disse que não pretende apresentar proposta formal. A ideia surgiu de uma decorrência das inúmeras críticas que o Congresso vem recebendo. Mas não fez referências aos escândalos da Casa, que há semanas são manchetes dos principais jornais do país e assunto de capa das revistas semanais. Às folhas tantas, o senador declarou que caso o plebiscito ocorresse, ele, Cristovam, faria campanha para o que o parlamento continue aberto.
A propósito, o jornal O Globo (edição onlaine) anda fazendo uma enquete. Pergunta: “Parlamentares eleitos com a ajuda de empreiteiras juram que em troca de nada fazem por elas. Você acredita?”
O placar de ontem era: Não, 95.27%; Sim, 2,84%.
Crise das prefeituras
A crise nas prefeituras por conta da queda do Fundo de Participação dos Municípios foi tema de discurso do senador Garibaldi Filho:
- Os municípios estão enfrentando uma situação realmente aterradora, que vai exigir que o governo federal encontre uma solução, a mais breve, a mais urgente possível. É nos municípios onde vivemos. Uma maior autonomia econômica e política das prefeituras reverterá em mais bem- estar para o povo. É o que estamos sempre tentando alcançar.
Garibaldi defendeu a realização de um novo pacto que distribua melhor os recursos e as responsabilidades entre as instituções que formam a federação brasileira.
O cinto de Lula
Mais de 700 prefeitos de todos os estados da federação, da Amazônia ao Rio Grande do Sul, estão em Brasília. Certamente com passagens, diárias e ajuda de custo pagos pelos cofres desses condados chorando crise.
A eles todos que foram pedir ajuda ao governo federal, o presidente Lula mandou dizer: Apertem o cinto.
Até porque o buraco é mais embaixo.
Tribuna do Norte,por Woden Madruga
Raimundo no paraíso
O deputado Raimundo Fernandes, que até poucos dias fazia críticas ao governo (“Não sei nem onde fica a Casa Civil”), aceitou fazer parte desse mesmo governo. Será o novo secretário de Articulação Municipal, no lugar do operoso Gustavo Porpino. Dessa forma, o governo agasalha o suplente Vivaldo Costa, que permanecerá deputado como se titular fosse, e Raimundo Fernandes abre espaços para andar pelo paraíso como sempre gostou.
FERREIRA GULLAR
Frase torcida, crase escondida
Se a Justiça tarda, a providência correta é torná-la ágil, não punir quem não tem culpa |
AGORA QUE o Carnaval passou, disponho-me, caro leitor, a conversar com você sobre uma questão que exige mais lucidez do que euforia momesca: aquela decisão do Supremo Tribunal Federal que deixa em liberdade todo e qualquer acusado até que ele seja julgado em última instância. O que, no Brasil, significa quase que deixá-lo livre para sempre.
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Pode-se dizer, então, que, com isso, o nosso mais alto tribunal de Justiça acabou com a punição no Brasil? Há quem considere exagerada uma tal conclusão, mas, de qualquer modo, se se leva em conta que há processos que duram 20, 30 anos, se o acusado não gozar de boa saúde, morre inocente. Sim, porque a base da decisão do Supremo é a presunção de inocência, consignada na Constituição Federal.
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Esse argumento de que a lentidão da Justiça torna inaceitável a decisão da Suprema Corte não resiste ao contra-argumento dos que a defendem: não pode o acusado pagar por um problema que não foi provocado por ele. Se a Justiça tarda, a providência correta é torná-la ágil, rápida, e não punir quem não tem culpa disso.
Estou de acordo. Só que a questão não é bem essa. Ela, a meu ver, reside na interpretação discutível do princípio constitucional da presunção de inocência. Esse princípio está consignado no artigo 5º, inciso 57, da Constituição de 1988, que diz o seguinte: "Ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória".
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Como a redação é ruim, pode caber mais de uma interpretação. Pois é, um artigo de nossa Carta Magna, que devia ser claramente entendida por todos, está redigido em "juridiquês" e não em português claro. A maioria dos ministros do STF entendeu que aí estaria dito que todo mundo será considerado inocente até ser julgado em última instância. Mas pergunto: se alguém foi condenado por um tribunal de primeira instância, não houve "trâmite em julgado de sentença condenatória"? Ou seja, aquela instância de Justiça, após avaliar provas e argumentos, não concluiu pela culpa do réu? Não é à Justiça que cabe decidir se alguém é culpado ou inocente?
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Como, então, pode ainda prevalecer a presunção de inocência depois que um tribunal o condenou? Condenado, pode ele recorrer, claro, mas não mais como inocente, sim, como sentenciado, ou seja, na condição de alguém que teve sua culpabilidade reconhecida pela Justiça. Se a condenação em primeira e segunda instâncias não determina a culpa do acusado, então de que valem? Para que servem essas instâncias judiciais? Não sou jurista, mas, como cidadão, necessito que as decisões da Justiça sejam não apenas justas mas também transparentes, aceitas pelo consenso da cidadania, uma vez que o convívio social depende delas. Não tem cabimento uma pessoa ser dada como inocente, depois que um tribunal de Justiça a reconheceu culpada.
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Na prática, a referida interpretação do STF só vem agravar a sensação de impunidade que toma conta do país. Parece evidente que quem pode pagar bons advogados está praticamente fora do alcance da lei. O caso mais notório é o do jornalista Pimenta Neves, homicida confesso, que, condenado a 19 anos de prisão, continua solto. Haverá coisa mais patética do que o julgamento daquele médico, que matou e esquartejou a ex-namorada? Confessou o crime, foi condenado à pena mínima e saiu livre e serelepe do tribunal. Mas talvez nem seja mais preciso um bom advogado para manter o réu em liberdade, já que a decisão do Supremo não dá margem a exceções: enquanto couberem recursos, o acusado estará livre.
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Na mesma página de jornal onde lia a decisão do Supremo, estava a notícia da condenação de um sujeito que estuprara e assassinara uma menina de 15 anos. O exame de DNA não deixara dúvida quanto à autoria. Não obstante, como o advogado logo declarou que ia recorrer da sentença, não duvido de que a esta hora ele já não esteja livre e desimpedido para estuprar e matar de novo, se lhe der na veneta.
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Em face do clamor provocado por aquela decisão, o presidente do STF declarou que os ministros apenas interpretaram o texto constitucional, que, como já observamos, não é claro. Se a intenção do legislador era afirmar que um cidadão será considerado inocente até ser julgado em última instância, por que não o formulou claramente? É que, se o fizesse, não seria aprovado pela maioria? Redigido, como está, em jargão jurídico, pouco claro, obriga a interpretações discutíveis. A Constituição de um país deveria ser entendida por todos e não apenas por exegetas. A nossa está necessitando de um bom copidesque.
Eliana Lima, Tribuna do Norte
Foram-se...
Quem não se lembra dos ‘caras-pintadas’ – jovens e estudantes que, em 1992, pintaram o rosto de verde e amarelo e organizaram passeatas pelo impeachment do então presidente Fernando Collor?
As denúncias contra Collor pipocavam (mesmo a contra gosto de alguns veículos de comunicação), culminando, inclusive, com a formação do Movimento pela Ética na Política, composto por 18 entidades civis, como centrais sindicais, OAB e CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).
A pressão da sociedade obrigou a instalação de uma CPI...e houve o impeachment...
...Anéis e dedos
E hoje, vejam só caros leitores-eleitores, a sociedade assiste passiva ao retorno de Collor à cena política, com manobras das mais inescrupulosas comandadas pelo senador-malfeitor Renan Calheiros, com a ajuda de alguns democratas, para se eleger presidente da estratégica Comissão de Infraestrutura do Senado...
CORDAO DE SAO FRANCISCO
05/04/2009
O grupo Camargo Corrêa financiou, em 2006, 70 políticos da esfera federal e estadual. Entre os candidatos bancados oficialmente pela empreiteira, que é acusada de superfaturar obras públicas e fazer doações ilegais de campanha, foram eleitos dezoito deputados estaduais, 41 federais, sete senadores e quatro governadores. A Camargo Corrêa gastou mais de R$ 11 milhões nas campanhas de 2006.
Sempre presente
A empreiteira Camargo Corrêa admite ter “investido” mais de R$ 24 milhões nas campanhas municipais de 2008.
Woden Madruga, Tribuna do Norte
O Sertão de Pery
Recebo imeio de Pery Lamartine, sertanejo, escritor e acadêmico, no rastro da coluna de domingo outro, onde se fala da agenda de Oswaldo Lamartine, seu tio, e de coisas pioneiras acontecidas em Caicó, segundo o padre Eymard:
- Prezado Woden: O nosso Oswaldo Lamartine volta a ser motivo para a sua coluna. O primeiro avião a pousar em Caicó, no Sítio Baixa do Arroz, conduzindo o governador do Estado, Juvenal Lamartine, foi também documentado fotograficamente por Zé Ezelino, um fotógrafo profissional que viveu lá até os anos 40. Quanto ao resto da matéria eu acrescentaria a cerca de pedra (que foi omitida na anotação de Oswaldo sobre cercas), muito usada no Seridó e que ainda hoje existe por lá.
- Na Fazenda Lagoa Nova, município de Riachuelo, quanto pertencia a Juvenal Lamartine, ele trouxe do Seridó o “cerqueiro” Zé Catolé - um dos grandes do ofício - para levantar a cerca de pedra no pátio daquela fazenda. Se os “sem terras” não a destruíram (eles destroem tudo), ainda existe por lá.
- Quanto ao gado zebu, o primeiro a chegar na região do Seridó, foi trazido por Juvenal Lamartine para Serra Negra, em 1922. Havia recebido uma vaca e um touro presentes de um colega seu da Câmara Federal, deputado pela Bahia. Eram animais bravios e agressivos. Foi difícil domá-los.
"Aprender é descobrir aquilo que já se sabe. Ensinar é lembrar aos outros que eles sabem tanto quanto você"
Richard Bach
"Fernão Capelo Gaivota" é uma metáfora sobre liberdade no significado mais amplo da palavra. É um dos clássicos da literatura, que conquista o leitor interessado em transcender. O autor Richard Bach conta a história de uma gaivota que busca um sentido mais intenso para a própria vida, além da simples sobrevivência. Para Fernão, personagem principal, voar não era apenas uma ferramenta para se obter o sustento do dia-a-dia, mas uma forma de romper seus próprios limites para atingir a liberdade absoluta, a perfeição.
Depois de banido do grupo por permanecer determinado em sua busca, Fernão aprimora-se ao máximo e conquista o que tanto desejava. Passa, então, como instrutor, a ajudar outras gaivotas que também desejavam "voar mais alto" e ter uma vida diferente. Treina os aprendizes, também banidos, e partem para mais um desafio: voltar ao bando hostil. Os "discípulos" de Fernão, com receio, retornam ao grupo e descobrem que outras gaivotas também queriam ir com eles. É neste momento que Fernão, a gaivota que desafiou sua própria natureza, ensina às novatas mais uma grande lição: fazer com que mais e mais gaivotas enxergassem o que existia de bom dentro delas e passassem este conceito adiante. Fernão Gaivota ensinou a sua forma de amar e passou ao seu principal aprendiz, Francisco, a mensagem de que não há limites para aprender e nem para ensinar.
Entre os pontos mais importantes do texto, as seguintes passagens estão imersas em profundos conceitos:
w Viver é mais importante do que sobreviver - "Para a maioria das gaivotas, o importante não é voar, mas comer".
w Ser diferente não é negativo. É preciso ousar, ver novos ângulos, encontrar novas saídas. - "Vê mais longe a gaivota que voa mais alto".
w Estar sempre aprendendo e disposto a vencer desafios gera ótimos resultados - "Aprendeu que um eficiente mergulho a uma grande velocidade lhe dava o peixe raro e saboroso que vivia a três metros abaixo da superfície do mar. Já não precisava de barcos de pesca nem de pão duro para viver. Tédio, medo e ira são as razões por que a vida de uma gaivota é tão curta".
w É importante encarar o aprimoramento como um processo que é gradual e requer controle. - "Devemos tentar ultrapassar as nossas limitações progressiva e pacientemente. Voar através de rochas já faz parte de um programa mais avançado".
w Os pensamentos influenciam as nossas ações. - "(...) Todo o corpo de vocês, da ponta de uma asa à ponta da outra, não é mais do que o próprio pensamento de vocês".
w É preciso buscar estar bem consigo mesmo. "Fernão Gaivota passou o resto de seus dias sozinho. Mas a solidão não o entristecia".
Com grande simplicidade, o autor consegue descrever o processo de evolução da vida do ser humano, com mensagens sutis, mas totalmente compreensíveis.
(Taciana Chiquetti)
Isralenses - Coalizao, unidade nacional, como sera? A esquerda e a direita, o problema e de politica exterior. Distensoes dentro do governo, podem abreviar a vida deste governo. O novo governo deve retomar as negociacoes com os palestinos. Eternas discussoes. Quem entende?
G20 - Lula avalia que os paises em desenvolvimento, os emergentes, estavam em igualdade de condicoes com os desenvolvidos. A posicao do Brasil é confortável. O Brasil pode colocar dinheiro no Fundo Monetario Internacional. Novos mecanismos para nao depender tanto do dólar foi destacado no encontro da cupula do G20.
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Protestos presentes em volta da reuniao do G20. Manifestantes, tropas de choque, a polemica está formada. Quem tem razao? Os protestos, os manifestantes deixaram-se fotografar. Ao final do encontro poucos se manifestaram. O mundo pede mudancas via G20. O Brasil tem uma posicao confortavel no encontro. Salvar o capitalismo? Como?
Sequestrador mata 13 em centro para imigrantes nos EUA
Motivação é incógnita; atirador, de provável ascendência vietnamita, se matou durante cerco ao prédio pela polícia
Armas foram compradas legalmente; deputado local afirma que suspeito fora demitido da IBM; centro dava apoio a expatriados
ANDREA MURTA
DE NOVA YORK
Um homem armado com duas pistolas matou ao menos 13 pessoas ontem em um centro de apoio a imigrantes na cidade de Binghamton, 225 km a noroeste de Nova York. A polícia suspeita que um 14º corpo encontrado no prédio seja do próprio atirador, que se matou com um tiro na cabeça. Quatro feridos foram levados a hospitais em condições críticas.
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Segundo a imprensa, o atirador era asiático e tinha documentos com o nome de Jiverly Voong, 42, morador Jonhson City, a 5,4 km de Binghamton. A polícia não confirmou a informação, mas um policial disse em condição de anonimato que esse seria um nome falso usado pelo homem no passado.
O local do ataque é a American Civic Association, que oferece aulas de cidadania, inglês e serviços de aconselhamento a estrangeiros. A diretora do centro, Angela Leach, estava de folga ontem e se disse chocada com o ataque.
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"Ouvi tiros, mas nenhum grito. Só silêncio e mais tiros", disse a sobrevivente Zhanar Tokhtabayeva, 30, imigrante do Cazaquistão. Ela fazia aula de inglês no momento do ataque e se escondeu com colegas em um depósito. "Pensei que minha vida estava acabada."
As vítimas não haviam sido identificadas até o fechamento desta edição, mas, segundo a polícia, uma recepcionista e vários alunos que se preparavam para um teste de cidadania estão entre os mortos.
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Não se sabe o motivo do crime. O deputado federal Maurice Hinchey, que representa a região, disse à Associated Press que Voong fora demitido de um cargo na IBM recentemente.
A agência Associated Press conversou com uma mulher que disse ser irmã de Voong. Segundo ela, "Voong não tinha armas e deve ter sido morto por outra pessoa".
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O crime foi o ataque a tiros nos EUA com mais mortos desde o massacre na universidade Virginia Tech, quando o estudante sul-coreano Cho Seung-hui matou 32 colegas e professores antes de se suicidar em abril de 2007. Assim como nesse massacre, as armas usadas ontem foram compradas legalmente.
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Em nota, o presidente Barack Obama se disse "chocado e profundamente entristecido com o ato de violência sem sentido" em Binghamton.
Em conferência em Nova York, o vice-presidente Joe Biden disse que "já é hora de encontrarmos uma forma de acabar com esses ataques sem nenhum sentido" nos EUA.
Ataque premeditado
O episódio teve início por volta das 10h da manhã, quando o atirador bloqueou a saída traseira do prédio com seu carro e entrou com as armas pela porta da frente. Às 10h30, os serviços de emergência receberam o telefonema de uma recepcionista do centro, que disse que havia levado um tiro no abdome e que um homem armado estava atacando pessoas no prédio. Ela sobreviveu.
"Foi simplesmente um pânico", disse Alex Galkin, imigrante do Uzbequistão que também fazia aulas de inglês e se escondeu no porão.
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A polícia local diz que chegou ao centro em três minutos e isolou a área. Segundo o chefe de polícia Joseph Zikuski, não houve mais tiros após a chegada dos policiais. Um grupo de 26 pessoas se escondeu no porão e foi orientado por celular a permanecer no local até que os policiais o resgatasse. No total, 37 pessoas foram retiradas com segurança, e os quatro feridos foram levados a hospitais.
Dois homens asiáticos foram detidos porque se encaixavam na descrição do atirador oferecida pela recepcionista, mas posteriormente liberados.
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Durante a tarde, a imprensa ofereceu informações conflitantes de que a polícia de Binghamton e o FBI tentaram negociar com o atirador para liberar as pessoas que continuavam no centro. Há relatos de que um tradutor da língua vietnamita foi chamado para auxiliar os contatos. Nada disso foi confirmado.
Foi a primeira vez que um crime do tipo aconteceu em Binghamton, cidade de 47 mil habitantes que tem forte presença de imigrantes do Vietnã.
Americano é recebido como astro em ginásio
DO ENVIADO A ESTRASBURGO
Na segunda escala de sua esperada estreia europeia, Barack Obama foi recebido como um astro de rock em aparições públicas na França e na Alemanha, em contraste com a aversão que o presidente dos EUA provocava no continente até poucos meses atrás.
O auge da tietagem ocorreu num ginásio esportivo de Estrasburgo, em uma sessão de perguntas e respostas com jovens. Com bom humor e uma mensagem de reconciliação, Obama levou a plateia ao delírio, e saiu ovacionado.
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Quanta diferença, em apenas um ano. Na última reunião de cúpula da Otan, em Bucareste, o governo romeno esvaziou as principais ruas da capital e reforçou a segurança, mas não houve protestos. A preocupação era com possíveis atos de hostilidade ao então presidente americano, George W. Bush.
Na cúpula deste ano, sediada em três cidades da fronteira franco-alemã, a segurança está ainda mais rigorosa, mas há duas novidades. A primeira é o retorno dos protestos anticapitalistas às ruas, produzidos pela crise financeira. A segunda é o magnetismo do novo presidente americano.
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Assim como em Bucareste, boa parte das escolas, repartições públicas e lojas ficou fechada em Estrasburgo, Kehl e Baden-Baden. Mas se os romenos preferiram aproveitar o feriado para deixar a capital, aqui muita gente ficou para tentar ver Obama de perto.
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Quem conseguiu não ficou decepcionado. Em um ginásio abarrotado, Obama cativou a plateia com mensagens moderadas, como a aspiração a um mundo sem armas atômicas e o desejo de aproximação com o mundo islâmico.
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Mas foi na sessão de perguntas e respostas que ele conquistou de vez o ginásio. Depois de arrancar uma gargalhada do presidente ao informá-lo que seu nome em húngaro significa "pêssego", uma estudante alemã perguntou a Obama se desde a posse ele já havia tido algum momento de arrependimento por ter se candidatado.
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"Michelle definitivamente faz essa pergunta", respondeu Obama, olhando para a primeira-dama, que devolveu um sorriso cúmplice. Após 20 minutos respondendo a perguntas sobre terrorismo, democracia, ambiente e até o cão que escolherá para ser o mascote da Casa Branca, Obama deixou o ginásio sob aplausos.
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Pouco depois, ao cruzar a fronteira para encontrar-se com a chanceler (premiê) alemã, Angela Merkel, nova demonstração de tietagem. Centenas de pessoas aguardavam nas ruas de Baden-Baden a passagem de Obama e Michelle, que cumprimentaram os fãs e tiraram fotos.
Na entrevista ao lado de Obama, a chanceler alemã não resistiu: "Você percebe que alguma coisa mudou quando vê pessoas com bandeiras dos EUA nas ruas", disse. (MN)
RODRIGO MAIA - O presidente do DEM RJ, conversando na Radio CBN sobre o acompanhamento do PAC- Programa de Aceleracao do Crescimento do Governo Lula. A oposicao tenta fazer frente ao Governo Lula. Sabe que se o Presidente Lula e seu governo se sairem bem, tchau, será eleita a Dra. Dilma Roussef.
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É O CARA - O Presidente Obama elogiou o Presidente Lula. Disse que Lula é o cara. Os EUA afundam. O Brasil afunda menos. E o Presidente brasileiro está numa melhor posicao. Posicao privilegiada no G20. Opinioes do Governo brasileiro estao muito importantes. A economia brasileira pode ajudar o mundo. Lula é um Presidente enturmado com os governos europeus. E Obama quer se enturmar para mudar a conjuntura do mundo.
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Lula e o Brasil - Mais importantes no mundo. A oposicao se morde de ciumes do Presidente Lula. Ate o Obama elogiando o Lula, como pode? Brasil é visto como um parceiro confiavel no trato dos EUA com os latinoamericanos.
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Alianca com PSDB e PPS - Governadores de Minas Gerais e Sao Paulo. Serra e Aecio. Preferencias pessoais serao menores que a alianca partidaria. O DEM apoiara a alianca com o PSDB.
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Serra x Aecio (x Dilma). Quem ganhará? Previas do PSDB, uma decisao do PSDB, Rodrigo Maia nao opina. Corrupcao no governo Lula. Oposicao nao consegue se articular contra o governo? Crescimento da economia mundial, ate o ano passado era grande, agora a crise. Lula subiu, e agora a oposicao reza para a crise derrubar o Lula? O DEM aliado com Serra e Aecio, unidos contra Dilma apoiada por Lula. Se as mulheres apoiarem a Dilma...
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Ou a crise derrubar o Brasil? Carga tributaria enorme dificulta o desenvolvimento. Sim, a carga tributaria enorme vem de longe. Nao é cria de Lula. Agora, a oposicao se morde se Lula arrecada muito e trabalha muito. Lula torce pelo Brasil? Torce. A oposicao sonha com a crise mundial derrubando o Presidente? Sonha. Lamentavelmente.
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Oposicao, pedido do impedimento de Lula. A oposicao pretende pegar o Presidente Lula. Mas nao consegue. Afinal de contas o Governo, a maquina estatal, é dominada pelos partidos. PMDB, PSDB, PT e demais partidos. Todos tem parlamentares influentes no Congresso e em suas regioes.
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DEM - teve dinheiro, dinheiro da Camargo Correa. As doacoes de campanha aos partidos, e por tabela, aos candidatos, sao o ponto fraco da legislacao eleitoral. Ora, a democracia depende de uma campanha limpa, transparente, de quem tem os melhores projetos. Mas,...Via doacao eleitoral rola muito dinheiro para eleicao dos candidatos. E a populacao pobre recebe e vota por gratidao. Gratidao comprada pelo vil metal. Nao pelas obras feitas pela populacao.
Rio de janeiro - O deputado Rodrigo Maia (DEM) diz que o governador Sergio Cabral e o maior puxa-saco do Presidente Lula. Os oposicionistas querem visitar Sergipe, Rio Grande do Sul, alem do Pernambuco. Oposicao chama Dilma, coordenadora do PAC, de incompetente. As vezes penso que a oposicao precisa gerar atencao do eleitorado. E quer pegar o PAC pelo pé.
Rio de janeiro - O deputado Rodrigo Maia (DEM) diz que o governador Sergio Cabral e o maior puxa-saco do Presidente Lula. Os oposicionistas querem visitar Sergipe, Rio Grande do Sul, alem do Pernambuco. Oposicao chama Dilma, coordenadora do PAC, de incompetente. As vezes penso que a oposicao precisa gerar atencao do eleitorado. E quer pegar o PAC pelo pé.
Protógenes irá depor à CPI escoltado por senadores
Congresso em Foco
Daniela Lima
O delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz irá prestar depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara que apura o uso de escutas ilegais, escoltado por senadores. Hoje (25), em reunião no gabinete do senador José Nery (Psol-PA), Eduardo Suplicy (PT-SP) e Pedro Simon (PMDB-RS) declararam apoio ao delegado e disseram que ele é vítima de uma “inversão” de papéis. O depoimento do delegado está marcado para o dia 1º de abril.
Ao final do encontro com os senadores, Protógenes – que foi indiciado pela Polícia Federal por quebra de sigilo funcional durante a condução da Operação Satiagraha – disse que se questionado pelos parlamentares, dará nomes aos personagens envolvidos na investigação. “Vou atender pontualmente cada membro da comissão. Vou dar nomes e individualizar condutas”, disse o delegado.
A reunião, que durou mais de uma hora, foi motivada por rumores de que, no dia do depoimento, Protógenes teria a prisão decretada pelo presidente da CPI, deputado Marcelo Itagiba. “Se isso acontecer, a Câmara estará adotando um posicionamento estúpido”, afirmou Simon.
Satiagraha
Protógenes Queiroz tornou-se uma das figuras mais badaladas da política nacional após deflagrar a Operação Satiagraha, que culminou com a prisão do banqueiro Daniel Dantas e do ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta, entre outros em julho de 2008. A operação investigava a prática de crimes financeiros, como evasão de divisas.
O delegado é acusado de, para concluir as investigações da Satiagraha, ter usado informalmente agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para espionar autoridades políticas, empresários e jornalistas.
Protógenes nega as acusações e, em seu benefício, obteve decisão unânime do Tribunal Regional Federal (TRF) da terceira região de que a colaboração dos agentes da Abin não é ilegal. O entendimento da corte faz contraponto à decisão da PF de indiciar o delegado.
De acordo com o senador Eduardo Suplicy, o presidente da CPI descartou a possibilidade de dar voz de prisão ao delegado durante o depoimento. “Entrei em contato com o Itagiba e ele disse que sua relação com Protógenes é de profundo respeito. Ele demonstrou preocupação com os rumores de prisão e descartou essa possibilidade”, relatou.
Protógenes Queiroz disse estar tranquilo com a aproximação da data de seu depoimento. “Eu confio na Justiça do Brasil”, afirmou.
POR Ricardo Faria
NAVEGAR É PRECISO

VALE A PENA LER1. Emir Sader apresenta seu novo livro:
Publico este mês um livro com esse título: A Nova Toupeira, pela Boitempo. Valho-me da coluna para somar forças no combate ao boicote da grande mídia privada ao que não lhe agrada. Condenam ao silêncio que, segundo acreditam, possam impor aos livros críticos. As editorias culturais vieram se somar às de polícia e de economia, como as mais promíscuas da imprensa, em que editores dos órgãos da mídia agradam a diretores de editoras privadas, conseguindo espaços para publicar seus livros. Mas em geral o bloqueio é ideológico mesmo.
Marx e, antes dele, Hegel e até mesmo Shakespeare, usaram o simpático bichinho para falar das turbulências que se prolongam na surdina, embaixo da terra, até reaparecer surpreendentemente na superfície. Da expressão “velha toupeira”, tirei o título do livro, para designar a América Latina de hoje.No livro ele serve para designar a esquerda latinoamericana, que tem, de novo – tal qual os dois anteriores – um novo século surpreendente. A América Latina passou de “paraíso neoliberal” a “elo mais fraco da cadeia neoliberal”, de uma década a outra. Justamente por ter sido o berço do neoliberalismo e a região onde ele mais se alastrou, vivemos uma ressaca do neoliberalismo,em que convive a maior quantidade de governos progressistas na história do continente.
Mas qual a natureza do período que vivemos? De que maneira se combinam fatores tão negativos, em escala global, como a passagem de um mundo bipolar a um mundo unipolar, e de um modelo hegemônico regulador a um modelo neoliberal e as forças antineoliberais, concentradas na América Latina?São essas as condições que o livro analisa, pretendendo ajudar a compreender o Brasil de hoje, a América Latina de hoje, o mundo de hoje, na perspectiva da sua transformação em um mundo mais humano, solidário, democrático nos planos social, econômico, cultural e político.
Publicar um livro não é apenas definir um tema, desenvolver as análises, encontrar a melhor forma de expor as idéias, encontrar um editor etc. É também batalhar pelo que se escreve, por aquilo em que acreditamos, pelas ideias e propostas contidas no livro. É parte integrante do livro fazê-lo chegar aos que se interessam pelos problemas abordados, buscar resenhas, participar de lançamentos, de debates. Em suma, superar o bloqueio do silêncio com que se tenta afogar o pensamento crítico e as ideias que buscam “outro mundo possível”.Espero que todos os que trilham este mesmo caminho – como se refere Galeano na apresentação do livro – o leiam, para incorporar o que possa vir a ter de bom, criticar, debater – a fim de que a nossa nova toupeira irrompa em cada vez mais territórios e de forma cada vez definitiva.
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