BOLETIM SERIDOENSE N.16551
sábado, 29 de novembro de 2008
CRISE
Pode ser psicológica. Ora, os problemas nos acompanham há muito tempo. Facilitamos o progresso das cidades e esquecemos o Campo. Nossas lojas de carros estão abarrotadas. Os tratores, quase não os vemos. Garibaldi governador quis trazer tratores chineses. Esbarrou nos interesses da industria. Que não produziu os tratores e também não permitiu que fossem importados.
A importação de tratores significaria menos empregos para os brasileiros. Mas, a industria nacional não produz tratores adequados a realidade nordestina? O incentivo governamental e insuficiente para os produtores rurais no Nordeste? A transposição do Rio São Francisco segue vagarosamente. A Transposição acena para o homem no Campo. A resistência contra as obras de Transposição são enormes.
LUCROS
Enquanto os tratores nao sao produzidos, a industria automobilistica deve ter repatriado os lucros com a superproducao de automoveis. Controladas por quem? Quem beneficiou-se? O governo ficou com os impostos, geraram-se os empregos. E ficaram os carros para o conforto.
E a producao de alimentos? Nao ha tratores suficientes. Temos o direito ao conforto do carro. Mas temos o dever de produzir alimentos, de manter o equilibro ecologico e nao alterar a correlacao de forcas homem x natureza. E quem pensou em investir no negocio agricola se deu mal. Os bancos querem retomar os equipamentos financiados com a crise das commodities.
Enquanto isso nossa politica governamental incentiva a construcao de novas casas na Cidade. Mas nao ha a geracao de empregos suficientes. Entao, momentaneamente sao gerados os empregos nas construcao civil, os impostos sao pagos. Mas, como nao ha a geracao de empregos suficientes fica dificil o andamento dos projetos.
A revolucao tecnologica, a energia, o telefone, o computador chega ao campo. Vagarosamente, mas ha um avanco significativo. Mas ha um processo de desertificacao em nosso Serido. As pessoas abandonam o campo, vao morar nas cidades e nao ha emprego suficiente para todos. Junte-se a crise financeira e temos um grande problema.
A reforma politica, defendida por todos, nao sai do papel. Todos vao ao radio, a televisao, e se declaram a favor da reforma. Mas nao ha progresso. O PT continua aliado do PMDB que avancou, ganhou muitos postos municipais. A movimentacao politica segue silenciosa rumo a 2010. Sim, temos eleicoes de 2 em 2 anos. Mas comecamos os projetos, chega a nova eleicao. E assim segue o Brasil que nao fez sua licao para enfrentar a crise dos financistas insaciaveis. Aqueles que gostam de viver de juros, nao investem na producao de bens. O embate entre financistas x desenvolvimentistas.
Financistas que vivem de juros, nao querem investir numa nova industria, num novo empreendimento. Os desenvolvimentistas que enfrentam maiores riscos, pagam mais impostos, geram producao, renda e emprego.
Aqui no RN, aqui no Serido, quem sao os financistas?
Os que emprestam dinheiro a juros. Sao especuladores. Compram imoveis ja construidos. Nao costumam correr riscos em novos empreendimentos. Fogem dos encargos sociais, procuram fugir da carga tributaria.
Quem sao os desenvolvimentistas? Os pequenos e medios empreendedores, os industriais, os boneleiros, os redeiros, construtores de imoveis residenciais, comerciais e industriais. Arcam com os encargos sociais, pagam mais impostos.
Neste momento ouso dizer que os desenvolvimentistas sao mais uteis a sociedade.
Os financistas sao, oportunistas, imediatistas e gostam das facilidades.
vvvvv vvvvvvvv vvvvv vvvvvvvv
Construtora cita impossibilidade de fazer obra
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Questionada sobre os motivos que levaram à desistência de tocar um dos trechos da obra de transposição do São Francisco, a construtora Camargo Corrêa se limitou a dizer, por meio de nota, que estava impossibilitada de executar o trabalho. Segundo a nota, a empresa venceu a licitação em maio do ano passado para executar o lote 9 por apresentar a melhor proposta. O preço cobrado, diz, estava "12% abaixo do previsto no orçamento básico constante no edital".
Em abril deste ano, a Camargo Corrêa foi chamada para assinatura do contrato, "condicionada pelo TCU [Tribunal de Contas da União] a um desconto de mais 7%". "Após 120 dias, havendo a impossibilidade de se iniciar os serviços, a Camargo Corrêa se utilizou da prerrogativa, prevista na Lei de Licitações (8666/93), de solicitar a rescisão do contrato".
A empresa não deixou claro, porém, quais os motivos que a impossibilitaram de assumir a obra. Segundo a assessoria da construtora, no entanto, tudo foi feito de acordo com a legislação e dentro dos prazos previstos, que permitem a desistência de uma das partes. Por isso, a Camargo Corrêa está discutindo administrativamente a aplicação da multa e apreensão das garantias. O projeto prevê a construção de 720 km de canais para levar a água do rio à região do semi-árido dos Estados de Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte.
Escrito por Flavio DeABel às 09h54
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BOLETIM SERIDOENSE
sábado, 29 de novembro de 2008
CRISE
Pode ser psicológica. Ora, os problemas nos acompanham há muito tempo. Facilitamos o progresso das cidades e esquecemos o Campo. Nossas lojas de carros estão abarrotadas. Os tratores, quase não os vemos. Garibaldi governador quis trazer tratores chineses. Esbarrou nos interesses da industria. Que não produziu os tratores e também não permitiu que fossem importados.
A importação de tratores significaria menos empregos para os brasileiros. Mas, a industria nacional não produz tratores adequados a realidade nordestina? O incentivo governamental e insuficiente para os produtores rurais no Nordeste? A transposição do Rio São Francisco segue vagarosamente. A Transposição acena para o homem no Campo. A resistência contra as obras de Transposição são enormes.
Construtora cita impossibilidade de fazer obra
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Questionada sobre os motivos que levaram à desistência de tocar um dos trechos da obra de transposição do São Francisco, a construtora Camargo Corrêa se limitou a dizer, por meio de nota, que estava impossibilitada de executar o trabalho. Segundo a nota, a empresa venceu a licitação em maio do ano passado para executar o lote 9 por apresentar a melhor proposta. O preço cobrado, diz, estava "12% abaixo do previsto no orçamento básico constante no edital".
Em abril deste ano, a Camargo Corrêa foi chamada para assinatura do contrato, "condicionada pelo TCU [Tribunal de Contas da União] a um desconto de mais 7%". "Após 120 dias, havendo a impossibilidade de se iniciar os serviços, a Camargo Corrêa se utilizou da prerrogativa, prevista na Lei de Licitações (8666/93), de solicitar a rescisão do contrato".
A empresa não deixou claro, porém, quais os motivos que a impossibilitaram de assumir a obra. Segundo a assessoria da construtora, no entanto, tudo foi feito de acordo com a legislação e dentro dos prazos previstos, que permitem a desistência de uma das partes. Por isso, a Camargo Corrêa está discutindo administrativamente a aplicação da multa e apreensão das garantias. O projeto prevê a construção de 720 km de canais para levar a água do rio à região do semi-árido dos Estados de Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte.
Escrito por Flavio DeABel às 09h53
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MEU DEUS, MEU DEUS
BOLETIM SERIDOENSE N.16484
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Michel Husson analisa a trajetória do neoliberalismo e a crise.
Gilson Caroni escreve sobre Gilmar Dantas, digo, Gilmar Mendes, Presidente do Supremo.
Eric Toussaint disseca a interligação das crises do mundo.
Gilberto Maringoni comenta as eleições na Venezuela.
ESPORTE E CULTURA, ONDE?
Escutando as resenhas esportivas no Radio Caicoense as noticias são péssimas. Nao são boas as perspectivas de ver o time do Corinthians no campeonato estadual 2009. A vida esportiva e cultural da cidade sofre. Temos o Centro Cultural Adjuto Dias, quase fechado. Ilha de Santana, so no Carnaval e Festa de Santana. Pode? A inércia oficial, estatal, preocupa.
Escrito por Flavio DeABel às 22h05
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BOLETIM MINEIRO DE HISTORIA
VALE A PENA LER
1. Nas bancas a revista Fórum de dezembro
 Num canto da Amazônia
Veja também
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2- BARROS, Jose' Marcio. (org.) "Diversidade Cultural - da proteção a promoção". Belo Horizonte: Editora Autentica, 2008.
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3- BORELLI, Silvia H. S. e FREIRE FILHO, João. (orgs.) "Culturas Juvenis no Século XXI". São Paulo: Educ., 2008.
*****************************************
4- FILGUEIRAS, Fernando. "Corrupção, democracia e legitimidade". Editora UFMG, 2008.
*****************************************
5- BECKER, Bertha e STENNER, Cláudio. "Um futuro para a Amazônia". Editora Oficina de textos, 2008. ***************************************** 6- Civilização Brasileira e Adriana Barreto convidam para o lançamento de seu livro "Duque de Caxias: o homem por trás do monumento". O lançamento será no dia 27/11/2008 (quinta-feira), às 19h, na Livraria Arteplex (Praia de Botafogo, 316 - Rio de Janeiro).
*****************************************
7- Foi lançado livro de Ricardo Salles "E o vale era o escravo: Vassouras, século XIX - senhores e escravos no coração do Império", Editora Civilização Brasileira, 2008. ***************************************** 8. 
Escrito por Flavio DeABel às 21h47
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BOLETIM MINEIRO DE HISTORIA
NAVEGAR É PRECISO...
Site da Agência Carta Maior – http://www.cartamaior.com.br/
Só há uma solução: pôr fim ao retrocesso salarial, modificar a distribuição das riquezas: menos lucros, mais salários e investimentos sociais. A margem de manobra é considerável, já que os lucros distribuídos pelas sociedades não-financeiras representam, hoje, 12% de sua massa salarial, contra 4%, em 1982. Isso implica uma redução drástica de privilégios da pequena esfera social que aproveitou bem o neoliberalismo. A análise é de Michel Husson. > LEIA MAIS
A favor do Big Bang - http://cienciahoje.uol.com.br/132906Artigo celebra 50 anos da detecção da primeira evidência concreta de que o universo está em expansão ****************************** 3. Blog do Mello - http://blogdomello.blogspot.com/O jornalismo ‘independente’ da Globo não deu tiro na BolsaO diretor de jornalismo da Rede Globo, Ali Kamel, escreveu há tempos que o que define a independência da imprensa é a quantidade de anunciantes. Quanto maior, mais livre é. Comentei sobre isso aqui. Mas o assunto hoje é outro. Tem a ver com isso, apenas porque mostra que a tal independência é só da boca pra fora. Foi o que fiquei sabendo ao ler um artigo do Uraniano Mota, no Direto da Redação. Na segunda-feira, um operador da Bolsa de Valores de São Paulo tentou suicídio, bem no meio do pregão. Casado e pai de quatro filhos, o homem deu um tiro no próprio peito, enquanto os outros gritavam vende, vende, vende, compra, compra, compra. Detalhe importante: o suicida operava para a Corretora Itaú. No entanto, a notícia não apareceu no Jornal Nacional. Você, meu detetivesco leitor, você, minha investigativa leitora, pode nos ajudar a compreender por que o Jornal Nacional não noticiou a tentativa de suicídio? a) Porque um corretor tentar suicídio no meio do pregão é fato corriqueiro
b) Porque a notícia não atingia o governo Lula
c) Porque a notícia não enaltecia o governador Serra
Na infância, uma história de aventura, mas que deixa uma marca: a união, a fidelidade.20/11/2008 ************* Brasil República
Filho de ex-escravos, Lino Guedes destacou-se como jornalista, escritor e ativista político.
20/11/2008
Escrito por Flavio DeABel às 21h46
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DEUS SALVE A AMERICA
Comentário de Marc Faber, Analista de Investimentos e empresário americano.
Ele encerrou seu boletim Mensal com o seguinte comentário sobre o projetoamericano de ajuda à economia, naquela ocasião ainda em estudos:
- 'O Governo Federal está concedendo a cada um de nós uma bolsa deUS$600,00.
Se gastarmos esse dinheiro no supermercado Wall-Mart, esse dinheiro vai paraa China.
Se gastarmos com gasolina, vai para os árabes.
Se comprarmos um computador, vai para a Índia.
Se comprarmos frutas e vegetais, irá para oMéxico, Honduras e Guatemala.
Se comprarmos um bom carro, irá para aAlemanha.
Se comprarmos bugigangas, irá para Taiwan e nenhum centavo desse dinheiro ajudará a economia americana.
O único meio de manter esse dinheiro na América é gastá-lo com prostitutas e cerveja, considerando que são os únicos bens ainda produzidos por aqui.
Estou fazendo a minha parte.
Escrito por Flavio DeABel às 21h36
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PLANEJANDO
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INOVAÇÃO |
WEC 2008 |
MÚTUA |
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O Confea divulgou no dia 28 de outubro o resultado provisório do Concurso de Criatividade e Inovação Tecnológica. O prazo para apresentação de recurso encerrou-se no dia 30 de outubro e o resultado definitivo será conhecido no dia 14 de novembro. Conheça os títulos dos trabalhos vencedores em cada modalidade. |
O Fórum dos Estudantes e Jovens Engenheiros, evento inserido na programação da WEC 2008, dia 4 de dezembro, terá um reforço em sua divulgação durante a Semana da Engenharia no Centro de Universitário de Brasília, dias 11 e 12 de novembro. Saiba mais... Acesse www.wec2008.org.br para fazer a sua inscrição! |
A Mútua – Caixa de Assistência dos Profissionais do Crea – inaugurou um novo posto em Uberaba (MG) dia 30 de outubro. É o quarto posto avançado da Mútua em Minas Gerais. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (34) 3316-0610 ou pelo site da Caixa de Assistência: www.mutua.com.br |
Escrito por Flavio DeABel às 21h06
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ESQUECIDO
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27 de outubro foi Dia do Engenheiro Agrícola |
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No dia 27 de outubro, o Confea comemorou ou Dia do Engenheiro Agrícola. “A engenharia agrícola é a profissão do futuro e o mercado de trabalho apresenta boas perspectivas”, comemorou Valmor Pietsch, presidente da Associação Brasileira dos Engenheiros Agrícolas, em matéria comemorativa à data. Leia a matéria completa. |
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Escrito por Flavio DeABel às 21h05
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ESPERANCA
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Engenheiro defende projeto para garantir água o ano inteiro no nordeste |
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O engenheiro civil Elias Fernandes Neto, diretor geral do Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (Dnocs), apresentou, na Sessão Plenária nº 1.354 do Confea, a palestra "Programas e Projetos para o Desenvolvimento Sustentável da Região Nordeste: Construção, Integração e Revitalização das Bacias Hidrográficas da Região". De acordo com Fernandes, o Projeto São Francisco, que é a integração do Rio São Francisco com as Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional, irá beneficiar |
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Elias faz explanação sobre seca |
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estados que há muito sofrem com os intensos períodos de seca, como Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Ceará. Saiba mais... |
Escrito por Flavio DeABel às 21h04
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DOMINGO DE FINAIS
BOLETIM SERIDOENSE N.16349
Sunday, November 23, 2008
O Futebol nos dá aulas de democracia, aulas de convivência. Se não, como explicar a situação? O Flamengo depende de que o Vasco derrote o São Paulo, o que mais detém títulos. O Vasco, de Pituleira e Robson Pires, na situação de “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”.
De camarote, o torcedor, assistindo e vibrando. Como torcedor do Flamengo torço pela vitoria do Vasco, pela nossa vitoria contra os mineiros. Seria a coroação da raça rubronegra. Agüenta, coração!!!
Brasileiro vive seu domingo de finais
Cinco dos seis jogos desta tarde podem promover alterações importantes no topo ou no pé da classificação do Nacional
Líder, São Paulo enfrenta desespero vascaíno no Rio de olho no confronto do vice-líder Grêmio contra o apático Vitória em Salvador
Ricardo Nogueira/Folha Imagem
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O atacante Borges, artilheiro do São Paulo no Brasileiro, alonga em treino para o jogo com o Vasco, no Rio
RODRIGO BUENO TONI ASSIS DA REPORTAGEM LOCAL
O domingo mais decisivo do Campeonato Brasileiro até agora. O dia que fará a diferença no final das contas. É com esse pensamento que os cinco times com chances de conquistar o Nacional e de garantir uma vaga na próxima Libertadores da América vão a campo hoje. A 36ª rodada, a antepenúltima, pode trocar o líder da disputa e tende a mudar a configuração do G4. Isso sem falar na luta contra o descenso -o Ipatinga pode virtualmente ser o primeiro rebaixado para a Série B hoje caso perca para o Palmeiras no Parque Antarctica e o Vasco derrote o líder São Paulo em São Januário, no Rio.
O jogo apontado como o mais complicado para o atual bicampeão nacional até o final da disputa é a grande aposta do Grêmio para voltar ao topo da tabela. A equipe gaúcha encara um Vitória sem grandes pretensões no Barradão, em Salvador, e aposta ao menos num empate são-paulino hoje para assumir o primeiro posto -se empatar em pontos com o São Paulo, liderará por ter mais vitórias. Um duelo direto entre concorrentes à Libertadores acontece no Mineirão: Cruzeiro e Flamengo podem sair da rodada sem chances matemáticas de título, e o time mineiro quer aproveitar a condição de mandante para se firmar na zona de classificação à Libertadores.
A equipe carioca, que começa a rodada em terceiro lugar, fala em título ainda. Porém pode terminar o dia fora do G4. A esperada vitória do Palmeiras em casa diante do lanterna, além de aliviar a crise no time de Vanderlei Luxemburgo, levaria o time paulista a 64 pontos e deixaria ou Cruzeiro ou Flamengo para trás a duas rodadas do término da disputa.
A expectativa mais uma vez é de uma rodada com bom público, especialmente nos duelos envolvendo times que lutam pelo título. E, para animar mais o dia, os principais jogos acontecerão simultaneamente -os quatro times mais bem colocados na tabela jogam às 17h. Nas duas últimas rodadas, todos os jogos acontecerão nos mesmos dia e horário. Mas, especialmente no topo da tabela, é mais difícil imaginar mudanças depois das partidas de hoje.
O último confronto entre integrantes do G5 é hoje. E os maiores obstáculos de São Paulo e Grêmio, os clubes que estão mais vivos na luta pela taça, também serão atração à tarde.
O time do Morumbi, que almeja um inédito tricampeonato genuíno, pode tanto dormir hoje cinco pontos à frente do vice-líder como pode ter pesadelos por ficar um ponto atrás da equipe de Celso Roth.
Dos seis jogos que acontecem hoje pelo campeonato, apenas um não tem equipes lutando por postos importantes: Sport x Atlético-MG. Internacional x Fluminense não anima o time da casa, finalista da Copa Sul-Americana, mas pode salvar o Fluminense do risco de descenso e jogá-lo na zona de classificação para a Sul-Americana.
Em cima e embaixo na tabela, o mais equilibrado Brasileiro da era dos pontos corridos pode, enfim, ficar desequilibrado.
+Sociedade
... é a mãe!
O psicólogo cognitivo americano Steven Pinker discute o uso de palavrões no rádio e na TV e a reação da censura
STEVEN PINKER
Uma palavra é um rótulo arbitrário -essa é a base da lingüística. Mas muita gente não pensa assim. Acredita na magia das palavras: que pronunciar um encantamento, uma maldição ou uma oração pode mudar o mundo. Não caçoe: você diria "nada deu errado até agora" sem procurar um objeto de madeira para bater? Xingar é outro tipo de magia das palavras. Contrariando a lógica, as pessoas acreditam que certas palavras podem corromper a ordem moral -que "mijar", "cagar" e "foder" são perigosas de uma maneira que "xixi", "cocô" e "trepar" não são. Essa peculiaridade em nossa psicologia está na capacidade das palavras tabus de ativar circuitos emocionais primitivos no cérebro. Meu interesse pelos palavrões é científico (juro!). Mas os xingamentos não são apenas um quebra-cabeça na neurociência cognitiva. Eles aparecem nos mais famosos casos de liberdade de expressão do último século, de "Ulisses" e "Lady Chatterley" a Lenny Bruce e George Carlin [comediantes]. Por décadas, os tribunais constantemente levaram os censores do governo a uma precária posição defensiva. Em 1978, a Suprema Corte, julgando uma transmissão diurna do monólogo "Filthy Words" [Palavras Sujas], de Carlin [1937-2008], permitiu que a Comissão Federal de Comunicações (FCC) regulamentasse a "indecência" nos programas de rádio e TV nos horários em que as crianças pudessem estar escutando. O raciocínio, baseado em noções antiquadas da infância e da mídia moderna, foi que os programas transmitidos pelo ar se intrometem sem convite no lar e podem expor as crianças à linguagem indecente, prejudicando seu desenvolvimento psicológico e moral. Na prática, a FCC reconheceu que o impacto das palavras tabus depende de seu contexto. Assim, em 2003, quando Bono, vocalista do U2, disse, em um discurso de premiação na TV, "isto é realmente, realmente, "fucking brilliant'" [algo como "brilhante de foder"], a FCC não puniu a rede.
Intenção Bono, ela comentou, não usou "fucking" para "descrever órgãos ou atividades sexuais ou excretórias". Ele a usou como "um adjetivo ou expletivo para enfatizar uma exclamação". Esse uso diferia do número "patentemente ofensivo" de Carlin, com seu "uso repetido, pelo valor de chocar", das palavras tabus. Mas os comissários indicados por Bush deram meia-volta no caso e posteriormente visaram a rede de televisão Fox, depois que ela transmitiu cerimônias de premiação em que Cher disse, sobre seus críticos, "então, fodam-se" e Nicole Richie perguntou "por que eles a chamam de "The Simple Life'? Você já tentou tirar bosta de vaca de uma bolsa Prada? Não é tão "fucking simple'". Em 2007, depois que um tribunal federal invalidou a política da FCC como "arbitrária" e "impulsiva", a comissão apelou para a Suprema Corte. Foi quando eu fui arrastado para a coisa. A FCC alegou que "mesmo quando o orador não pretende um sentido sexual, uma parte substancial da comunidade (...) entenderá a palavra como carregada de conotação sexual ofensiva". Uma denúncia apresentada no início deste ano pelo procurador-geral em defesa da posição da comissão citou meu livro "Do Que É Feito o Pensamento" [Cia. das Letras] da seguinte maneira: "Se você é um falante de inglês, não pode ouvir [uma palavra como a iniciada por efe] sem lembrar do que ela significa para uma comunidade implícita de falantes, incluindo as emoções ligadas a elas". Na verdade, as palavras destacadas na denúncia eram "nigger" [preto], "cunt" [boceta] e "fucking" [foder], e o contexto era uma explicação de por que as pessoas se ofendem "quando um estrangeiro se refere a um afro-americano como "nigger", ou a uma mulher como uma "cunt" ou a uma pessoa judia como um "fucking jew'". Eu certamente não estava afirmando que, quando os ouvintes escutam "não é tão "fucking simple'", suas mentes pensam em cópulas! Ao contrário, eu comentava que, com o tempo, as palavras tabus perdem seu sentido literal e retêm apenas um colorido emocional e, depois, apenas a capacidade de chamar a atenção. Essa progressão explica por que muitos falantes não têm consciência de que "sucker", "sucks", "bites" e "blows" [chupador, chupa, morde e sopra, usados informalmente como formas de desqualificar] geralmente se referem à felação, ou que um "jerk" [usado como "idiota"] era um masturbador. Isso explica por que "Close the fucking door" [Feche a porra da porta], "What the fuck?" [Que porra é isso?], "Holy Fuck!" [Caramba!] e "Fuck you!" [Foda-se] violam todas as regras da sintaxe e da semântica inglesa. Elas supostamente substituíram "Close the damned door" [Feche a maldita porta], "What in Hell?" [Que diabos?], "Holy Mary!" [Ave Maria!] e "Damn you!" [Dane-se] quando a profanidade religiosa perdeu a força e novas palavras tiveram de ser recrutadas para acordar os interlocutores.
Mercado da língua A FCC tinha razão sobre eu pensar que os tabus lingüísticos nem sempre são ruins. O discurso salpicado de "fuck" fica entediante, e epítetos maliciosos podem expressar atitudes condenáveis. Mas, em uma sociedade livre, esses incômodos são naturalmente regulados no mercado das reações das pessoas -como Don Imus, Michael Richards e Ann Coulter [radialista, comediante e analista política que causaram polêmica por seus comentários, respectivamente, sexista, racista e religioso] recentemente ficaram sabendo da maneira mais difícil. Não está claro por que xingar nas ondas do rádio e da TV deva ser assunto para o governo. De fato, já que a linguagem é entremeada com o pensamento -o tema principal do livro citado pelo procurador-geral-, qualquer proibição a palavras levará a absurdos. Veja o monólogo de Carlin. Ele mencionou a palavra "fuck" não para descrever atividades sexuais, nem para chocar sua platéia.
Sem regulação Carlin a citou para mostrar como as pessoas usam palavras tabus e para propor a discussão de que o governo não deve regulá-las. A decisão que controlou sua linguagem restringiu a crítica pública à própria decisão -zombando dos próprios princípios da liberdade de expressão. E considere o comunicado de imprensa emitido pelo presidente da FCC, Kevin Martin, expressando seu desprazer quando sua decisão foi derrubada: "Hoje [o tribunal] disse que o uso das palavras "fuck" e "shit" por Cher e Nicole Richie não foi indecente. (...) Eu acho difícil acreditar que o Tribunal de Nova York diria às famílias americanas que "shit" e "fuck" podem ser ditas ao vivo na televisão nos horários em que as crianças provavelmente estão assistindo". Em algum lugar, George Carlin continua sorrindo.
STEVEN PINKER é professor de psicologia na Universidade Harvard (EUA) e autor de "O Instinto da Linguagem" (ed. Martins Fontes). Este texto foi publicado na "Atlantic Monthly".
Tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves .
Escrito por Flavio DeABel às 16h33
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BOLETIM SERIDOENSE
MP DA FILANTROPIA
O Presidente do Senado, Garibaldi Alves, mostra a que veio.
“A MP chegou ao Congresso sob o estigma de que beneficiaria entidades fraudadoras, o que desagradou parlamentares que se viram acusados de promover um "trem da alegria".
O líder do governo chegou a comentar na época que ela trazia "dez bodes", numa referência aos pontos polêmicos.”
(ANDREZA MATAIS – Folha SP SUCURSAL DE BRASÍLIA )
CLAUDIO HUMBERTO:
MP da Pilantropia
O presidente Lula e seus conselheiros políticos, entre os quais o líder do governo Romero Jucá (PMDB-RR), decidiram “dar uma lição” no presidente do Senado, Garibaldi Alves, pelo gesto de devolver ao Palácio do Planalto a medida provisória 446, a “MP da Pilantropia”. Com seu recurso, Jucá levará o caso ao plenário e, usando a maioria governista, desautorizará o gesto de Garibaldi, impondo-lhe uma humilhante derrota.
Acordo
A única maneira de Garibaldi escapar de humilhação certa é o governo conseguir consenso no projeto de Lei que substitui a ‘MP da Pilantropia’.
Deadline
Romero Jucá garante que o recurso contra a decisão de Garibaldi permanece válido até quarta, prazo dado para se debater o projeto de lei.
Pensando bem... .
..graças ao senador Garibaldi Alves, nunca antes, na história da nossa República, uma medida foi tão provisória...
RUY CASTRO
A pirataria máscula
RIO DE JANEIRO - Até há pouco, quando se falava em pirataria, o que vinha à mente eram CDs, DVDs e demais bugigangas eletroeletrônicas dos camelódromos, oriundas do Paraguai ou da China. Por causa dela, nossos outrora românticos camelôs pararam de vender artigos essenciais, como ioiô, pente Flamengo e cortador de unhas.
Mais remotos ainda ficaram os clássicos piratas que, no passado, assombravam a imaginação das crianças: os de verdade, como Henry Morgan, John Lafitte e o capitão Kidd, e os fictícios, como Barba Negra, Long John Silver e o capitão Blood. Quase todos, aliás, parecidos com o pirata do rum Montilla.
Pois eis que, na costa da Somália, volta à moda a pirataria como ela deve ser: máscula, perigosa, aventureira. Um navio aborda o outro no mar e foge com a carga. Ou faz desse navio refém, com tripulação e tudo. Antes, o botim eram ouro e jóias, e talvez uma princesa espanhola, de olhos pretos e pinta no queixo. Agora os objetivos são armas, óleo, trigo ou os milhões de dólares do resgate.
Os cargueiros de hoje, supercomputadorizados e com uma tripulação mínima e quase desarmada, tornaram-se uma teta para os piratas. Já aconteceram 95 ataques este ano, e há 17 navios em poder dos corsários. O cenário é quase sempre o mesmo: o golfo de Áden. Mas a ameaça se estende a todo o oceano Índico.
Não por acaso, esta era a rota de um implacável inimigo da pirataria: o Fantasma, personagem criado em 1936 por Lee Falk e Ray Moore. Nas últimas décadas, o herói estava quase morrendo de tédio, por falta de piratas a combater. Passava o dia no trono da caverna, fazendo cafuné em sua mulher, Diana Palmer, bocejando e indo dormir cedo. Mas, agora, em sua identidade civil de Sr. Walker e acompanhado do lobo Capeto, o Fantasma volta a ter de sair à noite.
Vvv vvvvv
IDÉIAS RECICLADAS [consumo comprometido com o futuro]
A feira da diversidade
DA REPORTAGEM LOCAL
Você se lembraria com mais facilidade da diversidade cultural do país se na sua despensa houvesse itens "triviais" como sabonete de leite de cabra, salame de cupuaçu ou geléia de cagaita (uma frutinha do cerrado). Esses e outros produtos regionais estão à venda na feira Brasil Rural Contemporâneo, que acontece na Marina da Glória, Rio, até o dia 30. Tudo ali foi produzido com "preocupação socioambiental", diz Arnoldo de Campos, do Ministério do Desenvolvimento Agrário, que organiza o evento. São 550 grupos de expositores, entre agricultores, pescadores, índios e quilombolas. (CA)
Escrito por Flavio DeABel às 20h31
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Senado devolve MP das filantrópicas
Projeto foi alvo de contestações do presidente da Casa, que mandou proposta de volta para o governo
Parecer havia considerado o texto inconstitucional; decisão foi bem recebida até por governistas, mas foi criticada pelo presidente da Câmara
ANDREZA MATAIS DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), cumpriu ontem a ameaça e devolveu ao governo a medida provisória 446, que anistia as entidades filantrópicas ameaçadas de perder a isenção fiscal.
A decisão, a segunda do tipo desde 1989, contou com o apoio dos líderes da oposição, que obstruíram as votações como forma de pressioná-lo a devolver a MP. O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), ingressou com recurso para tentar rever a decisão. Entretanto, a coordenação política do governo disse, à noite, que não faria mais nada (leia texto nesta página). Garibaldi baseou-se em um artigo do regimento interno do Senado que permite ao presidente da Casa "impugnar as proposições que lhe pareçam contrárias à Constituição, às leis ou a este regimento, devolvendo-as ao seu autor".
O ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social e Combate à Fome) esteve ontem no Senado para tentar convencer os senadores a aprovar a medida provisória. Garibaldi não permaneceu na reunião, alegando outros compromissos. Quem recebeu o ministro foi o senador Heráclito Fortes (DEM-PI), um dos que mais contestaram a MP.
Fortes já havia obtido parecer da consultoria do Senado considerando a MP inconstitucional, pois ela isenta as instituições sem verificar se preenchem os requisitos para manterem os certificados de filantropia. Desde a edição da medida, na última semana, Garibaldi fez apelos para que o governo a retirasse. Ameaçou devolvê-la.
MP rejeitada
A primeira tentativa de se devolver ao Executivo uma medida provisória não foi bem-sucedida. Em 1989, o então presidente em exercício do Senado, José Ignácio Ferreira (ES), devolveu uma MP editada pelo então presidente José Sarney, hoje senador pelo PMDB do Amapá, que extinguia o Grupo Executivo de Transportes e outras estatais. Logo depois, porém, o então senador Nelson Carneiro reassumiu a presidência do Senado e revogou a decisão.
Garibaldi ganhou ontem o apoio até de parlamentares da base aliada. O senador Flávio Arns (PT-PR) disse, em discurso no plenário, que a decisão foi acertada. Garibaldi foi chamado de "estadista". Já o presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), fez ressalvas à atitude de Garibaldi. Segundo ele, uma decisão como esta cabe apenas ao plenário das duas Casas. "Não sei no que ele se baseou. A MP tem força de lei. Cabe ao plenário tomar a decisão. Essa é a compreensão", disse.
De acordo com a Secretaria Geral da Câmara, apenas o plenário poderia devolvê-la após rejeitar a sua admissibilidade. A MP chegou ao Congresso sob o estigma de que beneficiaria entidades fraudadoras, o que desagradou parlamentares que se viram acusados de promover um "trem da alegria". O líder do governo chegou a comentar na época que ela trazia "dez bodes", numa referência aos pontos polêmicos.
Escrito por Flavio DeABel às 20h26
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DILMA PRESIDENTE
É hora de ter mulher no Planalto, diz Dilma
Ministra desconversa sobre 2010, mas afirma que "foi-se a época em que a mulher era considerada cidadã de segunda qualidade"
"Esse século 21 é o século dos negros, das mulheres, e acho que isso vai ser muito bom para o mundo", afirma Dilma a empresários no Rio
ROBERTO MACHADO DA SUCURSAL DO RIO
Apesar de não admitir oficialmente a candidatura à Presidência -já defendida publicamente pelo próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva-, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, deu ontem, em evento para empresários realizado no Rio, um sinal claro de seu entusiasmo com a idéia.
"Acho que a participação das mulheres no mundo está na hora. E aí está na hora de presidente, de presidente das empresas. E isso está sendo cada vez mais reconhecido.
Foi-se a época em que a mulher era considerada cidadã de segunda qualidade, que só podia participar de algumas atividades", disse ela. Na entrada de uma reunião em homenagem à diretora da Petrobras Maria das Graças Foster, Dilma fez uma referência indireta ao presidente eleito dos EUA, Barack Obama.
"Esse século 21 é o século dos negros, das mulheres, e acho que isso vai ser muito bom para o mundo, porque diz respeito a uma parte significativa da população", afirmou a ministra.
Questionada se estava assumindo publicamente a candidatura presidencial, preferiu desconversar: "Não estou cogitando neste momento. Estou falando em tese. Qualquer consideração a respeito vai dar origem a um tipo de avaliação que não é ainda o que está maduro".
Em entrevista a jornais italianos, na semana passada, Lula disse que Dilma seria a pessoa certa para sucedê-lo: "Depois de mim, quero que o Brasil seja governado por uma mulher. E a pessoa certa é Dilma Rousseff". Ontem, observando que Lula ainda não formalizou diretamente a ela qualquer convite, Dilma comentou as declarações: "Obviamente que qualquer pessoa se sente bastante gratificada em ser pensada para um cargo dessa magnitude".
A entrevista foi interrompida por sucessivas intervenções do presidente do Ibef (Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças), o ex-deputado federal Márcio Fortes, político do PSDB ligado ao governador José Serra. Educadamente, Fortes procurava encaminhar a ministra para o salão em que o evento seria realizado.
Provocada pelos jornalistas sobre a coincidência -um militante do PSDB interrompendo a entrevista de uma provável candidata do PT-, a ministra reagiu com bom humor: "Pois é, e nós gostamos que o Serra dê entrevistas". Líder nas pesquisas de intenção de voto, Serra é apontado como o provável candidato do PSDB em 2010.
Lágrimas No discurso em homenagem à diretora da Petrobras, escolhida executiva do ano pelo Ibef, a ministra Dilma Rousseff defendeu as ações do governo para tentar minimizar os efeitos da crise financeira. Ela declarou que novas medidas para estimular o mercado interno serão adotadas se houver necessidade. Segundo ela, os investimentos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) serão mantidos.
No final do evento, em seu discurso sobre Foster, a ministra se emocionou -ensaiando até algumas lágrimas- ao lembrar que sua amizade com a diretora da Petrobras se intensificou ao longo dos últimos anos, quando ambas trabalharam na elaboração da política energética e na infra-estrutura que possibilitou ao país importar e produzir gás natural.
Escrito por Flavio DeABel às 20h22
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RECESSAO?
Recessão
BOLETIM SERIDOENSE N.16255
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
A crise promete ficar mais aguda. Os Estados Nacionais estão cada vez mais impotentes diante das necessidades do mundo. Fizemos as revoluções, chegamos aos Estados Nacionais. Depois, dissemos não ao Estado, e que tudo seria melhor com o Mercado, com a livre iniciativa. Eis que a crise chega e o Estado tem que apaziguar, amenizar, resolver o problema.
Então, quem está certo? Os que defendem a iniciativa privada em detrimento da iniciativa publica? Quem gerou a crise? O Estado ou o setor privado? Quem é responsavel pelo subprime norteamericano?
"Subprime" são os créditos de alto risco que, concedidos maciçamente nos EUA nos últimos anos, resultaram em uma onda crescente de inadimplência que está no epicentro da crise econômica mundial.
TRIBUNA DO NORTE/WODEN MADRUGA
A barra não está mole, mesmo não. O jornal o Estado de S. Paulo, edição onlaine, dá destaque: “Brasil corrre o risco de entrar em recessão. A manchete está estribada na afirmação de um diretor do Morgan Stanley:
- O Brasil corre o risco de entrar em recessão no 1º trimestre de 2009, disse nesta terça-feira, 18, o economista-chefe do Morgan Stanley, Marcelo Carvalho: “O Brasil está mais sensível ao quadro internacional do que se pensava. O país deve crescer 2% em 2009 ou menos e o risco de recessão existe”.
PAULO RABELLO DE CASTRO
Recessão, depressão ou deprimidos?
Ao lutar contra o ajuste sempre adiado, os atuais dirigentes encomendam mais recessão com inflação
| MUITA GENTE boa acha que, sem medidas rápidas, o mundo pode cair numa depressão. O recém-agraciado Nobel em Economia, Paul Krugman, também acha. Em artigo, chama a situação atual de "economia da depressão". Seria aquela em que as medidas comuns de política econômica, como injetar liquidez nos mercados, para reanimar vendas, perderam eficácia. A receita de Krugman é: o governo americano deve perder também o juízo e abrir o cofre, sem se preocupar com o déficit fiscal. E se a economia superaquecer em razão disso, então "o Fed poderá elevar as taxas de juros". Qualquer um "é contra" a economia da depressão. E quem seria a favor? A questão, no entanto, se situa exatamente nesta dúvida: será que alcançaremos mais prosperidade apenas por adotar a negação do atual ajuste recessivo? Mesmo sem admiti-lo, Krugman endossa a escola monetária de Alan Greenspan, que conseguiu aplainar quatro ajustes recessivos da economia americana durante sua longa gestão (1987-2005). No Fed, Greenspan convenceu seus pares a injetar uma quantidade trilionária de dólares "sem lastro" na economia. Minimizou os juros e endividou os pobres e a classe média nos EUA. O resultado acumulado de tantas pedaladas macroeconômicas aí está: uma crise de dívida global sem precedentes, que vai dos EUA à China! Krugman erra quando sugere a reincidência na liquidez exagerada e no rebaixamento de juros como fórmulas para sair da "economia da depressão". A economia mundial ainda está longe da deflação de preços dos anos 30. A temida depressão poderá vir, sim, se as autoridades mundiais persistirem atuando contra o ajuste da economia real em vez de permitir as acomodações de valor dos ativos. Mesmo dolorosos, os ajustes de preços são essenciais. Ben Bernanke e Henry Paulson, discípulos de Greenspan, e outros seguidores deste mundo afora não têm feito outra coisa senão injetar mais liquidez e baixar juros: no último mês, as operações de compra de títulos "micados" pelo Fed vêm ocorrendo ao ritmo alucinante de US$ 150 bilhões por semana. Uma tragédia para a estabilidade monetária e fiscal dos EUA, na futura gestão Obama. A própria confiança no dólar está seriamente comprometida. A onda a favor do dólar pode revirar amanhã, contra a moeda americana, sem aviso prévio. Geraria, então, a inflação "prevista" por Krugman. O Fed defenderia sua moeda com juros brutais. Aliás, o homem dos juros brutais -Paul Volcker- já está a postos... Só que, distintamente do que afirma o Nobel em Economia, a inflação do dólar não viria em razão de qualquer "superaquecimento" da produção, mas por uma mistura cruel de estagnação da economia produtiva com inflação galopante. Sabemos bem o que é isso. A lição desta crise global é clara: ao lutar contra o ajuste sempre adiado, os atuais dirigentes políticos, aflitos e confusos, encomendam mais recessão com inflação, amanhã. Talvez até uma depressão esteja por vir, se a confiança nos regimes monetários finalmente se esgotar. A crise da grande bolha de Wall Street diminuiu a estatura dos homens que a enfrentam. O generalismo e a falta de foco das propostas de combate à crise colecionadas pelo G20, na semana que passou, demonstram o grau de perplexidade, não só dos economistas, como das autoridades que se debruçam sobre a "genética" dessa doença. Como areia movediça, quanto mais nos debatermos, mais rápido afundaremos.
PAULO RABELLO DE CASTRO, 59, doutor em economia pela Universidade de Chicago (Estados Unidos), é vice-presidente do Instituto Atlântico e chairman da SR Rating, classificadora de riscos. Preside também a RC Consultores, consultoria econômica, e o Conselho de Planejamento Estratégico da Fecomercio-SP. Escreve às quartas-feiras, a cada 15 dias, nesta coluna.
paulo@rcconsultores.com.br
Escrito por Flavio DeABel às 22h36
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QUAL O SEU PRECO?
Millôr Fernandes
Dizem por aí que todo homem tem seu preço. Há quem vá mais longe afirmando que alguns homens são vendidos a preço de banana. Sempre esperei, na vida, o dia da Grande Corrupção, e confesso, decepcionado, que ele nunca veio. A mim só me oferecem causas meritórias, oportunidades de sacrifício, salvações da Pátria ou pura e frontalmente a hedionda tarefa de lutar.. . contra a corrupção. Enquanto eu procuro desesperadamente uma oportunidade, as pessoas e entidades agem comigo de tal forma que às vezes chego a duvidar de que a corrupção exista. Mas, falar em corrupção, como anda a sua? Vendendo saúde ou combalida e atrofiada como a minha? Responda com muito cuidado às perguntas abaixo e depois conclua sobre sua própria personalidade: você é um corrupto total ou um idiota completo? (Não há meio-termo.) Conte 10 pontos para cada resposta certa (você é quem decide qual é a certa) e verifique depois o grau de sua corruptibilidade. Nota: Se você roubar neste teste, é porque sua corrupção é mesmo absolutamente incorruptível.
A) Você descobre que o chefe do seu departamento está com um caso complicado com a secretária do outro chefe em frente. Você: 1) Finge que não viu nada. 2) Diz à secretária que ou também está nessa ou vai botar a boca no mundo. 3) Oferece o seu sítio ao chefe pra ele passar o fim de semana. 4) Bota a boca no mundo. 5) Insinua ao chefe que há a perigosa hipótese de a mulher dele vir a saber (e enquanto isso põe a promoção embaixo do nariz dele pra ele assinar).
B) Você acha que a Lei e a Ordem é uma mística social maravilhosa para: 1) Impor a lei e a ordem. 2) Acabar com a grita dos descontentes. 3) Grandes oportunidades de ganhar algum por fora. 4) Dividir o bolo entre os íntimos sem ninguém de fora piar.
C) A primeira vez em que você ouviu falar do escândalo de Watergate você disse: 1) Isso é que é país! 2) Como é que o governo americano permite uma imprensa dessas? Isso desmoraliza um país! 3) Eu não compraria um carro usado desse Nixon. 4) Isso jamais aconteceria entre nós. 5) Quanto terão levado esses caras pra se arriscarem dessa maneira?
D) Você, como representante oficial da fiscalização, comparece à apresentação de contas, em dinheiro, no Instituto dos Cegos. Fica surpreendido com o alto volume das arrecadações e em certo momento: 1 ) Diz : "Estou surpreendido com a miserabilidade dos donativos". E tenta enrustir algum. 2) Diz: "Como representante do fisco sou obrigado a reter 30% de tudo porque esta arrecadação é totalmente ilegal". 3) Diz: "Teria sido até uma boa arrecadação se metade das notas não fossem falsas". 4) Disfarça bem a voz e diz, entredentes: "Todos quietinhos aí, seus Homeros de uma figa: Isto é um assalto!"
E) Você se demite do cargo de maneira irrevogável por insuportáveis pressões morais e absoluta impossibilidade de compactuar com a presente política da firma. Eles prometem triplicar o seu salário. Você: 1) Recusa, indignado, por pensarem que é tudo uma questão de dinheiro. Só ficará se eles derem também as três viagens anuais à Europa a que todos os diretores têm direito. E participação nos lucros retidos da companhia. 2) Diz que, evidentemente, isso e uma prova moral de que eles estão de acordo com você. O dinheiro, aí é definitivo como demonstração de confiança na sua gestão. 3) Pede para pensar 5 minutos antes de dar a resposta. 4) Explica que tem mulher e filhos e não pode manter um pedido de demissão feito, afinal de contas, por motivos tão irrelevantes.
F) Há uma diferença fundamental entre fraudar e evitar o imposto de renda. Quando você descobriu isso, você: 1) Ficou indignado com as possibilidades de os poderosos usarem tudo a seu favor. Como é que se pode escamotear um ordenado? 2) Começou a estudar furiosamente a legislação para descobrir todos os furos. 3) Tinha 11 anos de idade e estava terminando o curso primário. 4) Nunca mais pagou um tostão de imposto.
G) Você dá uma nota de 10 pra pagar o jornal, no jornaleiro velhinho da banca da esquina, e percebe que ele lhe deu 50 como troco. Você imediatamente: 1) Corrige o erro do velhinho? 2) Reclama chateado aproveitando a gagaíce do vendedor: "Pô, eu lhe dei uma nota de 100?" 3) Chega em casa e manda todos os seus filhos comprarem vários jornais? 4) Bota o dinheiro no bolso e fica freguês?
H) Você teve que fazer um trabalho na rua, não pôde almoçar, comeu um sanduíche. Você apresenta a conta na companhia: 1) Um sanduíche - 3 cruzeiros. 2) Almoço - 32 cruzeiros. 3) Almoço com o representante da A&F Ltda. - 79 cruzeiros. 4) Despesas gerais - 143 cruzeiros.
I) Quando o desfalque dado pelo auditor geral (8.000.000 pratas) chega a seus ouvidos você murmura: 1) "Idiota, se deixar apanhar assim". 2) "Será que eles vão descobrir também os meus 10.000?". 3) "Se ele tivesse me dado 10% eu tinha feito o negócio de maneira que ninguém nunca ia descobrir". 4) "Eu fiz bem em não entrar no negócio".
Conselho de amigo:
Quando alguém, na rua, gritar "Pega ladrão!", finge que não é com você.
Texto extraído do livro
"Todo homem é minha caça",
Editorial Nórdica Ltda. -
Rio de Janeiro, 1981, pág.60.
Escrito por Flavio DeABel às 18h15
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